quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Paris 1 - Dia 15 - Cimetire Pere-Lachaise e Hotel des Invalides

Amigo leitor, a viagem vai chegando ao fim e, com ela, a energia. Estamos caminhando e agindo mais lentos e menos eficientes. Viajar é delicioso, mas cobra um preço.

O trajeto não oferecia desafios: linha 8 seguida da linha 3, até a estação Pere-Lachaise.

Cimetière Pere-Lachaise

O primeiro passeio é um cemitério. Basicamente, o local tem dois tipos independentes de atrações. De um lado, a arte tumular. De outro, uma lista quase interminável de celebridades foi sepultada ali.

Antes um pouco de história. Paris é uma cidade milenar, o que eventualmente lhe proporciona problemas milenares. Em dado ponto, começaram a faltar vagas em cemitérios. Pere-Lachaise já era um cemitério de longa história, mas nenhuma admiração por ficar em uma área distante e pobre no final do século XVIII. A solução foi criar o hype: ossadas de famosos há muito falecidos foram sistematicamente transferidas para lá. Foi suficiente.

A arte tumular tem muitas atrações. Construções que fazem inveja a 98% das casas efetivamente habitadas permeiam o local. 


foto: Cimetière Pere-Lachaise, Paris, 2026

O segundo atrativo simplesmente não me comove. Sim, pessoas incríveis (Balzac, Piaf, Proust, Delacroix, Champollion (x2), Chopin, Morrison, Melies..) estão sepultadas ali. Outras não tão incríveis assim, também (a ponto de eu optar por não mencionar seus nomes).

Mas cultuar os mortos não é meu ponto de vista. Se eu quiser honra Edit Piaf, por exemplo, eu puxo uma playlist dela em algum app e ouço. Se eu quiser honrar Georges Melies, vejo um filme dele. Não critico quem cultua, mas eu não sou assim.

Hotel Des Invalides

O segundo passeio se mostrou uma correria danada. O Hotel Des Invalides é um grande museu militar, cobrindo a vasta história francesa sobre o tema. 

A quantidade de armaduras, armas, uniformes, equipamentos e até mesmo de sala é impraticável de contar. A tarde que reservamos para isso se mostrou absolutamente insuficiente, demandando outra visita futura. 


foto: Hotel des Invalides, Paris, 2026

Fica complicado até mesmo explicar o que tinha. Cada sala tratava de uma época específica, em alguns casos uma guerra específica. O audio-guide era infinito, também. 

Em suma, um passeião !

Jantar

Até havia um plano. Na Champs-Elysees, havíamos passado na porta de um restaurante algumas vezes, e a foto de um bifão já tinha nos deixado com fome antes. Então iríamos caminhar até lá numa boa e jantar. 

Esse plano foi atropelado pela realidade: o caminho cruzava o Sena, e ainda não tínhamos batido perna pela sua margem. E era fácil achar locais para parar e ficar. 

Depois de alguma busca, topamos com um barco-restaurante atracado. O cardápio parecia promissor e dentro nas nossas possibilidades financeiras. O único empecilho é que outro barco estava atracado ao lado dele. A vista era, portanto, desse outro barco. Boring...

Porém, observei um movimento nele. Depois de alguns segundos, entendemos que esse outro barco era móvel, e não tardaria a sair. Entramos no primeiro, pegamos a primeira mesa da noite na lateral externa e, em menos de 3min, o barco externo partiu com seus felizes ocupantes que iam comer pior que nós, pagando o triplo. 

Por lá ficamos tranquilamente e jantamos muito bem.