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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Timinho

O Patriots bateram os Seahawks ontem, por 28 a 24, em um excelente Superbowl. Bem melhor do que o do ano passado, quando jogo mesmo não teve.


Não sei se tem muito valor comentar como foi o jogo. O amigo leitor que não viu o jogo, provavelmente não curte o esporte. E o que curte mesmo, bem, já viu tudo ontem/hoje mesmo.
Acho significativo os Seahawks perderem por duas razões.
Do ponto de vista do evento, a torcida dos Seahawks é, de longe, a mais chata da NFL. Arrogantes, presunçosos, folgados, pentelhos, donos da verdade... fica difícil completar a lista. Venceu um único Superbowl, em 2014, e só conseguiu isso quando tudo na temporada conspirou a favor (incluindo uma mãozinha da arbitragem na final da Conferência Nacional). Lembra até um time sulamericano alvi-negro que recentemente ganhou seu estádio do governo...
Esportivamente, é ainda mais importante porém. O time do Seahawks é terrivelmente limitado a uma só jogada: entrega a bola para o Marshall Lynch que, correndo de trás, ganha 3 jardas. Ponto. E não é por falta de quarterback não: Russel Wilson é um excelente jogador, com ótima visão de jogo e passes precisos. Mas o time simplesmente não pode prescindir da jogada corrida com camisa 25 de cabelos rastafari (ou algo assim). 
Lynch, devo dizer, é o melhor runningback que acompanhei. Mas ele também acha isso, e é um sujeito prepotente no último volume. Inconveniente, falastrão, verbalmente agressivo, é a cara da torcida que o apoia. 
Pensando bem, é triste que esse timinho tenha chegado a outro Superbowl. Uma das grandes belezas do jogo é a capacidade de variação de jogadas, coisa que o time de Seatle, se tem, absolutamente não mostra. Pelo menos perdeu, e que se renove agora.
A derrota veio de modo emocionante, e curioso. Com a bola carregada da linha de 4 para 1 jarda justamente por Lynch, bastava a Wilson fazer o óbvio. Por mais que a defesa dos Patriots soubesse isso, como parar o avanço forte dele? O cara sempre consegue 3 jardas e só precisava de 1 em duas tentativas. Era touchdown, simples assim, a menos de um minuto do final. No entanto, Wilson passou, e teve sua única interceptação do jogo. Wilson, repito, é ótimo jogador. Mas o lance mostrou que o time não sabe fazer outra coisa.
Duas jogadas depois, quando o time de New England apenas confirmaria o final do jogo, uma troca de empurrões mostrou a falta de envergadura moral dos ex-campões. Irvin acabou expulso, coisa que eu nunca tinha visto em jogo algum de Futebol Americano. E todo mundo sabe que não é um jogo de sutilezas. 
Faltam agora 220 dias para a próxima temporada. 
Go 49ers ! O Superbowl 50 é no nosso estádio. Sejamos os primeiros a vencer em casa. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Que jogo !

Amigo leitor, sou tão fã de futebol americano que já arrumo maneiras alternativas de curtir o esporte. Uma delas, nem tinha como ser diferente, é o jogo de tabuleiro. Tanto que este post une ambos os tags.
Na última sexta, recebi um grande amigo, Gabriel, em casa para mostra o print pessoa de Football Strategy, jogo que me foi apresentado pelo único outro demente que une essas duas paixões: Marcelo Paschoalin.
Como o jogo era na minha casa, decidi jogar no Candlestick Park. Não, isso não tem qualquer efeito no jogo. O time da casa, San Francisco 49ers (isso foi o mais vermelho e dourado que consegui...) optou pelo playbook de jogadas terrestres. O adversário, os odiosos New York Giants, trouxeram o playbook de jogadas aéreas. Ambos, portanto, contrariam suas tradições.
Pois vamos ao jogo. 
O time da casa vence o cara-ou-coro e opta por chutar a bola no primeiro tempo.

  • 1o Quarto
O jogo começou em ritmo alucinante. Os 49ers chutaram a bola e colocaram sua defesa para trabalhar. Não permitiram nenhum first down e obrigaram um punt dos Giants. Em rápida campanha, levaram a bola em apenas duas jogadas longas para o primeiro touchdown do jogo. 7-0.
No retorno, flumble no chute. Dessas coisas que não acontece nunca. Mas isso seria uma das tônicas do jogo: as falhas dos times especiais dos 49ers. Empolgados com a campanha iniciando-se a 35 jardas do adversário, os gigantes foram implacáveis e empataram rapidamente a partida em uma campanha de apenas 4 jogadas. Com apenas 3 minutos de jogo, estava 7-7.
O ataque dos 49ers voltou a campo no mesmo ritmo de sua primeira passagem. Jogando agora por terra, foi conseguindo jardas com consistência e, pressionando a defesa de New York, chegou a um novo touchdown ainda antes da metade do 1o quarto. No entanto, o time especial errou o extra point. 13-7.
Os Giants retomam a bola e fazem uma campanha mais sofrida. A defesa do time da casa começa a funcionar melhor. Várias conversões em 3 decida são feitas. Embora melhor, a defesa não conseguiu evitar o adversário de pontuar e virar o jogo. 13-14.
Os 49ers recebem a bola e inicial sua terceira campanha ofensiva. Chegaram a conquistar dois first downs, e então tiveram uma bola interceptada.
Giants responde de modo implacável e, em jogadas rápidas e ágeis, pontuam novamente. 13-21.
  • 2o Quarto
Os 5 touchdowns do primeiro quarto, dando a impressão de um placar fora do normal, tiveram seguimento no segundo quarto. 
Agora a defesa dos Giants começa a funcionar melhor. A quarta campanha dos californianos foi detida várias vezes. Houve até uma desesperada conversão em quarta descida. Já nas proximidades de marcar novamente, houve a necessidade de um field goal, que não resolveria a diferença no placar, mas poderia ser útil. E novamente o time especial dos 49ers falham.
O Giants inicial sua 4a campanha de modo similar à terceira. Fizeram bons avanços ganhando mais de 40 jardas em 6 jogadas, mas cometeram um fumble (ah, Razzle Dazzle, como eu te odeio...) e perderam a bola com isso.
San Francisco faz uma quinta campanha feroz e converte o touchdown. O time da casa, preocupado em usar o time especial no extra point, opta pelo two-point conversion. Boa desculpa para tentar empatar o jogo, o que conseguem. Aquele extra point perdido foi compensado. 21-21.
De volta à posse de bola, os Giants se aproveitam de duas falhas de marcação para ganhar 35 jardas em duas jogadas seguidas. Pressionada, a defesa da casa falha e permite o desempate. 21-28.
No entanto, os 49ers respondem em campanha bastante similar e empatam novamente. 28-28.
A campanha seguinte dos Giants é curta como a primeira. A defesa consegue parar as jogadas e cedem apenas um first down. O punt é bloqueado e a bola é retomada quase no meio do campo. Mas empolgação da torcida dura apenas duas jogadas, pois uma interceptação devolve o jogo para o time do leste.
Mais calmos e centrados, conseguem controlar a bola e, principalmente, o tempo de jogo. Marcam novamente, retomando a liderança no placar. 35-28.
Os 49ers têm pouco tempo para responder. Conseguem boas jogadas, mas o tempo é o problema. Usam os tempos para controlar o andamento do relógio, mas ainda assim não é suficiente para ganharem o campo todo. São forçados pelo relógio a tentar outro field goal, desta vez um tanto distante. Erram.
  • 3o Quarto
O terceiro quarto foi um jogo completamente diferente do que se vira até em então. As defesas, ambas, prevaleceram totalmente. No total, cada time teve 3 posses de bola e não foi possível sequer tentar um field goal
Descrito em poucas palavras, parece uma parte tediosa do jogo. Nada mais longe disso. Foram diversas campanhas de avanços curtos sendo contidos. Ambos os times foram várias vezes forçados a jogas terceiras decidas. Chegou a haver até uma pressão contra o ataque dos Giants, que correu risco de sofrer um safety
A bola terminou com o time da casa, próxima ao meio do campo, para o quarto decisivo.
  • 4o Quarto
Os ataques voltaram a funcionar no final do jogo. 
Os 49ers iniciaram com a posse de bola e retomaram o ritmo dos avanços. Ainda que sem grandes jogadas, os first downs voltaram a se suceder até que o empate foi conseguido. 35-35.
Em um lance crítico da partida, no entanto, os 49ers conseguiram bloquear o retorno do Giants. A torcida inflamou o time (não, não tem esse efeito no jogo) que soube controlar e gastar o tempo. Depois de algumas jogadas o placar era novamente do time da casa, o que não acontecia desde o meio do primeiro quarto. 42-35.
Os 49ers retornam a bola para os Giants que não conseguem avançar. A defesa do time da casa parece que vai garantir a vitória e força um punt. Só é preciso agora gastar o tempo. 
O técnico dos Giants usa com inteligência os pedidos de tempo para parar o relógio. O two-minute warnning também beneficia os visitantes e os 49ers são forçados a chutar faltando 1m45s. E pela terceira vez, erram o field goal
Em desespero, os Giants tentam a chamada hail mary. E conseguem! Avançam mais de 60 jardas em uma só jogada. O tempo está acabando, mas passes do tipo out-of-bounds economizam segundos preciosos. E a apenas 15s do final, conseguem o touchdown
As opções são chutar o extra point e empatar o jogo ou tentar um two-point conversion, que certamente determinaria um vencedor. Eles optam por arriscar e o incrível acontece: um erro de posicionamento acaba gerando uma falta: illegal formation
Fim de jogo: 42-41.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Superbowl XLVIII

Para minha tristeza parcial, o time do apito amigo, Seatle Seahawks, venceu ontem seu primeiro Superbowl. O massacre de 43-8 sobre o Denver Broncos foi tamanho que eles sequer precisaram da ajuda dos juízes desta vez: vi o jogo todo e o resultado foi bem limpo.
Fato é que os Broncos não entraram em campo. Não fizeram nada, não ofereceram a menor resistência. Curiosamente, Payton Manning, o quarterback de Denver, bateu ontem o recorde de passes completados em um Superbowl: 34. Sim, é uma marca ofensiva positiva, mas que mostra que números sozinhos não mostram o resultado do jogo.
Manning, por sinal, ganhou na véspera o prêmio de melhor jogador do ano pela 5a vez. Mas não consegue transformar suas temporadas em títulos: tem apenas um anel. A derrota não diminui o brilho de sua carreira, mas deixa claro que não está no mesmo patamar de John Montana ou Jerry Rice. Quem viu o Superbowl XXIV sabe do que eu estou falando.


O típico complexo de inferioridade do jornalismo brasileiro se fez presente. O time de Seatle tinha um jogador brasileiro, e 650% da atenção devida foi despendida ao tema. Breno Giacomeli é tão brasileiro que pediu para ser entrevistado em inglês ao final do jogo. Longe deste blogueiro criticar o jogador, critico apenas os que o criticam: deixem o cara em paz.
Por fim, uma estatística que me foi pedida ontem: nunca o Superbowl foi sequer disputado pelo time da casa. O mais perto disso foi o Superbowl XIX, vencido pelo 49ers em um estádio a 25 milhas (40km) de sua casa. Que este tabu se quebre em 2016.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Lá como cá

Amigo leitor, escrevo com muito sono. Fui dormir quase 3 da manhã, levando um certo tempo para abaixar a adrenalina do final do Super Bowl. Meu time perdeu e estou puto com isso. Mas destaco dois incidentes que chamaram muito a minha atenção:
1) No começo do 3o Quarto, simplesmente, faltou luz no estádio. O maior evento esportivo norte-americano, maior audiência televisiva ano após ano, maior receita publicitária do planeta parou 36 minutos por falta de energia elétrica.
2) Os 49ers foram absurdamente roubados no final do jogo, em uma jogada com clara interferência de recepção que daria mais quatro tentativas ao time vermelho e dourado para virar o jogo. Completa vergonha.
Não costuma ser assim. Ao contrário do futebol brasileiro, onde é natural, corriqueiro e do interesse da imprensa que certos times alvi-negros com estádio construção com dinheiro público sejam ajudados, os esportes profissionais norte-americanos não costumam ver incidentes assim. Mas a regra que impede o challange nos dois minutos finais de jogo merece revisão.