terça-feira, 20 de outubro de 2026

Paris 1 - Dia 17 - Bora voltar

Voltar era necessário, não desejado.

O plano era tranquilo, pois o vôo deveria decolar pouco depois de meio-dia. Era suave tomar café da manhã, pegar metrô e trem, e chegar lá por volta das 9h. Não foi exatamente isso que aconteceu.

Não foi nada disso que aconteceu.

Ok, teve o café, com as sobras bem calculadas ainda no quarto. Notei que eu estava cansado, mas Luciana estava muito pior. A chuva e frio realmente castigaram ela. Então, mover as quatro malas por corredores de estações por vezes pouco amigáveis seria complicado.

Celular na mão, Uber chamado. Deveria ser um treco simples e objetivo. Era uma corrida de 55 euros, então me pareceu uma boa para o motorista também. Ledo engano: nenhum carro aceitava ir para o Aeroporto Charle de Gaulle em uma manhã de sexta-feira.

Ainda com a opção do transporte público a mão, pedimos ajuda na recepção do hotel. Olhares de reprovação acompanharam a explicação de que esse tipo de corrida tem que ser pedida antes, pois poucos motoristas aceitam. Fui ficando com vontade de não pagar nada para niguém e ir de metrô mesmo. Mas um motorista aceitou e nos levou. Afinal, nenhuma viagem a Paris é completa sem pegar um taxi.

O trânsito não estava nenhuma tragédia e o motorista entendeu que nosso francês era capenga. Apenas perguntou qual terminal iríamos e nos deixou lá antes das 9h da manhã. Foi nosso único pagamento em dinheiro na viagem toda. 

No aeroporto, rapidamente despachamos as bagagens com fila inexistente. Passeamos um pouco, compramos uns lanches (muito bons por sinal) e somos para a fila de segurança. E este relato só existe por causa dela.

A fila da segurança estava uma completa tragédia. Dividida em duas partes sem nenhum cirtério, eram várias centenas de pessoas em cada uma, avançando em lentidão absolutamente vergonhosa. Chegávamos a ficar vários minutos sem qualquer avanço. A fila ia aumentando com o passar do tempo. 

Entendemos então que havia alguma treta séria na segurança do aeroporto: eles não estavam dando conta do volume de passageiros para uma manhã de sexta-feira perfeitamente comum. Mas isso não era isenção para nosso atraso. Não sabíamos se a LATAM ia nos deixar para trás por um erro que não era nosso. 

10h. 10h45. 11h30. A fila, então, começa a andar bem mais rápido. É como se alguém tivesse acordado o time todo do aeroporto com um tapa na orelha. Passamos a verificação de passagem no horário previsto para estarmos na sala de embarque. 

A esta altura, porém, eu estava um pouco mais tranquilo. Não por nada, mas havia algumas dezenas de brasileiros atrás de nós na fila. Se a LATAM me deixasse para trás, essa turma toda também ficaria.  

Um andar abaixo, outra fila já dividia os passageiros em 12 detectores de metal. Andava melhor, mas o tempo ainda estava passando. Os passageiros estavam espalhados, nenhum critério havia. Ouvíamos conversas de outros passageiros para outros destinos, todos atrasados e estressados. 

No detector de metais mais uma treta. Pediram para Luciana retirar seus brincos de prata e eles quase sumiram. Na verdade, eles sumiram sim, mas o escândalo que ela começou a armar fez os brincos magicamente reaparecerem momentos depois. Tenso também.

Sem correr, mas também sem poder parar para nada, fomos direto para nosso ponto de embarque. Era tanta preocupação que eu simplesmente não mantive qualquer registro de como é o lugar, ou se era longe ou perto. Não paramos em nenhuma loja, freeshop... nada.

Achamos nosso portão, embarcamos direto. Posso dizer que fomos mais ou menos o ponto central do embarque. Muita gente já tinha embarcado, mas um tanto similar entrou depois de nós. No total, atraso de quase 3h, e vamos deixar muito claro que a LATAM não tinha qualquer culpa nisso.

O voo foi tranquilo, pouca turbulência e nenhuma criança chorando.

No freeshop de Guarulhos o bom atendimento que esperávamos foi encontrado com facilidade. Nossas compras reservadas na ida estavam guardinhas, sem nenhuma treta.  

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Paris 1 - Dia 16 - Musee Rodin e Basilique Saint Denis

Acordamos tristes.

Sendo honesto, somos dormir já meio tristes. 

Não tem maior indicador de que uma viagem foi um sucesso do que esse.

Desta vez, o trajeto era simples: apenas linha 8 até a estação La Tour-Mauburg, sem baldeações. Falei que essa linha 8 era boa...

Musee Rodin

Escultura é uma arte que estou começando a entender agora. Já formei algumas opiniões iniciais inclusive, observando que certo materiais são menos cooperativos que outros, não dando qualquer margem de erro para o artista. Não é questão de desrespeitar quem trabalha com argila, mas pedra é mais impressionante para mim.

E assim vamos ao Museu Rodin, com um incrível jardim de peças deles, assim como trabalhos menores que ficam em ambiente interno.

Sendo iniciante nessa jornada, uma das surpresas que tive foi a existência de trabalhos derivados. O cara faz uma obra grande, mas depois vem uma parte dessa obra refeita em outra escala. Não sei se outros já faziam isso antes dele, ou se fazem depois. Deixem comentários abaixo.

Fiquei totalmente absorto da Porta do Inferno. 

foto: Porta do Inferno, Musee Rodin, Paris, 2026.

O jardim tem algumas dezenas de trabalhos, e o ótimo audio-guide ajuda bastante a entender o contexto.

Na meia hora final que tínhamos ali, Luciana optou por visitar a lojinha, e eu voltei apenas na obra acima, assimilando tudo que conseguia. Valeu cada segundo ali.

Basilique Saint-Denis

Se Notredame é a Basílica onde eram coroados os reis, Saint-Denis era onde eram enterrados. Mais de 40 deles foram originalmente sepultados ali, e ambos os locais mantinham uma rivalidade nem sempre construtiva sobre qual seria a maior, melhor, ultra-macho-blatcho superior. 

Saint Denis apanhou do tempo. Bastante. Obras de restauração foram postergadas por 150 anos, mas no momento uma restauração incrível está em andamento, com direito a uma segunda torre na fachada frontal. 

O interior dela tem dezenas de obras fúnebres, variando de alta a altíssimo valor estético. Coisas assim:



fotos: Basilique Saint-Denis, Paris, 2026.


A Cripta, aberta ao público, é obrigatória:

fotos: Basilique Saint-Denis, Paris, 2026.

Na saída, ainda pudemos visitar as obras de restauração e expansão, que usam materiais e técnicas da época. Ganhamos um par de pedras como souvenir.

Jantar

Jantamos em um bar/lanchonete/restaurante próximo da Bastilha (onde ela ficava pelo menos). Não foi tão bom assim, mas nada a reclamar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Paris 1 - Dia 15 - Cimetire Pere-Lachaise e Hotel des Invalides

Amigo leitor, a viagem vai chegando ao fim e, com ela, a energia. Estamos caminhando e agindo mais lentos e menos eficientes. Viajar é delicioso, mas cobra um preço.

O trajeto não oferecia desafios: linha 8 seguida da linha 3, até a estação Pere-Lachaise.

Cimetière Pere-Lachaise

O primeiro passeio é um cemitério. Basicamente, o local tem dois tipos independentes de atrações. De um lado, a arte tumular. De outro, uma lista quase interminável de celebridades foi sepultada ali.

Antes um pouco de história. Paris é uma cidade milenar, o que eventualmente lhe proporciona problemas milenares. Em dado ponto, começaram a faltar vagas em cemitérios. Pere-Lachaise já era um cemitério de longa história, mas nenhuma admiração por ficar em uma área distante e pobre no final do século XVIII. A solução foi criar o hype: ossadas de famosos há muito falecidos foram sistematicamente transferidas para lá. Foi suficiente.

A arte tumular tem muitas atrações. Construções que fazem inveja a 98% das casas efetivamente habitadas permeiam o local. 


foto: Cimetière Pere-Lachaise, Paris, 2026

O segundo atrativo simplesmente não me comove. Sim, pessoas incríveis (Balzac, Piaf, Proust, Delacroix, Champollion (x2), Chopin, Morrison, Melies..) estão sepultadas ali. Outras não tão incríveis assim, também (a ponto de eu optar por não mencionar seus nomes).

Mas cultuar os mortos não é meu ponto de vista. Se eu quiser honra Edit Piaf, por exemplo, eu puxo uma playlist dela em algum app e ouço. Se eu quiser honrar Georges Melies, vejo um filme dele. Não critico quem cultua, mas eu não sou assim.

Hotel Des Invalides

O segundo passeio se mostrou uma correria danada. O Hotel Des Invalides é um grande museu militar, cobrindo a vasta história francesa sobre o tema. 

A quantidade de armaduras, armas, uniformes, equipamentos e até mesmo de sala é impraticável de contar. A tarde que reservamos para isso se mostrou absolutamente insuficiente, demandando outra visita futura. 


foto: Hotel des Invalides, Paris, 2026

Fica complicado até mesmo explicar o que tinha. Cada sala tratava de uma época específica, em alguns casos uma guerra específica. O audio-guide era infinito, também. 

Em suma, um passeião !

Jantar

Até havia um plano. Na Champs-Elysees, havíamos passado na porta de um restaurante algumas vezes, e a foto de um bifão já tinha nos deixado com fome antes. Então iríamos caminhar até lá numa boa e jantar. 

Esse plano foi atropelado pela realidade: o caminho cruzava o Sena, e ainda não tínhamos batido perna pela sua margem. E era fácil achar locais para parar e ficar. 

Depois de alguma busca, topamos com um barco-restaurante atracado. O cardápio parecia promissor e dentro nas nossas possibilidades financeiras. O único empecilho é que outro barco estava atracado ao lado dele. A vista era, portanto, desse outro barco. Boring...

Porém, observei um movimento nele. Depois de alguns segundos, entendemos que esse outro barco era móvel, e não tardaria a sair. Entramos no primeiro, pegamos a primeira mesa da noite na lateral externa e, em menos de 3min, o barco externo partiu com seus felizes ocupantes que iam comer pior que nós, pagando o triplo. 

Por lá ficamos tranquilamente e jantamos muito bem.  



 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Paris 1 - considerações positivas

Pauso novamente o relato cronológico para tecer agora os pontos positivos que vi em Paris. Vamos a eles:

  • metrô

Eu já tinha visitado outras cidades com metrô: Nova Iorque, Londres, Lisboa, Porto, Munique, Glasgow, Cairo, Los Angeles... Em todas elas, eu vi qualidades, mas sempre voltei com uma sensação de que São Paulo tinha um serviço melhor no geral, pecando (gravemente) apenas pelo seu alcance. Paris venceu. 

O metrô de Paris tem aproximadamente 250 estações em uma área de 105km2. São Paulo tem 134 estações em 1521km2. Enquanto Paris tem 2,38 estações por km2, São Paulo tem 0,09. Não vou (aqui) politizar o assunto, mas a diferença é realmente brutal. Com uma única exceção, fizemos todos os passeios indo de trilhos. Experimentamos o ônibus, o RER, o tram (um tipo de bonde metido a besta) e pegamos um funicular até. Tudo impecável. 

O tal bilhete Navigo (90 euros para o mês) funcionou todas as vezes, e com incrível velocidade de reação: não é necessário parar ou mesmo diminuir a caminhada para passar os bloqueios. 

As estações variam muito de estilo arquitetônico, mas são limpas e bem sinalizadas. Algumas delas podem ser meio labirínticas, mas eu achei isso parte do charme. 

  • respeito ao espaço
Paris é uma cidade altamente turística, e alvo de intenso fluxo migratório. Tem muita gente diferente lá. Mas a cultura de respeito ao espaço do outro prevalece. As pessoas ficam genuinamente incomodadas de esbarrar em você, mesmo quando acidentalmente ou necessário até (para sair do vagão do metrô, por exemplo). Esse respeito contagia rápido, e deixa saudades na volta.
  • qualidade das atrações
Sim, Paris é sim tudo isso. A fama de cada passeio foi plenamente justificada, com poucas exceções descritas. 
  • culinária / gastronomia

Quase todos os restaurantes que fomos se mostraram uma experiência marcante. Atendimento, quantidade e qualidade da comida, as combinações de coisas... tudo. E mesmo quando era óbvio que éramos turistas com mínima chance de voltar a cada estabelecimento, o tratamento seguia o mesmo.

Outro ponto positivo é simplicidade dos preços: se um prato custa 23 euros, e você pediu dois dele, a conta será 46. Números inteiros, e sem a necessidade de uma calculadora científica ou uma planilha de excel para calcular o valor final.

  • atenciosidade
Em todos os lugares, em todas as situações e com (quase) todas as pessoas com quem interagimos, a atenciosidade era regra. Sim, todas as conversa começaram com o respectivo "boujour" / "bonsoir", que é um requisito para se iniciar uma conversa civilizada. Daí para frente, Luciana se virava com o francês rudimentar dela, e eu já mandava um inglês mediano. Não tivemos problema algum de comunicação, e as pessoas pareciam genuinamente felizes em nos ajudar. 
  • segurança
A parte do fato de ser uma cidade grande, e ter seus problemas pertinentes, achamos Paris muito segura. Em momento algum veio aquela sensação de "não devíamos estar aqui", entende?

Paris 1 - Dia 14 - Sacrecuer, Montremarte e Galerie Dali

Meu primeiro aniversário comemorado fora do Brasil. Mas estou me adiantando...

O dia começa com um rolê um pouco mais longo, e não menos eficiente, pelo metrô. O trajeto de sempre pela linha 8 desta vez seguia pela linha 4, rumo norte, até a estação Châteu Rouge. A partir disso, amigo leitor, só tem duas direções: para cima e para baixo.

Basilique du Sacré-Couer

Depois de alguma atrapalhação com o Google Maps que não conhece muito bem ali, conseguimos chegar à base do morro. Pegamos o funicular (e não consigo entender o que aconteceu com as fotos dele, pois sobrou apenas uma) 

e começamos pela Basílica...


e depois sua vista superior.

Com tantas construções centenárias ou até milenares, a Basílica de Sacré-Couer teve sua inauguração em 1914, há pouco mais de um século portanto. Tem 84m de altura, e o interior impressiona pela opulência e pela claridade. É descrita como um interpretação livre do estilo romano-bizantino. Bem livre, do meu ponto de vista.

A visitação é gratuita, bastando sobreviver à fila (que era grande, mas com progressão nítida). O topo tem uma taxa que custa menos que os degraus. Lá em cima venta pacas, de todo lado, e é sensacional de ver. Imperdível.

Ainda do lado de fora, houve um espetáculo à parte. Como as grades viraram um ponto alternativo para se prender cadeados de casais, logo surgiram vendedores de cadeados. E já vem o outro com camisetas, botons, canecas... E o modelo era o mesmo dos camelôs brasileiros em qualquer cidade grande: um grande pano no chão, com os produtos ali apresentados. E se tem camelô, tem sonegação. Se tem sonegação pode ter polícia. E foi assim que testemunhamos um rapa francês. Sim, também é a mesma correria que na Rua 25 de Março. 

Montremartre

Montremartre é o bairro no entorno da basílica. Ele ocupa a totalidade de uma colina com atrações turisco-culturais. São galerias, bistrôs, artistas de rua, lojas de guloseimas e lojas de souvenier alternando-se sem muito critério. 

O clima é leve, divertido e convidativo. A chuva atrapalhou pacas a experiência, mas acho que pudemos ter uma boa impressão do local.

Galerie Dali

Salvador Dali é meu artista preferido. Ponto. Eu já sabia disso há alguns anos e a oportunidade de visitar uma galeria oficial dele não poderia ser deixada de lado.

O local é pequeno, aconchegante e apinhado de originais e réplicas autorizadas dele.


Em uma galeria, ao contrário de um museu, existe a possibilidade de se comprar peças. Na verdade, é para isso que a galeria existe. Foi lá que eu descobri que existe um mercado de produção de réplicas autorizadas numeradas de algumas obras, em especial as esculturas. Deste modo, pode-se ter uma réplica de um Dali na sala de casa. Eu cocei a mão, mas não tive a cara de pau necessária para perguntar valores. Fiquei com medo de poder pagar.

Walking Tour

Para baixo, todo santo ajuda, diz o ditado. Descemos o morro então, observando a arquitetura e paisagem urbana. Fomos batendo papo, curtindo o momento e andando (não tão) a tôa na direção da Gare du Nord.

Nela pude admirar, pela primeira vez, um EuroStar, o trem que liga a Europa ao Reino Unido (sim... se eles não querem fazer parte da Comunidade Européia, então não fazem parte da Europa e eu vou continuar falando assim). 

Jantar

Dado que era meu aniversário, eu tinha o poder absoluto de escolha do local. Escolhi o melhor tipo de comida na minha opinião (hamburguer) no mais efetivo tipo de estabelecimento (rede) no melhor exemplo disponível que não há no Brasil: Five Guys. 

Luciana se desesperou quando eu anunciei isso meses antes, mas mantive-me firme. E decididamente, valeu a escolha.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 13 - Compras

Novamente, compras.

A questão central de fazer compras em viagens é "o que comprar?". Muita gente se perde nisso, gasta mais do que queria, compra menos do que precisava... Então valem umas palavras rápidas sobre isso. 

Existem dois tipos de compras que se deve fazer em viagens: coisas que não tem onde você mora e coisas que até tem, mas são ridiculamente mais baratas. Com o euro pouco acima de R$ 6, a segunda categoria fica bem rara, mas nem por isso inexistente.

Ocorreu nesse dia um lindo trabalho a quatro mãos e minhas pernas. Luciana queria comprar roupas em Paris. Totalmente compreensível. E não queria rasgar dinheiro. Totalmente agradecível. Mas ainda na fase de planejamento, ela travou nesses critérios. 

Foi então que eu me meti no assunto e achei uma tal Kilo Shop. O nome já explica: roupa por quilo. Basicamente, é uma rede de brechós vintage, com mais de 30 lojas pela Europa (8 em Paris) onde as roupas são etiquetadas em 5 cores, representando o preço em euros por quilo: 20, 30, 40, 60 e 90. Algumas poucas peças recebem etiquetas com valores individualizados. As lojas possuem balanças espalhadas pelos corredores onde se pode pesar cada peça ou um lote, para não haver surpresas no caixa. E, claro, conta com provadores totalmente em modelo auto-serviço. Onde termina meu talento, começa o da Luciana.

Era preciso decidir em qual ir. Puxo um mapa no próprio site da marca e ela aponta o dedo em uma das unidades. Ela não escolhe no mapa (teria total condição de fazer), mas na lista. 

- Por que essa?

- Algum problema? 

- Nenhum. Quero entender o critério

- O endereço tem dois números, deve ser a maior loja.

- ...

Bem... Não apenas era a maior loja, mas ela ficava em uma tal Rue de la Verrerie, que se mostrou ser a rua dos brechós. 

Não vou entrar em detalhes, mas ali pelas 14h30 eu decidi fazer um bate-e-volta no hotel, para deixar as sacolas e esvaziar a mochila. Sabia que deixar Luciana solta por 90 minutos em uma rua de brechós sem um adulto responsável era um risco, mas fiz. 

Outras lojas foram visitadas, outras compras foram feitas, um bagel desumanamente delicioso foi comido na hora do almoço e assim foi.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 12 - Versailles (externo)

Voltamos, então, a Versailles.

A rota é a mesma, o trem segue grande rápido e impressionante da mesma forma que uma semana antes. Infelizmente, a chuva também veio. E como a meta era visitar os intermináveis jardins, isso certamente iria atrapalhar.

Respiramos fundo, pegamos um mapa e fomos. A primeira dúvida aqui ao narrar é sobre a área deles. Há uma estimativa de que sejam entre 800 e 815 hectares. Como continuo não importando sobre essas unidades de medida bizarras, converti para metros quadrados: entre 8.000.000 e 8.150.000 metros quadrados. 

Meu apartamento tem 104... 

Mas tá pago quitado, okei!?


Essa manchinha bege no canto inferior direito, com o marcado vermelho em cima, é o palácio...

Mesmo em um período frio como maio não deveria ser, estava plenamente cuidado e pronto para receber os milhares de visitantes diários que por lá. Cada passagem, trilha, árvore, arbusto, gramado, estátua e fonte estavam absolutamente lindos. 



O almoço foi um pic-nic na entrada do Grand Trianon, com lanches frios e bolachas comprados na véspera. Sim: é preciso levar essas coisas. Não tem praça de alimentação no meio do mato. Altamente recomendado.

Ainda tínhamos ingresso que incluía a visita aos Trianons (Grand e Petit, claro). Resumidamente, são palácios menores construídos respectivamente por Luis XIV (Grande, para ele mesmo) e Luís XV (pequeno, para a Madame de Pompadour) para momentos em que Versailles em si parecesse aborrecido. As visitas se mostraram apressadas, na verdade, e mereceriam, cada um, horas de contemplação mais cuidadosa. 


Uma ideia que chegou tarde demais era alugar um carrinho de golfe. Elétrico, ergo silencioso, economiza algum tempo e muita energia do visitante. Fica a consideração para uma próxima oportunidade. 

Ficou como um must-go realmente imponente. Vale muito a pena, apesar do preço salgado do ingresso.

Ainda na cidade de Versailles, encontramos um restaurante simples e divertido, onde jantamos com toda calma antes de voltarmos.

sábado, 22 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 11 - Pantheon, Luxemburgo, Curie, Monroe e Moulin Rouge

O amigo leito já viu o tamanho do título, imagino...

Pantheon

O dia começa pelo Pantheon. Trata-se de uma enorme construção em estilo clássico, inicialmente construído como basílica, mas que depois recebeu um destino muito mais interessante. Quase 70 grandes personalidades francesas, das variadas facetas da história, estão homenageadas ali: Russeau, Curie (x2), Braille, Diderot, Braille, Voltaire, Vitor Hugo... 

A arquitetura é fascinante. A decoração ainda mais:

foto: Pantheon, Paris, 2026

Finalizando, ainda tinha um pêndulo de Fucault no átrio central, para desespero de terraplanistas em geral. Curiosamente, não achei tão cheio assim. Acho que é um local burramente pouco valorizado pelos turistas. Sorte minha.

Jardin du Luxemburgo

Logo ao lado, com um Le Big Mac na mão, visitei o Jardin du Luxemburgo. Muito mais interessante que o Jardin des Tulleries, a arborização é mais robusta, e um belo lago atrai a atenção de todos. O lado negativo ficou pelo odor local, nada vegetal se o leitor me entende...

foto: Jardin du Luxemburgo, Paris, 2026

Musee Curie

Marie Curie foi, na visão deste blogueiro, a maior cientista mulher de todos os tempos, e a terceira maior da história, atrás de Newton e Darwin. Ela é a única pessoa até hoje a vencer dois prêmios Nobel em categorias científicas diferentes (Química e Física). Não é pouca coisa. 

Uma breve caminhada a partir do Jardim nos levou até lá. Entrada gratuita e desburocratizada, mas tivemos que aguardar uma fila de uns 40 minutos na chuva. 

A atração é simples, com apenas 3 salas pequenas apresentando de modo bastante superficial a vida e a obra de Marie Curie. Há uma réplica da sua sala de trabalho preservada, que pode ser observada mas não visitada. 

foto: bustos do casal Curie, com um par de curiosos à frente; Musee Curie, Paris, 2026

Esperava mais, mas não posso reclamar do preço.

Traslado

A pedido da super querida Tatiana, fomos depois a uma exposição sobre o centenário de Marilyn Monroe na Cinemateca. Não é um passeio que eu escolheria, ou mesmo que eu ficasse sabendo. Agradeço a ela pela descoberta e indicação.

O caminho até lá foi a oportunidade de andar de ônibus, dado que a Cinemateque fica um uma rara incomumente mal servida de estações de metrô. Novamente, o aplicativo nos ajudou e as indicações foram precisas. Os ônibus não têm cobrador, apenas o leitor das passagens eletrônicas ou no aplicativo. A motorista não emite qualquer expressão para quem entra, apenas aquele olhar vazio de quem precisa trabalhar em uma tarde de sábado. 

Ainda assim, duas curiosidades. Um dos passageiros era um garoto de não mais de 10 anos. Talvez 8. Sozinho, portando duas mochilas, ele tranquilamente voltava de algum compromisso importante para ele. Nós, brasileiros e relativamente italianados, nos intrigamos com isso. Ele não.

A segunda curiosidade foi uma inspeção de bilhetes! Durante o trajeto, 4 inspetores subiram no ônibus e começaram a checar os bilhetes de cada passageiro, sem exceção. Duas senhoras atrás de mim foram multadas (creio que 120 euros cada). Ao fundo, uma moça ainda tentava se explicar quando descemos. Naturalmente, nenhum de nós 4 passou nervoso. 

Marilyn Monroe

Entramos um pouco antes do previsto e fomos curtir. A exposição trazia muito material físico (roupas, sapatos e ornamentos) usados por ela em variadas ocasiões, além de extratos de filmes, pequenos e envolventes documentários, algum texto explicativo e diversos posters. Tudo organizado em ordem cronológica, facilitando ao visitante uma boa compreensão do que se passou na vida dela.

foto: vestido usado por Marilyn Monroe, Cinemateque, Paris, 2026

Inesperado (por mim) e excelente.

Moulin Rouge

Não fui. 

Os trio quis ir, mas 140 euros para um treco que nunca me chamou a atenção realmente era demais. Zero arrependimento e duas horas de sono a mais que eles.

Haha.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 10 - Louvre parte 2

Sim, parte 2. Basicamente, é impossível ver o Louvre em só dois dias. Falaremos mais disso em Paris 2...

Pois é, amigo leitor. O plano era sólido: finalizar pelo menos uma passagem completa por todas as salas, mas mesmo com dois dias de horário estendido isso não foi possível. A parte de mobílias, por exemplo, não foi observada. 

Neste segundo dia, pudemos revisitar as salas principais de esculturas. Também pude ter uma excelente experiência com a Monalisa, por mais de 15 minutos junto à barreira de segurança sem ser (muito) incomodado por ninguém. Enquanto os humanos tiravam fotos e vídeos, ou até breves lives do local, eu simplesmente queria estar ali aproveitando o momento. Os seguranças notaram isso e me deixaram a vontade. Tanto foi que eu saí espontaneamente: poderia ter ficado mais. 

Desta feita, houve mais tempo para as pinturas, e o Louvre me ajudou a entender 3 pontos importantes no meu gosto por ela. 

Em primeiro lugar, eu realmente gosto de realismo e seu filho mais bem sucedido: o hiper-realismo (que não estava lá). Fico devendo uma foto decente para isso. Mas isso vai de encontro com o que eu já sabia sobre escultura: quanto maior a precisão da obra, mais ela me atrai.

Em segundo lugar, consegui separar uma categoria geral que também me interessa: pintores holandeses e belgas.


Para muito além de apenas falar "Van Gogh", posso mencionar Rembrandt, Vermeer e Rubens, em uma lista não exaustiva. Foi um baque me ver no Louvre, dias antes de completar 52 anos, admirando um pintor que meu pai sempre mencionava mas eu tinha ainda o conhecimento necessário para entender. Sem problemas quanto a isso: posso focar nele a  partir de agora, e sem precisar deixar de ser fanboy do Dali.

Em terceiro lugar, eu realmente não gosto de arte sacra, particularmente a medieval. Para mim, são montanhas de crucificações e santas ceias todas iguais entre si e retratando como verdadeiras a maior mentira já contada na humanidade. Mas essa descoberta é igualmente útil: em museus de acervo genérico como o Louvre, isso me permite pular as partes que não me interessam para me dedicar ao que me interessa mais.

Sou muito grato ao Louvre por essas três epifanias no mesmo dia. 

Jantar

O jantar foi em um restaurante italiano no Cartier Latin. Escolhido na ultima hora, muito bem atendidos como de costume. Creio ter comigo um risoto com mousse de chocolate de sobremesa. Vinhamos, obviamente.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Paris 1 - Dia 9 - Disney

Disney, ué. 

Paris é o único lugar da Europa com parque da Disney. E era mesmo o momento de colocar o cérebro para descansar também. Na véspera, encontramos um casal de amigos brasileiros muito queridos que moram na França. Passear sem precisar prestar (muita) atenção era uma ótima maneira de conversar junto. A escolha de data foi primorosa. 

O trajeto pode ser cansativo: embora fosse possível chegar com apenas uma baldeação, o melhor trajeto usava duas até estarmos no RER-A. Nele, basta sair na estação terminal. Não tem segredo.

O mesmo não se pode dizer o clima. Foi o dia mais frio da viagem, acompanhado de uma chuva insolente. As paisagens não estavam, portanto, tão fotogênicas como de se esperar.



fotos: Disney Paris, 2026

Alguns passeios clássicos estavam lá: Terror Tower, Thunder Mountain, Indiana Jones, Space Mountain (repaginada como Star Wars Hyperspace Mountain), Piratas do Caribe e Star Tours. De novo, ainda peguei o Spiderman WEB Adventure e Avengers Assemble. Algumas das partes de Star Tours estavam atualizadas com conteúdo mais recente da franquia.
A alimentação segue cara e, por vezes, complicada. Por exemplo, acabei deixando de tomar o sorvete que eu queria pois, às 18h, a maioria dos stands havia fechado. O detalhe é que o parque estava aberto até 22h40. 
A limpeza e decoração segue o imutável padrão Disney. 

Conclusão

Não foi um passeio que eu escolhi. 
Foi um passeio onde me diverti pacas.
Não acho necessário voltar a ele.

Mas no fim, Disney é sobre isso: