segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Egito - Dia 27 - Vale dos Mosteiros

Lembram do perrengue que eu prometi? Foi neste ponto da viagem.

Muito antes de sairmos do Brasil, recebemos da Lycia Reys Turismo um caderno completo com informações de viagem, e uma segunda versão, com detalhes apenas dos traslados, vouchers, passagens e estadias. Realmente, de profissionalismo ímpar. Nesse caderno, contava nossa última estadia no Cairo, até dia 2 de maio, quando deixaríamos o hotel para o aeroporto. O vôo sairia à 1h30, o que implica chegar ao aeroporto 22h30 da véspera para trâmites usuais. Seguindo as contas, era necessário deixar o hotel, então, por volta das 21h. Nenhuma estranheza até aqui.

Porém, nosso caderno técnico dizia que tínhamos direito a estadia no hotel até o horário de saída para o aeroporto. Sair de um hotel às 21h é algo realmente fora do usual: o máximo de late checkout que eu tinha visto era 15h. Talvez, então, isso significasse uma diária a mais a ser paga.

O ponto é que tínhamos pago tudo antes. Bem antes, na verdade: 2019. Então, esse custo, se houve, não deveria ser nosso. E foi onde meu parceiro de viagens antecipou brilhantemente que poderia haver problemas. 

Ainda em Hurgadha, ele preparou o movimento. Trocou mensagens com nosso receptivo perguntando até quando era nossa estadia final. Ele caiu direitinho, dando a resposta padrão que estava no nosso caderno: até a hora de ir para o aeroporto. Daí, ao mencionarmos que o horário era 21h para sair do hotel, ele concordou que esse era o horário para ir para o aeroporto, mas o checkout teria que ser feito antes. 

Mantivemos posição firme mesmo ao chegar ao hotel. Eles tinham essa mesma informação que o receptivo: deveríamos fazer checkout às 15h. A troca de mensagens foi tensa e intensa, mas o tempo todo tivemos suporte do Brasil. 

E a vitória foi bela, a ponto da operadora trocar nosso receptivo. 

Tenho, ainda duas teorias sobre o caso. Na primeira, a operadora no Cairo (ou alguém dentro dela) tentou embolsar essa provável diária a mais para o hotel, às custas de encurtar nosso último dia. Na segunda, tudo estava certo desde o início, e o operador apenas tentou criar uma dificuldade falsa para merecer os louros da solução de um problema que nunca existiu. Sem provas, acredito mais na primeira. 

Mas vamos passear ! 

A região de Wadi Al-Natroum concentra antigos mosteiros coptas ainda ativos. Fica a 110km do Cairo e exige mais de um pingo de conhecimento e vontade para, de fato, ir visitar. 

O problema central, como de costume, é religião. A religião copta é proibida de praticar proselitismo. Isso significa não poder buscar ou mesmo aceitar novos fiéis. Apenas os filhos dos coptas podem ser educados nessa fé. Na prática, é uma religião em processo de extinção acelerado. 

Como foi passeio extra, sem nenhuma programação prévia exceto a disponibilidade do guia e do motorista, identificar exatamente quais locais foram visitados se tornou uma pesquisa de identificação de imagens. Fiz meu melhor.

Não consegui identificar imagens da primeira visita. Não fotografei placas, infelizmente. Mas prometo atualizar este post se novas informações ajudarem. 

Monastério de Santa Maria Deipara (não pronuncie isso) (sim, você pronunciou isso...) certamente foi o segundo. As cúpulas hemisféricas são bem marcantes tanto por fora quanto por dentro. 

Monastério de São Marcário o Grande foi o terceiro. Este se destaca com uma torre bem alta, visível a distância da região relativamente plana. 

Algumas fotos:





fotos: variados mosteiros na região de Wadi Al-Natroum

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Egito - Dia 19 a 26

Não vou aqui, amigo leitor, relatar cada um dos 18 mergulhos que diz na semana seguinte. O relato é feito no tal logbook, com informações técnicas e narração de eventos e achados durante cada descida. Mas vejam bem... se eu não achasse isso o máximo, não teria dedicado 7 dias da viagem a isso, né? E muito do que teria a relatar não faz sentido algum para quem não tem certificação em mergulho, incluindo especialidades às quais me dei ao trabalho de cursar (profundo, noturno, nitrox, navegação, busca e recupeção). Sim, já fiz isso antes neste blog, mas mudei de ideia.

Acho mais pertinente, e útil, contar a experiência de live aboard, que é passar o tempo todo dentro do barco, fazendo as refeições e dormindo nele. É um cruzeiro de mergulho, para trocar palavras. 

Havia termores, claro. O barco fica em alto-mar por uma semana, parando nos pontos de mergulho mais interessantes. E não é aquelas embarcações enormes que vemos nas propagandas de joguinhos, é uma operação bem mais modesta em termos de tamanho. 


A viagem, então, era para o balneário de Hurghada, no mar Vermelho. Um translado rápido nos colocou a bordo dessa coisa fofa aí na foto. O barco tem capacidade para 30 mergulhadores, mais tripulação, instrutores de mergulho e instrutor local de mergulho (é uma categoria a parte).

O resto do dia não tinha atividades, pois chegamos ao barco às 12h, mas o checkin seria apenas às 19h. Perdemos um dia nisso, na prática. Mas relaxamos pela pequena marina local, e almoçamos. 

À noite, conhecemos os demais 17 passageiros (todos espanhóis) e os instrutores (1 egípcio no cargo de instrutor local, 1 argentino, 1 espanhol e o instrutor lider, também espanhol). As pessoas respeitaram, pelo menos um pouco, nosso apelo por falarmos em inglês.

Nossa cabine ficava na parte do fundo do barco, a mais econômica. Era um quarto com uma casa de casa e uma de solteito. Havia cabine com cama de casal e beliche. Todos eram suíte. No segundo deck, estava o salão de jantar e a área de reunião. Do lado de fora, ficavam as instalações de mergulho e o acesso às estruturas do barco, como cabine do capitão, cozinha e quarto da tripulação. O terceiro deck tinha uma área de convívio e as cabines mais cara, que contavam com visão melhor do mar. O deck superior tinha um grande solário com espreguiçadeiras e o assento do piloto.

Antes de escrever, fiquei procurando palavras e expressões para descrever o atendimento a bordo, incluindo os instrutores de mergulho e tripulação (cozinheiros, camareiros e suporte ao mergulho). Seguem algumas: incrível, sensacional, maravilhosa, fantástica, absurda, genial, de outro mundo, classe A, VIP, top, topzeira, animal, fabulosa, fora de série. Nós nos sentimos perfeitamente atendido em toda e qualquer dificuldade enfrentada em 100% do tempo.

A comida era sempre farta, deliciosa e variada. Sempre havia variantes de proteína e sobremesas. Eu diria que 3 das 5 melhores refeições da viagem foram no barco. Nossa cabine era arrumada a cada vez que saímos dela. A água do banho era quente e dessalinizada, o que a tornou os melhores banhos não apenas da viagem, mas talvez da minha vida. Os instrutores Sérgio, Huete, Mariano e Awad eram absolutamente capacitados e bem humorados, sempre dispostos a ajudar e melhora nossa técnica. 

E meu maior temor se provou apenas isso:um temor. Tnha medo de ficar enjoado com o movimento do barco. Isso logo se provou falso, talvez pelo mar ser muito calmo na região.

A rotina era bem puxada, iniciando-se a primeira reunião às 6h30, antes mesmo do café da manhã, de modo a permitir até 4 tanques por dia. E consegui bater essa meta em duas ocasiões. 

Enfim, a operação da Blue Force é absolutamente recomendada por este mero blogueiro viajante mergulhador em quaisquer aspectos possíveis de análise.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Egito - Dia 18 - Meidum

Meidum é, surpresa !, outra necrópole. Fica ainda mais ao sul, depois de Sakkara e Dashur. A pernada de van foi de mais de 1h, mas sabíamos o que estávamos fazendo.

A Pirâmide de Meidum, ou Pirâmide Colapsada, foi construída por Huni, último faraó da III Dinastia. Seu revestimento externo caiu por completo, dando a ela o aspecto atual. Acredita-se que tenha acontecido à época da construção e as falhas de projeto e execução tenham sido instrumentais no desenvolvimento que aconteceria nos anos seguintes. 


Fotos: Pirâmide de Meidum, Meidum, Egito, 2022

A seguir visitamos diversas mastabas, bem menores, no entorno. Algumas delas eram particularmente complicas de entrar, mas dei conta sim e não perdi nada.

Esse era o passeio do dia, mas não havia qualquer razão para voltar para o hotel. Então, nosso guia Ehab nos fez uma agradável surpresa: Oásis de Fayium.

Ao contrário dos filmes e desenhos animados, um oásis não cabe em uma foto. É uma área grande, a perder de vista, e habitada. Tem cidade. É, inclusive, um centro turístico popular entre os egípcios. E é possível encontrar coisas assim:

Foto: Cachoeira, Oásis de Fayium, Egito, 2022

Revigorados e felizes, tocamos para o hotel. Era dia de dormir cedo, bem cedo. E antes disso, rearrumar as malas, pois era dia de, olha só, viajar. Tudo pronto, acertamos de deixar para trás as malas com coisas que não usaríamos na próxima semana. 

Esse acerto, porém, plantou uma semente de problema que seria colhida dias depois. Nossa ideia original era deixar as malas no hotel onde ficaríamos depois (era outro), por questão de praticidade. Porém, nosso receptivo ofereceu esse transporte entre hotéis por valores em dólares que não faziam o menor sentido mesmo em libras egípcias. Isso nos colocou em alerta imediato. Falamos com o hotel onde estávamos e não voltaríamos, pedindo para deixar as malas ali mesmo. Fomos pronta e alegremente atendidos, sem custo extra.

Sem que soubéssemos, isso aparentemente "magoou" o receptivo no Cairo.



terça-feira, 9 de agosto de 2022

Egito - Dia 17 - Mesquitas

De volta ao Cairo, afinal, ainda tínhamos coisas a ver por lá.

O dia começa com a Cidadela de Saladino. Com importância tanto religiosa quanto política, essa construção de mais de 800 anos. Trata-se de um conjunto de edificações, com mesquitas, museus e mesmo alguns parques, dado o livre acesso. 

A Mesquita de Muhammad Ali (o governante, não o boxeador) é bem nova, datando do século XIX e não tendo ainda completado 200 anos (o que é pouco mais do que um espirro na história do Egito). Era minha primeira visita a uma mesquita, então muitas características visuais eram completamente novas. Os espaços são muito amplos, iluminados e arejados. Os arcos são todos circulares, com grandes abóbodas semi-esféricas. A decoração usa muito, mas muito mesmo, mármore claro, em combinações riquíssimas com pedras de outras colorações.

É obrigatório tirar calçados e chapéus para entrar nela. Além do natural turismo estrangeiro, era possível ver locais relaxando e interagindo. É um espaço de vivência e convivência, bem diferente da opressão silenciosa das catedrais católicas. É um lugar mais vibrante e vivo. 


fotos: Mesquita de Muhammed Ali, Cairo, Egito, 2022

Logo ao lado, havia outra mesquita: Al Nasir Muhammed. Menor, e com leve "embicamento" nos arcos dando uma sutil impressão de arcos góticos, ela data do século XIV. 


fotos: Mesquita de Al Nasir Muhammed, Cairo, Egito, 2022

Na sequência, Mesquita do Sultão Hasan. Desta vez, temos uma estrutura religiosa associada a uma instituição de ensino. O local era uma espécie de faculdade em seus tempos, mas também foi usada como fortificação militar em algumas ocasiões. Fiquei me devendo uma boa foto do portão de entrada, que é belíssimo.


fotos: Mesquita de Sultão Hassan, Cairo, Egito, 2022

A Mesquita de Al-Rifa´i, construída no século XX, foi visitada no horário de almoço, justamente quando alguns fiéis faziam suas orações. Nela estão sepultados diversos personagens históricos, com destaque para o último Shah da Pérsia. 


fotos: Mesquita de Al-Rifa´i, Cairo, Egito, 2022

Para finalizar, fomos à Mesquita de Ibn Tulun. Neste caso, a maior curiosidade foi o fato dela ter sido projetada com sistemas de proteção contra incêndio e alagamento. De fato, em mais de 1.100 anos de história, ela jamais foi atingida por nenhuma dessas catástrofes. De modo simples, ela foi feita com elevação de mais de 1m em relação ao entorno, com um uma murada de proteção que criar uma enorme vão (mais de 10m) entre o exterior e o interior.


fotos: Mesquita de Ibn Tulun, Cairo, Egito, 2022

Isso concluiu nosso passeio oficial. Mas a "falta do que fazer" nas horas seguintes nos deixou ir ao Museu Nacional do Cairo, pela 2a vez. Bem mais vazio que na visita anterior, pudemos contemplar a Máscara de Tut por quase 1h.
O ponto negativo foi o fato do museu fechar 1h mais cedo (16h) por causa do Ramadã, sem que ninguém nos tivesse avisado nada até 15h50. É impressionante como os caras têm um país tão cheio de coisas para visitar e não tem o menor cuidado com os mais simples conceitos de atendimento ao cliente.




sexta-feira, 29 de julho de 2022

Egito - Dia 16 - Dashur e Memphis

Conceitualmente, amigo leitor, é um dia similar ao anterior. Trata-se do entorno (ao sul) do Cairo, um pouco mais longe apenas. Segundo nosso guia Ehab, inclusive, é possível que as necrópoles de Gizé, Sakkara e Dashur sejam uma só caso novas descobertas entre elas as "conectem".

A Pirâmide Torta, construída no reinado do faraó Snefru (Sneferu) é peculiar pela mudança de inclinação. Em algum momento da construção, notou-se que... não ia dar certo. O interior é visitável, mas conforto é um conceito que passou longe. São mais de 80 de túneis com teto baixo e inclinação. Vale muito a pena fazer o passeio. 


fotos: Pirâmide Torta, Dashur, Egito, 2022.

Pirâmide Vermelha, deve-se dizer, não é vermelha. Isso não causou a mínima surpresa, dado que eu tinha estudado bastante o assunto. Acredita-se que nela foram colocados os restos mortais do faraó Snefru (Sneferu). É a mais antiga pirâmide completa e correta, dado que estamos falando aqui do fundador da IV Dinastia e antecessor de Khofu, mais conhecido como Quéops. Como na anterior, ela também é visitável e também demanda esforço, embora menos neste caso.


fotos: Pirâmide Torta, Dashur, Egito, 2022.

Seria perfeitamente aceitável chamar isso de um dia, mas não... Somos os malucos que querem (e conseguem) espremer qualquer fração de tempo e criar novas oportunidades. Então o plano foi seguir e tocamos para Memphis, uma das antigas capitais. 

Memphis não é tão bacana de visitar ainda, pois é um trabalho arqueológico mais recente. Muita coisa ainda está sendo encontrada e catalogada. Desta forma, é mais um museu a céu aberto (sol aberto ?) do que exatamente um sítio arqueológico. O destaque é (mais) uma estátua gigantesca de Ramsés II, desta vez em posição horizontal, na única parte coberta do passeio. Pode-se ver mais de perto os detalhes assombrosamente entalhados da parte superior dela. 


fotos: Ramsés II, Memphis, Egito, 2022.





terça-feira, 26 de julho de 2022

Egito - Dia 15 - Sakkara

Amanhecemos de guia novo, amigo leitor. Sem entrar em detalhes desnecessários, acabamos por solicitar a troca no final do dia anterior. Não quero aqui desmerecer o trabalho de Ahmed, mas acabamos sentido que era melhor fazer essa solicitação, à qual foi prontamente atendida. A partir de agora, teríamos Ehab. Já adianto que a troca foi muito positiva. 

Depois de exaurir tudo que havia para ver no Cairo, era o momento de começar o entorno. Acaba sendo uma surpresa dizer que, em nossa visão, a cidade do Cairo não é isso tudo de interessante. Mesmo nossa operadora começou a ter dificuldade de sugerir passeios para os dias livres além do que estava programado. 

A necrópole de Sakkara é uma concentração de tumbas realmente muito antiga. No entanto, a região foi usada para essa finalidade por bastante tempo também, em algumas "ondas" ao longo da história. É impraticável pensar as visitas em ordem cronológica, então vimos em ordem mais geográfica para otimizar o passeio. E, para nossa alegria, já é um passeio fora da lista principal de turismo, o que deixava a área bem mais vazia.

Teti foi um faraó da VI Disnatia, e teve seu local de repouso construído em uma pequena pirâmide. Embora pequena, a decoração é muito rica, já mostrando a transição para construções que dominariam a paisagem no Médio Império, embora ainda se tratasse do Antigo. O baixo relevo é muito preciso e mesmo o teto recebe a devida atenção.

foto: Pirâmide de Teti, Sakkara, Egito, 2022.

A seguir, fomos para a mastaba de Kagemni (não recomendo pronunciar o nome) (sim, você pronunciou o nome...). Ele foi vizir de Teti, e provavelmente casou com uma de suas filhas. É uma tumba plana e quadrada, com mais de 30m de lado. Honestamente, achei a decoração mais impressionante que a de Teti, tanto pelo baixo relevo quando pelo uso inteligente de cores.

foto: Mastaba de Kagemni, Sakkara, Egito, 2022.

Outro vizir com bela mastaba foi Mereruka, mais um poderoso vizir durante a VI Dinastia. Sua influência aparece na enorme construção com 33 salas, todas elas decoradas com fases variadas de sua vida e obra, bem como com cenas do cotidiano da época. A foto que separei abaixo mostra hipopótamos sendo caçados, por exemplo. 

foto: Mastaba de Mereruka, Sakkara, Egito, 2022.

A parada seguinte era o curioso Sarapeum, já do período Ptolomaico. De modo simples e direto, é um cemitério de vacas. São sarcófagos enormes, colocados em salas ou menos nos corredores, para sepultar as múmias de vacas. Não há muita decoração, mas mesmo os sarcófagos em mármores são belíssimos.

foto: Sarapeum, Sakkara, Egito, 2022.

Seguimos, então, para o passeio principal do dia: Pirâmide Escalonada de Djoser. Era simplesmente um dos passeios que eu estava mais ansioso para fazer, e já digo que superou as expectativas.

Tecnicamente, nada mais é do que empilhar 6 mastabas quadradas progressivamente menores. O desafio é técnico: como fazer isso ficar em pé. Se o amigo leitor não captou o desafio, esclareço: ninguém tinha conseguido isso antes. Imhotep (aquele mesmo, do filme...) achou as soluções estruturais para construir e manter uma pirâmide escalonada com 6 (originalmente eram 3) degraus, chegando a 62,5m de altura. 

Sim, eu entrei.



foto: Pirâmide de Djoser, Sakkara, Egito, 2022.

Sim, há outras estruturas no complexo. Mas nada é relevante assim.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Egito - Dia 14 - Bairro Copta e Museu da Civilização

Já digo que foi um dia abaixo do esperado, amigo leitor. Tivemos contratempos e falhas neste dia. Mas não foi tudo perdido, longe disso.

O bairro copta é uma parte do Cairo onde se concentram os cristão coptas, uma linhagem particular do Cristianismo com algumas mudanças nas crenças e dogmas. Olhos destreinados os confundiriam com Ortodoxos, mas isso é bem errado. E poderia até soar ofensivo.

O primeiro passeio foi pela Igreja de São Jorge Mártir (aquele mesmo, do dragão e tal...). É uma igreja muito antiga, mas ainda em uso. Apesar de datar do século V (acho eu), ela foi significativamente renovada no século XVIII, o que tirou quase todos os traços da antiguidade dela.

foto: igreja de São Jorge Mártir, Cairo, Egito, 2022.

A segunda parada foi a Igreja de São Sérgio, que apesar da idade era bastante modernizada também. De origem grego-ortodoxa, ela é praticamente circular e muito bonita de ver. 

foto: igreja de São Sérgio, Cairo, Egito, 2022

Depois, visitamos a igreja de Santa Maria Virgem também conhecida com Igreja Suspensa. Ela tem esse nome pode ter, no subsolo, um segundo conjunto de salas e câmaras consagradas. Alegadamente, foi nessas câmaras que Jesus e família viveram em parte de sua estada pelo Egito. Certamente as marcas deixadas eram sinais para os turistas dos século XX e XXI imediatamente saberem... 

foto: igreja de Suspensa, Cairo, Egito, 2022

Na sequência, deixamos de visitar a sinagoga de Ben Erza, fechada para reforma. Também falhamos na igreja de Santa Bárbara por estarmos de bermudas e ser obrigatório o uso de calças compridas. Isso nos deixou muito decepcionados pois, cientes do conteúdo do passeio, eu perguntei especificamente sobre isso na véspera, e o guia nos disse que não haveria problemas. De fato, não custava tanto assim levar uma calça na mochila, mas a falha não foi nossa. Ademais, minha paciência com lugar que tem frescura com código de vestimenta já tinha acabado ainda em Dubai. 

A seguir, fomos para o Mosteiro de São Simão, conhecida como Igreja da Caverna por ser em uma caverna. Outro furo aqui: embora fosse possível entrar, a visita foi super restrita por estar acontecendo uma missa no horário da visita. Tampouco adiantaria esperar, segundo nos informaram. 

fotoigreja da Caverna, Cairo, Egito, 2022

Com tempo de sobra, terminamos com uma rápida passagem pela Igreja de São Marcos, também em uma caverna, mas com uma linda árvore no canto. Isso dito, ela tem muito mais cara de "igreja na caverna" que a anterior. As fotos não mentem:

foto: Igreja de São Marcos, Cairo, Egito, 2022

De lá, seguimos para o Museu da Civilização. É nele que ficam, agora, as dezenas de múmias não mais expostas no Museu Nacional do Cairo. 

Embora seja um museu mais espaçoso do que efetivamente denso, foi uma visita interessante. Era possível ver cada item com facilidade e aproveitar as explicações tanto escritas quanto verbais de nosso guia. Não era possível fotografar as múmias, por questões de preservação. Mas relato que toda a 18a dinastia estava ali.

Apesar dos tropeços, foi um dia bom sim.



segunda-feira, 27 de junho de 2022

Egito - Dia 13 - Museu Nacional do Egito

Apesar no nome do post, há um dia a mais em relação ao anterior. Ocorre que relatei os dois dias que passamos por Abu Simbel em um post só, e não tinha muito o que falar da viagem de avião para o Cairo, o o restante da tarde descansando um pouco...

De fato, abrimos este dia na porta do Museu Nacional do Cairo. É preciso dizer que, com a inauguração próxima do Novo Museu, o tradicional (que fica na Praça Tahir) está bem sofrido. Muita coisa já foi encaixotada e levada. Muita coisa também foi encaixotada... e ficou ali mesmo. Acaba, com isso, se tornando um passeio abaixo do potencial, embora ainda assim muito interessante:



fotos: Museu Nacional do Egito, Cairo, Egito, 2022.

O ponto alto da visita é a sala com os tesouros de Tutankhamon. O cara nem foi um faraó tão relevante assim. Mas o fato de sua tumba ter sido encontrada intacta e repleta de tesouro tornou a descoberta uma história á parte. A mística é certamente maior que o homem.

Não é permitido fotografar essa sala, e ela permanece lotada por todo o funcionamento do Museu. Mas observar a máscara de perto, a menos de meio metro de distância, é realmente emocionante. Os sarcófagos ainda estão ali, bem como uma boa quantidade de joias e ornamentos.

Aqui tivemos um percalço. O dia ficou curto demais para irmos para o Museu da Civilização Egípcia, previsto pro mesmo dia. Precisamos redirecionar para o Khan El Khalily (seja qual for a grafia que o leitor quiser adotar), um enorme "bazar" (bazar significa loja, e isso não ajuda...). 

Na realidade, é um enorme agregado de vielas, becos e passagens, ocupados por centenas (milhares ?) de lojas pequenas e médias vendendo roupas, souveniers e quinquilharias em geral. Se o amigo leitor se lembra do problema que é comprar coisas no Egito, pode entender agora o que é concentrar essa turba de línguas, cores, odores e culturas e um quarteirão grande e absolutamente compactado de gente.


segunda-feira, 13 de junho de 2022

Egito - Dia 12 - Abu Simbel

Você vai para Abu Simbel?
Você vai para Abu Simbel?
Você vai para Abu Simbel?
Você vai para Abu Simbel?

Não tinha como fugir dessa pergunta. Todas as pessoas que fizeram Egito a sério (para além do Museu Nacional do Cairo e meia dúzia de fotos das Pirâmides) faziam insistentemente essa mesma pergunta. Mesmo depois de avisar que sim, que estava no plano, que tinha hotel reservado, que tinha guia local e tudo o mais, as pessoas continuavam perguntando isso. Às vezes, minutos depois.

O acesso não é nada fácil. Só há voos diretos de Abu Simbel para Aswan ou Luxor;  não há voos para o Cairo. Seria como não haver voos diretos até Foz do Iguaçu além de Curitiba. Confesso que não sabia do que se tratava antes de iniciar os estudos, mas logo ficou claro que era uma parada obrigatória. Segue antes uma breve explicação.

Abu Simbel é, do meu ponto de vista, um ótimo resumo da história do Egito. Ele foi construído no reinado de Ramsés II (sempre ele), bem perto da fronteira com a Núbia como forma de demarcar território, intimidar, demonstrar força, fazer oferendas aos deus e reafirmar o ego do faraó. 

O local escolhido foi uma montanha próxima ao Nilo, que foi escavada sob ordens do faraó para que o templo ali ficasse. A entrada do templo é voltada para o leste, iluminando o corredor principal e as 4 estátuas dos deuses criadores no fundo do templo. Em cada lado da entrada, temos 2 estátuas de Ramsés II em posição sentada, cada uma com 20m de altura. 

Mas isso não é a história toda de Abu Simbel. Pois desde a virada do século XX, o Egito tinha planos de construir a (então) maior usina hidroelétrica do mundo no Nilo. De fato, os planos foram para frente, e isso inundaria diversos sítios arqueológicos, Abu Simbel incluso. A comunidade internacional se uniu e, antes do conceito de financiamento coletivo existir, o grande rateio foi feito. A solução foi mover a montanha por 300m, de modo que ela ficasse de fora do lago. A montanha foi cortada em blocos, transportada, e remontada. 

Não fica mais Egito do que isso...

Vamos tentar (foco na palavra "tentar") descrever o lugar. 

A face norte do corredor de acesso tem pictografados prisioneiros de guerras de variadas etnias da época (gregos, sírios, babilônios...). A face sul, porém, tem apenas nubianos. O interior relatava, mais uma vez, a grandeza do faraó, em particular a famosa Batalha de Kadesh. Porém, os detalhes das gravuras são de incomparável riqueza cultural. Apenas para citar uma observação minha, em nenhuma das imagens de oferendas aos deuses, o faraó encosta o joelho no chão. Embora seja voltado para o leste, a variação das estações do ano faz com que o Sol só batesse no fundo duas vezes por ano: 21 de outubro (data de nascimento do faraó) e 21 de fevereiro (data da coroação). Se isso ainda parece pouco, olhemos para as estátuas dos 4 deuses criadores no fundo do templo, para notar que um deles é o próprio Ramsés II. Isso sequer é novidade no templo, pois em outras partes nota-se ele fazendo oferendas... a si mesmo. 



fotos: Abu Simbel, Egito, 2022

Mas essa não é a única coisa por ali. Afinal de contas, mesmo sendo um homem bastante ocupado, Ramsés II achou tempo livre para ter uma esposa preferida (entre 24 rainhas com quem casou): Nefertari. E construiu para ela um templo a parte, que é outro assombro de tão rico em detalhes. Enfim, isso aqui:


foto: Abu Simbel, Egito, 2022

Depois de ver essas construções colossais, obviamente quisemos voltar para o Show de Som e Luzes à noite. Já tínhamos feito dois shows antes, e sabíamos que não ia ser grande coisa, mas o ponto era estar lá mais um pouco. Ocorre, porém, que esse show foi renovado recentemente. É absolutamente imperdível, com brilhante aproveitamento das estruturas, som, música, narração e.. .surpresinhas. 

E no ritmo de "começou, termina", compramos ali mesmo os ingressos antecipados para voltar lá logo cedo, pois nosso voo para o Cairo saía apenas às 10h30. Com isso, pudemos ver o interior de ambos os templos com a luz matinal, que é diferente da luz vespertina. 

Então resumindo. 
P. Você foi para Abu Simbel?
R. Sim, fui 3x em 24h, e passei mais tempo por lá do que dormindo nesse período. Tá bom pra vocês?

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Egito - Dia 11 - Aswan, Philae, Elefantina e mais

Amigo leitor, o título do post já indica uma correria danada neste dia de viagem. E não é uma indicação injusta. 

Antes das 7h da manhã, já estávamos a caminho da represa e Aswan. Para quem já visitou Itaipu e mesmo Hoover, não achei particularmente impressionante. Mas a barragem é motivo de orgulho para os egípcios, então mantivemos o respeito. E não se nega sua importância, tanto no que se refere à geração de energia hidro elétrica quanto para manter o Nilo calmo e comportado. No mesmo local, há um monumento que expressa a amizade entre egípcios e soviéticos, que financiaram a empreitada na época. 

Sem perdemos mais tempo, tocamos para Philae, um importante complexo de templos. O acesso é feito por barco, dado que ele se localiza em uma ilha. Philae teve sua fase faraônica, por volta da 25a ou 26a dinastias, sendo restaurado e ampliado na fase ptolomaica. Naturalmente, os romanos tiveram tempo de dar seus pitacos posteriormente. Este foi um dos muitos monumentos realocados por ocasião da construção da barragem de Aswan. 

Foto: Templo de Philae, Aswan Egito, 2022.

Na saída, com os devidos ajustes feitos por Dr. Safwat, o barco fez um desvio para visitarmos a localização original do templo, reforçando o entendimento de que ele estaria submerso hoje sem a realocação.

A parada seguinte é um local curioso. No meio da cidade de Aswan fica um sítio arqueológico onde foi uma pedreira importante no passado. Nele está o Obelisco Inacabado. É um passeio rápido, mostrando como era o trabalho inicial de encontrar uma pedra nas condições corretas para transformá-la em um obelisco. 


Foto: Templo de Philae, Aswan Egito, 2022.

Uma passada rápida pelo barco para o almoço e seguimos para o passeio de feluca, um tipo de embarcação a vela para passeios contemplativos. Não é exatamente meu estilo, mas isso não significa que foi ruim. 

O barco nos deixou na entrada do Jardim Botânico de Aswan. Não havia tempo para aproveitá-lo por inteiro (talvez tivesse sido melhor deixar o feluca para lá...), mas o que pudemos ver foi realmente agradável. Não entendi nada quando um gato residente resolveu fazer as vezes de guia, e ficou me mostrando o caminho que eu deveria seguir na opinião dele...


Foto: Jardim Botânico de Aswan, Aswan Egito, 2022.

A parada seguinte era Elefantina. Trata-se de uma ilha que, com o vai e vem da fronteira da civilização egípcia, ficou trocando de mãos ao longo de tempo. Logo, há características tanto egípcias quanto nubianas nas ruínas locais. 


Foto: Elefantina, Aswan Egito, 2022.

Seguimos rio acima, até a última parada do dia: Vila Nubiana. Trata-se de uma vila com modo de vida típico dos nubianos, embora focada em receber turistas o tempo todo. A confusão de cores, cheiros e sons era enorme. Grande mistura de idiomas e dialetos, e mesmo os hábitos locais eram estanhos. Pudemos visitar uma típica casa deles, onde simplesmente se vai entrando e vendo as coisa sem a menor cerimônia. O pet da casa era um crocodilo.


Foto: Vila Nubiana, Aswan Egito, 2022.

Na volta, checando nossas anotações de viagem, descobrimos que a programação estendida nos custou o show de Som e Luzes em Philae. Embora outras pessoas tenham dito posteriormente que o show é muito bom, não achei nada no youtube para corroborar tal afirmação.