quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Paris 1 - considerações positivas

Pauso novamente o relato cronológico para tecer agora os pontos positivos que vi em Paris. Vamos a eles:

  • metrô

Eu já tinha visitado outras cidades com metrô: Nova Iorque, Londres, Lisboa, Porto, Munique, Glasgow, Cairo, Los Angeles... Em todas elas, eu vi qualidades, mas sempre voltei com uma sensação de que São Paulo tinha um serviço melhor no geral, pecando (gravemente) apenas pelo seu alcance. Paris venceu. 

O metrô de Paris tem aproximadamente 250 estações em uma área de 105km2. São Paulo tem 134 estações em 1521km2. Enquanto Paris tem 2,38 estações por km2, São Paulo tem 0,09. Não vou (aqui) politizar o assunto, mas a diferença é realmente brutal. Com uma única exceção, fizemos todos os passeios indo de trilhos. Experimentamos o ônibus, o RER, o tram (um tipo de bonde metido a besta) e pegamos um funicular até. Tudo impecável. 

O tal bilhete Navigo (90 euros para o mês) funcionou todas as vezes, e com incrível velocidade de reação: não é necessário parar ou mesmo diminuir a caminhada para passar os bloqueios. 

As estações variam muito de estilo arquitetônico, mas são limpas e bem sinalizadas. Algumas delas podem ser meio labirínticas, mas eu achei isso parte do charme. 

  • respeito ao espaço
Paris é uma cidade altamente turística, e alvo de intenso fluxo migratório. Tem muita gente diferente lá. Mas a cultura de respeito ao espaço do outro prevalece. As pessoas ficam genuinamente incomodadas de esbarrar em você, mesmo quando acidentalmente ou necessário até (para sair do vagão do metrô, por exemplo). Esse respeito contagia rápido, e deixa saudades na volta.
  • qualidade das atrações
Sim, Paris é sim tudo isso. A fama de cada passeio foi plenamente justificada, com poucas exceções descritas. 
  • culinária / gastronomia

Quase todos os restaurantes que fomos se mostraram uma experiência marcante. Atendimento, quantidade e qualidade da comida, as combinações de coisas... tudo. E mesmo quando era óbvio que éramos turistas com mínima chance de voltar a cada estabelecimento, o tratamento seguia o mesmo.

Outro ponto positivo é simplicidade dos preços: se um prato custa 23 euros, e você pediu dois dele, a conta será 46. Números inteiros, e sem a necessidade de uma calculadora científica ou uma planilha de excel para calcular o valor final.

  • atenciosidade
Em todos os lugares, em todas as situações e com (quase) todas as pessoas com quem interagimos, a atenciosidade era regra. Sim, todas as conversa começaram com o respectivo "boujour" / "bonsoir", que é um requisito para se iniciar uma conversa civilizada. Daí para frente, Luciana se virava com o francês rudimentar dela, e eu já mandava um inglês mediano. Não tivemos problema algum de comunicação, e as pessoas pareciam genuinamente felizes em nos ajudar. 
  • segurança
A parte do fato de ser uma cidade grande, e ter seus problemas pertinentes, achamos Paris muito segura. Em momento algum veio aquela sensação de "não devíamos estar aqui", entende?

Paris 1 - Dia 14 - Sacrecuer, Montremarte e Galerie Dali

Meu primeiro aniversário comemorado fora do Brasil. Mas estou me adiantando...

O dia começa com um rolê um pouco mais longo, e não menos eficiente, pelo metrô. O trajeto de sempre pela linha 8 desta vez seguia pela linha 4, rumo norte, até a estação Châteu Rouge. A partir disso, amigo leitor, só tem duas direções: para cima e para baixo.

Basilique du Sacré-Couer

Depois de alguma atrapalhação com o Google Maps que não conhece muito bem ali, conseguimos chegar à base do morro. Pegamos o funicular (e não consigo entender o que aconteceu com as fotos dele, pois sobrou apenas uma) 

e começamos pela Basílica...


e depois sua vista superior.

Com tantas construções centenárias ou até milenares, a Basílica de Sacré-Couer teve sua inauguração em 1914, há pouco mais de um século portanto. Tem 84m de altura, e o interior impressiona pela opulência e pela claridade. É descrita como um interpretação livre do estilo romano-bizantino. Bem livre, do meu ponto de vista.

A visitação é gratuita, bastando sobreviver à fila (que era grande, mas com progressão nítida). O topo tem uma taxa que custa menos que os degraus. Lá em cima venta pacas, de todo lado, e é sensacional de ver. Imperdível.

Ainda do lado de fora, houve um espetáculo à parte. Como as grades viraram um ponto alternativo para se prender cadeados de casais, logo surgiram vendedores de cadeados. E já vem o outro com camisetas, botons, canecas... E o modelo era o mesmo dos camelôs brasileiros em qualquer cidade grande: um grande pano no chão, com os produtos ali apresentados. E se tem camelô, tem sonegação. Se tem sonegação pode ter polícia. E foi assim que testemunhamos um rapa francês. Sim, também é a mesma correria que na Rua 25 de Março. 

Montremartre

Montremartre é o bairro no entorno da basílica. Ele ocupa a totalidade de uma colina com atrações turisco-culturais. São galerias, bistrôs, artistas de rua, lojas de guloseimas e lojas de souvenier alternando-se sem muito critério. 

O clima é leve, divertido e convidativo. A chuva atrapalhou pacas a experiência, mas acho que pudemos ter uma boa impressão do local.

Galerie Dali

Salvador Dali é meu artista preferido. Ponto. Eu já sabia disso há alguns anos e a oportunidade de visitar uma galeria oficial dele não poderia ser deixada de lado.

O local é pequeno, aconchegante e apinhado de originais e réplicas autorizadas dele.


Em uma galeria, ao contrário de um museu, existe a possibilidade de se comprar peças. Na verdade, é para isso que a galeria existe. Foi lá que eu descobri que existe um mercado de produção de réplicas autorizadas numeradas de algumas obras, em especial as esculturas. Deste modo, pode-se ter uma réplica de um Dali na sala de casa. Eu cocei a mão, mas não tive a cara de pau necessária para perguntar valores. Fiquei com medo de poder pagar.

Walking Tour

Para baixo, todo santo ajuda, diz o ditado. Descemos o morro então, observando a arquitetura e paisagem urbana. Fomos batendo papo, curtindo o momento e andando (não tão) a tôa na direção da Gare du Nord.

Nela pude admirar, pela primeira vez, um EuroStar, o trem que liga a Europa ao Reino Unido (sim... se eles não querem fazer parte da Comunidade Européia, então não fazem parte da Europa e eu vou continuar falando assim). 

Jantar

Dado que era meu aniversário, eu tinha o poder absoluto de escolha do local. Escolhi o melhor tipo de comida na minha opinião (hamburguer) no mais efetivo tipo de estabelecimento (rede) no melhor exemplo disponível que não há no Brasil: Five Guys. 

Luciana se desesperou quando eu anunciei isso meses antes, mas mantive-me firme. E decididamente, valeu a escolha.