- Um cubo ?
- Exato, um cubo. Um cubo de um quilômetro de lado.
- Não seria melhor ter chamado um matemático?
- Calma, senhora e senhores. Permita-me explicar. Não se trata de um cubo qualquer, é algo que não foi feito ainda.
- Ah.. um engenheiro então!
Penske sorriu. Era melhor esperar alguns segundos para os ânimos se acalmarem. Pegou um caneta marcadora com excessivo cuidado e começou a usar o flipchart. Depois de desenhar um quadrado e começar a transformá-lo em um cubo, falava:
- Pensem em um cubo de um quilômetro de raio. Este cubo contém ar.
- A que pressão? perguntou Tanaka de pronto.
- Isso os senhores me dirão. Para iniciarmos a modelagem, vamos pensar que esse cubo fica no vácuo.
- Agora quem quer saber a pressão sou eu. São seis quilômetros quadrados de material para conter isso - completou Collins.
- Por isso eu o trouxe aqui, dr. Collins. Começo pelo senhor. Um cubo de um quilômetro de lado precisaria de paredes um tanto espessas para conter ar lá dentro, correto ?
- Sr. Penske, apenas pense em uma nave espacial, e a faça grande. Isso sem mencionar como colocar isso tudo ali. Uma chapa de dez polegadas pesa quase duas toneladas por metro quadrado. Isso dá doze mil toneladas de chapas de aço, em uma conta rápida.
- É preciso que sejam chapas de dez polegas, doutor?
- Não sei, depende da pressão.
- Ok, deixemos assim.
O espanto era geral.
- Não sei se devo perguntar, sr. Penske, mas como o lado de fora de um cubo de um quilômetro de lado pode estar no vácuo?
- Em órbita. Cerca de mil quilômetros de altitude.
- Claro, eu devia ter pensado nisso.
- Senhor Penske... Doze mil toneladas de aço em órbita alta não é exatamente algo corriqueiro. O senhor Garret pode confirmar o que direi, mas é quatro vezes a massa total do Saturno V, e ele era composto por 91% de combustível.
Garrett concordou com a cabeça, mas não queria falar nada. Queria mesmo saber até onde essa conversa iria.
- Sei disso, dr. Rodriguez. Mas deixemos isso de lado também.
- Claro...
- Imagino que o senhor também não queira discutir como montar esse cubo, ou como instalar uma - Tanaka olhou para os lados antes de concluir - válvula.
- Exatamente, dr. Tanaka. Quero apenas discutir o cubo ali, pronto e cheio de ar.
- Desculpe, sr. Penske, mas realmente está um tanto estranho isso tudo. Um cubo de aço no espaço, cheio de ar. O senhor quer saber se vai chover lá dentro?
- Suponho que neve, na verdade, por causa das temperaturas baixíssimas no espaço. Mas sem a gravidade, o que acontece com a umidade do ar, e poluentes, gás carbônico, pó... tudo. Pensem que colocamos esse ar de uma vez lá dentro.
Quase nenhum dos presentes entendia nada, mas Garrett se levantou e falou baixo inicialmente.
- Seu filho da puta.
- Perdão?
- Penske, seu filho da puta - Garrett abriu um sorriso - você conseguiu.
- Sim, eu consegui.
Garrett juntou as mãos na frente do rosto, mas o misto de surpresa e alegria saia por todos os lados. Ele se sentou novamente, mas conseguiu falar.
- Isso vai dar um trabalho do cão...
Nenhum comentário:
Postar um comentário