Voltar era necessário, não desejado.
O plano era tranquilo, pois o vôo deveria decolar pouco depois de meio-dia. Era suave tomar café da manhã, pegar metrô e trem, e chegar lá por volta das 9h. Não foi exatamente isso que aconteceu.
Não foi nada disso que aconteceu.
Ok, teve o café, com as sobras bem calculadas ainda no quarto. Notei que eu estava cansado, mas Luciana estava muito pior. A chuva e frio realmente castigaram ela. Então, mover as quatro malas por corredores de estações por vezes pouco amigáveis seria complicado.
Celular na mão, Uber chamado. Deveria ser um treco simples e objetivo. Era uma corrida de 55 euros, então me pareceu uma boa para o motorista também. Ledo engano: nenhum carro aceitava ir para o Aeroporto Charle de Gaulle em uma manhã de sexta-feira.
Ainda com a opção do transporte público a mão, pedimos ajuda na recepção do hotel. Olhares de reprovação acompanharam a explicação de que esse tipo de corrida tem que ser pedida antes, pois poucos motoristas aceitam. Fui ficando com vontade de não pagar nada para niguém e ir de metrô mesmo. Mas um motorista aceitou e nos levou. Afinal, nenhuma viagem a Paris é completa sem pegar um taxi.
O trânsito não estava nenhuma tragédia e o motorista entendeu que nosso francês era capenga. Apenas perguntou qual terminal iríamos e nos deixou lá antes das 9h da manhã. Foi nosso único pagamento em dinheiro na viagem toda.
No aeroporto, rapidamente despachamos as bagagens com fila inexistente. Passeamos um pouco, compramos uns lanches (muito bons por sinal) e somos para a fila de segurança. E este relato só existe por causa dela.
A fila da segurança estava uma completa tragédia. Dividida em duas partes sem nenhum cirtério, eram várias centenas de pessoas em cada uma, avançando em lentidão absolutamente vergonhosa. Chegávamos a ficar vários minutos sem qualquer avanço. A fila ia aumentando com o passar do tempo.
Entendemos então que havia alguma treta séria na segurança do aeroporto: eles não estavam dando conta do volume de passageiros para uma manhã de sexta-feira perfeitamente comum. Mas isso não era isenção para nosso atraso. Não sabíamos se a LATAM ia nos deixar para trás por um erro que não era nosso.
10h. 10h45. 11h30. A fila, então, começa a andar bem mais rápido. É como se alguém tivesse acordado o time todo do aeroporto com um tapa na orelha. Passamos a verificação de passagem no horário previsto para estarmos na sala de embarque.
A esta altura, porém, eu estava um pouco mais tranquilo. Não por nada, mas havia algumas dezenas de brasileiros atrás de nós na fila. Se a LATAM me deixasse para trás, essa turma toda também ficaria.
Um andar abaixo, outra fila já dividia os passageiros em 12 detectores de metal. Andava melhor, mas o tempo ainda estava passando. Os passageiros estavam espalhados, nenhum critério havia. Ouvíamos conversas de outros passageiros para outros destinos, todos atrasados e estressados.
No detector de metais mais uma treta. Pediram para Luciana retirar seus brincos de prata e eles quase sumiram. Na verdade, eles sumiram sim, mas o escândalo que ela começou a armar fez os brincos magicamente reaparecerem momentos depois. Tenso também.
Sem correr, mas também sem poder parar para nada, fomos direto para nosso ponto de embarque. Era tanta preocupação que eu simplesmente não mantive qualquer registro de como é o lugar, ou se era longe ou perto. Não paramos em nenhuma loja, freeshop... nada.
Achamos nosso portão, embarcamos direto. Posso dizer que fomos mais ou menos o ponto central do embarque. Muita gente já tinha embarcado, mas um tanto similar entrou depois de nós. No total, atraso de quase 3h, e vamos deixar muito claro que a LATAM não tinha qualquer culpa nisso.
O voo foi tranquilo, pouca turbulência e nenhuma criança chorando.
No freeshop de Guarulhos o bom atendimento que esperávamos foi encontrado com facilidade. Nossas compras reservadas na ida estavam guardinhas, sem nenhuma treta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário