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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Animamundi 2016: Dia 2

Pois lá fui eu de novo, para mais quatro sessões de curtas.
  • Curtas 2
Mais uma animação brasileira nota 5 abriu a sessão, Idéias de Canário, baseada em um conto de Machado de Assis, e adaptada a um cenário futurista no Rio de Janeiro.
La secta de inesctos, mexicano, mereceu nota 4 pela boa técnica e a história de distopia anti-livros, não exatamente original, mas sempre tocante.
A sessão ainda teve Branded Dreams, holandês nota 4, brincando com formas e a marca de uma famosa bebida negra gelada e refrescante. Animamundi é isso aí!
  • Curtas 10
Destaco aqui duas animações nota 4, a uruguaia Chatarra e a belga-holandesa Under the Apple Three. A primeira usou uma técnica de animação de objetos compondo seres vivos, incluindo um simpático cãozinho, com peças de ferro velho. A última, por outro lado, é uma comédia sobre o zumbi de um fazendeiro plantador de maçãs, com técnica impressionante.
  • Curtas 7
Novamente, apenas dois destaques nota 4: Geist, irlandês e o russo Piton y Storoj. A técnica e as expressões faciais impressionam no irlandês, sobre um náufrago que está sendo assombrado. Já o russo é mais leve, sobre a amizade entre uma cobra e um vigia, com final particularmente tocante.
  • Curtas 8
Pela terceira vez seguida, destaco duas notas 4: o tcheco Vanocni Balada e o russo Gamlet Komedia. O primeiro começa de forma triste e assustadora, com uma menina fugindo de um mecha em uma cidade devastada pela guerra, mas a história vai tomar outro rumo. Já o russo foi uma das poucas comédias típica, mostrando crianças em um teatro aprontando o tempo todo.

Foi um festival fraco a meu ver. Muitas animações nota 2 (7 ao todo). e nada que fosse realmente marcante como em outros anos. 
Uma pena. 
Espero que melhore.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Animamundi 2016: Dia 1

Piorou. Bastante.
O primeiro problema nem foi culpa da organização: a data usual do evento batia com as Olimpíadas. Veja bem: não tem como competir com isso. Então o festival mudou para novembro este ano. Compreensível, mas ruim. Daí passaram a usar uma sala no Belas Artes e duas na Cinemateca, longe pacas. Com isso, tive que me concentrar no que tinha no Belas Artes. O erro seguinte foi no formato da programação, que tentou misturar todas as facetas. Não, eu não quero. Eu quero ver as sessões competitivas de curtas, ponto. A cereja no bolo foi a bagunça que fizeram no site. Dava um trabalho danado achar a programação.
Ou seja, andamos para trás, e muito.

Vamos às sessões, usando o mesmo critério de sempre:

As notas vão de 1 a 5. Eu dou a nota do seguinte modo:
Roteiro: 1 ou 2
Técnica: 1 ou 2
Sacada genial: +1
Burrada básica: -1
Na prática, uma animação nota 5 é daquelas que verei muitas vezes pelo youtube depois. Nota 4 é das que vale a pena citar para os amigos. Nota 1 é raro: são aquelas que você preferia simplesmente que não existissem ou que a sessão acabasse aqueles minutos mais cedo.
  • Curtas 1
Ghost Cell, francês que abriu a sessão, foi ótimo. Mostra Paris como se visto por um microscópio. Nota 4.
O Disco De Ouro, de diretor brasileiro presente no evento, mostra o sucesso de um músico alienígena. Mereceu 5.
Outro nota 5 da sessão foi Once Upon a Line, americano, foi de uma beleza ímpar, usando apenas linhas simples e monocromáticas, mas com composição impecável.
A sessão ainda teve mais duas animações nota 4: Ticking Away, holandês-belga sobre um relojoeiro solitário e Chateau du Sable, francês que retratou um castelo defendido contra um grande monstro.
Foi uma das melhores sessões do Anima que já vi.
  • Curtas 6
Foram quatro destaques, todos nota 4.
Zimbo, mexicano, conta a história de um marionete.
Tabook, holandês, mostra uma moça comprando um livro peculiar em uma livraria.
Citipati, alemão, pecou apenas por não ter história. Mas apresentou uma técnica ultra-realista incrível para retratar um dinossauro.
The Alan Dimension, britânico, mostra os poderes mentais de Alan, que é capaz de prever o futuro.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Animamundi 2015: Dia 4

A cada ano aumenta a impressão de que eu curtiria mais um evento mais longo, espaçado. Acaba ficando uma maratona de conceitos e ideias que não absorvo completamente. Até por isso, estas postagem que servem de referência depois...

  • Curtas 7
Foi uma sessão bem fraca. A parte do fato de ter muita animações bem depressivas, foi aqui que rolou o único nota 1 do festival todo.
O único destaque positivo foi o coreano Johnny Express, sobre um entregador interestelar de encomendas. Aliás, este:


  • Curtas 3
Expectativa para ver Plymptom valeu a pena, e nem tanto por ele.
O colombiano/americano The Invisibles trata de uma análise simples e singela dos mendigos nos EUA. Nota 4.
El modelo de Pickmann é um mexicano nota 5 de terror. Um visual delicioso para a adaptação de um conto de Lovercraft. 
Footprints, do Plympton, nem é dos melhores dele. Nota 4. Mostra um sujeito simples seguinte pegadas estranhas em uma história suspeita e misteriosa. Ótimo final.
Dissonance é um curta meio longo (17 min) alemão. Linda história de um músico de rua em um momento difícil da vida. Melhor não falar demais para evitar spoilers, mas é nota 5.
A sessão termina com um americano nota 4, Jinxy Jenkings, Luck You, sobre um rapaz azarado nas ruas de San Francisco
  • Curtas 10
E agora Bronzit, o último do dia e do festival. Mas antes dele:
Mortal Breakup Inferno narra as peripécias de um rapaz tentando fugir da namorada louca. A Gobelins nunca tira menos que 4...
Palm Rot ganha 4 com a técnica realista de movimentos. Difícil definir a história, que está no youtube para os interessados.
Wrapped é um alemão de 4 minutos, nota 5. Melhor técnica do festival, e isso não é pouca coisa para 2015. Mostra o planeta sendo tomado por plantas. Lindo, lindo.
Bronzit nos trouxe Mi ne mozhem zhit bez. Conta a história de dois amigos que se tornam astronautas, no rigoroso programa de treinamento russo. Tudo vai bem até que chega a missão. Paro de narrar aqui, mas a mão narrativa sempre leve dele. Nota 5, mas não o melhor de todos.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Animamundi 2015: Dia 3

É, não dava para manter o nível. Nem por isso foi menos bom.
  • Curtas 6
Foi a sessão mais fraca até agora, apenar da presença do Marão, conhecido animador brasileiro e autor do primeiro da sessão, Até a China (nota 3). Não gostei da dublagem, que achei um tanto gaguejada.
O único destaque foi Ray´s Big Idea, um britânico curto em 3D, brincando sobre conceitos de Evolução Natural.
  • Curtas 2
Melhor, melhor. Estamos aquecendo o dia.
O dinamarquês Vagabond mereceu nota 4, com uma bela história de ação de um, por assim dizer, mendigo tentando salvar seu cão. Usa técnica estilizada que não compromete os movimentos realistas.
El Ladrón de Caras é daqueles complicado de comentar. Digamos assim: há uma coisa, um conhecimento que seria bom a pessoa ter antes de assistir o curta. Mas se eu disser o que é, acaba sendo um tipo de spoiler. Então recomendo a todos assistirem e depois perguntarem o que era. Nota 5, sem dúvida. E melhor do dia.
  • Curtas 9
Agora sim!
O Extraordinário Caso do Sr. A é o melhor brasileiro até o momento. Humorístico, que é o que fazemos de melhor, tem um certo grau de interação com o público, inclusive. Vale 4.
Violet merece o 5 que dei sim. Tanto pela técnica, que mostra espelhos o tempo todo na história, quanto ao roteiro, uma leitura interessante de um conto de fadas.
Smart Monkey pecou apenas por misturar duas partes desnecessariamente. Nem por isso as partes são ruins, mas é uma aventura de um macaco fisicamente fraco e mentalmente superior em tempos remotos. Diversão certa.





terça-feira, 21 de julho de 2015

Anima Mundi 2015: Dia 2

Não pude ir no sábado, então segue a análise das duas sessões de domingo, 19/07/2015.
  • Curtas 1
Outra ótima sessão, com apenas um ruim, brasileiro infelizmente.
A sessão começa com Symmetricity, uma animação russa longa (24 minutos) com uma história de diversas facetas. O time conseguiu misturar estilos distintos em momentos diferentes da história. Tem leveza de uma história de amor, uma parte da vida de um artista, interação com o ambiente e alguma coisa psicodélica. A melhor do dia, devo dizer. 
Captain 3D é cômico, sobre um superheroi que sai dos quadrinhos para enfrentar um terrível inimigo monstro de poster de filme. 
Stripy, outro ótimo (nota 5) iraniano, trata do trabalho repetitivo em fábricas, quando um dos empregados é criativo demais para simplesmente pintar as caixas em listas (strips) pretas.
Myself Smoke, da série Myself, é um boneco que debate o fato dele ser fumante. Nota 4.
Dji. Death Sails é uma das aventuras de um atrapalhado Morte, desta vez com um pirata náufrago. Nota 4, IMAO.


  • Curtas 8
O polêmico Isand abre a sessão. Eu dei nota 2, pois me senti incomodado com a história. Mas devo admitir que ela me marcou. A técnica é muito boa e a história consistente com o cenário: um cão salsicha e um macaco são deixados abandonados em uma casa.
Deadly é nota 4, sobre a amizade que uma velhinha faz com Morte. O título é um trocadilho com uma gíria irlandesa.
Wer tärgt die Kosten ? é alemão até o título. Trata-se de uma mesa redonda entre um leão, leoa, zebra, hiena e urubu sobre a cadeia alimentar.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Anima Mundi 2015 - Dia 1

O evento que sempre rolava na última semana de julho mudou para a 2a semana de agosto em 2014. Agora mudou de novo: 3a semana de julho. Depois de idas e vindas entre Memorial e Espaço Itaú-Unibanco, agora estamos no Caixa Belas Artes. Ou seja: mudou.
Esse excesso de mudanças me preocupa. Vejam se grandes festivais de... qualquer coisa... ficam mudando de endereço a cada ano (salvo aqueles que por definição mudam sempre). Dá a impressão de que (1) não é um evento financeiramente estável para quem se dispõe a sediá-lo e (2) que a organização pena para arrumar local todo ano. Isso me deixa duplamente apreensivo, com aquele feeling de que este foi/é/será o último.
Isto posto, retomo a questão das notas, no rodapé deste post.
E já que é para mudar, criarei o tag "Anima Mundi" e marcarei os anteriores, para facilitar. E a mudança nos horários foi excepcional. As sessões de 1h acontecem a cada 1h30, dando tempo de sair da sala numa boa. E com lugares marcados (o que não tínhamos no Memorial), também não há necessidade de entrar correndo. Dá tempo de comer algo, ir ao banheiro, pensar na vida. 
Ao pessoal da organização: por favor, escrevam isso na pedra e não mudem nunca mais.
Mas o que importa é o que interessa:
  • Curtas 12

Começamos com uma ótima sessão, com 5 curtas nota 4.
Animator x Animation IV é claramente uma série. Lembro de uma briga de bonecos de pau (stick figures) que fez muito sucesso anos atrás e creio, pelo estilo, ter relação. A pesquisar.
Patch, embora tenha nota 4, não me permitiu registrar a memória. 
Taupes brinca com contos de fadas de um modo inusitado. Boa ação, boas tiradas. 
Stromae foi um dos muitos a cutucar a questão da internet/redes sociais nos dias de hoje. No caso, o alvo foi o twitter.
Parrot Away é sobre um papagaio desajeitado, feito e tosco que acaba sendo a única opção de compra para um pirata ostentador. Além de engraçado, aproveita para tirar uma onda dos dias atuais. O melhor da sessão.
  • Curtas 14
E aqui o nível sobe, para duas animações nota 4 e duas nota 5:
Viaje a Piés, espanhol conta os perrengues de um viajante de trem. Com ótimo estilo, meio anime sério (existe isso ?), e uma sacada impactante no final.
Five Minute Museum, nota 5, conta uma parte da história do mundo com fotos de peças do museu de Berna. Acaba sendo uma espécie de stop motion sem motion. Delicioso.
The Meek, outro nota 5, é sobre uma sociedade de insetos frente as dificuldades que enfrentam no mundo. São várias ótimas sacadas, desde a divisão dos indivíduos em castas até a relação de poder entre eles. Incrível.
Amélia & Duarte é português e narra a história do casal-título. Pessoalmente, não gosto do uso de atores ou mesmo fotos de atores em animações, mas isso é meu gosto pessoal. 
  • Curtas 15
Outros dois nota 5:
Dernière Porte Au Sud é um assombro tanto de roteiro quanto de técnica. Esta mistura a CG para o fundo das imagens, com animação de bonecos para os personagens. História incrivelmente triste, para a qual são dadas diversas dicas no meio até que a surpresa te pega no final. Melhor do dia.
Golden Shot, turco, conta a história de um robô movido a lâmpadas. A CG está excepcional, com movimentos realistas usando peças, digamos, impossíveis. A história fica interessante quando o robô conhece um vizinho. 
Joojeh Mashini é iraniano, e como tal imprevisível. No caso, nota 4: trata do excesso de conexão que temos na internet, com sacadas ótimas do que acontece com uma grávida. E eu nem sabia que tinha internet no Irã, muito menos redes sociais e ainda menos que tinha mulheres usando.
Madam I Deva será outro que ficarei devendo explicações.



Fica uma menção honrosa para "Nuggets", nota 3 da sessão Curtas 14, pela simplicidade e objetividade com que trata um tema espinhoso (que não posso revelar sob risco de dar spoiler).



sábado, 16 de agosto de 2014

Anima Mundi 2014: Estatísticas

Algumas estatísticas das 11 sessões que acompanhei nesta edição do Anima Mundi.
Foram 90 curtas em 11, uma média de 8,2 animações por sessão. O que é bom: prefiro animações mais curtas, de até 10 minutos. Infelizmente perdi uma delas, canadense, ficando com "apenas" com 89 notas para avaliar.
A origem dos países foi: França (28), Grã-Bretanha (10), Brasil (9), Suíça (7), EUA (6) Alemanha (5), Canadá (5), Holanda (5), Bélgica (3), Israel (3), Polônia (2), Rússia (2), Argentina (1), Áustria (1), Croácia (1), Espanha (1), Estônia (1), Finlândia (1), Hong Kong (1), Irlanda (1), Itália (1), Lituânia (1), Luxemburgo (1) e Turquia (1). O leitor atento (e pentelho) dirá que esses números somam 97, mas isso se deve a produções conjuntas multinacionais.
A nota média das animações foi 3,31, com a seguinte distribuição: 10 notas 5, 30 notas 4, 31 notas 3, 14 notas 2 e 4 notas 1. O melhor de todos foi Fuga, que até comentei e postei no Facebook, com destaque para Le Gouffre, Wedding Cake e Lettres de Femmes. Assim que possível, colocarei links deles por aqui.
As 4 notas 1 foram para Lituânia (1), Itália (1), Brasil (1) e França (1). 
As 10 notas 5 ficaram com Canadá (1), França (3), Alemanha (2), Grã-Bretanha (3) e Espanha (1). Logo se nota que o critério espanhol é melhor que o italiano e o lituano na hora de mandar uma só animação...
Notei uma sensível queda na quantidade de curtas de humor. O mundo está mais triste, e isso se reflete na arte. Também percebo diminuição ao longo dos anos das chamadas animações conceituais, onde o cara brinca com cores e formas e deixa o conteúdo para... para quem é bom de verdade. 

Concluo com uma pergunta ainda não respondida. Se todo ano o evento terá, mais ou menos, a mesma quantidade de animações curtas e longas, por que o pessoal da organização fica se matando para criar novas grades a cada ano?
Uma vez fechado o local com a mesma quantidade de salas do ano anterior, basta repetir a grade com eventuais correções necessárias. Não precisa criar tudo do zero toda vez, gente. 
#ficaadica

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Anima Mundi 2014 - Dia 4

Sempre chego deprimido ao último dia, só de saber que vai acabar...
  • Curtas 7 (Sala 1, 18h)
Premier Automne é uma animação francesa que mostra duas crianças brincando que são, na verdade o Outuno (ela) e o Inverno (ele) interagindo. Técnica perfeita, muito simbolismo simples e delicado. Só não curti a última cena, que foi como explicar a piada, e por isso perdeu a nota 5 ficando com 4.
Marilyn Myller, britânico é daqueles mistérios pra mim. Anotei 5 em minha planilha e não consegui localizar as referências da história para narrar aqui. Fica como lição de casa.
Home Sweet Home, francês, ganha nota 5 com uma história sobre duas casas humano-retratadas com enorme sensibilidade e técnica apurada e CG. Lindos retratos da paisagem americana.
Mite, alemão, vai ao microcosmos ver os ácaros. Além da qualidade perfeita, tem uma ótima sacada no final, merecendo o 4.
Wurst, de Luxemburgo, mostra a vida em uma praia onde frequentadores são corte de carne de porco. Nota 4 pela diversão e referência culturais que não explicarei.
Through You, holandês nota 4, tem uma série de sacadas com uma técnica simples na qual as pessoas são unicolores, mas nem por isso imutáveis. 
  • Curtas 14 (Sala 2, 19h)
O alemão Harald conta a vida de um lutador de luta livre e sua obcecada mãe. Mas o prazer que ele tem na vida é a jardinagem, não a luta. Nota 4
Lettres de Femmes é belíssimo, outro francês nota 5. Mostra o trabalho de um médico de campo durante a guerra, que usa cartas de mulheres como curativo para os soldados feridos. Tocante, triste, singelo e absolutamente magnífico.
  • Curtas 15 (Sala 2, 21h)
Apesar da enxurrada de 5 franceses nesta sessão, nada mereceu grande destaque. 
Para não ficar sem resenhar, falarei de Us, uma animação franco-belga sobre como cada um de nós pode reagir de forma diferente a uma novidade em nosso ambiente. Seres unicoloridos, mas diferentes entre si, começam a lidar com pedras que aparecem para eles. As reações são as mais diversas. Ficou com nota 3.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Anima Mundi 2014 - Dia 3

Com atraso e dedicação, sigo narrando e resenhando. 
Cheguei mais em cima da hora ainda na sexta. Estava na porta da sala 1 às 17h59 e... cadê minha Luciana ? Pois é... 17h30 virou 18h02.
Mulheres, bah !
  • Curtas 5 (sala 1, 18h)
Talvez esta tenha sido a melhor sessão de curtas que vi na minha vida. Que coisa impressionante. E eu estava de péssimo humor pelo atraso da namorada, então realmente foi uma virada no clima.
Palmipedarium foi o primeiro francês do dia, nota 4. Com gráficos de qualidade, narra a relação entre um garoto filho de caçador e um animal que o adota como dono. Singelo, bonito. 
Le Chêne et le Roseau brinca com tipografia na tela, comparando as capacidades de sobrevivência de um carvalho e um junco. Os efeitos em 3D impressionaram, dado a nota 4 a ele. 
Mais tarde tivemos o nota 5 Le Gouffre, canadense, que conta a dedicação de dois aventureiros para tentar atravessar um perigoso canion. Gráficos lindíssimos, história tocante, final belo. 
Seguiram outros 3 curtas nota 4. 
How to get a girl in 60 seconds, alemão, conta em um minuto as desventuras de um rapaz tentando impressionar a garota de seus sonhos. 
O francês MONKEY SYMPHONY lembra o ritmo do famoso Presto, onde um macaco pianista e outro macaco faxineiro, mas também talentoso no piano se encontram em um ensaio. A coordenação entre trilha e imagens é belíssima. 
Terminamos com Collectors, que demorei um tanto a entender a mensagem. Com um estilo (na minha opinião) fraco e preguiçoso, conta o que acontece quando as pessoas colecionam coisas além de suas reais necessidades. Fica muito interessante quando a situação começa a sair de controle, e faz uma séria crítica ao consumismo. 
  • Curtas 12 (sala 2, 19h)
Outra sessão muito boa, com 5 animações nota 4 que comentarei. 
Edifício Tatuapé Mahal é um curta brasileiro que conta a vida como se fôssemos bonecos ou objetos conscientes. Uma bela lição sobre sentimentos negativos, com uma aparência de stop motion no estilo. 
My Stuffed Granny, britânico, conta sobre as dificuldades e até fome passada por uma família do ponto de vista da pequena garota. Stop motion impressionante, com um final feliz depois das tristezas. 
1900-2000 mostra em 1900 as inovações que teríamos 100 anos depois. Além do belo estilo, vale como lembrança do que se pensava na época. Ritmo frenético, bem ao meu gosto. 
Fingers Tale dá vida independente aos dedos dos personagens, que passam a ter seus próprios objetivos, embora ainda andem agrupados. Divertido pacas. 
Fechamos com o ótimo Reflections relembra de sua infância através dos seus próprios reflexos, mas nem sempre podemos ser como queremos: os outros adultos interferem na brincadeira eventualmente.
  • Curtas 13 (sala 13, sala 2, 21h)
Depois de um começo depressivo, a sessão engrenou muito bem também, com várias animações de CG de qualidade inquestionável.
Stardust mostra um corpo celeste em formação, com imagens de encher os olhos. Holandês, nota 4. 
Depois tivemos Beyond the Lines, francês nota 4, que relembra a invasão da Normandia (Soldado Ryan, alguém ?) como se duas crianças pequenas tivessem participado da operação. 
Mr. Plastimime, britânico nota 5, conta um mímico talentoso, mas com carreira decadente (ou que talvez nunca tenha ascendido...) até o dia em que tudo muda. 
Cargo Cult, britânica nota 4, narra as reações de uma tribo ao contato com americanos... de Pearl Harbour. 
Terminamos o dia com um alemão nota 5 chamado Wedding Cake, vencedor do público no Rio de Janeiro. Sim, merece a nota, mas não o título: conta passagens da vida de um casal de bonecos de um bolo de casamento, com um final bastante interessante. Ritmo impressionante, ótimas tiradas, irrepreensível. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Anima Mundi 2014 - Dia 2

Corri, cheguei, sentei: 17h57. Ufa.

  • Curtas 3 (Sala 1, 18h)
Que sessão!
Começamos com Fuga, curta espanhol maravilhoso (5), que combinou técnicas bastante variadas, todas com maestria. A história é lindíssima, sobre uma garota violinista em um conservatório. Sério candidato a melhor do ano. 
A seguir, vieram 3 notas 4. 
Diesel Rock and Stardust, o melhor brasileiro até o momento, sobre uma dupla de agentes/cientistas fazendo uma investigação, com visual psicodélico sem ser exagerado.
Mend and Make Do, britânico, conta a história da vida de uma senhora de idade do ponto de vista de suas roupas, o que deixaria Luciana Dizioli enlouquecida.
Golden Boy, francês, é uma interessante reflexão sobre o mau uso de talentos das crianças. 
A sessão ainda terminou com outro francês nota 4, Spotted, impressionou pela qualidade visual ao narrar uma vaca tentando fugir para um local seguro, ao menos para ela: a Índia.
  • Curtas 10 (Sala 2, 19h)
Não tinha como manter o ritmo. Nota triste por eu ter perdido a primeira animação, canadense. Depois trabalharemos isso no youtube.
A melhor foi Sun of a Beach, animação francesa (outra ?!) sobre uma praia e seus típicos frequentadores humanos. Técnica boa e firme, do jeito que eu gosto.
  • Curtas 11 (Sala 2, 21h)
A Roza, com z mesmo, é um curta brasileiro vertendo um poema para as telas. O ritmo segue o da história, relativamente lento. 
Nota 4. Myosis, mais um francês, impressiona novamente pela técnica apurada. 
O melhor da sessão foi From Here to Immortality, nota 5. Não posso comentar o tema sem spoiler, apenas recomendo a todas as crianças de mais de 30 anos. 
Ascencion, para variar francês, conta os entrevereos de uma dupla de alpinistas tentando colocar uma imagem de uma santa no alto de uma montanha. Sim, muita coisa pode dar errado. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Anima Mundi 2014 - Dia 1

E lá vamos nós, animalucos, para mais uma maratona anual de animações. O plano deste ano é de 11 sessões totalizando 90 filmes. Boa marca, devo dizer. Era factível chegar a 13, mas a um elevado custo de cansaço. Estou velho...
Cheguei ao Cine Itaú-Unibanco ainda antes das 18h. O plano não era ver a sessão das 18h, mas usar uma hora até as 19h para comprar os ingressos e passar na loja do evento. Deveria dar com folga. Pois é...
Fui direto para a máquina de compra, pois estava sem fila. Comprei para a primeira sessão sem problemas, mas tinha que efetuar o pagamento por sessão, não sendo possível selecionar tudo e então pagar. Estranho, mas funcionou. 
Foi dar zica na segunda compra. Alguma medida de segurança da Visaelectron / Banco do Brasil impede compras seguidas no mesmo estabelecimento com pequeno intervalo de tempo. Isso simplesmente me impediu de comprar tudo que eu precisava. 
Fui para a fila, que até que andou bem. Expliquei o caso e a atendente avisou que o problema deveria se repetir com ela. Tentamos e consegui comprar o segundo ingresso, mas o terceiro não teve como. Ela me orientou a sacar e pagar em dinheiro. Também disse que eu não precisaria pegar a fila novamente. Isso era por volta de 18h15.
Subi a Augusta até a Paulista, saquei (não sem enfrentar um caixa sem cédulas) e voltei, já 18h25. A atendente fez sinal de que me atenderia logo que terminasse a cliente que estava com ela. Duro foi esperar minha colega animaluca comprar 23 ingressos e pagar no cartão (esse sim funcionava !) um por um. 
O problema está no combo "pagar uma compra por vez" com "não pagar mais de uma compra a cada 5 minutos". Nem sei para quem reclamar... Mas saí da fila com tudo que queria às 18h48. 

Vamos às sessões, mas antes, o amigo leitor pode entender os detalhes das notas no final deste post. 

  • Curtas 8 (Sala 2, 19h)
Destaque mesmo não teve nenhum. 
Uma menção positiva fica para o nota 4 Entracte, sobre um mímico xavecando uma funcionária de uma lanchonete/café: técnica impecável e bela história, bastante humana, digamos assim. Meu amigo Bruno Saggese (animador e mímico) enlouquecerá quando vir este.
  • Curtas 9 (Sala 2, 21h)
A vida ficou melhor nesta sessão, com duas animações nota 5.
The Rise and Fall of Globosome com a história da vida em um planeta. Além da animação gráfica boa, a trilha sonora escolhida me impressionou muito. 
Chili con Carne é cômico, coisa que os franceses deveria fazer mais já que são tão bons. Ritmo ágil, veloz mesmo, com uma sacada surpreendente no final, conta a história de um sujeito que vai a um restaurante italiano. Se você acha que chili não é um prato italiano, já está no clima da história. 
Ainda quero elogiar Trampoline, holandês nota 4 sobre o uso de uma cama elástica vista por baixo dela. 
Divertidíssimo. Teisel pool Metsa abriu a sessão com nota 4 e a presença de sua baixinha diretora. Belo stop motion com variadas técnicas de criação dos objetos sobre um conto de fadas.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Anima Mundi 2013 - Dia 4

Finalizando a maratona de 13 sessões (meu recorde pessoal !), vamos às 4 sessões vistas no sábado.
  • Curtas 8 (sala 1, 18h)
Também chamada de sessão Anima França, pela concentração de curtas franceses (4 em 6) nesta sessão.
Carn conta a história de um menino que se perde em uma tempestade de neve e interage com uma loba para sobreviver. Final surpreendente. Nota 4. 
Rebelote faz incontáveis referência a super-heróis famosos usando sujeitos como Steelman, por exemplo. E consegue narrar uma história interessante de disputas ferrenhas que começam do nada, e podem até atravessar gerações. Técnica em 3D excepcional. Nota 4.
  • Curtas 13 (sala 2, 19h)
Dr. Grordbort Presents: Tejh Deadliest Game usa também técnica em 3D de alta qualidade. A história é um caçador ao estilo dos safaris do século XIX usando armas altamente tecnológicas em um mundo alienígena. Nota 4 por ser previsível no final.
La Goutte de Miel mostrou a história de duas cidades que entram em conflito por causa de uma simples gota de mel. É uma revisitação ao tema da bola de neve que pode ser tornar as consequências de atos pequenos. Nota 4, com a ressalva de que o som é em francês e não havia legendas inteligíveis. Talvez isso seja parte da animação, talvez tenha sido falha técnica. A conferir.
  • Curtas 14 (sala 2, 21h)
Ed foi o melhor curta brasileiro, na minha opinião. Nota 5, fácil. Conta a incrível vida de Ed e suas peripécias, em momentos variados de sua vida. Técnica excelente também, além de final muito bem sacado.
Bird Food mostra um homem alimentando pássaros no parque. Mas as coisas começam a ficar estranhas de repente. Nota 4.
Slight of Hand é nota 5. É uma animação em stopmotion de um personagem que está criando uma animação em stopmotion. O metaplot já estava bom até haver uma mudança de curso. Feita em excelente 3D.
Dip N Dance merece um 4 pela técnica, embora não surpreenda na história. O personagem acaba sendo envolvido em dança descontroladas que vão levando ele pela história, quase sem controle de sua parte.
  • Curtas 16 (sala 3, 22h30)
Boles narra a vida de um escritor que começa a interagir com a estranha vizinha de apartamento. Nota 4 tanto pela técnica quanto pelo final. Talvez merecesse um 5-.
The Reward mereceu 5 pela maneira lúdica e construtiva que narrou a vida de 2 jovens aventureiros, um guerreiro e um mago. O desenho simples e confiável também ajuda.
A Girl Named Elastika é um stopmotion feito apenas com percevejos e elásticos coloridos. Com pouquíssimos recursos, narra-se as aventuras da menina título com grande leveza. Nota 4.

sábado, 17 de agosto de 2013

Anima Mundi 2013 - Dia 3

Seguimos agora para as sessões da sexta-feira, dia 16.
  • Curtas 4 (sala 3, 18h30)
O único destaque da sessão ficou mesmo para In-between, curta francês nota 4 sobre uma moça que tem um jacaré azul extremamente ciumento. Divertido, além da técnica muito precisa
  • Curtas 3 (sala 2, 21h)
Under the fold narra a amizade entre um garoto filho de um pai desempregado durante a depressão dos anos 30 que faz amizade com uma criatura de papel que se alimenta de recortes de jornal. Nota 4.
Nightmare Factory mostra dois estranhos seres que produzem pesadelos sob encomanda, e registram as imagens de medo das pessoas quando acordam. Porém, eles se desentendem, e um deles começa a sabotar o trabalho do outro. Nota 4 pelo ritmo muito interessante, embora o final não seja algo tão genial assim.
Wind, alemão, mereceu nota 5 deste blogueiro. O mundo descrito é baseado em uma violenta ventania constante em tudo que os cerca. Gostei da técnica, especialmente do movimentos dos objetos no tal vento, com um bom final, sem ser algo fantástico.
  • Curtas 15 (sala 3, 22h30)
Le Grand Ailleurs et le Petit Ici é da escola canadense, com seus típicos curtas nota 4. A história de um homem que vive em um mundo minúsculo e, de repente, descobre o lado externo desse universo. Excessivamente filosófico para meu gosto, mas com lindas imagens em pontilhismo preto e branco.
Love in the Time of Advertisiment é história de um rapaz que opera outdoors e se apaixona por uma vizinha. Sem ter como falar com ela, usa as propagandas para tentar passar seus sentimentos. O texto todo em rima impressiona. Nota 5.
Capitan Orrible in Something Strange Happened ganha um 4 pelo ritmo e consistência da técnica. Conta a história de um capitão pirata (observe a grafia do nome dele) que tem um dia bastante... extraordinário.
Rozaneh é iraniano. Recebeu nota 5 para minha surpresa, embora a ideia não seja original. Conta a história de projéteis em primeira pessoa, durante uma guerra. Técnica irrepreensível.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Anima Mundi 2013 - Dia 2

Amigos, sigo com meu relato, agora sobre as animações vistas no dia 15/08, quinta-feira. Antes de começar, informo que faltou uma da animações, pois me atrasei. Para fins de postagem, vou fingir que ela não existe e comento o que teve de bom assim.
  • Curtas 6 (Sala 2, 19h)
Yellow Sticky Notes é canadense, a escola que mais me agrada há tempos. Fazendo um pequeno spoiler, trata-se de uma coleção de 15 histórias de autores diferentes, todas desenhadas em post-it. Cada um traço, estilo e modo de ver o mundo diferente, mas necessariamente a mesma técnica. Nota 4.
Junkyard é uma história de um rapaz que tem um flashback de sua infância e juventude depois de um... incidente no metrô. O ferro velho em questão teve papel importante na sua vida, assim como os amigos da época. Nota 5-, pelo excelente estilo de desenho e pela montagem da história.
Fallin Floyd é sobre um músico em depressão por uma decepção amorosa. Além da técnica excepcional, muito bem sonorizado, o curta tem um final que, embora não seja genial, é bastante inteligente. Nota 5.
  • Curtas 5 (Sala 2, 21h)
Snack Attack é uma história singela sobre uma senhora que compra um pacote de biscoitos em uma estação de trem, mas não sem ter que lidar com o jovem folgado com quem divide o banco de espera. Animação em falso 3D, tem um belo final em uma história com premissa tão simples. Nota 4.
The Last Belle tem um traço que não é meu preferido, mas bastante consistente. O moça vive os dias de hoje, quando se sente obrigada a ter um namorado. Até que arranja um blind date e vai atrás de sua felicidade. Mas nem tudo dá certo... O destaque fica para uma das falas no começo da história, quando ela conta para a amiga sobre o affair: "He sounds so beautifull in the email...". São os tempos de hoje. Nota 4.
  • Curtas 7 (Sala 3, 22h30)
Veja Requiem for a Romance se você gostou de verdade de O Tigre e o Dragão. Dois lutadores chineses combatem pelos telhados de uma pequena cidade ao som de uma conversa telefônica na qual a moça está terminando o relacionamento com o rapaz. Atente para a coordenação entre o diálogo e os movimentos. Nota 4.
Subconsious Password brinca com uma situação corriqueira em nossas vida: encontrarmos uma pessoa de quem não lembramos o nome. O cérebro do rapaz passa por um game show para lhe dar as pistas necessárias, com a presença de diversos personagens ilustres. Nota 4.
The Chase é bem o que eu quero de uma animação e por isso ganhou nota 5. Uma perseguição de carros com 4 garotas malvadas vai destruindo viaturas da polícia em cenários que misturam Los Angeles, San Francisco e alguma ficção. Lindo final.



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Anima Mundi 2013 - Dia 1

Ah, de volta à Paulista. Adoro!
Ano passado, o festival Anima Mundi ficou confinado às sofríveis instalações do Memorial da América Latina. Detalhes foram postados aqui.
Em 2013 voltamos ao Itaú Unibanco, com 3 salas construídas e mantidas por gente séria. Ouvi comentários de que a mudança é definitiva. Tomara.
Vamos às sessões, então:
  • Curtas 2 (Sala 1, 18h)
Ceux den Haunt é uma animação em língua francesa (há integrantes franceses, suíços e belgas na produção), sobre um rapaz chamado Ulrich que fica confinado em uma casa no alto de uma montanha no inverno. Junto ao cão e ao dono do local, eles passarão 5 meses sob a neve. Mas talvez eles não estejam sozinhos... O clima de terror vai sendo construído com calma e paciência, com técnica de desenho simples, mas enquadramentos e sonorização de nível de cinema. Nota 4.
Lost & Found é americano. Embora seja mais conceitual do que narrativo, a técnica é dominada com maestria. Não sei dizer se era stopmotion ou alguma CG para fazer parecer stopmotion, mas valeu. Nota 3+.
  • Curtas 9 (Sala 2, 19h)
Anna Bee é nacional, nota 4. Sua limitação é ser um tanto escrito, mas isso está completamente dentro do contexto. A animação não se preocupa muito em colocar o expectador dentro da história, mas isso acontece naturalmente. São feitas diversas referências culturais a outras animações famosas e filmes, que acabam se tornando belas e honestas. A história é sobre uma garota chamada Ana, que conhece um rapaz pela internet e se apaixona ele. A história mostra como as coisas se desenvolvem nessas situações que, muitas vezes, são desconhecidas do público mais velho.
Feral foi a animação portuguesa vencedora do festival no Rio. É boa, mas não isso tudo: nota 4. Conta a história de um garoto que vivia entre os lobos na floresta e foi trazido à cidade para ser ressocializado. Peca pela falta de originalidade, mas é singelo ainda assim.
Virtuos Virtuell me tirou do sério. Totalmente conceitual, essa animação mostra rabiscos em nanquim dançando em harmonia com a trilha sonora, um trecho da ópera O Alquimista. Comentei até, 5 anos atrás eu acharia chato. Nota 4. E mais um toque mental de que estou ficando velho.
Vecinos foi o primeiro nota 5 do festival. Conta a história de dois vizinhos em duas fases distintas da vida: quando meninos e quando jovens. Ritmo divertido sem correria e técnica que muito me agrada: "3D falso", como eu batizei. Ganhou o 5 pelas incontáveis referências nerds que aparecem na história, a começar pelo rapaz jogando Tumbling Tower sozinho. 
  • Curtas 10 (Sala 2, 21h)
Que sessão foi essa, gente !
The Fantastic Flying Books of  Mr. Morris Lessmore emociona a cada momento. Com técnica de 3D falso impecável, o protagonista vai para um mundo onde os livros agem como pássaros e precisam de cuidados como tal. É o que ele faz, em momentos tocantes e belos que se sucedem. Lindíssimo, forte candidato ao título do ano.
Jim´s Tie narra um diálogo entre um vendedor de gravatas e um cliente, provavelmente vendedor também, em crise existencial e a beira do suicídio. Os rápidos diálogos em francês não comprometem a compreensão. Tava com nota 4 até aparecer o final. Nota 5  bem clara.
Natalis é uma história simples, com com CG que poderia estar em qualquer videogame por aí. Mostra uma personagem que toca um casulo e tem uma visão de uma realidade alternativa. Lindo final também. Nota 4.
Der Notfall é a clássica animação de correria ao estilo Presto. Com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, a comédia de erros vai construindo uma situação absurda a partir de elementos pequenos e corriqueiros. Técnica excelente também, assim como a sonorização.

Amanhã tem mais, não percam !


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Complemento de postagem:

Como bem foi observado, faltou explicar a escala de notas. Uso a mesma que o festival usa, pois a cada sessão recebemos cédulas de votação. Para quem vai desde 2007, isso é óbvio, mas nem todo mundo sabe disso.
As notas vão de 1 a 5. Eu dou a nota do seguinte modo:
Roteiro: 1 ou 2
Técnica: 1 ou 2
Sacada genial: +1
Burrada básica: -1
Na prática, uma animação nota 5 é daquelas que verei muitas vezes pelo youtube depois. Nota 4 é das que vale a pena citar para os amigos. Nota 1 é raro: são aquelas que você preferia simplesmente que não existissem ou que a sessão acabasse aqueles minutos mais cedo.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Anima Mundi 2012 - Dia 3 (parte 2)

Finalizando a maratona.
  • Curtas 6 (Sala 3, 16h30)
Mentiras são contadas em Julho é uma animação do meu conhecido ("amigo" seria exagero) Rogério Vilela. Mais um storyboard do que uma animação, Vilela mandou muito bem no roteiro, muito triste e angustiante.
Bertie Crisp, o outro nota 4 da sessão, tem um estilo mais caricato pra representar a história triste, embora contada de modo cômico, de um urso casado com uma ursa picareta.
  • Curtas 12 (Sala 3, 18h)
Red é um curta francês com espírito noir, em uma típica história de detetive.
Don´t Go mostra o dia a dia de um gato bastante ativo, digamos assim. Fico imaginando o quando zoaram esse gato (que é real) durante as filmagens, mas deve ter sido divertido pacas. Feito na Turquia.
Amem ! é um humor anti-religioso, e por si só me agrada por isso, alemão. Nem sempre as piadas alemãs são compreensíveis para não-alemães (ou mesmo para alemães), mas este aqui rola. O estilo é CG clássico com um belo final.
Foi quebrar minha promessa agora. Fica a nota negativa para Itsihitansntsu, um curta russo que foi a coisa mais desnecessária que vi em meus 6 anos de Anima Mundi. Natalia Ryss foi culpa pela irreversível perda desses minutos da minha vida. Ao final da apresentação, houve até o seguinte diálogo entre minha namorada e eu:
- Você não vai dar nota ?
- Já dei faz 15 minutos.
  • Curtas 7 (Sala 3, 19h30)
Cansado, eu me perguntava se valia a pena ver a última sessão, mesmo com ingressos comprados. Foram "apenas" 3 notas 5 nela.
BlinkTM mexe com um assunto fascinante: robótica. Mas faz isso em um contexto muito humano  tremendamente dramático: uma família em crise. Personagens bem construídos, grandes sacadas de cenário e final surpreendente.
Chase é um curta holandês sobre uma perseguição (dãããã). Mas o autor Adrian Lokman usa apenas triângulos equiláteros de mesmo tamanho (Triangulismo ?), e ainda se omite de colocar os personagens e veículos, solas dos pés e rodas. O bagulho é louco, gente.
Karbeste Veski é um curta estoniano nota 4. Com estilo muito estável e boa história sobre um "criador" de pássaros e suas criações.
A Fox Tale é uma curta sobre como uma raposa envolve seus caçadores. Faltou um algo mais para ganhar o 5.
Head over Heels é um drama britânico que fechou com chave de ouro minha ida ao Anima Mundi. Conta a história de um casal que, de tão separados pelo casamento, um vive de cabeça para baixo em relação ao outro, dentro da mesma casa. Mas não há mágoa, apenas distância.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Anima Mundi 2012 - Dia 3 (parte 1)

Na verdade era dia 4, pois era o sábado dia 28 e não a sexta dia 27. Mas era meu terceiro dia, o blog é meu e eu escrevo como quero. E uso trema !
  • Curtas 18 (Sala 1, 12h)
The Missing Key peca apenas por ter 30 minutos. Isso não quer dizer que ele seja lento e chato, até que foram 30 minutos bem usados em termos de tempo. Mas no que se trata de roteiro e técnica, foi excepcional. Conta-se a história de um jovem pianista japonês tentando a sorte como músico em Veneza. Muitos simbolismos envolvidos, com as pessoas tendo vitrolas no lugar das cabeças. O diretor ainda mescla muitas técnicas diferentes ao longo da animação. Das melhores do evento.
Blue conta uma história de um explorador espacial solitário. Faltou apenas o toque genial, mas muito boa.
Beat levou o cubismo a um outro nível. Fenomenal combinação de quadrados mostram a vida de um trabalhador de escritório entediado. Nota 5.
  • Curtas 3 (Sala 3, 15h)
Allegro conta uma aventura de um entregador de encomendas viciado e pakour. Ação, boa CG e um pouco de cultura coreana.
Plato é uma aula de como usa técnicas de projeção e de luz e somba para dar sensação de 3D na tela. Traço firme e simples com roteiro envolvente.
The Maker é a triste história de um boneco construindo outro boneco. Stop motion está na moda pelo visto. Ainda bem.
Tadufeu analisa porque somos violentos desde os tempos das cavernas. Ritmo bom, boas piadas, e ainda deixa algo para se pensar. Nota 5, melhor da sessão.

Amanhã eu volto e termino isso aqui.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Anima Mundi 2012 - Dia 2

Ontem foram "apenas" duas sessões. Vamos a elas:
  • Curtas 14 (Sala 2, 19h)
Sessão um tanto fraca, na verdade, com nota média abaixo de 3. Destaque único para:
Fata Morgana é uma animação cômica sobre um vendedor de limonada no deserto. Técnica honesta e boa sacada no final.
  • Curtas 8 (Sala 1, 22h)
V|illa Antropoff mescla muito bem drama e comédia em duas histórias que se unem pelo meio. Em uma, um refugiado tenta fugir da fome na África. Na outra, uma festa de luxo e luxúria. Traços firmes e simples mostram o que realmente é importante na história.
Noodle Fish nos relembra que sempre tem alguma coisa nova para se fazer com stop-motion. Mescla desenhos em areia com esculturas de macarrão, em uma história muito bem sacada e com final genial sobre um simples peixe que quer conhecer o mundo.
Little Tombstone é um bang-bang que, em 5 min tem mais conteúdo que muitos filmes do gênero. O estilo é incrivelmente rebuscado, com detalhes assombrosos do cenário. Os personagens remetem a Sérgio Leone, no mesmo nível de caricatura. Não bastasse isso tudo, tem ótimo final.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Anima Mundi 2012 - Dia 1

Oi gentes. Vou falar das sessões de ontem do Anima Mundi. A ideia é não apenas indicar títulos para buscar futuras nos youtubes da vida, mas até para lembrar do legado deixado. Por conceituação positivista de mundo, não falarei das animações que não gostei. Algum fã esquisito e a vovozinha do diretor que se ocupem disso.
  • Curtas 4 (Sala 1, 16h)
Herstory tem um ritmo lento, e uma história bastante triste. A técnica é impecável, trazendo movimentos secundários que não estamos a ver em CG. É a história de uma moça coreana levada por soldados japoneses durante a ocupação.
Rosette é cômico, sem o ritmo frenético de um Presto ou Oktapodi. Mas muito bem sacado. As texturas apresentadas impressionam. É a história de uma moça que se apaixona pelo açougueiro.
Friendsheep foi o primeiro nota 5. Técnica impecável, com bastante ação secundária e ótimo ritmo. Conta a história de um lobo lavador de janelas que sonha trabalhar em um escritório de... ovelhas ! E tem um belo final.
  • Curtas 1 (Sala 1. 18h)
La Detente tenta humanizar a guerra com um infantilização do visual. Mas não tira o dedo da ferida ao fazer isso. Faltou apenas aquele toque genial.
Jelly Jeff fala de ecologia sem chateação. Tanto que é curto e por isso bom.
Zing, embora soe chinês, é alemão. Fala da morte de um jeito lúdico. Técnica típica de CG, com muito movimento secundário. Final ok, nada surpreendente.
  • Curtas 16 (Sala 3, 19h30)
Nota: foi a sessão mais fraca até o momento. E eu não tinha ido à sala 3 até ontem, fiquei triste de pensar que serão 4 sessões nela no sábado...
Swimming Pool é um curta tcheco que não prima pela técnica e sim pelo roteiro. Conta a história de um cara que quer ir a uma piscina pública, mas quer fazer isso depois que ela fecha para ter privacidade. Mas há uma bela reviravolta no meio na história.
Frictions é nota 3 pois faltou história. Mas o amigo Bruno Saggese vai saber por que eu indiquei para ele.
Bigshot também não prima pela técnica, mas pelo ritmo do humor. Bem sacado.
  • Curtas 2 (Sala 1, 22h)
Nota: essas maratonas ainda me matam...
Melhor sessão até o momento, com 3 notas 5.
Linear é um nacional que vimos na presença do diretor. Conta a história de um micro-personagem responsável por pintar as faixas de trânsito. Técnica fantástica, assombra o espectador que se assuta com os carros passando perto do personagem.
Organopolis mostra as partes do corpo de um garoto conversando entre si. Foi bem por ser ágil e curto.
Edmond était un âne é da escola francesa de histórias melancólicas. Essa escola erra 8 de 10 animações. Mas quando acerta... Faltou apenas o toque genial para tirar um 5.
Chinti é dos meus ! A técnica é uma colagem virtual de pecinhas, dando volume e movimento à formiga que é o personagem principal. Ela vê uma foto do Taj-Mahal e se apaixona por ele, tentando sozinha criar uma réplica. Não bastasse isso, o final surpreende.
Bon Voyage é a história de um refugiado. Eu tava dando nota 4 por ter técnica simples até ver o final. Cinquei na hora.
Slug Invasion é a clássica escolha de animação divertida e ágil. Um grupo de lesmas (!) está tentando invadir o jardim de uma senhora de idade. A CG inclui belos detalhes do jardim. Deixo o toque genial de fora da descrição para o leitor descobrir por si.

Amanhã eu comento as duas sessões de hoje


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Anima Mundi

Este texto está sendo recuperado da minha memória, já que o blogspot fez a gentileza de deletar o orignal. Ajustei a data para dia 25/07/12, publicação original.

Hoje começa o Anima Mundi 2012. É um dois mais divertidos festivais de cultura, digamos, alternativa que conheço. Trata-se de uma grande concentração de filmes de animação e tudo o que envolve esse universo (curtas, longas, palestras, atividades, patrocinadores, gente bisonha...). Segue a programação aqui.
Conheço o festival desde 2007, quando fui arrastado a uma sessão de curtas por Daniela Zawada. Nunca mais deixei de ir. Por ter me apresentado o evento, ainda te agradeço, Xuxu !
Para este ano, tive que reduzir a quantidade de sessões de 12 para 11. Até seria viável empatar indo a uma sessão isolada no dia 27, mas a Cerimonia de Abertura das Olimpíadas de Londres ganhou. Vale lembrar que só teremos outra cerimônia decente em 2020, já que em 2016 vai ter Luan Santana, Michel Teló e a bateria da Mangueira, no Rio. E a música tema será composta por Los Hermanos que vencerá A Banda Mais Bonita da Cidade em uma polêmica votação virtual. Que medo...
Voltando ao ponto, o festival encolheu. Em 2011, tivemos muitas sessões em salas na região da Paulista (cines Unibanco e Livraria Cultura). Agora estamos de volta ao Memorial e suas péssimas acomodações que incluem restrição ao consumo de alimentos nas salas, cadeiras ruins e acústica sofrível, num típico projeto de Oscar Niemeyer, o mais sobrevalorizado arquiteto de todos os tempos.
Por conta disso, algumas sessões ficaram inascessíveis. Para hoje serão 4, em função de uma manobra burocrática que fiz no trabalho. Comento-as amanhã.