quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Paris 1 - considerações positivas

Pauso novamente o relato cronológico para tecer agora os pontos positivos que vi em Paris. Vamos a eles:

  • metrô

Eu já tinha visitado outras cidades com metrô: Nova Iorque, Londres, Lisboa, Porto, Munique, Glasgow, Cairo, Los Angeles... Em todas elas, eu vi qualidades, mas sempre voltei com uma sensação de que São Paulo tinha um serviço melhor no geral, pecando (gravemente) apenas pelo seu alcance. Paris venceu. 

O metrô de Paris tem aproximadamente 250 estações em uma área de 105km2. São Paulo tem 134 estações em 1521km2. Enquanto Paris tem 2,38 estações por km2, São Paulo tem 0,09. Não vou (aqui) politizar o assunto, mas a diferença é realmente brutal. Com uma única exceção, fizemos todos os passeios indo de trilhos. Experimentamos o ônibus, o RER, o tram (um tipo de bonde metido a besta) e pegamos um funicular até. Tudo impecável. 

O tal bilhete Navigo (90 euros para o mês) funcionou todas as vezes, e com incrível velocidade de reação: não é necessário parar ou mesmo diminuir a caminhada para passar os bloqueios. 

As estações variam muito de estilo arquitetônico, mas são limpas e bem sinalizadas. Algumas delas podem ser meio labirínticas, mas eu achei isso parte do charme. 

  • respeito ao espaço
Paris é uma cidade altamente turística, e alvo de intenso fluxo migratório. Tem muita gente diferente lá. Mas a cultura de respeito ao espaço do outro prevalece. As pessoas ficam genuinamente incomodadas de esbarrar em você, mesmo quando acidentalmente ou necessário até (para sair do vagão do metrô, por exemplo). Esse respeito contagia rápido, e deixa saudades na volta.
  • qualidade das atrações
Sim, Paris é sim tudo isso. A fama de cada passeio foi plenamente justificada, com poucas exceções descritas. 
  • culinária / gastronomia

Quase todos os restaurantes que fomos se mostraram uma experiência marcante. Atendimento, quantidade e qualidade da comida, as combinações de coisas... tudo. E mesmo quando era óbvio que éramos turistas com mínima chance de voltar a cada estabelecimento, o tratamento seguia o mesmo.

Outro ponto positivo é simplicidade dos preços: se um prato custa 23 euros, e você pediu dois dele, a conta será 46. Números inteiros, e sem a necessidade de uma calculadora científica ou uma planilha de excel para calcular o valor final.

  • atenciosidade
Em todos os lugares, em todas as situações e com (quase) todas as pessoas com quem interagimos, a atenciosidade era regra. Sim, todas as conversa começaram com o respectivo "boujour" / "bonsoir", que é um requisito para se iniciar uma conversa civilizada. Daí para frente, Luciana se virava com o francês rudimentar dela, e eu já mandava um inglês mediano. Não tivemos problema algum de comunicação, e as pessoas pareciam genuinamente felizes em nos ajudar. 
  • segurança
A parte do fato de ser uma cidade grande, e ter seus problemas pertinentes, achamos Paris muito segura. Em momento algum veio aquela sensação de "não devíamos estar aqui", entende?

Paris 1 - Dia 14 - Sacrecuer, Montremarte e Galerie Dali

Meu primeiro aniversário comemorado fora do Brasil. Mas estou me adiantando...

O dia começa com um rolê um pouco mais longo, e não menos eficiente, pelo metrô. O trajeto de sempre pela linha 8 desta vez seguia pela linha 4, rumo norte, até a estação Châteu Rouge. A partir disso, amigo leitor, só tem duas direções: para cima e para baixo.

Basilique du Sacré-Couer

Depois de alguma atrapalhação com o Google Maps que não conhece muito bem ali, conseguimos chegar à base do morro. Pegamos o funicular (e não consigo entender o que aconteceu com as fotos dele, pois sobrou apenas uma) 

e começamos pela Basílica...


e depois sua vista superior.

Com tantas construções centenárias ou até milenares, a Basílica de Sacré-Couer teve sua inauguração em 1914, há pouco mais de um século portanto. Tem 84m de altura, e o interior impressiona pela opulência e pela claridade. É descrita como um interpretação livre do estilo romano-bizantino. Bem livre, do meu ponto de vista.

A visitação é gratuita, bastando sobreviver à fila (que era grande, mas com progressão nítida). O topo tem uma taxa que custa menos que os degraus. Lá em cima venta pacas, de todo lado, e é sensacional de ver. Imperdível.

Ainda do lado de fora, houve um espetáculo à parte. Como as grades viraram um ponto alternativo para se prender cadeados de casais, logo surgiram vendedores de cadeados. E já vem o outro com camisetas, botons, canecas... E o modelo era o mesmo dos camelôs brasileiros em qualquer cidade grande: um grande pano no chão, com os produtos ali apresentados. E se tem camelô, tem sonegação. Se tem sonegação pode ter polícia. E foi assim que testemunhamos um rapa francês. Sim, também é a mesma correria que na Rua 25 de Março. 

Montremartre

Montremartre é o bairro no entorno da basílica. Ele ocupa a totalidade de uma colina com atrações turisco-culturais. São galerias, bistrôs, artistas de rua, lojas de guloseimas e lojas de souvenier alternando-se sem muito critério. 

O clima é leve, divertido e convidativo. A chuva atrapalhou pacas a experiência, mas acho que pudemos ter uma boa impressão do local.

Galerie Dali

Salvador Dali é meu artista preferido. Ponto. Eu já sabia disso há alguns anos e a oportunidade de visitar uma galeria oficial dele não poderia ser deixada de lado.

O local é pequeno, aconchegante e apinhado de originais e réplicas autorizadas dele.


Em uma galeria, ao contrário de um museu, existe a possibilidade de se comprar peças. Na verdade, é para isso que a galeria existe. Foi lá que eu descobri que existe um mercado de produção de réplicas autorizadas numeradas de algumas obras, em especial as esculturas. Deste modo, pode-se ter uma réplica de um Dali na sala de casa. Eu cocei a mão, mas não tive a cara de pau necessária para perguntar valores. Fiquei com medo de poder pagar.

Walking Tour

Para baixo, todo santo ajuda, diz o ditado. Descemos o morro então, observando a arquitetura e paisagem urbana. Fomos batendo papo, curtindo o momento e andando (não tão) a tôa na direção da Gare du Nord.

Nela pude admirar, pela primeira vez, um EuroStar, o trem que liga a Europa ao Reino Unido (sim... se eles não querem fazer parte da Comunidade Européia, então não fazem parte da Europa e eu vou continuar falando assim). 

Jantar

Dado que era meu aniversário, eu tinha o poder absoluto de escolha do local. Escolhi o melhor tipo de comida na minha opinião (hamburguer) no mais efetivo tipo de estabelecimento (rede) no melhor exemplo disponível que não há no Brasil: Five Guys

Luciana se desesperou quando eu anunciei isso meses antes, mas mantive-me firme. E decididamente, valeu a escolha.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 13 - Compras

Novamente, compras.

A questão central de fazer compras em viagens é "o que comprar?". Muita gente se perde nisso, gasta mais do que queria, compra menos do que precisava... Então valem umas palavras rápidas sobre isso. 

Existem dois tipos de compras que se deve fazer em viagens: coisas que não tem onde você mora e coisas que até tem, mas são ridiculamente mais baratas. Com o euro pouco acima de R$ 6, a segunda categoria fica bem rara, mas nem por isso inexistente.

Ocorreu nesse dia um lindo trabalho a quatro mãos e minhas pernas. Luciana queria comprar roupas em Paris. Totalmente compreensível. E não queria rasgar dinheiro. Totalmente agradecível. Mas ainda na fase de planejamento, ela travou nesses critérios. 

Foi então que eu me meti no assunto e achei uma tal Kilo Shop. O nome já explica: roupa por quilo. Basicamente, é uma rede de brechós vintage, com mais de 30 lojas pela Europa (8 em Paris) onde as roupas são etiquetadas em 5 cores, representando o preço em euros por quilo: 20, 30, 40, 60 e 90. Algumas poucas peças recebem etiquetas com valores individualizados. As lojas possuem balanças espalhadas pelos corredores onde se pode pesar cada peça ou um lote, para não haver surpresas no caixa. E, claro, conta com provadores totalmente em modelo auto-serviço. Onde termina meu talento, começa o da Luciana.

Era preciso decidir em qual ir. Puxo um mapa no próprio site da marca e ela aponta o dedo em uma das unidades. Ela não escolhe no mapa (teria total condição de fazer), mas na lista. 

- Por que essa?

- Algum problema? 

- Nenhum. Quero entender o critério

- O endereço tem dois números, deve ser a maior loja.

- ...

Bem... Não apenas era a maior loja, mas ela ficava em uma tal Rue de la Verrerie, que se mostrou ser a rua dos brechós

Não vou entrar em detalhes, mas ali pelas 14h30 eu decidi fazer um bate-e-volta no hotel, para deixar as sacolas e esvaziar a mochila. Sabia que deixar Luciana solta por 90 minutos em uma rua de brechós sem um adulto responsável era um risco, mas fiz. 

Outras lojas foram visitadas, outras compras foram feitas, um bagel desumanamente delicioso foi comido na hora do almoço e assim foi.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 12 - Versailles (externo)

Voltamos, então, a Versailles.

A rota é a mesma, o trem segue grande rápido e impressionante da mesma forma que uma semana antes. Infelizmente, a chuva também veio. E como a meta era visitar os intermináveis jardins, isso certamente iria atrapalhar.

Respiramos fundo, pegamos um mapa e fomos. A primeira dúvida aqui ao narrar é sobre a área deles. Há uma estimativa de que sejam entre 800 e 815 hectares. Como continuo não importando sobre essas unidades de medida bizarras, converti para metros quadrados: entre 8.000.000 e 8.150.000 metros quadrados. 

Meu apartamento tem 104... 

Mas tá pago quitado, okei!?


Essa manchinha bege no canto inferior direito, com o marcado vermelho em cima, é o palácio...

Mesmo em um período frio como maio não deveria ser, estava plenamente cuidado e pronto para receber os milhares de visitantes diários que por lá. Cada passagem, trilha, árvore, arbusto, gramado, estátua e fonte estavam absolutamente lindos. 



O almoço foi um pic-nic na entrada do Grand Trianon, com lanches frios e bolachas comprados na véspera. Sim: é preciso levar essas coisas. Não tem praça de alimentação no meio do mato. Altamente recomendado.

Ainda tínhamos ingresso que incluía a visita aos Trianons (Grand e Petit, claro). Resumidamente, são palácios menores construídos respectivamente por Luis XIV (Grande, para ele mesmo) e Luís XV (pequeno, para a Madame de Pompadour) para momentos em que Versailles em si parecesse aborrecido. As visitas se mostraram apressadas, na verdade, e mereceriam, cada um, horas de contemplação mais cuidadosa. 


Uma ideia que chegou tarde demais era alugar um carrinho de golfe. Elétrico, ergo silencioso, economiza algum tempo e muita energia do visitante. Fica a consideração para uma próxima oportunidade. 

Ficou como um must-go realmente imponente. Vale muito a pena, apesar do preço salgado do ingresso.

Ainda na cidade de Versailles, encontramos um restaurante simples e divertido, onde jantamos com toda calma antes de voltarmos.

sábado, 22 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 11 - Pantheon, Luxemburgo, Curie, Monroe e Moulin Rouge

O amigo leito já viu o tamanho do título, imagino...

Pantheon

O dia começa pelo Pantheon. Trata-se de uma enorme construção em estilo clássico, inicialmente construído como basílica, mas que depois recebeu um destino muito mais interessante. Quase 70 grandes personalidades francesas, das variadas facetas da história, estão homenageadas ali: Russeau, Curie (x2), Braille, Diderot, Braille, Voltaire, Vitor Hugo... 

A arquitetura é fascinante. A decoração ainda mais:

foto: Pantheon, Paris, 2026

Finalizando, ainda tinha um pêndulo de Fucault no átrio central, para desespero de terraplanistas em geral. Curiosamente, não achei tão cheio assim. Acho que é um local burramente pouco valorizado pelos turistas. Sorte minha.

Jardin du Luxemburgo

Logo ao lado, com um Le Big Mac na mão, visitei o Jardin du Luxemburgo. Muito mais interessante que o Jardin des Tulleries, a arborização é mais robusta, e um belo lago atrai a atenção de todos. O lado negativo ficou pelo odor local, nada vegetal se o leitor me entende...

foto: Jardin du Luxemburgo, Paris, 2026

Musee Curie

Marie Curie foi, na visão deste blogueiro, a maior cientista mulher de todos os tempos, e a terceira maior da história, atrás de Newton e Darwin. Ela é a única pessoa até hoje a vencer dois prêmios Nobel em categorias científicas diferentes (Química e Física). Não é pouca coisa. 

Uma breve caminhada a partir do Jardim nos levou até lá. Entrada gratuita e desburocratizada, mas tivemos que aguardar uma fila de uns 40 minutos na chuva. 

A atração é simples, com apenas 3 salas pequenas apresentando de modo bastante superficial a vida e a obra de Marie Curie. Há uma réplica da sua sala de trabalho preservada, que pode ser observada mas não visitada. 

foto: bustos do casal Curie, com um par de curiosos à frente; Musee Curie, Paris, 2026

Esperava mais, mas não posso reclamar do preço.

Traslado

A pedido da super querida Tatiana, fomos depois a uma exposição sobre o centenário de Marilyn Monroe na Cinemateca. Não é um passeio que eu escolheria, ou mesmo que eu ficasse sabendo. Agradeço a ela pela descoberta e indicação.

O caminho até lá foi a oportunidade de andar de ônibus, dado que a Cinemateque fica um uma rara incomumente mal servida de estações de metrô. Novamente, o aplicativo nos ajudou e as indicações foram precisas. Os ônibus não têm cobrador, apenas o leitor das passagens eletrônicas ou no aplicativo. A motorista não emite qualquer expressão para quem entra, apenas aquele olhar vazio de quem precisa trabalhar em uma tarde de sábado. 

Ainda assim, duas curiosidades. Um dos passageiros era um garoto de não mais de 10 anos. Talvez 8. Sozinho, portando duas mochilas, ele tranquilamente voltava de algum compromisso importante para ele. Nós, brasileiros e relativamente italianados, nos intrigamos com isso. Ele não.

A segunda curiosidade foi uma inspeção de bilhetes! Durante o trajeto, 4 inspetores subiram no ônibus e começaram a checar os bilhetes de cada passageiro, sem exceção. Duas senhoras atrás de mim foram multadas (creio que 120 euros cada). Ao fundo, uma moça ainda tentava se explicar quando descemos. Naturalmente, nenhum de nós 4 passou nervoso. 

Marilyn Monroe

Entramos um pouco antes do previsto e fomos curtir. A exposição trazia muito material físico (roupas, sapatos e ornamentos) usados por ela em variadas ocasiões, além de extratos de filmes, pequenos e envolventes documentários, algum texto explicativo e diversos posters. Tudo organizado em ordem cronológica, facilitando ao visitante uma boa compreensão do que se passou na vida dela.

foto: vestido usado por Marilyn Monroe, Cinemateque, Paris, 2026

Inesperado (por mim) e excelente.

Moulin Rouge

Não fui. 

Os trio quis ir, mas 140 euros para um treco que nunca me chamou a atenção realmente era demais. Zero arrependimento e duas horas de sono a mais que eles.

Haha.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Paris 1 - Dia 10 - Louvre parte 2

Sim, parte 2. Basicamente, é impossível ver o Louvre em só dois dias. Falaremos mais disso em Paris 2...

Pois é, amigo leitor. O plano era sólido: finalizar pelo menos uma passagem completa por todas as salas, mas mesmo com dois dias de horário estendido isso não foi possível. A parte de mobílias, por exemplo, não foi observada. 

Neste segundo dia, pudemos revisitar as salas principais de esculturas. Também pude ter uma excelente experiência com a Monalisa, por mais de 15 minutos junto à barreira de segurança sem ser (muito) incomodado por ninguém. Enquanto os humanos tiravam fotos e vídeos, ou até breves lives do local, eu simplesmente queria estar ali aproveitando o momento. Os seguranças notaram isso e me deixaram a vontade. Tanto foi que eu saí espontaneamente: poderia ter ficado mais. 

Desta feita, houve mais tempo para as pinturas, e o Louvre me ajudou a entender 3 pontos importantes no meu gosto por ela. 

Em primeiro lugar, eu realmente gosto de realismo e seu filho mais bem sucedido: o hiper-realismo (que não estava lá). Fico devendo uma foto decente para isso. Mas isso vai de encontro com o que eu já sabia sobre escultura: quanto maior a precisão da obra, mais ela me atrai.

Em segundo lugar, consegui separar uma categoria geral que também me interessa: pintores holandeses e belgas.


Para muito além de apenas falar "Van Gogh", posso mencionar Rembrandt, Vermeer e Rubens, em uma lista não exaustiva. Foi um baque me ver no Louvre, dias antes de completar 52 anos, admirando um pintor que meu pai sempre mencionava mas eu tinha ainda o conhecimento necessário para entender. Sem problemas quanto a isso: posso focar nele a  partir de agora, e sem precisar deixar de ser fanboy do Dali.

Em terceiro lugar, eu realmente não gosto de arte sacra, particularmente a medieval. Para mim, são montanhas de crucificações e santas ceias todas iguais entre si e retratando como verdadeiras a maior mentira já contada na humanidade. Mas essa descoberta é igualmente útil: em museus de acervo genérico como o Louvre, isso me permite pular as partes que não me interessam para me dedicar ao que me interessa mais.

Sou muito grato ao Louvre por essas três epifanias no mesmo dia. 

Jantar

O jantar foi em um restaurante italiano no Cartier Latin. Escolhido na ultima hora, muito bem atendidos como de costume. Creio ter comigo um risoto com mousse de chocolate de sobremesa. Vinhamos, obviamente.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Paris 1 - Dia 9 - Disney

Disney, ué. 

Paris é o único lugar da Europa com parque da Disney. E era mesmo o momento de colocar o cérebro para descansar também. Na véspera, encontramos um casal de amigos brasileiros muito queridos que moram na França. Passear sem precisar prestar (muita) atenção era uma ótima maneira de conversar junto. A escolha de data foi primorosa. 

O trajeto pode ser cansativo: embora fosse possível chegar com apenas uma baldeação, o melhor trajeto usava duas até estarmos no RER-A. Nele, basta sair na estação terminal. Não tem segredo.

O mesmo não se pode dizer o clima. Foi o dia mais frio da viagem, acompanhado de uma chuva insolente. As paisagens não estavam, portanto, tão fotogênicas como de se esperar.



fotos: Disney Paris, 2026

Alguns passeios clássicos estavam lá: Terror Tower, Thunder Mountain, Indiana Jones, Space Mountain (repaginada como Star Wars Hyperspace Mountain), Piratas do Caribe e Star Tours. De novo, ainda peguei o Spiderman WEB Adventure e Avengers Assemble. Algumas das partes de Star Tours estavam atualizadas com conteúdo mais recente da franquia.
A alimentação segue cara e, por vezes, complicada. Por exemplo, acabei deixando de tomar o sorvete que eu queria pois, às 18h, a maioria dos stands havia fechado. O detalhe é que o parque estava aberto até 22h40. 
A limpeza e decoração segue o imutável padrão Disney. 

Conclusão

Não foi um passeio que eu escolhi. 
Foi um passeio onde me diverti pacas.
Não acho necessário voltar a ele.

Mas no fim, Disney é sobre isso:









sexta-feira, 24 de julho de 2026

Paris 1 - Considerações Negativas

Pauso o relato cronológico para um relato de pontos negativos observados na viagem. Acho importante manter um espírito minimante crítico e honesto, para que não fique uma impressão errada de que tudo por lá é perfeito. Não é. Então vamos a algumas coisas:

  • tabagismo
Era minha quarta viagem pela Europa. Então não foi surpresa, mas vale tomar nota. Os franceses fumam muito mais do que no Brasil. E, de algum modo, isso consegue ser ainda mais malcheiroso do que por aqui.
  • lotação
Ok, estava viajando em uma das mais turísticas cidade do planeta. Nela, estava fazendo alguns dos passeios mais conhecidos do planeta. Esses locais são muito cheios sim. Fez-se necessário comprar todos os ingressos com antecedência, e isso amarrou demais a agenda da viagem.
Veja bem, amigo leitor: este blogueiro acostumado a viajar com planilha impressa achou a agenda muito amarrada. Percebem?
Claro, vocês podem ignorar minha visão sobre isso e pegar as filas nas bilheterias a vontade. Muita gente fazia isso. Mas não recomendo.
  • "francês não toma banho"
Não dá para generalizar assim. Além de errado, é ofensivo e covarde. 
Feito o disclaimer, era relativamente comum encontrar sim pessoas com um odor terrível. E forte. A ponto de se notar do outro lado do vagão do metrô. Não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas, mas certamente não é shampoo.
  • preços
Paris é uma cidade cara, realmente muito cara. Alguns passeios passaram de 30 euros. Não se come em restaurante por menos de 20 euros por prato. A passagem unitária de transporte público custa 2,55 euros. Alguns desses valores realmente são abusivos, e não tem o que se fazer sobre isso.
  • sinalização
Com exceção do metrô, sobre o qual falarei no dia das considerações positivos (spoiler alert: o metrô de Paris é fenomenal), os lugares em geral são mal sinalizados. Tanto os passeios, como as ruas, shoppings e até restaurantes ficam devendo em algum tipo de melhoria nesse sentido.
  • o "show"
Se os lugares em geral transbordam em cultura e conhecimento, a parte do "show" fica um pouco a desejar. Verdade seja dita, ninguém faz "show" como os americanos, e isso eu acho que tem espaço para melhorar por lá sem grandes investimentos. 
Por exemplo, no Louvre, mesmo em dias em que ele sabidamente fica aberto até 21h, não há onde comer depois das 16h. Sim: você tem um ingresso válido e pode sair e voltar sem problemas. Mas isso é um transtorno e não seria um drama para melhorar. Muitas das placas em museus estão apenas em francês. Não é um custo dramático ter uma versão em inglês. 
  • horários de funcionamento
Não acho que seja muito justo criticar o horário em que determinado estabelecimento funciona. Isso dito, alguns processos de atendimento levam tempo. Não dá para chegar no restaurante faltando 5min para fechar. Mesmo a compra de uma peça de roupa toma tempo até fechar a negociação. 
Dito isso, muitos lugares fecham bem antes do horário previsto. Muitos lugares e muito antes. Chega-se em uma loja que deveria estar aberta até 20h30, e ela está baixando as portas às 19h50. Isso é bastante comum pela cidade toda, e acho bem negativo.

Paris 1 - Dia 8 - Descanso

Conforme estava programado, esse era um dia de descanso.

Então dormimos a manhã toda, almoçamos uma salada de supermercado que incluía um garfo comestível e dormimos metade da tarde. À noite, encontramos um casal de amigos brasileiros residentes na França e que estava chegando a Paris para nos acompanhar pelos próximos 4 dias. 

E foi isso!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Paris 1 - Dia 7 - Concórdia, Arco do Triunfo e Torre Eifel

Amigo leitor, era para ser um dia pesado.

Foi.

Praça da Concórdia

Chegar foi fácil. Na verdade, era essencialmente seguir pela linha 8 do metrô até a estação Concorde, embora fosse possível ganhar alguns minutos trocando para a linha 1, que fazia um trajeto mais curto. Não valia a pena, pois sabíamos que a caminhada era longa. 

A praça estava em obras, o que reduziu um pouco a visibilidade. Caminhamos pela lateral do Jardim das Tulherias, mas logo atravessamos e começamos a observar um fonte e o obelisco egípcio que lá se encontra. A última foto deste post mostra o par dele. 

É um ponto bonito e rápido de ver, além de ser uma das pontas de umas das avenidas mais famosas deste sistema planetário.

foto: fontaine de Mers, Paris, 2026.

foto: Obelisco, Paris, 2026.

Champs-Elyssé

Caminhamos ela toda. Fomos pelo lado esquerdo, cientes que havia uma parte 2. A primeira parte tem mais cara de parque do que de avenida, passando pelos Grand e Petit Palais (que claramente ficaram para a viagem Paris 2), entre outras atrações. Logo, porém, chegamos a uma parte mais comercial.

foto: Champs-Elysée, Paris, 2026.

Passa-se por uma profusão de lojas de altíssima categoria, mas não deixando de lado um comércio caro, mas pelo menos acessível ao turista brasileiro. Das lojas de primeira linha, posso lembrar de Louis Vitton, uma Salomon´s, uma loja conceito da Nike, um Five Guys, uma Cartier, uma Adidas, uma Channel e uma Christian Dior que, pensando bem, talvez fosse mais de uma. 

O lugar é deslumbrante. Bonito, arborizado, integrado com trânsito local, com centenas de opções de alimentação. E não me senti, em momento algum, como um invasor que não tinha o direito de estar ali. 

Arco do Triunfo

Haja história. Haja cultura.

Tínhamos ingresso para subir, lógico. Então estávamos na porta do Arco do Trinfo ainda antes das 11h. Foi um pouco complexo para achar a entrada exata pois era o primeiro horário e as indicações com placas eram inexistentes. Mas deu tudo certo sim. 

O arco é um monumento ao soldado francês. E como não foram poucas as guerras, sua importância acaba por ser milenar. A vista de cima também impressiona.



fotos: Arco do Triunfo, Paris, 2026. (esta bosta de texto não quer ficar à direita, então xinguei mesmo...)

Campo de Marte

Depois de um almoço refinado no Five Guys, caminhamos para o Campo de Marte. E isso permite continuar vendo o urbanismo e a arquitetura da cidade. Isso nunca cansa. 

O Campo de Marte em si, não impressiona tanto. É um parque quadrado, com algumas linhas de árvores, bancos e gramados. Bonito, agradável, mas não impressionante. Tanto que a passagem por ele acabou sendo curta. 

Torre Eiffel

Impossível narrar. Impossível.

Mas descobri coisas que não imaginava. A concepção da Torre foi tão absurda que, desde o projeto, Gustave Eiffel a fez pensando na manutenção: cada uma das peças pode tranquilamente ser removida e substituída por outra igual em caso de necessidade. Cada uma das 18.038. Assim como os mais de 2.5 milhões de rebites. 

A torre fica em um parque fechado, de acesso gratuito e controlado. Basta passar pela segurança e qualquer um pode fazer um pic-nic embaixo dela sem custos adicionais. Paga-se apenas para subir, um pouco mais se for de elevador. Sim, alguns corajosos iam a pé até o topo. Não recomendo, acho um esforço bobo frente os 7 euros de diferença. 



fotos: base, vista e centro da Torre Eiffel, Paris, 2026.

Uma decepção aconteceu na lojinha oficial. Eu tinha certeza de que encontraria bons livros sobre a torre. Queria saber mais tanto do projeto quanto da construção em si. Temia encontrar apenas material em francês, mas seria uma decisão de segunda ordem. Infelizmente, não achei absolutamente nada. Nada. 

Jantar

Aqui, mudamos os planos. Decidimos que seria o jantar oficial de 10 anos de casados (data atrasada frente a 27/09/25) e fomos à Fada Verde. Especialidade da casa: absinto.

Atendimento absurdo de bom. Nossa garçonete conseguia ao mesmo tempo ser simples, concisa nas explicações, simpática e divertida. Se tem curso para isso, tem muita gente que devia fazer. Se é talento natural dela, que se preservem esse genes. 

fotos: jantar no Fee Verte, Paris, 2026.

Conclusão

Talvez um dos melhores dias da viagem. Todas as coisas foram dando certo naturalmente, sem nada atravessando o ritmo. Valeu cada minuto.