terça-feira, 2 de junho de 2026

Paris - Dia 1 - Louvre parte 1

Sim, parte 1. Basicamente, é impossível ver o Louvre em um só dia. Falaremos mais disso no dia 10...

O Louvre já teve diversas utilidades. Foi base militar (parte da estrutura dos muros ainda foi preservada e faz parte da visita) por séculos. Foi palácio real por outros tantos séculos. É um museu desde 1793, embora já tivesse atividades artísticas desde meados do século XVII. 

Em termos de área, o Louvre tem mais de 210 mil metros quadrados de área, dos quais "apenas" 72 mil são visitáveis. São três alas, com andares variando do -2 ao +2, dependendo do setor visitado. É tão grande que pode ser acessado por duas estações diferentes do metrô, ambas levando seu nome (Palais Royal - Musee du Louvre e Louvre Rivoli), ambas na linha 1 (amarela) do metrô.

O Louvre recebe mais de 9 milhões de visitantes por ano, o que dá uma média de 25 mil visitantes por dia. É o museu mais visitado do mundo, por larga margem. 

Mais detalhes aqui.

A curadoria procura agrupar o acervo, catalogando por local e data. De modo muito simplório, podemos dividir o conteúdo em pintura, esculta e história. Claro que é uma divisão totalmente artificial da parte deste blogueiro, mas ajuda a ter uma ideia do que temos por lá. Ainda assim, são dezenas, literalmente, de salas dedicadas à exibição do acervo. 

O acervo

Bem... tem isso:


E isso:

E isso:


Foram mais de 300 fotos. Não vou seguir nessa linha.

O passeio

Quanto ao passeio, compre sim o ingresso antes para evitar uma fila. Chegue cedo, saia tarde, com preferência pela 4a e 6a feiras, quando ele fica aberto 3h a mais (até 21h). Sugiro fortemente usar a entrada do Carrousel du Luvre. Essencialmente, é um shopping metido a besta, com uma entrada coberta, climatizada e com menores filas. 

O Louvre, na prática, não tem o onde comer. E isso é uma treta bastante séria para um passeio que pode durar 11 horas. Mesmo que o amigo leve seu lanche na mochila, não é permitido comer lá dentro. Pode-se sim sair e retornar, e indico deixar opções econômicas na mochila que deveria ficar (a critério do visitante) na chapelaria.

Aqui vai uma história curiosa. Ali pelas 16h, paramos no Cafe Richelieu em busca de algo para comer. Entramos... e simplesmente não fomos atendidos, pois a cozinha estava fechando. Tomamos um mero copo de água e saímos sem pagar. Não recomendo, mas notei isso como algo negativo ao longo da viagem. Falaremos mais a frente.

O Louvre tem poucos banheiros, lotados e sujos. Foi o aspecto mais negativo de todo o passeio, então preparem-se para isso também.  

Concluindo

O passeio segue sendo incrível e segue sendo obrigatório em Paris. O Louvre tem uma excelente curadoria artística e histórica, mas poderia ser melhor na parte do show. Perdoem pelo comentário, mas falta um americano nisso. 


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Paris - Dia 0 - Preparação e Viagem de Ida

Amigo leitor, os boatos sobre minha mortes eram exagerados. Confesso que perdi um tanto a alegria de bloggar, mas vou pelo menos fazer o registro da viagem mais recente, a Paris. Sim: Paris. A viagem nunca foi pensada para ser na França, mas apenas sem sua incrível capital.

Três cidades se candidataram a sediar a viagem: Paris, Las Vegas e Roma. Em uma primeira rodada de votação, Luciana removeu Roma, que esperará pacientemente a próxima oportunidade. Na segunda rodada, eu removi Las Vegas, dado o clima sócio-político-sanitário em que o Tio Sam se meteu sem qualquer ajuda externa. 

Ao iniciar o planejamento, ficou evidente que o tempo disponível, estimado em 20 dias, poderia não ser suficiente. Amigos próximos duvidaram, entendendo que seria tempo demais em uma só cidade. Eu e Luciana batemos o pé, e tínhamos razão. Por questões de custo de hospedagem humana e canina, o prazo acabou caindo para apenas 17 dias, e muita coisa boa ficou de fora. Paris 2 será no-brainer, já adianto. 

Nas pesquisas iniciais, entendemos a importância de comprar os ingressos antecipadamente. Naturalmente, fizemos todo aquele rolê de descobrir os dias em que os museus não abrem e principalmente em quais dias ficam até mais tarde. Focamos ao máximo nessa direção. Outro aspecto era o deslocamento: em dias com mais de uma atividade, era importante que ela fossem próximas. Ficou mais ou menos assim:

imagem: mapa previsto da viagem

No mapa acima, as cores representam, tanto quanto possível, o mesmo dia de atividades. O marcador roxo no canto sudeste era nossa hospedagem. Sim, era um pouco afastado e poderia ser um pouco melhor. Mas esse "anel" viário englobando os marcadores (que até onde eu entendi marca efetivamente a cidade de Paris, separando-a da região metropolitana) torna todas as hospedagens do lado de dentro sensivelmente mais caras.

Não se preocupem: afastado não é distante. Estávamos a 300m de uma estação de metrô da linha 8, e isso se mostrou um acerto espetacular ao longo da viagem. Falaremos disso mais a frente.

O fato é que fomos comprando os ingressos no último mês de preparação. Isso tornou a viagem muito engessada do ponto de vista prático. Demais até para o meu gosto, vejam bem... Mas foi necessário e correto fazer desse modo.

O Voo

LATAM 8067 GRU-CDG, sem escalas. Mas com atraso de mais de 2h.

Aconteceu alguma coisa em nosso voo antes de decolar. A tripulação informou que era um problema técnico, e de fato o avião ficou encostado em um terminal técnico por 2h com todos os passageiros dentro, enquanto um caminhão tanque estava atrelado à asa esquerda. Mas isso não explica a intensa movimentação que ouvimos no compartimento de carga durante esse intervalo. E os dois passageiros que foram retirados da aeronave pela Polícia Federal ainda durante o processo de embarque faz suspeitar de outras teorias. 

Jamais saberemos com certeza. 

Mas chegamos bem, e bem cansados, a Paris no final da manhã seguinte. 




segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Egito - Dia 29 - Bora Voltar

Já antecipo que foi um retorno cansativo, mas com poucos incidentes.

De fato, o vôo saía do Cairo às 1h30. Decidimos jantar no aeroporto e isso se mostrou uma necessidade ruim: a opção viável era BK, a preços que fariam nossos restaurantes em aeroportos brasileiros parecerem ONGs de caridade. 
Decolamos no horário, em uma péssima experiência aérea. Parece que todos os egípcios mal educados combinaram de pegar o mesmo vôo para Dubai. Em 3h50, não fiquei 5min sem que alguém (tripulantes inclusos), não me esbarrasse ao passar pelo corredor. Nenhum sono possível. Acho que vi algum filme, mas não perguntem qual.

Em Dubai, aproveitei para passear no freeshop, e vai aqui uma dica importante. O aeroporto é monstruoso e deve ter literalmente dezenas de lojas da mesma rede de freeshop. O ponto é que cada loja tem estoques distintos de produtos. O fato de teu chocolate preferido estar indisponível na primeira ou segunda filial não impede de ter na terceira. E eles não sabem dizer se tem: você precisa caminhar até lá. 

Fiz boas compras sim, perdi e encontrei meu cartão de embarque e seguimos no horário previsto para o Brasil. Aqui, outra dica: fiz o checking pelo site (não pelo app) da Emirates. E nele, vi que o fundo do avião estava bem vazio. Remarquei sem custo meu assento para o fundão, onde viajei deitado e dormindo por uns bons 60% do trajeto. Também vi algum filme, mas também não lembro. Deve ter sido algum desses auto-denominados blockbusters que ninguém mais lembra depois também. 

Já no Brasil, alguma fila na imigração e um freeshop triste de tão poucas opções que havia. Fiz muito bem de comprar o que queria em Dubai. 

E, com isso, tive que voltar à vida de plebeu.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Egito - Dia 28 - Mais Gizé

O hotel onde estávamos tinha diversos prós e contras. Era caro (mesmo não pagando diretamente a estadia, ela estava inclusa no pacote) e era longe pacas do Cairo, em termos urbanos. O jantar era caro e não era lá essas coisas. 
Mas o café da manhã era sensacional e a vista das Pirâmides quase sem preço. 

foto: Pirâmides de Gizé, Gizé, Egito, 2022.

Bem... Se a vista das Piramides era essa, então elas ficavam próximas. Então essa a vantagem final a tirar desse hotel: ir a pé para as Pirâmides. E era realmente perto, coisa de 1km se tanto.

Claro que, na saída do hotel (que era quase metade do caminho), havia taxistas dizendo que a entrada era distante. Não crei caso, mas acho esse tipo de golpe bastante ofensivo. 

A entrada estava bem cheia, mas acabou sendo tranquilo de entrar. Na realidade, só pagava a entrada quem queria (e isso incluía nossas pessoas), pois as pessoas simplesmente passavam a segurança e entravam. Observe-se que o ingresso para turistas é 8x mais caro que para moradores locais (240 EGP x 30 EGP). 

Outro aspecto curioso era a data. Deve ter um nome árabe para isso, mas tratava-se do primeiro dia depois do Ramadã. É uma grande festa para eles e poder se alimentar durante o dia novamente era praticamente um carnaval. E o local estava forrado de crianças e alguns adolescentes. 

Fizemos o tour completo, sempre externo. Não vimos necessidade de entrar novamente nas Pirâmides, dado que é cansativo e não tem muito o que ver lá dentro mesmo. Mas pudemos novamente circular entre elas, vendo todos os lados e até aspectos construtivos que passaram despercebidos antes. 

Foi ainda nesse ponto em que começou um efeito social curioso. Muito mais meu amigo do que eu, mas nós dois passamos a chamar a atenção dos garotos apenas por estarmos ali. Eles passaram a pedir, juro para vocês amigos leitores, para tirar fotos conosco. E, em pouco tempo, a aglomeração chegava a meia centena. Era maluco estarmos visitando uma das mais famosas atrações turísticas do planeta (se não a mais famosae sermos nós o assunto interessante para os locais. 

O movimento era cíclico. Depois de algum tempo, os jovens se desinteressavam e iam embora com suas selfies, mas logo éramos notados pelo grupo seguinte. Curiosamente, quem se chateou com o excesso de assédio fui eu, não André. Mas segui o passeio mantendo o bom humor.




fotos: Pirâmides de Gizé, Gizé, Egito, 2022.

Ao contrário do que nos disse nosso primeiro guia, a Necrópole tem bem mais coisa a ser vista além das 3 grandes Pirâmides. Ficamos tristes novamente de não estar mais ali o Museu da Barca Solar, mas havia diversas construções menores em todo o complexo. Muitas delas bem vazias mesmo naquele dia.

Conseguimos escalar uma das pirâmides pequenas (cerca de 10m de altura), e ficamos até que um segurança pedisse especificamente para nós descermos. Era curioso como ele não implicava com as crianças. Talvez tenha faltado uma gorjeta, mas ele não fez menção de pedir também. 

Foi neste ponto em que aconteceu algo curioso e incomum. Eu pifei. Meu corpo avisou para parar de forçar o ritmo. Foram muitos dias de calor, caminhada, carga nas costas, idiomas diversos, aviões e procedimentos de segurança em geral. Mesmo a parte do mergulho não foi fisicamente relaxante, dada a demanda física que é mergulhar.

Tomei a muito sábia decisão de voltar ao hotel, e deixei André no passeio. Ambos estávamos bem localizados, não era difícil achar a saída correta. Nossos celulares já estavam sem sinal (o tal pacote de 30 dias, na verdade, vale 28), então não poderíamos nos falar. Mas estava tudo sob controle. 

No caminho, já pelo lado de fora, passei em um pequeno mercado onde comprei o almoço: duas garrafas de água e uma de pepsi. Sim, almoço líquido. No hotel, fiquei uma boa hora na banheira relaxando o corpo. Fez um bem danado.

O final da tarde teve uma curiosidade estonteante: garoou por alguns minutos. 

Bastava agora voltar ao Brasil.



 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Egito - Dia 27 - Vale dos Mosteiros

Lembram do perrengue que eu prometi? Foi neste ponto da viagem.

Muito antes de sairmos do Brasil, recebemos da Lycia Reys Turismo um caderno completo com informações de viagem, e uma segunda versão, com detalhes apenas dos traslados, vouchers, passagens e estadias. Realmente, de profissionalismo ímpar. Nesse caderno, contava nossa última estadia no Cairo, até dia 2 de maio, quando deixaríamos o hotel para o aeroporto. O vôo sairia à 1h30, o que implica chegar ao aeroporto 22h30 da véspera para trâmites usuais. Seguindo as contas, era necessário deixar o hotel, então, por volta das 21h. Nenhuma estranheza até aqui.

Porém, nosso caderno técnico dizia que tínhamos direito a estadia no hotel até o horário de saída para o aeroporto. Sair de um hotel às 21h é algo realmente fora do usual: o máximo de late checkout que eu tinha visto era 15h. Talvez, então, isso significasse uma diária a mais a ser paga.

O ponto é que tínhamos pago tudo antes. Bem antes, na verdade: 2019. Então, esse custo, se houve, não deveria ser nosso. E foi onde meu parceiro de viagens antecipou brilhantemente que poderia haver problemas. 

Ainda em Hurgadha, ele preparou o movimento. Trocou mensagens com nosso receptivo perguntando até quando era nossa estadia final. Ele caiu direitinho, dando a resposta padrão que estava no nosso caderno: até a hora de ir para o aeroporto. Daí, ao mencionarmos que o horário era 21h para sair do hotel, ele concordou que esse era o horário para ir para o aeroporto, mas o checkout teria que ser feito antes. 

Mantivemos posição firme mesmo ao chegar ao hotel. Eles tinham essa mesma informação que o receptivo: deveríamos fazer checkout às 15h. A troca de mensagens foi tensa e intensa, mas o tempo todo tivemos suporte do Brasil. 

E a vitória foi bela, a ponto da operadora trocar nosso receptivo. 

Tenho, ainda duas teorias sobre o caso. Na primeira, a operadora no Cairo (ou alguém dentro dela) tentou embolsar essa provável diária a mais para o hotel, às custas de encurtar nosso último dia. Na segunda, tudo estava certo desde o início, e o operador apenas tentou criar uma dificuldade falsa para merecer os louros da solução de um problema que nunca existiu. Sem provas, acredito mais na primeira. 

Mas vamos passear ! 

A região de Wadi Al-Natroum concentra antigos mosteiros coptas ainda ativos. Fica a 110km do Cairo e exige mais de um pingo de conhecimento e vontade para, de fato, ir visitar. 

O problema central, como de costume, é religião. A religião copta é proibida de praticar proselitismo. Isso significa não poder buscar ou mesmo aceitar novos fiéis. Apenas os filhos dos coptas podem ser educados nessa fé. Na prática, é uma religião em processo de extinção acelerado. 

Como foi passeio extra, sem nenhuma programação prévia exceto a disponibilidade do guia e do motorista, identificar exatamente quais locais foram visitados se tornou uma pesquisa de identificação de imagens. Fiz meu melhor.

Não consegui identificar imagens da primeira visita. Não fotografei placas, infelizmente. Mas prometo atualizar este post se novas informações ajudarem. 

Monastério de Santa Maria Deipara (não pronuncie isso) (sim, você pronunciou isso...) certamente foi o segundo. As cúpulas hemisféricas são bem marcantes tanto por fora quanto por dentro. 

Monastério de São Marcário o Grande foi o terceiro. Este se destaca com uma torre bem alta, visível a distância da região relativamente plana. 

Algumas fotos:





fotos: variados mosteiros na região de Wadi Al-Natroum

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Egito - Dia 19 a 26

Não vou aqui, amigo leitor, relatar cada um dos 18 mergulhos que diz na semana seguinte. O relato é feito no tal logbook, com informações técnicas e narração de eventos e achados durante cada descida. Mas vejam bem... se eu não achasse isso o máximo, não teria dedicado 7 dias da viagem a isso, né? E muito do que teria a relatar não faz sentido algum para quem não tem certificação em mergulho, incluindo especialidades às quais me dei ao trabalho de cursar (profundo, noturno, nitrox, navegação, busca e recupeção). Sim, já fiz isso antes neste blog, mas mudei de ideia.

Acho mais pertinente, e útil, contar a experiência de live aboard, que é passar o tempo todo dentro do barco, fazendo as refeições e dormindo nele. É um cruzeiro de mergulho, para trocar palavras. 

Havia termores, claro. O barco fica em alto-mar por uma semana, parando nos pontos de mergulho mais interessantes. E não é aquelas embarcações enormes que vemos nas propagandas de joguinhos, é uma operação bem mais modesta em termos de tamanho. 


A viagem, então, era para o balneário de Hurghada, no mar Vermelho. Um translado rápido nos colocou a bordo dessa coisa fofa aí na foto. O barco tem capacidade para 30 mergulhadores, mais tripulação, instrutores de mergulho e instrutor local de mergulho (é uma categoria a parte).

O resto do dia não tinha atividades, pois chegamos ao barco às 12h, mas o checkin seria apenas às 19h. Perdemos um dia nisso, na prática. Mas relaxamos pela pequena marina local, e almoçamos. 

À noite, conhecemos os demais 17 passageiros (todos espanhóis) e os instrutores (1 egípcio no cargo de instrutor local, 1 argentino, 1 espanhol e o instrutor lider, também espanhol). As pessoas respeitaram, pelo menos um pouco, nosso apelo por falarmos em inglês.

Nossa cabine ficava na parte do fundo do barco, a mais econômica. Era um quarto com uma casa de casa e uma de solteito. Havia cabine com cama de casal e beliche. Todos eram suíte. No segundo deck, estava o salão de jantar e a área de reunião. Do lado de fora, ficavam as instalações de mergulho e o acesso às estruturas do barco, como cabine do capitão, cozinha e quarto da tripulação. O terceiro deck tinha uma área de convívio e as cabines mais cara, que contavam com visão melhor do mar. O deck superior tinha um grande solário com espreguiçadeiras e o assento do piloto.

Antes de escrever, fiquei procurando palavras e expressões para descrever o atendimento a bordo, incluindo os instrutores de mergulho e tripulação (cozinheiros, camareiros e suporte ao mergulho). Seguem algumas: incrível, sensacional, maravilhosa, fantástica, absurda, genial, de outro mundo, classe A, VIP, top, topzeira, animal, fabulosa, fora de série. Nós nos sentimos perfeitamente atendido em toda e qualquer dificuldade enfrentada em 100% do tempo.

A comida era sempre farta, deliciosa e variada. Sempre havia variantes de proteína e sobremesas. Eu diria que 3 das 5 melhores refeições da viagem foram no barco. Nossa cabine era arrumada a cada vez que saímos dela. A água do banho era quente e dessalinizada, o que a tornou os melhores banhos não apenas da viagem, mas talvez da minha vida. Os instrutores Sérgio, Huete, Mariano e Awad eram absolutamente capacitados e bem humorados, sempre dispostos a ajudar e melhora nossa técnica. 

E meu maior temor se provou apenas isso:um temor. Tnha medo de ficar enjoado com o movimento do barco. Isso logo se provou falso, talvez pelo mar ser muito calmo na região.

A rotina era bem puxada, iniciando-se a primeira reunião às 6h30, antes mesmo do café da manhã, de modo a permitir até 4 tanques por dia. E consegui bater essa meta em duas ocasiões. 

Enfim, a operação da Blue Force é absolutamente recomendada por este mero blogueiro viajante mergulhador em quaisquer aspectos possíveis de análise.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Egito - Dia 18 - Meidum

Meidum é, surpresa !, outra necrópole. Fica ainda mais ao sul, depois de Sakkara e Dashur. A pernada de van foi de mais de 1h, mas sabíamos o que estávamos fazendo.

A Pirâmide de Meidum, ou Pirâmide Colapsada, foi construída por Huni, último faraó da III Dinastia. Seu revestimento externo caiu por completo, dando a ela o aspecto atual. Acredita-se que tenha acontecido à época da construção e as falhas de projeto e execução tenham sido instrumentais no desenvolvimento que aconteceria nos anos seguintes. 


Fotos: Pirâmide de Meidum, Meidum, Egito, 2022

A seguir visitamos diversas mastabas, bem menores, no entorno. Algumas delas eram particularmente complicas de entrar, mas dei conta sim e não perdi nada.

Esse era o passeio do dia, mas não havia qualquer razão para voltar para o hotel. Então, nosso guia Ehab nos fez uma agradável surpresa: Oásis de Fayium.

Ao contrário dos filmes e desenhos animados, um oásis não cabe em uma foto. É uma área grande, a perder de vista, e habitada. Tem cidade. É, inclusive, um centro turístico popular entre os egípcios. E é possível encontrar coisas assim:

Foto: Cachoeira, Oásis de Fayium, Egito, 2022

Revigorados e felizes, tocamos para o hotel. Era dia de dormir cedo, bem cedo. E antes disso, rearrumar as malas, pois era dia de, olha só, viajar. Tudo pronto, acertamos de deixar para trás as malas com coisas que não usaríamos na próxima semana. 

Esse acerto, porém, plantou uma semente de problema que seria colhida dias depois. Nossa ideia original era deixar as malas no hotel onde ficaríamos depois (era outro), por questão de praticidade. Porém, nosso receptivo ofereceu esse transporte entre hotéis por valores em dólares que não faziam o menor sentido mesmo em libras egípcias. Isso nos colocou em alerta imediato. Falamos com o hotel onde estávamos e não voltaríamos, pedindo para deixar as malas ali mesmo. Fomos pronta e alegremente atendidos, sem custo extra.

Sem que soubéssemos, isso aparentemente "magoou" o receptivo no Cairo.



terça-feira, 9 de agosto de 2022

Egito - Dia 17 - Mesquitas

De volta ao Cairo, afinal, ainda tínhamos coisas a ver por lá.

O dia começa com a Cidadela de Saladino. Com importância tanto religiosa quanto política, essa construção de mais de 800 anos. Trata-se de um conjunto de edificações, com mesquitas, museus e mesmo alguns parques, dado o livre acesso. 

A Mesquita de Muhammad Ali (o governante, não o boxeador) é bem nova, datando do século XIX e não tendo ainda completado 200 anos (o que é pouco mais do que um espirro na história do Egito). Era minha primeira visita a uma mesquita, então muitas características visuais eram completamente novas. Os espaços são muito amplos, iluminados e arejados. Os arcos são todos circulares, com grandes abóbodas semi-esféricas. A decoração usa muito, mas muito mesmo, mármore claro, em combinações riquíssimas com pedras de outras colorações.

É obrigatório tirar calçados e chapéus para entrar nela. Além do natural turismo estrangeiro, era possível ver locais relaxando e interagindo. É um espaço de vivência e convivência, bem diferente da opressão silenciosa das catedrais católicas. É um lugar mais vibrante e vivo. 


fotos: Mesquita de Muhammed Ali, Cairo, Egito, 2022

Logo ao lado, havia outra mesquita: Al Nasir Muhammed. Menor, e com leve "embicamento" nos arcos dando uma sutil impressão de arcos góticos, ela data do século XIV. 


fotos: Mesquita de Al Nasir Muhammed, Cairo, Egito, 2022

Na sequência, Mesquita do Sultão Hasan. Desta vez, temos uma estrutura religiosa associada a uma instituição de ensino. O local era uma espécie de faculdade em seus tempos, mas também foi usada como fortificação militar em algumas ocasiões. Fiquei me devendo uma boa foto do portão de entrada, que é belíssimo.


fotos: Mesquita de Sultão Hassan, Cairo, Egito, 2022

A Mesquita de Al-Rifa´i, construída no século XX, foi visitada no horário de almoço, justamente quando alguns fiéis faziam suas orações. Nela estão sepultados diversos personagens históricos, com destaque para o último Shah da Pérsia. 


fotos: Mesquita de Al-Rifa´i, Cairo, Egito, 2022

Para finalizar, fomos à Mesquita de Ibn Tulun. Neste caso, a maior curiosidade foi o fato dela ter sido projetada com sistemas de proteção contra incêndio e alagamento. De fato, em mais de 1.100 anos de história, ela jamais foi atingida por nenhuma dessas catástrofes. De modo simples, ela foi feita com elevação de mais de 1m em relação ao entorno, com um uma murada de proteção que criar uma enorme vão (mais de 10m) entre o exterior e o interior.


fotos: Mesquita de Ibn Tulun, Cairo, Egito, 2022

Isso concluiu nosso passeio oficial. Mas a "falta do que fazer" nas horas seguintes nos deixou ir ao Museu Nacional do Cairo, pela 2a vez. Bem mais vazio que na visita anterior, pudemos contemplar a Máscara de Tut por quase 1h.
O ponto negativo foi o fato do museu fechar 1h mais cedo (16h) por causa do Ramadã, sem que ninguém nos tivesse avisado nada até 15h50. É impressionante como os caras têm um país tão cheio de coisas para visitar e não tem o menor cuidado com os mais simples conceitos de atendimento ao cliente.




sexta-feira, 29 de julho de 2022

Egito - Dia 16 - Dashur e Memphis

Conceitualmente, amigo leitor, é um dia similar ao anterior. Trata-se do entorno (ao sul) do Cairo, um pouco mais longe apenas. Segundo nosso guia Ehab, inclusive, é possível que as necrópoles de Gizé, Sakkara e Dashur sejam uma só caso novas descobertas entre elas as "conectem".

A Pirâmide Torta, construída no reinado do faraó Snefru (Sneferu) é peculiar pela mudança de inclinação. Em algum momento da construção, notou-se que... não ia dar certo. O interior é visitável, mas conforto é um conceito que passou longe. São mais de 80 de túneis com teto baixo e inclinação. Vale muito a pena fazer o passeio. 


fotos: Pirâmide Torta, Dashur, Egito, 2022.

Pirâmide Vermelha, deve-se dizer, não é vermelha. Isso não causou a mínima surpresa, dado que eu tinha estudado bastante o assunto. Acredita-se que nela foram colocados os restos mortais do faraó Snefru (Sneferu). É a mais antiga pirâmide completa e correta, dado que estamos falando aqui do fundador da IV Dinastia e antecessor de Khofu, mais conhecido como Quéops. Como na anterior, ela também é visitável e também demanda esforço, embora menos neste caso.


fotos: Pirâmide Torta, Dashur, Egito, 2022.

Seria perfeitamente aceitável chamar isso de um dia, mas não... Somos os malucos que querem (e conseguem) espremer qualquer fração de tempo e criar novas oportunidades. Então o plano foi seguir e tocamos para Memphis, uma das antigas capitais. 

Memphis não é tão bacana de visitar ainda, pois é um trabalho arqueológico mais recente. Muita coisa ainda está sendo encontrada e catalogada. Desta forma, é mais um museu a céu aberto (sol aberto ?) do que exatamente um sítio arqueológico. O destaque é (mais) uma estátua gigantesca de Ramsés II, desta vez em posição horizontal, na única parte coberta do passeio. Pode-se ver mais de perto os detalhes assombrosamente entalhados da parte superior dela. 


fotos: Ramsés II, Memphis, Egito, 2022.





terça-feira, 26 de julho de 2022

Egito - Dia 15 - Sakkara

Amanhecemos de guia novo, amigo leitor. Sem entrar em detalhes desnecessários, acabamos por solicitar a troca no final do dia anterior. Não quero aqui desmerecer o trabalho de Ahmed, mas acabamos sentido que era melhor fazer essa solicitação, à qual foi prontamente atendida. A partir de agora, teríamos Ehab. Já adianto que a troca foi muito positiva. 

Depois de exaurir tudo que havia para ver no Cairo, era o momento de começar o entorno. Acaba sendo uma surpresa dizer que, em nossa visão, a cidade do Cairo não é isso tudo de interessante. Mesmo nossa operadora começou a ter dificuldade de sugerir passeios para os dias livres além do que estava programado. 

A necrópole de Sakkara é uma concentração de tumbas realmente muito antiga. No entanto, a região foi usada para essa finalidade por bastante tempo também, em algumas "ondas" ao longo da história. É impraticável pensar as visitas em ordem cronológica, então vimos em ordem mais geográfica para otimizar o passeio. E, para nossa alegria, já é um passeio fora da lista principal de turismo, o que deixava a área bem mais vazia.

Teti foi um faraó da VI Disnatia, e teve seu local de repouso construído em uma pequena pirâmide. Embora pequena, a decoração é muito rica, já mostrando a transição para construções que dominariam a paisagem no Médio Império, embora ainda se tratasse do Antigo. O baixo relevo é muito preciso e mesmo o teto recebe a devida atenção.

foto: Pirâmide de Teti, Sakkara, Egito, 2022.

A seguir, fomos para a mastaba de Kagemni (não recomendo pronunciar o nome) (sim, você pronunciou o nome...). Ele foi vizir de Teti, e provavelmente casou com uma de suas filhas. É uma tumba plana e quadrada, com mais de 30m de lado. Honestamente, achei a decoração mais impressionante que a de Teti, tanto pelo baixo relevo quando pelo uso inteligente de cores.

foto: Mastaba de Kagemni, Sakkara, Egito, 2022.

Outro vizir com bela mastaba foi Mereruka, mais um poderoso vizir durante a VI Dinastia. Sua influência aparece na enorme construção com 33 salas, todas elas decoradas com fases variadas de sua vida e obra, bem como com cenas do cotidiano da época. A foto que separei abaixo mostra hipopótamos sendo caçados, por exemplo. 

foto: Mastaba de Mereruka, Sakkara, Egito, 2022.

A parada seguinte era o curioso Sarapeum, já do período Ptolomaico. De modo simples e direto, é um cemitério de vacas. São sarcófagos enormes, colocados em salas ou menos nos corredores, para sepultar as múmias de vacas. Não há muita decoração, mas mesmo os sarcófagos em mármores são belíssimos.

foto: Sarapeum, Sakkara, Egito, 2022.

Seguimos, então, para o passeio principal do dia: Pirâmide Escalonada de Djoser. Era simplesmente um dos passeios que eu estava mais ansioso para fazer, e já digo que superou as expectativas.

Tecnicamente, nada mais é do que empilhar 6 mastabas quadradas progressivamente menores. O desafio é técnico: como fazer isso ficar em pé. Se o amigo leitor não captou o desafio, esclareço: ninguém tinha conseguido isso antes. Imhotep (aquele mesmo, do filme...) achou as soluções estruturais para construir e manter uma pirâmide escalonada com 6 (originalmente eram 3) degraus, chegando a 62,5m de altura. 

Sim, eu entrei.



foto: Pirâmide de Djoser, Sakkara, Egito, 2022.

Sim, há outras estruturas no complexo. Mas nada é relevante assim.