quinta-feira, 10 de julho de 2014

Copa 61: Alemanha 7 x 1 Brasil

Nunca tive tanta dificuldade para começar um texto neste blog. É tanta coisa ao mesmo tempo, um turbilhão de informações, análises, piadas, teses e opiniões que fica difícil filtrar. Para não repetir nada disso, vou partir para um relato pessoal.
Segunda-feira, dia 7, eu combinei com a namorada de cortar meu cabelo no sábado dia 12. Meu cabelereiro trabalha das 14h às 22h. Embora seja possível ir durante a semana, o sábado parecia mais promissor. Mas antes de marcar, ocorreu-me que poderia haver jogo da seleção no sábado caso perdêssemos da Alemanha, e daí o estúdio desmarcaria ou, pior, apenas daria o furo. Achei melhor marcar para dia 9, quarta-feira e feriado paulista, para evitar problemas. Era o primeiro indício.

(parei o texto para almoçar e, no meio do almoço chega a confirmação de que consegui ingresso para a final)

Na própria 3a, passei no mercado e comprei salgados para as visitas. "Vai Brasil", disse para cada atendente que encontrava, mas de algum modo saía sem convicção alguma. Era mais uma tentativa de auto-afirmação do que uma declaração de apoio. Se eu dissesse "Vai Brasil" bastantes vezes, eu seria capaz de torcer. Funcionou.
Em casa, consegui até dormir antes do jogo. Acordei 15h40, sem muito barulho na rua. Nos jogos anteriores, era um inferno de fogos, cornetas e vuvuzelas desde 3 horas antes da partida. Claramente, meus inúmeros vizinhos estavam mais tensos no que ansiosos. Era outro indício.

(PUTAQUEOPARIU, CARALHO, CONSEGUI !!!)

Amigos chegam, trazem comes e bebes. Arrumamos a mesa. Sai a escalação e todos torcem o nariz. Apenas dois volantes era vulnerável demais. A que ponto chegamos: estávamos reclamando de falta de volantes no time. Era o terceiro indício. Mas pelo menos ele mantivera o Maicon no time. 
O time entra em campo unido. Canta o hino segurando a camisa do Neymar. A grande esperança do time era jogar aguerrido: em vez de jogar para Neymar, jogaria por Neymar. O grande medo era o overcompensantion: excesso de vontade faz coisas terríveis. 

(meu, nem sei como diabos vou pra lá, mas vou)

Começa o jogo.
Nos primeiros 10 minutos, até que tivemos alguma posse de bola. Nenhuma chance criada, mas havia mais volume de jogo sim. E, num cruzamento da direita, David Luiz e Dante vão no mesmo atacante, deixando Müller sozinho para abrir o placar. Tivesse sido um zagueiro alemão, menos mal. Mas Müller é atacante, vem em boa fase, e fazia seu 10o gol em Copas do Mundo, 5o nesta edição: não era exatamente o elemento surpresa, né ?
O time sentiu o gol, como todo e qualquer time brasileiro desde o fraldinha até o showbol. Os alemães equilibraram as ações e puderam atacar em seguida. Aos 23, a desgraça se fez completa: Klose fazia o segundo gol, que dava margem de folga, e ainda quebrava o recorde de Ronaldo como maior artilheiro da história das Copas. 

(ah, foda-se o 7x1! Eu vou ver uma final de Copa !)

O time desmontou completamente. Todo mundo viu o tsunami que se seguiu com dois gols de Kroos e um de Khedira em mais 5 minutos. Os volantes deles começaram a fazer linha de passe dentro da nossa área. Ninguém era capaz de cortar os passes. Ninguém marcava. Ninguém sequer teve a ideia de se jogar no chão simulando contusão para parar o o jogo. Felipão estava sentado no banco, catatônico.
A situação foi de um amadorismo emocional como eu nunca tinha visto na vida. Nocaute moral. Falta de reação. Apagão. Posso passar anos escrevendo sobre aqueles 6 minutos e jamais terminarei o texto.
Foi quando começaram as piadas. Em avalanche similar ao ataque alemão, começaram as aparecer as piadas nas redes sociais. Inútil repeti-las aqui, mas foi marcante. 

(PUTAQUEOPARIU, CARALHO, CONSEGUI !!!)

Na volta do internvalo, duas substituições, coisa que o Felipão não faz nunca. Certamente, os caras desabaram no vestiário. Compreensível.
No segundo tempo, os alemães claramente tiraram o pé. Havia um medo de algum brasileiro perder a cabeça e zuñigar algum alemão. Não o foi o caso. Com exceção de um momento em que houve uma entrada mais dura, nada de mais ocorreu. Eles fizeram mais dois gols, com o desengonçado Schürlle (aquele mesmo incapaz de acertar o gol contra a França), Oscar, o mais lutador em campo, fez o dele no final. 
Passamos a noite por ali mesmo, eu, Luciana e amigos. Jogamos tabuleiro, pedimos pizza, falamos da vida. Ninguém morreu. Ninguém chorou. Jogamos tão mal, que ninguém ficou bravo com os alemães. 

Vergonha. 
Vexame.
História.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Ufanistas

Em textos anteriores, critiquei os que são incapazes de notar a existência de um grande evento e os abutres reclamões de plantão. Hoje é a vez dos ufanistas poliana. 
Sim, teve Copa. Sim, teve problemas também.
Saindo do âmbito esportivo, que compete à FIFA e comentarei apenas na próxima semana, falemos dos aspectos estruturais e organizacionais da Copa. 
Antes de tudo, é fato sabido, amplamente comentado e longe de qualquer dúvida que houve um grave desserviço ao se optar por 12 sedes para a Copa do Mundo. Em uma conta simples, isso dá 5,3 jogos por sede, índice baixíssimo. Uma Copa com 10 sedes daria 6,4 e com 8, minha opção, daria 8 jogos por sede. Mais que isso, a escolha de 8 sedes proporcionaria exatos um jogo de oitavas de final por sede, e os jogos subsequentes (4 quartas, 2 semis e 2 decisões) também somam 8 e podem ser distribuídos sem problemas. A opção por 12 sedes serviu apenas a interesses escusos, para que se construíssem mais arenas e mais obras de mobilidade e apoio. Fingir que 12 sedes foi uma boa decisão é patético, ou petético, como gosto de dizer.
Ainda no aspecto das sedes, depois da errônea decisão de usar 12 sedes, errou-se novamente ao escolher algumas delas. Se São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre eram decisões incrivelmente óbvias, e Curitiba, Salvador, Fortaleza e Recife eram as opções naturais seguintes, Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal foram erros. Com todo o repeito às citadas cidades, seus times locais não fazem por merecer arenas de centenas de milhões de reais, simples assim. Seria mais correto escolher Belém, Goiânia, Florianópolis e Campinas se o assunto é futebol. Ponto.
Não é preciso mais de uma linha para o problema seguinte: superfaturamento. 
Depois veio a montagem da tabela, que escapa à compreensão do mais genial especialista em logística. Se o Brasil perder da Alemanha hoje, terá feito 7 jogos da Copa sem passar pelo Rio, sua casa oficial. Os jogos no Nordeste às 13h foram outra aberração inenarrável e indefensável. O deslocamento das seleções e torcedores, mal inerente ao tamanho do país, não obedecem a qualquer critério que tente equilibrar as distâncias. Tudo errado, portanto.
As sedes foram, então, encarregadas de definir suas obras necessárias ao evento. E tudo transcorreu na mais típica brasilidade: superfaturamentos, erros, atrasos, acidentes, mortes, tragédias. Algumas não foram terminadas, outras sequer iniciadas. Se eram tão importantes, por que não foram concluídas? Se não eram importantes, por que foram inclusas na matriz de responsabilidades?
No setor privado também não faltam críticas. Os setores aéreo e hoteleiro preferiram apenas faturar com a alta demanda em vez de criar um ambiente melhor de negócios. O resultado foi taxas de ocupação baixa nos hotéis das cidades sede e aviões vazios fora das datas dos jogos. A demanda por férias foi adiada e atrações turísticas de todo o país estão às moscas. 
A receptividade do brasileiro aos estrangeiros é fato, mas não como querem os ufanistas. É mais uma catarse coletiva, de um povo que tem consciência, mas não fama, de ser "cada um na sua" e agora se esforça para mudar de fora para dentro. Menos mal, é um processo de melhoria sim, mas não achemos que já éramos os mais receptivos do mundo. Nunca fomos. Se você acha que estou mentindo ou exagerando, experimente passar mal na rua e veja quanto tempo leva até alguém de fato lhe oferecer ajuda.
Termino nas pessoas. Onde estão os trabalhadores falando inglês ou espanhol? Não se falou tanto que grandes eventos fariam bombar os cursos de idiomas? Pois não fez. Os tão criticados brasileiros que não sabem se comunicar em Orlando e Miami são da mesma estirpe e renda maior que os brasileiros atendentes de hotel, taxistas, garçons e tantas outras profissões que se viram na base do humor, gesticulação e boa vontade para entender os que os estrangeiros falam.
A Copa passa e não deixa legados pertinentes. Deixa estádios novos, alguns onde não eram necessários, obras inacabadas e um reforço na imagem de que somos simpáticos. Só.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Copa 60: Holanda 0 (4) x 0 (3) Costa Rica

Talvez o jogo mais emocionante da Copa terminou em 0x0. Terminou nos penaltis o conto-de-fadas costarriquenho, que sai da Copa de cabeça erguida, como quem teve até chaces reais de chegar a uma semifinal.
No entanto, teria sido injusto. Os holandeses foram melhor em campo por grande parte do tempo de jogo. Criaram mais, não apenas tiveram posse de bola, mas chances mesmo. Foram várias defesas decisivas desse incrível goleiro Navas, duas bolas na trave e uma salvada de zagueiro em cima da linha.



Sem estar torcendo por nenhum dos lados, em um dado ponto da prorrogação comecei a achar que a zebra venceria novamente. É quase uma tradição no futebol quando um time cria muito mais chances que outro, mas a decisão chega aos penaltis, esse time perde. 
Mas Louis Van Gaal, técnico holandês falastrão, polêmico e genial, tinha uma inédita carta na manga. Aos 15min40 do segundo tempo da prorrogação, ele substituiu o goleiro titular Cillessen pelo 3o reserva, Krul. Sua missão era clara e simples: pegar penaltis e vencer a disputa.


Bem.. não que o titular não tivesse a mesma missão. Mas aparentemente, o monstro de Hauge era especialista no assunto e lá foi para a disputa. No banco de reservas, uma crise se instalava imediatamente: o Cillenssen chutou todas as garrafas de água que achou pelo caminho. Estava irritadíssimo. Pudera: a disputa de penaltis é o momento de consagração do goleiro, a chance de virar herói nacional.
A estratégia deu certo. Krul pegou dois penaltis, sempre pulou na direção certa, venceu a parada e criou um novo patamar para esse tipo de cenário. Krul não adivinha o canto que o batedor escolheu: ele espera o chute e salta depois. Alto, forte e com braços longos, ele deixa o gol menor. Antes da última cobrança, intimidou o adversário ao ficar dentro do gol brincando com a parte de cima rede sem saltar para isso. 2m44 de altura, apenas com altura e envergadura. Acho perfeitamente válido e honesto o que ele fez. 


Já sugiram versões distintas sobre a reação de Cillissen. Já li que ele estava genuinamente irritado, bem como que foi tudo encenação. Mas o fato é que esse tipo de ação é algo antigo e conhecido em outro futebol, o americano. Lá cada jogador tem sua função bem definida. O kicker entra em campo para chutar, que significa apenas os punts e os field goals. Alguns times chegam a separar essas duas funções. E têm pelo menos 2 reservas para cada. Mesmo no futebol, utiliza-se a figura do cobrador oficial de penaltis, na medida em que a regra não obriga que ele seja cobrado pelo jogador que sofreu a falta. Não acho que o lance deveria ter causado tanta surpresa. 
Mas causou, e é mais uma das histórias desta Copa. Neste momento, estou torcendo por um jogo entre Holanda e Alemanha: quero ver um confronto entre Neuer e Krul. Prefiro que seja sábado, claro...



Copa 59: Argentina 1 x 0 Bélgica

Verdade seja dita, essa Bélgica é uma fraude. Fez cinco jogos fracos em toda a Copa, não criou nada de especial, não foi sombra do time alçado à condição de cabeça de chave em uma Copa do Mundo. 
Do outro lado do campo, os hermanos também não estão convencendo. Messi fez uma partida fraca, o que é incomum. Por isso, e pelo gol ter saído cedo, os argentinos fizeram uma partida fraca, com apenas Di Maria mantendo o ritmo da partida anterior. Higuain, que vinha jogando mal e sendo sacado do time, fez o gol do jogo, em uma bola que sobrou no pé dele na entrada da área.



E logo ele sofre agora uma contusão muscular. Pareceu sério a princípio, pois até se falou em "fora da Copa". Agora, as informações o colocam fora da semifinal, com chances de jogar no final de semana. Não é uma perda comparável a Neymar, mas preocupa o time azul e branco, sem dúvida.
Mas com tudo isso, eles chegam a semifinal depois de 24 anos. Algum mérito devem ter.

sábado, 5 de julho de 2014

Copa 58: Brasil 2 x 1 Colômbia

Amigo leitor, arrependo-me de ter atrasado este texto. Estavam vários amigos em casa, e depois da partida batemos papo e jogamos tabuleiro. Não me arrependo da decisão, mas certamente isso afetou o conteúdo texto a seguir.
Eu deveria exaltar a melhor partida da seleção até agora na Copa. Neymar apagado deu lugar a um time com variações de jogada, com meio campo, com criação. Os lançamentos diretos não deixaram de existir, mas não eram mais a única opção. Que bom ! Fred estava se movimentando muito e, embora não tenha tido nenhuma chance de gol, foi essencial na mudança de perfil de jogo. Hulk tornou a jogar bem. Outras boas notícias.
Infelizmente, ainda dependemos dos zagueiros para fazer os gols. Cada um fez o seu, sendo o segundo um golaço de falta. Isso é ruim. Mas vencemos. 
No entanto, a terrível entrada sofrida por Neymar é o assunto. Somente algumas horas depois veio a confirmação da contusão. É séria, é importante, é dolorida. Não coloca em risco seus movimentos, é relativamente fácil de curar e não deixará sequelas físicas. Apenas mentais: ele está fora da Copa, que deveria ser sua Copa. 
A entrada de Zuñiga foi de maldade ímpar, mesmo para os padrões às vezes violentos do futebol. Ele pode falar o que quiser, mas a imagem mostra claramente ele olhando para Neymar quando foi em sua direção. O joelho levantado também não deixa dúvidas. 
Na lei brasileira, isso é lesão corporal de natureza grave. Segue link na wikipedia.  O mesmo artigo menciona pena de detenção de 1 a 5 anos. Não peço mais do que isso. Na esfera futebolística, que seja banido do futebol. O esporte certamente estará melhor sem ele, e servirá de exemplo para outros.
Não prego ofensas ou agressões a ele. Não apoio as ofensas racista que, ouvi, lhe foram feitas. Merece virar um pária, se já não for um a esta altura. Mas também é um ser humano e deve ser tratado como tal, ainda que criminoso.
Para a semifinal, o clima da seleção será outro. Em vez de jogar para Neymar, jogará por Neymar. Um time com esse tipo de motivação pode superar obstáculos épicos. Não espero menos do que isso para 3a-feira.

Copa 57: Alemanha 1 x 0 França

Não foi um grande jogo.
Se não faltou criação de jogadas, boas chances de gol, grande defesas de Neuer, o novo Muro de Berlim, faltou uma boa partida de Benzema, organização tática, coordenação e um pingo, meio pingo que fosse, de pontaria ao tal Schürrle.
Como os alemães chegaram rapidamente ao gol com Hummels aos 12 minutos, o tom da partida mudou para uma pressão fortíssima dos franceses em busca de um empate que nunca veio. Nos contra ataques, os alemães também tentavam definir a partida sem sucesso. Klose, na tentativa de se tornar o maior artilheiro da história das Copa, jogou mal e não conseguir se livrar da marcação galesa. Terá nova chance na semifinal.
Os alemães chegam a sua 13a semifinal de Copa em 18 participações. Brinca com eles, brinca...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

10 Anos

Há 10 anos era um domingo. Não fazia frio. Na verdade, estava um belo sol.
Depois de dormir mal exatamente todos os dias daquela semana, a noite de sono de sábado para domingo foi surpreendentemente boa. Meu relógio tocaria às 8h45, mas acordei 8h20, plenamente acordado e descansado. Olhei para o teto e disse a mim mesmo:
- É hoje.
Tomei meu clássico copo de toddy vendo a corrida de Fórmula 1. GP da França, na babaca pista de Magny-Cours. O tal Alonso era bom, mas eu torcia pro Schumacher, sabidamente o melhor piloto de todos os tempos. Schummi largou em segundo e venceu. Era um bom presságio.
Por volta de 11h30, tratei de fazer meu macarrão ao sugo. Não é algo que eu faça sempre, ao contrário. Mas era um plano específico para aquele dia. Queria almoçar somente carboidratos, como um maratonista. Eu pretendia almoçar pontualmente ao meio dia, mas o danado do macarrão ficou pronto antes. Comi com calma, controlando o que fazia pois estava ansioso. Muito ansioso.
Às 12h20 já tinha almoçado, lavado a louça e conferido a mochila 3 vezes. Decidi ir mais cedo.
O horário marcado era 14h, e eu deveria levar 30 a 40 minutos para chegar. Fui dirigindo como uma velhinha. A av. Paulista ficava interditada aos domingos, uma das várias ideias cretinas da ex-prefeita Martaxa Suplicy. Fui pela avenida Brasil, mas antes do parque Ibirapuera subi para a Domingos de Morais. Não era o caminho ideal, mas era por sobre o metrô: eu queria ter o metrô por perto como plano B, caso algo acontecesse com o carro. Não foi preciso.
Cheguei à Saúde às 13h10, antes do esperado. Parei o carro e entrei na academia. Lá estavam todos, eu fui o último a chegar. Pedro, Gabriel, Eros, Eris, Paulo, Fausto e eu faríamos o exame para faixa preta dentro de 45 minutos.
Cumprimentei a todos, trocamos sorrisos, mas o ar estava denso. Dava para sentir a tensão e a energia. Cada um de nós treinara 5 anos para chegar àquele momento. Cada um de nós estava no pico de preparo físico, técnico e mental. Cada um de nós poderia destruir um tanque de guerra naquele dia. Ninguém sabia quantas horas duraria o exame, nem exatamente o que aconteceria nele. Não saber é parte do exame. 
O Mestre Gabriel passou por nós sorridente e nos cumprimentou. Fez algum comentário engraçado e rimos um pouco. A tensão se afastou, mas retornou, como alguém assoprando uma teia de aranha. O Mestre então deixou o vestiário e ficamos os 7 ali.
Nos abraçamos como um time prestes a entrar em campo. Cada um falou um pouco, duas ou três frases de auto-incentivo. O exame é individual, mas aquela história no uniria para sempre. Juntamos as mãos e soltamos um "shaolin" nem baixo nem gritado. 
E fomos para a sala de treino, onde cada um e todos nós teríamos uma tarde absolutamente brilhante. 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Teve Copa

Ao contrário do rashtag #nãovaiterCopa, está mais do que evidente que está tendo, e em alguns dias diremos "teve". Já pisei nos bagos dos antis, aqueles que torciam pelo caos, destruição, perda de imagem, tragédias e catástrofes, dentro e fora de campo. Hoje reservo o vernáculo para um grupo menos radical, mas bem maior em número.
Refiro-me, amigo leitor, aos que, embora não torcessem contra o evento, apenas achavam que ele seria trágico. O rashtag mais apropriado seria "#imaginanaCopa", que se intensificou quando os anos de antecedência se tornaram meses e depois semanas.
A turma do "imaginanaCopa" achava que tudo ia dar errado. Os estádios não ficariam prontos, as obras de apoio não ficariam prontas, faltariam hotéis, restaurantes, transportes, água, energia, comida e até os maledettos adaptadores de energia para os eletrônicos não-brasileiras. As estradas estariam superlotadas de turistas indo de sede a sede atrás dos seus times.
Bem, exemplos de obras incompletas ou mal feitas não faltavam, e vou me ater aos casos paulistanos, que conheço melhor. O terminal 3 de Cumbica, por exemplo, é um puxadinho mequetrefe. As estradas brasileiras não melhoraram nada nos últimos 7 anos. O monotrilho que ligaria o aeroporto de Congonhas ao metrô e ao estádio do Morumbi, plano inicial para sediar os jogos paulistanos, está longe de terminado. Mesmo os jogos tendo mudado de casa, o aeroporto continua lá, muita gente está voando por ele e deveria precisar do metrô ao chegar. Podemos seguir a lista por horas.
Mas teve Copa. Então, como diabos a Copa deu certo? 
Não sei dizer. Fato é que não houve caos aéreo. O metrô paulistano deu conta de levar os torcedores ao Itaquerão nos 5 jogos ali realizados, e nada leva a crer que não dê conta na partida semi-final do dia 9, um feriado estadual. Não houve superlotação dos hotéis, nem gente dormindo em praças como se chegou a cogitar. E, a esta altura, com 24 dos 31 visitantes já eliminados, não há porque crer em problemas dessa ordem daqui para frente. Também não tive notícias de estrangeiros largamente mal tratados ou incapazes de comunicar. O brasileiro mostrou seus usuais jeitinho e boa vontade, e de algum modo tudo funcionou.
Dizer que não aconteceram incidentes é exagero. Brigas, tumultos, excesso de gente na Vila Madalena (caso paulistano), trânsito antecedendo os jogos e ingressos falsos são alguns deles. Claro que é preciso questionar as autoridades sobre diversas coisas ainda: se a Copa era viável sem a linha-17 do metrô, como está sendo, por que ela foi considerada essencial anos atrás? O estádio precisava mesmo ter custado o que custou? Cadê a linha expressa entre o Metrô e Cumbica? Para que usar 12 cidades-sede, construindo estádios inúteis em Brasília, Manaus, Cuiabá e Natal? Por que tantos jogos no Nordeste, reduto eleitoral do atual governo e tão poucos no Sul?
Mas teve Copa.
Os antis estão desesperados ao se deparar com os fatos. Os pessimistas, apenas surpresos e perplexos. "Teve Copa", eles precisam admitir. Então deixo aqui minha crítica a todos os pessimistas que não previram a viabilidade do evento. Eu incluso.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Copa 56: Bélgica 2 x 1 EUA

Amigo leitor, que goleiro é esse, o tal Howard !
Se é uma Copa de muitos gols, também é uma Copa de grandes goleiros e grandes defesas. 

O jogo foi muito lutado desde o começo, mas não foi um primor tático. O problema central é que são duas equipes que preferem o contra ataque, e não sabem muito bem como construir jogadas lentas com a defesa adversária bem postada. Já não era um jogo muito igual quando os americanos perderam o veloz lateral Johnson, e boa parte da sua força ofensiva se perdeu. 
A Bélgica foi criando jogadas e chances, penetrando na não tão forte defesa americana, e o nome de Howard foi crescendo aos poucos. Depois, aos muitos.  O último lance do tempo normal foi uma bola perdida na área belga que acabou desperdiçada.
A prorrogação, quinta nesta Copa, viu gols. Os belgas abriram o placar em uma confusão entre os zagueiros americanos. O time do Tio Sam partiu para cima e levou o segundo gol em um contra ataque.
Quando o jogo parecia definido, os americanos reagiram logo no lance do segundo tempo da prorrogação. A partir disso, mais pressão e gols perdidos foram se sucedendo.

Os americanos estão eliminados e os belgas enfrentarão os argentinos. Na verdade, foi um resultado justo, para minha tristeza.

Copa 55: Argentina 1 x 0 Suíça

Como esperado, os hermanos saíram para o jogo logo de cara. Por terem mais time e mais pressão, sentiram-se na obrigação de mostrar serviço.
Com bom toque de bola, o time não conseguiu criar chances claras por todo o primeiro tempo. Passados os 25 minutos, os suíços começaram a equilibrar as coisas, e tiveram a melhor chance de gol do primeiro tempo. Para surpresa deste blogueiro, os suíços começaram a provocar os argentinos com lances de efeito e habilidade: confesso que não esperava isso da parte deles, nem tem termos de intenção nem em habilidade. Um tanto latino esse time suíço, viu? Aos 38 minutos, a grande chance do jogo até então foi um contra ataque suíço no qual o atacante ficou cara a cara com o geleiro, mas errou vergonhosamente o chute. E assim terminou o primeiro tempo, sem gols.
O começo do segundo tempo mostrou uma blitze suíça, e seu grande defeito: a dependência de Shaqiri: quando ele cruza, não tem como estar na área para receber a bola. Os demais jogadores não parecem talentosos o suficiente para merecer comparação. Depois dos 10 minutos, a torcida argentina acordou novamente, e recomeçou a bela cantoria de apoio ao time, mas sem que o time correspondesse dentro de campo. A pressão ficou apenas em trocas de passes, sem chances claras exceto um cabeceio de Iguaín. 0x0: prorrogação, a quarta desta Copa.
Em ritmo lento, claramente faltou pernas aos dois times. Os argentinos dominaram a bola por 10 minutos, mas quando os suíços foram apoiados pelos gritos de "Olé" da torcida brasileira, empolgaram-se até o final da primeira etapa da prorrogação.
O segundo tempo foi apenas a movimentação de dois times de zumbis, mortos de cansado. Apenas Di Maria, buscava o gol, com bons chutes e péssimos passes. E num passe de Messi, Di Maria estava livre e fez o gol da partida.

Argentina não jogou mal, mas também não foi bem. Como em 86. Segue aos trancos e barrancos, e está entre os oito. E tem camisa para continuar.