Nem tão bem assim do ponto de vista físico, partimos para mais uma jornada de passeios. Desta vez, iríamos à obrigatória Ilha de Notredame, com três passeios previstos, e um rolê mais a sudoeste da cidade depois. Então, sem mais enrolação, vamos logo ao que interessa.
Saint Chapelle
Com dois pavimentos separados e sua coleção absurda de vitrais, Saint Chapelle pode passar despercebida aos olhos do viajante mal informado. Seria um grave erro negligenciar esse passeio.
Trata-se de uma igreja real, reservada por séculos para o uso exclusivo de monarcas. Encomendada por Luís IX, ficou pronta em apenas 7 anos, o que faria inveja até para o metrô de São Paulo. Para a consagração, rei comprou nada menos que a Coroa de Cristo junto ao Imperador Baduíno II, de Constantinopla. Como se vê, quando um malando e um otário se encontram, sai negócio...
A nave é muito alta, complicando bastante uma boa visão da metade superior dos vitrais. Mas fiz meu melhor:
Conciegerie
Sendo totalmente honesto, este foi um passeio realmente dispensável.
A Conciegerie foi um prédio com diversos usos em sua história. Foi a prisão onde ficou Maria Antonieta. Foi parte de palácio real, onde se realizaram festas história e assinados tratados importantes. Foi palácio administrativo. Foi palácio de justiça.
Hoje, porém, restam apenas as paredes. Sequer boas réplicas da mobília estão em exibição. A visita é guiada por um tablet com capacidades de realidade aumentada, que refaz na tela uma reprodução do ambiente em suas variadas fases. No fim, é o equivalente a pouco mais que um documentário de TV.
Almoço
O almoço foi um lanche rápido em um estabelecimento de um italiano divertidíssimo. Um panino enganou bem fome e seguimos.
Notre-dame de Paris
O incêndio que assolou a Catedral de Notredame em 2019 deixou marcar profundas. O olhar distraído pode achar que ela foi reaberta e apenas aplaudir o esforço de recuperação. Não me entendam mal: foi um trabalho admirável, e pode enganar os olhos menos atentos. E eu não critico isso, em absoluto.
Mas deixou marcas sim. Os afrescos não foram restaurados ainda. Muitos quadros se perderam. Esculturas. Detalhes. Para mim, acabou sendo um passeio triste. Ainda assim, consegui algumas ótimas fotos, dentro do possível.
Os tesouros, pelo menos ficaram bem preservados. De algum modo, não foram atingidos pelo incêndio. Ainda assim, observa-se que a restauração real está em andamento e não parece ter prazo para ser concluída. Desejo-lhes sorte.
Les Catacombs
Originalmente, eram uma mina de pedras para construção, mas no final do século XVIII, a área foi reorganizada como um gigantesco ossuário. Algo entre 5 e 7 milhões de ossadas foram lenta e trabalhosamente movidas para lá. Em 1850, as primeiras visitas foram autorizadas, inicialmente apenas para familiares. Logo o local atraiu a atenção do público em geral, e começaram as visitas mais turísticas. E lá fomos.
Não sem perrengue. O maps indicou um caminho, simplesmente, errado. Algumas estações de metrô estavam fechadas sem muita explicação. E com isso acabamos usando um Uber. Que é exatamente igual ao daqui, dispensando qualquer descrição.
O local fica muito abaixo da superfície, com uma longa escada para descer antes mesmo do passeio começar. A caminhada é longa e a pesada mochila que eu portava não ajudou nada. Aos poucos, entra-se no clima sombrio e interessante do local.
Jantar
A uma certa caminhada, encontramos o divino La Baraka. Com forte influência marroquina, a ideia por si só já era interessante. O atendimento conseguiu tornar tudo ainda melhor. Comida saborosíssima, muito bem servida, sempre com ótima orientação dos garçons, que chegaram a trocar nossas sobremesas por opções que eles entendiam ser melhores (e mais baratas !) do que nossas escolhas.
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