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quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Egito - Dia 19 a 26

Não vou aqui, amigo leitor, relatar cada um dos 18 mergulhos que diz na semana seguinte. O relato é feito no tal logbook, com informações técnicas e narração de eventos e achados durante cada descida. Mas vejam bem... se eu não achasse isso o máximo, não teria dedicado 7 dias da viagem a isso, né? E muito do que teria a relatar não faz sentido algum para quem não tem certificação em mergulho, incluindo especialidades às quais me dei ao trabalho de cursar (profundo, noturno, nitrox, navegação, busca e recupeção). Sim, já fiz isso antes neste blog, mas mudei de ideia.

Acho mais pertinente, e útil, contar a experiência de live aboard, que é passar o tempo todo dentro do barco, fazendo as refeições e dormindo nele. É um cruzeiro de mergulho, para trocar palavras. 

Havia termores, claro. O barco fica em alto-mar por uma semana, parando nos pontos de mergulho mais interessantes. E não é aquelas embarcações enormes que vemos nas propagandas de joguinhos, é uma operação bem mais modesta em termos de tamanho. 


A viagem, então, era para o balneário de Hurghada, no mar Vermelho. Um translado rápido nos colocou a bordo dessa coisa fofa aí na foto. O barco tem capacidade para 30 mergulhadores, mais tripulação, instrutores de mergulho e instrutor local de mergulho (é uma categoria a parte).

O resto do dia não tinha atividades, pois chegamos ao barco às 12h, mas o checkin seria apenas às 19h. Perdemos um dia nisso, na prática. Mas relaxamos pela pequena marina local, e almoçamos. 

À noite, conhecemos os demais 17 passageiros (todos espanhóis) e os instrutores (1 egípcio no cargo de instrutor local, 1 argentino, 1 espanhol e o instrutor lider, também espanhol). As pessoas respeitaram, pelo menos um pouco, nosso apelo por falarmos em inglês.

Nossa cabine ficava na parte do fundo do barco, a mais econômica. Era um quarto com uma casa de casa e uma de solteito. Havia cabine com cama de casal e beliche. Todos eram suíte. No segundo deck, estava o salão de jantar e a área de reunião. Do lado de fora, ficavam as instalações de mergulho e o acesso às estruturas do barco, como cabine do capitão, cozinha e quarto da tripulação. O terceiro deck tinha uma área de convívio e as cabines mais cara, que contavam com visão melhor do mar. O deck superior tinha um grande solário com espreguiçadeiras e o assento do piloto.

Antes de escrever, fiquei procurando palavras e expressões para descrever o atendimento a bordo, incluindo os instrutores de mergulho e tripulação (cozinheiros, camareiros e suporte ao mergulho). Seguem algumas: incrível, sensacional, maravilhosa, fantástica, absurda, genial, de outro mundo, classe A, VIP, top, topzeira, animal, fabulosa, fora de série. Nós nos sentimos perfeitamente atendido em toda e qualquer dificuldade enfrentada em 100% do tempo.

A comida era sempre farta, deliciosa e variada. Sempre havia variantes de proteína e sobremesas. Eu diria que 3 das 5 melhores refeições da viagem foram no barco. Nossa cabine era arrumada a cada vez que saímos dela. A água do banho era quente e dessalinizada, o que a tornou os melhores banhos não apenas da viagem, mas talvez da minha vida. Os instrutores Sérgio, Huete, Mariano e Awad eram absolutamente capacitados e bem humorados, sempre dispostos a ajudar e melhora nossa técnica. 

E meu maior temor se provou apenas isso:um temor. Tnha medo de ficar enjoado com o movimento do barco. Isso logo se provou falso, talvez pelo mar ser muito calmo na região.

A rotina era bem puxada, iniciando-se a primeira reunião às 6h30, antes mesmo do café da manhã, de modo a permitir até 4 tanques por dia. E consegui bater essa meta em duas ocasiões. 

Enfim, a operação da Blue Force é absolutamente recomendada por este mero blogueiro viajante mergulhador em quaisquer aspectos possíveis de análise.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Angra dos Reis 4 - Dias 6 e 7: mergulhos e retorno

Bora lá...

  • Dia 10
O primeiro cilindro (Log #41) foi sem maiores incidentes, em Itaquatiba.
O começo com pouca vida era, felizmente, ilusório. Os corais muito coloridos esponjas e ouriços foram dando espaço para outras coisas. Uma curiosa criatura com pequenos fiapos se assustou comigo, e os recolheu com impressionante velocidade.
Os peixes foram: poucos coiós, enxadas, salemas, borboletinha-listrada, paru adulto, 2 caranguejos, amboré-neon, corcora, porquinho de pinta laranja e um cachimbo de focinho branco.
O segundo cilindro (Log #42), em Saracura, teve seu ponto alto a 3 minutos: 2 (3 ?) raias-chita passaram ao largo. Lindas. Depois disso, havia um berçário de sargentos, um peixe-morcego, um baiacu de espinho, corcoras, porquinhos de pinta laranjam borboleta listrada e um barrigudinho.
  • Dia 11
Luciana acordou indisposta. Por mais que ela mesmo insistisse, não tinha condições de mergulhar. e fiquei sem minha dupla usual. Isso não tem como ser uma coisa boa, mas sobrevivemos.
primeiro cilindro (Log #43), em Ponta Grossa, foi pouco empolgante. Gastei mais gás que os novatos, embora o tempo de 49 min não sera ruim. 
Também não observamos nada excepcional, apenas os usuais sargentos, coiós, borboletas e salemas. Havia belos cardumes de peixes jovens. 
segundo cilindro (Log #44), em Bananal foi melhor, bem melhor, que o anterior. Além de regular melhor a flutuabilidade, economizei gás (torrando apenas no final) com bastante controle. 
Encontramos peixe-cofre, peixe-pedra e peixe morcego, além dos não tão usuais borboleta, donzela, barrigudinho, amboré-neon e baiacu.

Durante a tarde, Luciana melhorou e se empolgou com o noturno, e fomos para o barco.
terceiro cilindro (Log #45) foi um noturno em Bananal. Era o time de mergulho que conhecemos na véspera, com pouco entrosamento. Mas embaixo da água, todos falamos a mesma língua.
Como sempre, o noturno é marcado por muitas trombadas e colisões. Não vemos direito uns aos outros, e é justo para isso que precisamos praticar mais. Logo que desci, não estava enxergando direito meus instrumentos, mesmo a meros 6m. Avisei a Luciana e segui com os procedimentos de segurança. Com o tempo, no entanto, me acostumei.
A vida noturna é muito diferente da diurna. Os sargentos vão dormir, assim como a maioria dos coiós e salemas. Entram caranguejos aos montes. Também vi um peixe trombeta, uma peixe-pedra e uma linda tartaruga verde, para fechar com chave de ouro a sequência de 15 mergulhos.
  • Dia 12
Basicamente, voltamos a São Paulo. O trajeto feito pelo ônibus é bem pouco inteligente, parando em Parati e São José dos Campos, além de duas paradas para alimentação. Acaba dando 8h em uma coisa que podia ser 5. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Angra dos Reis 4 - Dias 4 e 5: mergulhos e mergulhos

Mergulhar é preciso, viver não é preciso.

  • Dia 8
O primeiro cilindro (Log #39) foi, finalmente, no Pinguino.
O Pinguino é um naufrágio sem vítima que comemora 50 anos em junho de 2017. É um clássico de Angra por estar em profundidade moderada (16m), por ser fácil de chegar e por acumular vida. Qualquer mergulhador iniciante já foi nele. Exceto este blogueiro.
Ocorre que em minha primeira viagem a Angra, passei mal antes de descer nele, e tive que abortar. Na segunda vez, estava fazendo prova de especialidades, então não pude aproveitar. Mas da terceira vez não passou.
Havia uma térmica pouco abaixo do deck principal, mas nada que incomodasse demais. A navegação é simples: dê quantas voltas quiser e conseguir, veja tudo, começando por baixo. O casco é forrado de corais, das mais variadas cores. Ao longo do passeio, muitos peixes: sardinhas, garoupas verdadeiras, paru adulto, sargentinhos, salema e alguns corcoracas. 
Épico.

O segundo cilindro (Log #40) foi no Alvo.
A visibilidade estava absurda, bem como a luminosidade. Era um mergulho inédito para nós, em corrente: o barco nos deixa em um ponto e nos pega a certa distância (150m), sem precisarmos retornar. Era um risco para Luciana, que tem histórico de problemas no ouvido, mas tudo correu bem. 
Vida distribuída ao longo do percurso: coiós, sargentos, cirurgiões, salemas, donzela, papagaio de recife, porquinho de pinta laranja e borboleta listrada. 
A subida foi exatamente a 50 psi de gás, muito precisa. 
  • Dia 9
Pela primeira vez, acumulávamos 5 dias consecutivos de mergulho.
O primeiro cilindro (Log #41) foi em Itaquatiba, percurso tradicional de ida e volta. Nenhuma surpresa técnica.
Muitos ouriços ao longo do percurso. Também esponjas variadas e corais mais coloridos que o usual. Havia um tipo de esponja com um pequenos tentáculos roxos, parecidos com as pontas do ouriço, mas sem o centro mais denso. Ao me aproximar, a criatura rapidamente recolheu os tentáculos em um receptáculo em forma de sino. Impossível mostrar novamente aos colegas de mergulho. 
Os peixes incluíam: coiós, enxadas, parus adultos, salemas, borboletas-listradas, 2 caranguejos e um belíssimo amboré-neon. Outro destaque foi o peixe-cachimbo, pequeno e listrado preto e branco.
O segundo cilindro (Log #42) teve um incidente no final. Pretendíamos dar a volta na ilha de Saracura, enfrentando a corrente no início e aproveitando-a no final.
Mas logo nos primeiros minutos  avistamos raias-chita (2? 3?), livres, soltas e felizes. Gastei muito gás para me aproximar, mas valia a pena. Depois disso, um berçário de sargentinhos, um peixe morcego achado pela Lu, um baiacu-de-espinho, corcora, porquinho de pinta laranja, coiós, borboletas-listradas, enxadas e um barrigudinho.
No final, quase com 40 minutos, Luciana pediu para subir por forte câimbras na perna. Seguimos o procedimento de resgate para mergulhador cansado sem dificuldade: ela ainda tinha gás de sobra no cilindro para inflar o colete e respirar por ele se quisesse. Terminamos mais cedo do que o planejado, mas foi um ótimo dia ainda assim.

Na chegada, outra boa notícia: teremos mergulho noturno no sábado.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Angra dos Reis 3 - Dias 2 e 3: mergulhos e centro

Bora mergulhar...

  • Dia 6
Estávamos acompanhados por uma jovem nova mergulhadora, em processo de checkout com a tia coruja (Flavia).
O primeiro cilindro (Log #35) foi tecnicamente muito bom. Melhorei minha flutuabilidade, balancei pouco e não dei trombada em nada. Também não precisei alagar a máscara. Alguns baiacus espinhudos, um peixe morcego e um peixe longo, com pintas amarelas, tido como muito raro.
Um breve descanso, e já estávamos equipados para o segundo cilindro (Log #36). Também havia parus enormes, coiós e os intermináveis sargentos de Angra.

Um banho rápido e, 15h04 estávamos no ponto do ônibus esperando-o para visitarmos o centro histórico de Angra. Foi um walk-tour um pouco confuso da nossa parte, mas vimos tudo que estava aberto (por exemplo, não pudemos entrar no Convento do Carmo pois a freira bateu a porta na nossa cara...). Há, claro, um conjunto com três estátuas dos reis magos (helloooo: olha o nome da cidade !), uma fonte e uma bica (estas duas terrivelmente abandonadas). Entramos na Igreja de Santa Luzia, minúscula, e a Matriz (apenas pequena).
Os restaurantes são caros de doer, mas achamos um tal Açaí King excelente. Gostamos demais.
  • Dia 7
O primeiro cilindro (Log #37) representou regresso técnico. Por 3x perdi controle da flutuabilidade e boiei por completo. Os últimos 20 minutos tive que fazer força com as pernas para me manter no fundo e tão logo o gás chegou a 50, pedi para subir. 
Todo mundo viu a tartaruga, menos eu. Acho que é mentira, eles combinaram a história para me trollar. De todo modo, as estrelas do mar e pepinos estavam lá. Achei um par de caranguejos também.
O segundo cilindro (Log #38), com 1 kg a mais de lastro, foi melhor, bem melhor. Descemos no curioso helicóptero (não, não é o do Ulisses), um naufrágio curioso: ele está rachado em 2, caído de lado e com uma hélice para cima. 
Achei não um, mas dois linguados pequenos adultos, um caranguejo enorme no helicóptero e um outro filhote no mesmo local. Pela primeira vez, eu achei um cavalo marinho! Sim, eu já tinha visto nunca, mas nunca que eu tivesse encontrado. Mérito meu, finalmente. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Angra dos Reis 3 - Dias 0 e 1: viagem e mergulhos

Fui.
Angra.
Mergulhar até enrugar os dedos...

Com tudo planejado e parcialmente pré-pago (para ganhar um descontinho), vim para Angra dos Reis mergulhar durante uma semana, de domingo a sábado. Mas falemos da viagem antes.

  • dias 3 e 4
Tudo começou com um enorme perrengue na Localiza, onde um carro estava reservado e pago há 3 meses. Já tinha sido irritante pagar 100 reais de locação (ok) somados a 130 de seguro (hein ?). Mas quando fui retirar o carro, fui informado de uma tal "taxa de retorno", de R$ 450. Sim: 4x o valor da locação básica. 
Fiz uma correria com ajuda da Luciana, compramos passagens de ônibus para o dia seguinte, e mandei a Localiza (não as atendentes, muito simpáticas) enfiar o carro no mesmo lugar que o processo do Lula. Lista Negra. 
Cheguei em casa muito mais tarde que o esperado, puto e cansado. E ainda tinha as malas para fazer. 

No sábado, chegamos de Uber com tranquilidade à rodoviária e viemos. Foram 8 horas de ônibus, entre trajeto, 3 paradas em rodoviárias e 2 para esticar as pernas. Um tanto over isso, mas chegamos bem. Na rodoviária de Angra, um perrengue menor: uma bandeja com pães recheados que havíamos levado foi furtada dentro do ônibus. É o mesmo tipo de gentinha que depois reclama da corrupção dos políticos, manja?
Tomara esteja estragada.

Um taxi nos levou à pousada por 110 reais (sim, é longe mesmo). Estamos na Angra Fashion. O básico funciona muito bem aqui: quarto bom, ar condicionado valente, ótima ducha. A comida é excelente, mas demora, e muito (50 min). Mas infelizmente é isso. Torço para que eles invistam em melhores opções de lazer além da piscina...
  • dia 5
O primeiro cilindro (Log #33) foi em Laje Branca, local que já conhecíamos de outras vindas. Tive dificuldades para afundar com 9kg, provavelmente por ter engordado. O objetivo era dar uma volta completa em torno da pedra, a uma profundidade de 12m. Quase conseguimos, pois ficamos com pouco ar aos 37min de fundo. 
Vida vasta, como de costume: muitos coiós, sargentos e cirurgiões. Um grande baiacu, logos nos primeiros minutos, chamou a atenção também. As formações rochosas, sempre cheias de corais, são outra parte bela do espetáculo.
O segundo cilindro (Log #34) foi em Ponta Grossa, outro local conhecido (fizemos prova de profundo ali). Seguimos para o lado esquerdo, em profundidade de até 9m. Isso esticou meu cilindro para 51 min. Infelizmente, Luciana abortou este: uma forte dor de ouvido logo na descida a impediu de continuar. Uma pena...
Tive ótimo aproveitamento técnico aqui. Meu entrosamento com o equipamento foi incrível: não precisei alagar a máscara uma única vez, por exemplo. Não tinha tanta vida assim, mas longe de ser decepcionante: novamente coiós, sargentos e cirurgiões. Tinha algumas esponjas pretas que nunca tinha notado. Os corais tem uma espécie verde que parecem uma cebolinha, além dos amarelados que parecem um cérebro.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Angra dos Reis 2 - Dia 3: Fechando a Conta

Antes de retomar a narrativa, uma correção. Relendo os dias anteriores, talvez não tenha ficado claro que tudo o que fizemos o tempo todo foi sob supervisão. O fato de estamos planejando os mergulhos e até mesmo fazendo a navegação sozinhos não significa que o Flor de Lis (Rogério, para os íntimos) não estivesse por perto o tempo todo.

Acordamos mais cedo, porque domingo é puxado mesmo, sempre. Tomamos café e embarcamos para os últimos dois cilindros do final de semana.

O primeiro cilindro (Log #31(foi para finalizar o profundo. E assim o fizemos, mais ou menos. Bem, a certificação saiu porque não fizemos nenhuma besteira. Mas houve dificuldades, claro. Chegamos a 28m de profundidade, novamente enfrentando correntes frias a 11m e outra a 18m. Já aos 16m, durante a cuidadosa e suave descida notei que estava ficando com a vista embaçada. Embora eu não enxergue picos-micos sem óculos, ao entrar na água a máscara me ajuda bastante e tenho leitura perfeita do computador de mergulhos. Não desta vez: a leitura estava embaçada, provável efeito de narcose por nitrogênio.
Chegamos lá e nos reunimos em formação fechada, pois a visibilidade era muito baixa, embora melhor que na véspera. O exercício de fazer contas na prancheta não foi possível para mim, pois eu não enxergava a escrita. Pelo menos eu pude avisar isso e não fiz nenhuma besteira. 
Subimos para cerca de 7m, onde a temperatura estava muito boa, e lá fizemos o exercício de busca em padrão circular. Eu não sabia usar a carretilha, mas aprendi às pressas. Acho que podia ter tido uma explicação do aparelho antes, mas vá lá. Tive problemas para ficar parado no fundo. Talvez para esse tipo de atividade eu devesse usar mais lastro. Não sei. O importante é que deu certo.

O segundo cilindro (Log #32seria usado no Pinguino, naufrágio famoso na região. Já tinha perdido esse local antes (link) e lá ia eu apenas ver a distância o diacho do barco outra vez. Mas é a vida: estávamos apenas fazendo provas, não deveríamos nos estressar por falta de turismo. E o Pinguino não vai sair dali.
O primeiro exercício era fazer um padrão quadrado expandido de busca. Combinamos a formação antes e levamos um tempo conseguir aplicar o combinado. Aqui, a maior vitória não foi conseguir, mas o processo. Sem interferência de ninguém, reiniciamos o exercício duas vezes até dar certo. E deu: demos duas voltas completas, aumentando o quadrado em 3 pernadas a cada ciclo. 
Isto feito, Flor nos chamou e indicou que o objeto a ser encontrado (uma garrafa de água com areia dentro) estava na lateral direita do Pinguino, no fundo. O grupo funcionou com perfeição aqui. Fomos para  a lateral traseira direita, combinamos uma formação em linha, descemos até próximo ao fundo, ajustamos a flutuabilidade e partimos para a busca a 16,5m de profundidade. E logo na primeira passada eu e Luciana achamos a garrafa. Ficou a dúvida sobre quem achou primeiro, pois quando eu olhei para ela pra avisar, ela estava apontando a garrafa. Vitória. Flor ainda nos ensinou a usar a lift bag, que é um artifício simples e inteligente para se fazer boiar coisas. 
Deu tempo ainda para um breve passeio por um dos decks e subimos, vencedores. E certificados.

terça-feira, 29 de março de 2016

Angra dos Reis 2 - Dia 2: Mergulhos e Vitórias

Alguém lembra que tinha jogo da seleção na sexta a noite? Dormi no hino nacional... O cansaço era intenso e tínhamos um longo sábado pela frente.

O primeiro cilindro (Log #28foi usado na bela Laje Branca. O objetivo era técnico novamente: praticar navegação combinada entre bússola e natural, o que conseguimos sem maiores incidentes. Melhor preparados, vimos mais peixes. Ainda apanho muito para identificá-los, mas o importante é se divertir.

Rumamos para a Enseada das Longa (sic, supondo que entendi certo), onde fizemos o primeiro exercício de profundo. Como o consumo de ar é proporcional à pressão e esta é proporcional à profundidade, quanto mais fundo se vai, menos tempo se fica. Nem por isso há menos coisas a se narrar aqui. O segundo cilindro (Log #29)foi bem mais fundo. Atingimos o limite de 27m, com pelo menos duas correntes frias. A temperatura despencou à medida em que descíamos. O computador marcava 28oC na superfície e chegou a apontar 20oC no fundo. Mas como ficamos muito pouco, o registro não é confiável, e certamente estava abaixo disso.
Luciana experimentou um narcose por nitrogênio. Atrapalhou-se, perdeu o rumo com a bússola, esqueceu ações simples. Eu não passei por isso e vi tudo, com a enorme visibilidade de 1,5m que tínhamos ali. Assim que subimos, ela melhorou.
Aqui vale informar a turma que acompanha o blog e não mergulha que o fato de um mergulhador não sofrer narcose no mesmo mergulho que outro não faz dele melhor, mais homem, mais gostoso ou mais coisa alguma. Acontece com uns e não com outros, ponto. É importante saber reconhecer os efeitos e lidar com isso. 

A noite, tínhamos o terceiro cilindro (Log #30do dia. Em grupo reduzido para 3, planejamos sozinhos o passeio, com a supervisão do Rogério. Era uma navegação recíproca, liderada pelo Cesar. Eu deveria cuidar do tempo e da profundidade, o que faço com meu computador sem problemas. Fomos muito bem na ida, vendo caranguejos, uma raia pequena e a curiosa vida noturna de pequenos peixes. Até 2 bagres apareceram. O único problema era conter a velocidade da Luciana. Descobrimos porque ela é uma mergulhadora avançada: ela vai na frente dos outros.
Na volta, um pequeno incidente quando a bússola da Luciana se desentendeu com a Luciana. César apontou uma direção e Luciana não pode confirmar. Precisamos subir à superfície para conversar. Eu e o Cesar votamos pelo impeachment da Luciana, e seguimos pela bússola dele.
A direção era razoável, mas passamos do ponto. Acabamos indo parar no pier seguinte ao nosso. Nada muito grave, mas fica a anotação de incorreção aqui. Recalculamos a direção, nadamos os 30m que faltavam e achamos a luz marcadora de retorno. Eu consegui retirar a mesma e subimos para a praia.

Rolou uma única cervejinha antes de dormir, para comemorar a aprovação da especialidade noturno.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Angra dos Reis 2 - Dia 1: Viagem e Primeiros Mergulhos

Antes de começar, admito que jamais relatei a viagem feita para Arraial do Cabo em setembro de 2015. Cheguei a rascunhar o primeiro dia e nunca terminei. Embora tenham sido bons mergulhos, a viagem em si foi muito ruim: cidade ruim, clima ruim, pousada péssima, tempo sofrível e estrada calamitosa. Os mergulhos em si foram muito bons, como de costume, e com ótima equipe local. Mas como todo o resto decepcionou, não deu prazer a escrita.
Mas bora mergulhar em Angra. 
Desta vez, Pousada Angra Fashion. Em um comparativo direto com a Nautilus, do Kauzo, já adianto:
- quarto melhor, com ar condicionado
- localização melhor, por não precisar pegar um barco para chegar até ela
- internet melhor, pois estávamos no continente
- lazer local melhor, com sauna e piscina legais
- comida pior, mas é mais por comparação pois a comida no Kazuo é de outro planeta
No fim das contas, gostei mais da Angra Fashion, 4x1. Boa margem no placar, inclusive.

Confesso que esperava dormir mais no ônibus, dado meu treino diário nos fretados. Não rolou. Comi um par de salgados na parada e tornei a não dormir até chegarmos sem incidentes por volta de 4h15.
A operação em água era com a Océan, no barco Mr. Dunga, que levava o rosto amável de um beagle como marca. Como eu poderia antipatizar com isso?! 
Embarcamos para os dois primeiros tanques de treino. Aqui é importante ressaltar que não estávamos a passeio desta vez: eram provas de 4 especialidades pela frente, e qualquer peixe avistado seria bônus.

O primeiro cilindro (Log #25serviu para navegação. Em 5 pessoas, todas em processo de certificação, o instrutor largou na nossa mão o processo todo. Eu acabei me indicando como lider e escolhi, obviamente o lado errado para passear. Ainda assim, eu tinha que fazer a chamada navegação natural: observar as formações fixas no fundo do mar, bem como a profundidade, para ser capaz de voltar ao ponto de origem. 
Se escolhi o lado errado, pelo menos fui capaz de trazer todos de volta inteiros. Observamos baiacus, coiós, borboleta-ocelado (creio), os onipresentes sargentos e barbeiros comuns. Ao voltarmos ao fundo do barco, havia ar suficiente para fazemos uma pequena perna do outro lado. Era mais cheia de vida, como indicou o depois nosso instrutor Rogério.

O segundo cilindro (Log #26foi do outro lado da mesma ilha, pouco tempo depois. Começamos a usar a bússola de modo sério. Os exercícios eram navegação recíproca (ir e voltar pela mesma linha) e triângulo equilátero. Foi quando notei que minha bússola não era confiável, tinha uma enorme bolha de ar no meio. Ainda assim, pude servir de "contador de pernadas" para medir as distâncias. Não houve tempo para passeios.

Voltamos à pousada, depois de um ótimo lanche a bordo, tomamos um banho rápido e dormimos um pouco. Ainda não tinha acabado o dia.

Às 18h estávamos no pier em frente a pousada equipando novamente. Desta vez, mergulho noturno. A entrada pela praia é realmente muito ruim de fazer: não tem como sentar para colocar colete, nadadeiras, nada. Entra areia em todo canto. Mas fizemos. 
Era o mesmo grupo de 5 mergulhadores neste terceiro cilindro (Log #27). Planejamos uma navegação recíproca ao logo da praia, e falhamos feio. Não conseguíamos nos entender, perdemos o lider, um autêntico episódio dos trapalhões. Ainda assim, pudemos ver uma dançarina espanhola lindíssima, uma raia pequena e pequenos peixes que curtem ficar no fundo, além de um caranguejo saidinho.

Jantamos e desabamos.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 19: Mergulho e North Shore

Na reta final da viagem, já começava aquele sentimento horrível: que bosta, vou ter que voltar para casa...

Acordamos cedo, madrugada de domingo, para a única coisa que me tira da cama cedo em um final de semana: mergulho. Claro que, por acordar cedo demais, fiz besteira: esqueci o computador de mergulho no hotel. Burro agudo.
  • Sea Tiger (Log #23)
O Tigre do Mar foi um barco que, velho/danificado além de qualquer possibilidade de recuperação economicamente viável, foi afundado de modo controlado. Por isso ele está tão horizontal, tão fácil de ver e tão cheio de vida em sua volta. Com o aumento que a água proporciona às imagens, posso ver, mesmo sem lentes, os detalhes da embarcação. Escotilhas, janelas, decks, cabines. E por todo lado corais vão se instalando. Os peixes são essencialmente os mesmos: wassles, butterflies, sargentos, cornetas, moreias. Eu e Lu, independentes um do outro, achamos não um mas dois scorpionfishes crentes que estavam disfarçados de pedra. O fato de estarem no deck do barco meio que os denunciou.
Era mergulho profundo, de 30m, o que mata rapidamente o tanque.
  • Turtle Heaven (Log #24)
Como na véspera, achei o intervalo curto entre os tanques. Preciso estudar mais isso...
O Paraíso das Tartarugas tem... tartarugas. Montes, talvez uma dúzia. Livres, soltas, felizes de nadarem conosco. Impressionante como uma "braçada" delas impulsiona tanto. Os cardumes eram maiores neste local, e só então reparei que os carais-cérebro, em O´ahu são mais roxos ou alaranjados. Deve ter uma explicação biológica complicada para isso. O fundo tem um pouco de areia, mas não chegava a comprometer a visibilidade. 
  • North Shore
Corri até o hotel, peguei o carro e jogamos as coisas dentro dele. Fomos convidados a almoçar com as meninas da escola: Lisa e Rachel. Trocamos emails e estamos nos falando até hoje. E à tarde, pé na estrada: North Shore.
É a costa norte da ilha, que concentra praia lindas e mundialmente conhecidas: Waimea, Pipeline e Sunset. Chegamos ao litoral norte por volta de 15h30, e isso nos permitiu visitar todas.
Como praias, honestamente, não impressionam nenhum brasileiro. Areia, água deliciosa... mas acaba sendo mais do mesmo. Lindas, sem dúvida, mas mais do mesmo. Vale mais para colocar a bandeirinha de "estive aqui". 


Mal aí se você está trabalhando.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 18: Mergulho e Vale dos Templos

Partiu mergulho.
Veja bem, amigo leitor. O caminho de Germaine´s Luau até o hotel levou uma boa hora. E acordamos cedo no sábado (18) para mergulhar, como de costume. Então estávamos na força de vontade, mais do que no pique.
A operação da Waikiki Divers é mais simples que a da Kona Diving Company. Nem por isso menos profissional, divertida, segura e agradável. Fizemos amizade com duas mergulhadoras assistentes, Lisa e Rachel, com quem ainda estamos trocando emails. Aqui, nós voltamos ao esquema de trocar o próprio equipamento, ajudar a carregar cilindros, cuidar um do outro. Em Kona era mais chique, em Waikiki é mais família. 
E custa metade.
Ficamos concentrados na costa sul, por ser mais perto.
  • YO 257 (Log #21)
É um mergulho de naufrágio, algo bem distinto do que estávamos fazendo em Kona. Mais fundo, muito mais rápido, mais perigoso, mais técnico. Injusto dizer menos divertido, embora Kona seja sim melhor.
Pudemos ver detalhes do navio ali afundado, chegar perto das janelas, ir por cima do deck, olhar os porões. Como não temos certificação para entrar, ficamos de foram, mas sem perder tanta coisa assim.
A vida é similar ao que víamos em Kona e Maui: butterflies, sargentos, cornetas, trompetes e wassles. Uma grande tartaruga estava no fundo do casco. Infelizmente o ar acaba muito rápido a 30m, então o tempo de fundo foi de apenas 20 minutos. Fizemos duas paradas de segurança, a 20m e 5m, sempre próximos à corda de apoio. 
Meu novo computador de mergulho estreou aqui, com desempenho impressionante.
Delícia.
  • Turtle Canyons (Log #22)
Muito mais raso, até pelo nitrogênio acumulado na primeira descida, fomos para recifes locais. Notei que esse é o padrão de mergulho e O´ahu: um naufrágio profundo seguido de recifes rasos. Achei o intervalo de superfície curto, mas não questionei o instrutor David.
Não que seja uma surpresa, mas o lugar é recheado de tartarugas. Alguém contou 12. Fato foi que não tinha como ver todas ao mesmo tempo. A profundidade reduzida ainda permitia ficar bastante na água, tanto que passei de 50 minutos pela primeira vez.

Feitos os mergulhos, pé na estrada. O plano era North Shore, mas tivemos uma surpresa. Não me ocorreu ao preparar a rota que estaríamos passando pelo Vale dos Templos. E optamos por ficar ali para nos cansarmos menos.
O Vale dos Templos é uma estrada curta rodeada por belos cemitérios e um templo de cada denominação religiosa estatisticamente relevante (ufa: acho que consegui não ofender ninguém). São algumas variantes cristãs, a católica logo na entrada, depois metodista, batista, mórmom... 
O ponto alto, porém, é o Byodo-In, o último. Budista. Trata-se de uma réplica de um oficial japonês do século XI (ou algo assim). Paga-se 3 obamas para entrar e ver a bagaça. 
De fato, é muito bonito. Pequeno e harmônico. Ele dá entrada ao Vale da Meditação, o que se tornaria uma piada ainda durante o passeio. Há um belo lago rodeando-o, com carpas enorme e incontáveis. O lugar é tão tranquilo que uma tartaruga que estava no lago tinha musgo no casco. Havia também cisnes e pavões selvagens.
Visitamos por dentro (é pequeno, não mais do que 50 metros quadrados) e demos a volta pelo fundo. Foi quando ouvi um estrondo inconfundível: jato supersônico.
Ao olhar para o céu, notei que acontecia um show aéreo em uma baía próxima. É realmente hilária a situação de 4 F-22 Raptors fazendo uma curva em formação fechada em cima do Vale da Meditação. O barulho é infernalmente lindo. Na saída, ainda flagramos uma formação com 6 deles. 

Não tinha como continuar um dia desses: voltamos para Pearl City, jantamos no saudoso Arby´s e tentamos dormir cedo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 10: Zoológico e Manta Dive

Acordamos quebrados. 
Essa parada de atravessar a ilha ida e volta todo dia é pesada, e notei isso no extremo mau humor da Luciana com a grudenta areia de White Sands Beach. Sim, havia motivo para irritação, mas não tanta: o resto era cansaço. Cancelei os planos iniciais para a manhã, dormimos mais e tivemos uma manhã leve.
Leve significou dirigir meras 10 milhas até o Zoológico /  Jardim Botânico da cidade. Há que se considerar que Hilo é a maior cidade da ilha e tem apenas 43mil habitantes. Não esperem um espetáculo inigualável. Além disso, o local está em renovações para novas atrações.
Isto posto, é um parque simpático e gratuito. Fizemos amizade com duas araras azuis e adoramos uma variante de calopsita/arara/papagaio/sei lá branco. Limpo, sinalizado, simples, pequeno e aconchegante. Na saída, Luciana reconheceu o valor da ideia.
Almoçamos no Jack in the Box e pé na estrada para o principal passeio desta viagem.
  • Manta Night Dive
Às 15h30 o barco partia do porto de Kona. Borboletas no estômago indicavam o grau de ansiedade. O bagulho tinha que ser doido...
Para quem não é do ramo de mergulho, este é considerado o 3o melhor mergulho do mundo, e 1o entre os noturnos. Diversos barcos seguem para um local amavelmente apelidado de "Manta Heaven". Lá, ascendem luzes fortes tanto de cima para baixo quanto de baixo para cima. Cada mergulhador tem sua própria lanterna. A soma dessa iluminação toda produz um boom de produção de plancton. Não por acaso, plancton é o alimento das raias. É o equivalente a sair a pé na savana africana jogando montes de carne moída na esperança de avistar um leão. A diferença é que as raias não tem nenhuma capacidade de fazer mal aos mergulhadores exceto, talvez, dando uma trombada.
Antes disso, fazemos o primeiro tanque (Log #19de reconhecimento no local. E eu estava impossível: achei uma manta apressada (ainda era fina de tarde) e um raríssimo scorpionfish. Este é complicadíssimo de achar, pois ele se disfarça de pedra quando está parado, e era o caso. Ganhei elogios do nosso lider (Flossie). Mantive ótimo controle no consumo de ar, da flutuabilidade e da navegação. Na parada de segurança, avistei ao fundo outra raridade: uma moréia-cobra.

O segundo mergulho (Log #20foi realmente épico. Noturos exigem alguns cuidados a mais, mas mal chega a ser este o caso: é tanta gente e tanta luz que não chegar a ser um noturno assim noturno. Logo que descemos, pudemos ver ao longe os focos de luz atraindo uma quantidade indescritível de peixes. Eles ocupavam todos os 20m de profundidade em cardumes cilíndricos ou cônicos, nadando em cículos e se esbaldando do plancton ali produzido. Se não houve nenhuma manta teria valido tudo.
Mas tinha. E como tinha. Ao final, soubemos da contagem oficial de 32. Não se fica um único segundo sem ver ao menos 3 delas. Cheguei a contar 8 no mesmo enquandramento visual.
Tive dificuldades para me acomodar no fundo. Talvez mais peso tivesse ajudado. Ainda assim, deitei no fundo e ali fiquei, feliz. E ainda por cima consumi poquíssimo ar, tanto que subi no penúltimo grupo, podendo brincar um pouco mais no fundo enquanto os outros iam se recolhendo.
Inesquecível.

A volta, devo relatar, foi incrivelmente tensa. Depois de comer uns petistos no Quinn's (ótima cozinha, péssimo atendimento), pegamos a longa estrada norte para Hilo. A alternância de chuva e neblina noturna chegou a reduzir a visibilidade para menos de 10m por alguns momentos. Mas escapamos ilesos e cansado. 
E felizes.

domingo, 11 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 9: Mergulho e White Sands Beach

A dureza de ser pobre é ter que economizar em tudo. Então estou fazendo uma viagem que não é da minha liga aqui. Isso se reflete em coisas aparentemente simples, mas que aparecem na fatura eventualmente... Voltar de Kona para o hotel em Hilo é o caso.
Kona fica na margem oeste da ilha e Hilo fica no nordeste. A estrada mais curta (190 / 2000) dá 77 milhas e leva 1h35. Mas esta rota só é permitida na ida, pois ela passa pela base do Mauna Kea, a 2000m de altitude. A volta, para evitar doença descompressiva, deve ser feita pela rota norte (estrada 19), com 109 milhas e 2h30, em parte devido a obras no local. E não podemos parar na parte de altitude, pois ficamos um trecho acima de 2500 pés de altitude. Sacou, amigo leitor?
Ao chegarmos, Luciana resolveu testar seus protetores de ouvido para dormir. Estava com medo de entrar insetos. Válido, mas não quis fazer o mesmo. O drama é que isso zoou a conversa. Eventualmente, fiz um teste com algumas palavras e o resultado foi bastante peculiar. Em vermelho, as palavras que ela ouviu e em azul as que ela não ouviu:
sapato
jogo
liquidação
corrida
compras
sarong
arrumar
louça
maquiagem
notebook
Bastante elucidativo.
Acordamos novamente às 4h30 e pegamos a estrada. Chegamos no barco, com o capitão no recebendo como na véspera:
- Bom dia, eu sou capitão Jeff. Mas se algo der errado, meu nome é Capitão Steve.
Um barato, ele.
  • Turtle Heaven (Log #17)
O primeiro mergulho, em Turtle Haeven, não teve tartarugas. Mas teve golfinhos! A turma nos acompanhou desde a saída do barco e por todo o trajeto. E já mergulhamos sabendo que eles estavam por lá.
Que belo animal a natureza criou mesmo. Linhas suaves, cores constantes, mas indivíduos diferentes. Os mais jovens saltam o tempo todo para respeirar, fazendo acrobacias. Em nosso antropocentrismo, parecem brincar. Pode ser verdade, e isso me traz lembranças de visitas ao Seaworld, onde os vi fazendo exatamente a mesma coisa.
Não era só. Minha capacidade de observação melhorou. Achei uma moreia de boca branca, minha primeira. Tornei-me especialista em pepinos do mar, vendo vários, e nem gosto de pepino tanto assim... Os saddle wassle continavam a aparecer, agora um pouco menores que antes. Também toda sorte de butterflyfishes, especialmente os de lista azul, todo amarelo e listas brancas. Ainda achei 2 trombetas, sendo um laranja e um prateado.
  • Freezing Face (Log #18)
É um nome teórico de local, pois o rosto só congela para quem entra na parte de cavernas e encontra a água doce e fria vindo da ilha. O boxfish foi o primeiro destaque: ele tem a cabeça grande e quadrada, com linhas bem angulares e definidas. Aqui havia mais trompetas e cornetas (que ainda não sei diferenciar nem como peixe nem como instrumento musical). 
Tudo se encaminhava para um mergulho "apenas" muito bom quando encontramos um tubarão cinza, de cerca de 1m a 1m20. Apressado, parecia faminto ou, pelo menos, agitado. Não veio perto de nós e nós respeitamos uma distância sábia. Numas: ele nadava rápido pacas e alcançaria qualquer um que quisesse. Mantive minhas mãos no lastro para uma subida de emergência, mas não foi preciso.

À tarde, fomos para a White Sands Beach, praia ao sul de Kona famosa pelas areias brancas mágicas e ótimo logal para nadar. A principal característica mágica da areia é grudar no seu corpo. Fora isso, a tal praia mágica tem menos de 100m de comprimento, areia de coloração absoltamente comum para nossos padrões e nada de mais a ser observado (mulheres de bundas pequenas e biquinis grandes, desafiando a lógica).
Ok, tem boa estrutura: estacionamento, banheiro, salva vidas residente e duchas. Mas nada de mais mesmo. Eu consigo listar 10 praias melhores a 100km da minha casa. Nenhuma dessas 10 seriam as 10 melhores de São Paulo. Talvez uma das 10 melhores de São Paulo seja uma das 10 melhores do Brasil. Muito fraco.

Almojantamos no Da Poke Shack, uma maluquice que mistura sushi, ceviche e tempero mexicano. Excepcionalmente bom. E mais 2h30 de estrada para o hotel.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 8: Mergulho e Kiholo Bay

Não era fácil, gente.
Este criadouro de insetos onde estamos hospedados tem a única qualidade prática de ser realmente barato. Mas fica muito longe de Kona, onde os mergulhos acontecem. Isso significa dirigir 1h40 do hotel até o porto. E se você quer chegar às 7h45, faça as contas...

Eu espero...

Isso mesmo: acordar 4h30, tomar café dirigindo e torcer para nenhuma zica te parar na estrada.
Não teve zica. Fomos pela estrada 190, que passa na base do Mauna Kea. A temperatura no nível do mar era 22oC quando saímos do hotel. Na base da montanha, 7oC. Na Marina de Kona, já às 7h30, 23oC. Mergulhamos com água a 26oC. Sim, fomos pasteurizados.
A equipe da Kona Diving Company é excepcional. Muito tranquilos, brincalhões, técnicos e seguros. Atenciosos também. Conversam com o mergulhador para sentir o estilo e as capacidades. Ajudam o tempo todo com equipamento. Aqui, uma diferença importante com os mergulhos que fiz no Brasil: eles cuidam de todos os detalhes do equipamento. Isso quer dizer que você entra no barco e o seu colete está instalado no seu cilindro com uma etiqueta marcando seu nome. Computador de mergulho é parte integrante do equipamento, sendo pelo menos um por dupla. Se você nunca usou um, eles explicam. 
Outra coisa é o briefing, dividido em duas partes. Durante o trajeto, o instrutor comenta apenas o básico de segurança, mas não fala nada sobre o local. Isso ocorre porque eles mudam o local na hora. Há tantos pontos possíveis aqui que eles podem se dar ao luxo de descartar 3 sem correr o menor risco de ficar sem opções. Com isso, podem escolher pontos que não tenham vento ou correntes fortes, nem problemas de visibilidade.
Sacaram onde isso tudo te leva ?
  • Disneyland (Log #15)
O primeiro ponto tem o carinhoso nome de Disneyland. Deve ser pela quantidade de bichinhos... A primeira coisa que impresiona é a visibilidade. Do barco, pode-se ver o fundo do mar, a 22m. Do fundo do mar, pode-se ver todos os outros barcos na redondeza. Não posso afirmar, mas 50m não é exagero. Com isso, técnicas de navegação são inúteis aqui: você olha para cima e sabe onde está. 
Outra diferença é o fundo. Estamos acostumados ao fundo arenoso dos mergulhos brasileiros. Isso não existe aqui: o fundo é forrado de corais. Você não pode afundar sem estragar algo belo e vivo. Mais cuidado, portanto. A água é quente, e o conforto é absurdo. Eu passaria, fácil, o dia inteiro embaixo da água sem me incomodar (até morrer por intoxicação por Nitrogênio). 
Isto tudo relatado, o mergulho teve muitas espécies incríveis de ver. O primeiro destaque foi um octopus que, assustado, fugiu soltando aquela tinta preta. É igual vemos em filmes (e em desenhos animados), mas ver ao vivo impressiona. Nosso instrutor, Shaggy, se divertiu aos montes com isso.
Há grande variedade de peixes butterfly aqui. As variações como listras azuis, listras cinzas, amarelo e oranamentado. Outros que chamaram atenção foram os peixes sapo, cornetas, sargentos (sim, tem por aqui), variantes de meréias (destaque para as de boca branca, mas fácil de achar). 
Na parte técnica, foram 45min, com máximo de 21m. Controle mediano de flutuabilidade, mas gastei mais ar e fui o primeiro a subir.
  • Ponto 2 (Log #16)
Não entendi o nome do ponto. O Shaggy escreveu pra mim no log, e continuei não entendendo. 
Outro octopus, novamente no começo do mergulho. Este estava mais exibido e não fugiu, preferindo ficar conosco. Os butterlys estavam lá. Outro curisoo era um com cores bem definidas: azul na cabeça, "pescoço" laranja e corpo verde ou cinza. O nome dele está no log, lá no carro. Os corais são menos variados do que em Maui, com predominância branca (descobri hoje que isso foi por causa da água muito quente dos últimos meses). 
Moréias mais variadas aqui, com predominância da de boca branca, peixe caixa, baiacus, cornetas, sargentos e wassle (não sei a tradução disso).
Tudo se encaminhava para o final quando apareceu um tubarão. Tinha 1m, pouco mais talvez. Estava se achando escondido em um canto, mas o vimos. Ninguém chegou muito perto, mas ele estava aparentemente calmo. 
Do ponto de vista técnico, arredondar 14 libras de lastro foi uma excelente decisão. Consumi menos ar (51min de fundo) e controlei a flutuabilidade melhor. 

Gostaram do dia ?
Então... são 13h...

Pegamos o carro e fomos a Kiholo Bay, ao norte do porto, e já na estrada de retorno. É uma praia bem isolada, onde se pode caminhar para outras praias tão isoladas quanto. Pedras pretas fazem o fundo, de tamanhos bem variados. O calor era forte, mas o vento amenizava bem a sensação. Para o norte, vimos uma tartaruga marinha que parecia cansada na areia. Eu apontei ela de volta para o mar e ela "correu" para a água. Algumas pessoas aqui disseram que fizemos besteira, mas não obrigamos a tartaruga a voltar para a água. Achemos que fizemos o certo sim. Para o sul, lindas formas de pedra preta em erosão pela água do mar. 

Voltamos pela estrada 19, pois a 190 vai a uma altitude potencialmente mortal para mergulhadores. Isso aumenta o percurso e o cansaço, mas pelo menos é uma vista diferente da ida. 
Sei que estou devendo fotos, mas meu celular e meu computador não estão se entendendo. Assim que der, posto umas aqui.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Hawaii - Maui - Dia 4: Mergulho

Nada como acordar ao meio dia, tomar café no quarto sem pressa alguma, e ir de carro até a escola de mergulho para iniciar as atividades às 2 da tarde. Viram só, amigos ? É tudo uma questão de perspectiva. E de usar o fuso horário de Brasília (7 horas a frente) no celular...
Dormi mal pacas, ansioso por finalmente mergulhar aqui. A programação era Molokini Crater, uma cratera vulcânica semi desabada e linda de ver, pelo fato da metade ainda inteira proteger o local de fortes correntes. E a conjunção de calor com águas calmas é a fórmula da vida marinha.
Os procedimentos burocráticos correram bem e o barco partiu para 1h10 de viagem. À medida que avançávamos, o mar ia ficando batido. Eu estava sob efeito de Meclin, para proteger da náusea e que em tese não daria sono. Bem... deu zica.
Ao chegarmos lá, a equipe optou por abortar o mergulho por excesso de vento. Significa que, salvo algum evento extraordinário na minha vida, nunca verei Molokini. Não, não fiquei nada feliz.
Voltamos. Eu estava realmente arrasado a esta altura. O mar foi acalmando, apenas para deixar claro que era um problema local. Nada de enjôo pelo menos. A equipe decidiu mergulhar em um naufrágio para salvar o dia. Robert, nosso guia, nos perguntou se tínhamos problemas com mergulho a 29m. Nunca fizemos, mas o conceito em si não nos assustou. Fomos, portanto (Log #13).
A água estava uma delícia, 24oC. Visibilidade da ordem de 50m. Isso mesmo: de cima você via o fundo do mar. A única coisa ruim que mergulho perto de 30m trouxe foi o encurtamento da atividade. O ar desaparece do tanque pela pressão. Com isso, em 20min estávamos subindo para a parada de segurança. Entrei no barco, olhei o fundo e frente, vi os lindos corais em formação (destaque para um tipo branco que parece um cérebro...). Lindo demais. E não apenas não tive problemas de estômago, como subi com fome pela primeira vez em minha ainda curta carreira.
O segundo mergulho (Log #14)foi em uma baía já quase na volta. Ponto novo, foi criado em 92 por um tornado que passou na região. Fico imaginando esses mergulhadores esperando passar os tornados e furacões para procurar novos pontos de mergulho. Este era bem menos profundo: 14m. Aqui, muito mais vida, com direito a 3 tartarugas (a Luciana alega que foram 5, mas ela não sabe contar) e um tubarão de 1m. Peixes aos montes, ouriços de pelo menos variações e corais. 
De positivo, ficam o récorde de profundidade e o fato de ter saído sem nenhum problema de estômago. 
Depois de um banho rápido no hotel, voltamos a Lahaina para um city walk em Lahaina, indicado pelo Lonely Planet. Menos interessante do que parecia, com destaque para uma praça com uma única e enorme árvore e um pedaço de muralha feita de tijolos de coral.
Almojantamos ali, um hamburger divino com abacaxi, e um ótimo sorvete de sobremesa.
Foi um dia ok, onde salvamos a desgraça.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Angra dos Reis - Dia 4: Só Alegria

E com isso, amigo leitor, chegamos ao dia final de nossa viagem. 
Pela manhã, depois do café e ansiosos pelo passeio, eu e Luciana oficializamos uma brincadeira com nosso equipamento. Usamos nadadeiras de mesma marca (Mares) e modelo (Avanti) e tamanho (Regular). Ela comprou vermelha, para combinar com as cores do equipamento e eu fiquei com amarelo. Mas então surgiu a ideia de trocar um dos pés, de modo a facilitar a identificação entre nós e pelos demais. 
E com isso nasceu o casal "Catchup e Mostarda". Melhor escolhermos nós mesmos o apelido, para evitar casos como "Netinho", "Vieirinha" ou "André não-normal". Caso venhamos a nos tornar fanáticos pela coisa, o Blog "As Aventuras de Catchup e Mostarda" surgiu nesse dia.
Voltamos ao barco Coral, novamente apenas entre novatos e navegamos por uns 30 a 40 minutos até a Laje Branca, uma pedra (conjunto de pedras ?) que aflora na superfície e que tem muita vida no entorno. O objetivo era, se o gás permitisse, circundar ela toda. Equipamos e caímos na água. Eu optei por entrar por último, pois tenho consumo elevado de gás e estava temeroso de sentir náuseas por ficar boiando.
O mergulho foi lindíssimo (Log #07). Vimos uma parede de uns 5m de largura por 8m de profundidade cheia de corais vermelhos. Também cardumes de sargentinhos, vários deles em tamanhos variados e um casal de tartarugas. Uma delas fugiu rápido, mas a outra achou por bem se esconder, o que deu errado. Vieirinha se divertiu com as fotos.
Meu gás estava perto do limite quando recebemos o sinal para subir. Ok, gastei muito mas não fui eu quem encerrou o mergulho. No início da subida ainda vimos um cardume de algum peixe azul inenarravelmente lindo. Enrolei um pouco para poder observá-los e então subi.
(Se você acha que leu isso no relato de ontem, pense de novo. Nunca que eu faria um relato trocado de dia, para depois apenas corrigir lá e copiar o texto aqui como se nada tivesse acontecido.)
Quem teve problemas na subida foi a Luciana. Engoliu água do mar na superfície e isso a fez desistir do segundo mergulho. Foi uma pena. 
O segundo ponto (Log #08), cujo nome me escapa, tem um helicóptero naufragado. Isso mesmo, amigo leitor: um helicóptero caiu ali e por lá ficou. Pudemos ver os corais se formando nele, um barato. É tão calmo que eu poderia ficar ali todo meu período de gás sem reclamar. Ainda assim, continuamos ao passeio. Eu estava preocupado por trabalhar com uma dupla nova, a Sheila. Conhecia ela do grupo, mas nunca tínhamos operado juntos. Fica aí uma sugestão para a Staff Divers e outras escolas: exercícios trocando dupla, para os novatos se acostumarem a condições diferentes. Felizmente, a Sheila é extremamente responsável e foi tudo tranquilo. O tempo todo checamos o status um do outro, seguindo o livrinho. 
Esta região é mais acidentada, com pedras maiores e de tamanhos mais aleatórios. Ainda assim, nenhum problema ocorreu. E fomos premiados, no último instante, com uma raia que veio nos visitar. Não era das grandes, mas foi o melhor momento de um ótimo passeio.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Angra dos Reis - Dia 3: Céu, Inferno e Céu

Acordei mergulhador. Bora curtir agora.
A temperatura subiu um pouco e as chances de outras corrente fria como que me surpreendeu na véspera acontecer era mínima (acho que não contei sobre isso...). O log de mergulhos estava bem atrasado e ainda pioraria um tanto. Mas bola pra frente.
Tomamos café no horário usual, com um pãozinho de massa folhada e queijo que estava matador. E logo fomos checar os equipamentos. 
Tudo em ordem, embarcamos no barco Coral, onde apenas os 8 novatos e seus instrutores estavam indo. A Staff Divers optou por separar as crianças dos adultos, claramente.
O ponto chama-se Ponta Grossa (Log #05), e confesso que ainda não conseguia ver muita coisa. Apanhando de mim mesmo no movimento e na flutuabilidade, uma simples distração me faz subir (ou descer) 4m antes que eu perceba. Não é algo que me chateie, apenas um ponto a ser trabalhado na técnica. Ainda assim, pude ver umas estranhas aranhas marinhas (sei lá eu se são artrópodes mesmo...) com patas longas e finas como destaque. Comecei a aprender a nadar melhor, usando outros tipos de pernada, e a girar o corpo para olhar em volta, especialmente para manter contato com a dupla. Terminado o percurso subimos sem necessidade de parada de segurança.
E subi para o inferno. Meu estômago embrulhou tão logo atingi a superfície. Algo estava muito errado. Ou subi rápido demais, o que não parecia ser o caso, ou eu realmente tenho problemas em boiar, ou mergulhar não é meu esporte ou algo assim. Foi forte, gente. E veio com pontadas de dor, digamos, desnecessárias. 
Subi no barco tão rápido quanto pude, desmontei o equipamento e me deitei. Por lá fiquei até voltarmos ao pier. Perdi o segundo mergulho, aquele no qual Luciana também teve problemas, que deveria ser no naufrágio do Pinguino.
Eu estava arrasado. Deixei uma boa grana em equipamento e tinha muita esperança de mergulhar no Havaí, em outubro. A viagem não deixaria de ser legal, até porque eu a programara antes mesmo de pensar em mergulhar, mas estava decepcionado. Assim fiquei a tarde toda, depois do almoço, quando optei por assistir a final da Champions League enquanto Luciana foi fazer uma trilha.
Ao anoitecer, Tatiana encontrou a mim e Henrique e disparou:
- Querem fazer um Discovery Noturno?
- Não dá - disse Henrique - preciso dormir um pouco
- Como é isso ?
- É para iniciantes, e você está certificado. Vai adorar, pois é tudo diferente.
Não parei para pensar. Eu estava de saco cheio daquelas náuseas, e passei a tarde toda pensando nelas. Era ridículo e eu deveria vencer aquilo. Não dei tempo ao meu corpo para ele se assustar:
- Sim. Quanto custa ?
- Putz, é com a Lurdinha...
- Dane-se: eu vou e resolvo com ela depois
Equipei o mais rápido que consegui. Henrique ainda me emprestou uma excelente lanterna de mergulho. Quando me dei conta, André estava equipando também e ia junto comigo. Só melhora. Andrei seria nosso instrutor. 
Ele ensinou alguns sinais básicos com a lanterna. Úteis e importantes. E simples, devo dizer. Relembrou os conceitos de segurança e partimos para a ação.
Entrei logo na água (Log #06). Não queria enrolar. Não queria dar tempo ao estômago para ele se ofender. Não queria deixar meu psicossomático agir. Afundamos e começamos a ver o que tinha a noite ali.
Bem... as cores mudam completamente com a luz noturna. Achamos uma parede com corais laranjas e amarelos em formações alternadas. Coiós e sargentinhos de sempre também estavam ali. Havia um tipo de alga/molusco/não sei que costuma ficar entocado durante o dia mas estava bem aparente à noite. Várias(os) por sinal, filtrando a água para se alimentarem. A lanterna do Andrei resolveu falhar e eu tentei ajudar com a minha. Fiz o melhor que pude, mas isso encurtou o mergulho para apenas 35 minutos.
Saí da água absolutamente zerado de problemas. Feliz, vencedor, dono de meu corpo meus órgãos internos, capitão de meu navio. Era isso que eu precisava: enfrentar a dificuldade e vencer. Só precisei mesmo dessa tentativa. 
Subi para o céu, notei depois. Eu era mergulhador de fato, e nada me tiraria isso mais.