quinta-feira, 16 de julho de 2026

Paris 1 - Dia 5 - Versailles (interno)

Amigo leitor, não há como visitar Versailles em apenas um dia. Não tentem. Não finjam que tentaram. Separem dois dias, acreditem (ou não) na previsão do tempo e sejam felizes.

Versailles é monumental. Mesmo se separando em duas dias, variadas partes do palácio ficam fechadas à visitação, tamanho seria o custo de manutenção. Como de costume, foi uma geracional, mas podemos destacar a importância de Luís XIV. Prefiro dizer que Versailles tinha o tamanho necessário para acomodar o ego de Luís XIV.

O local continuou como palácio real até a Revolução Francesa, e teria sido palco da apócrifa frase "Eles que comam brioche". De todo modo, foi saqueado nessa oportunidade, e mesmo Napoleão Bonaparte, mais ocupado com assuntos externos do que internos, deu pouca (ou nenhuma atenção) ao local. 

Apenas em 1837, já sob o governo de Luís Felipe, Versailles ganha nova atenção e inicia-se a fase atual em que o local se torna um museu dedicado às glórias da França. E creiam: não foram poucas. 

Nesta primeira visita, optamos pela parte interna. Mas claro, tem-se que chegar nele antes. O trajeto era novamente possível com apenas uma mudança de linha, mas era mais sábio cortar caminho pela linha 6 verde, para pegarmos logo a linha RER-C o mais rápido possível. Uma vez nele, bastava achar o ramal correto, e muito bem identificado, que levava a Versailles, na estação Versailles Château. O trem, diga-se, é aquela coisa sólida e brutal, com dois andares e uma inércia que parece não ter fim ao entrar pela plataforma. Ele eventualmente para, se concordar em levar um pouco mais de passageiros. Uma vez na estação final, não é preciso fazer nada: apenas siga o fluxo e chega-se lá em breve caminhada.

A vista na entrada é essa:

foto: Versailles, visão externa

A entrada é lenta devido à muito necessária verificação de segurança. Atravessa-se um outro pátio, e entramos pelo lado direito. Daí vem uma sucessão de salas mais ou menos nesse nível:


fotos: Versailles, sei lá onde, interno.

Nosso ingresso, claro, não era qualquer coisa. Tínhamos acesso aos apartamentos privados do rei:

foto: Versailles, cômodos do rei

Para assimilar cada detalhe da decoração, cada peça, cada quadro exposto vai o dia todo sim. Os detalhes da decoração foram restaurados e são mantidos com muita técnica e dedicação. A arte já valeria o passeio por si só. A mobília não é original (o saque foi realmente severo durante a Revolução), mas conta com peças da época e réplicas de extrema qualidade.

Na prática, não tem onde comer. Há um café e um restaurante na parte externa. Mas são abusivamente caros. 

É apaixonante, obrigatório, necessário e muito cansativo do ponto de vista físico. E fica o aviso. Muita atenção se quiser fazer o passeio interno: uma vez que se passa aos jardins, o retorno não é permitido. Mas falaremos disso em outro episódio já que, claro, tinha que acontecer um incidente sobre isso....