terça-feira, 13 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 12: Hilo e Puna

Por incrível que pareça, mesmo com um dia morto, ainda acordei cansado no domingo (10). Espantei a preguiça, tomamos café e fomos bater perna por Hilo. 
Visitamos o belo Bicentenial Park, inaugurado em 1976 (dããã) em área devastada pelos tsunamis de 1946 e 1960 (e onde ninguém mais queria construir porra nenhuma). Bastante amigável, grandes árvores e lagos. Pequeno e aconchegante.
Almocamos um sanduíche de peixe no Bear's, maravilhoso.
À tarde, havíamos programado um tour pela região de Puna. Talvez a palavra Kilauea chame mais a atenção. É a região da Big Island onde há um vulcão ativo. Ativo quer dizer: "ele está produzindo lava enquanto falamos dele". Ao contrário de outros vulcões pelo mundo, que explodem em chamas por alguns dias, o Kilauea produz lava em taxas constantes há 32 anos ininterruptamente. É preciso monitorar tudo que ele faz, pois nunca se pode prever para onde vai a lava.
O grupo era incrivelmente heterogêneo: o guia era o único americano. Os turistas eram, além de nós, duas moças eslovenas, três mulhures russas e um casal nipo-coreano (ainda não sei qual era qual). Fora os orientais falantes demais, a compania foi bem agradável.
Passamos por Pahoa, onde a erupção visitou pessoas há menos de 20 anos. Depois entramos no Kaimu Beach Park, uma baía que foi engolida pela lava há 25 anos e hoje conta com uma linda praia de areias negras. 
Seguimos para o Hawaii Volcanos National Park para 4 atrações. Primeiro, passamos um lava tube, caverna criada por diferentes fluxos de lava. Infelizmente, urbana demais. Depois, fomos para os steam vents, locais onde os lençóis freáticos encontram lava ainda quente e simplemente evaporam. Lindos de ver, e é possível sentir o vapor na pele, como uma sauna úmida. 
A estrela do dia chega depois do por do sol: um ponto de observação para as atividades cotidianas nada amigáveis do Kilauea, ele mesmo. A noite, o buraco central da caldera se ilumina com o calor da lava. Não é possível se aproximar muito (local está fechado), mas mesmo de longe assusta ver o poder, literalmente, de fogo dele. Junto fica o Jagger Museum, sobre vulcanismo.
Um dia bastante tranquilo em termos físico e bem agradável. 

Hawaii - Hawaii - Dia 11: Dia Morto

Acontece em qualquer viagem longa, amigo leitor: as baterias acabam e você, tipo assim, pifa. Quando da aventura pelo Reino Unido, entendi isso apenas por volta do 25o dia, quando estava em Bath. Depois disso, procuro programar um descanso geral para o meio do percurso.
Desta vez, não precisei programar. Como chegamos ao hotel depois de meia-noite, ainda precisando de banho e de arrumar mochilas de mergulho (tava pensando que é tudo festa, né?), fomos dormir depois das 2h. Eu simplesmente me recusei a programar o despertador. Luciana ameaçou protestar, e eu respondi:
- Se você levantar da cama e programar o relógio, beleza: vale o que você fizer.
Não houve resposta, talvez um leve ronco.
Acordamos depois das 11h.

E nem era para menos. Choveu ininterruptamente o dia todo, variando de forte para muito forte. Saímos apenas a noite, para comer uma típica pizza havaiana. Surpreso fiquei. Primeiro por convencer o atendente a fazer a famosa meio a meio brasileira. Depois, pela delícia que ficou uma das metades (camarão, queijo gouda, leite de coco, amendoim, coentro, cebola roxa entre outras coisas). Fácil, top 5 da minha vida. 

Já que o relato foi curto, acho que posso contar um pouco do hotel. Isso aqui é uma porcaria difícil de narrar. Ok, o staff é extremamente gentil, ótima localização se você quer ficar em Hilo (não me pergunte porque alguém quereria...), estacionamento grátis e internet rápida e estável embora limitada ao lobby. 
No entando, há insetos por toda parte. Toda parte. São insetinhos pequenos, de 2mm a 7mm e estão no chão, parede, teto, cama, mesa, cadeira, banheiro, box, privada, pia e dentro das malas. Cada vez que chego no quarto, mato algo entre 5 e 10. A contagem de corpos já passou de 100. 
Isso realmente já deu no saco, e não vejo a hora de sair daqui. Mesmo.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 10: Zoológico e Manta Dive

Acordamos quebrados. 
Essa parada de atravessar a ilha ida e volta todo dia é pesada, e notei isso no extremo mau humor da Luciana com a grudenta areia de White Sands Beach. Sim, havia motivo para irritação, mas não tanta: o resto era cansaço. Cancelei os planos iniciais para a manhã, dormimos mais e tivemos uma manhã leve.
Leve significou dirigir meras 10 milhas até o Zoológico /  Jardim Botânico da cidade. Há que se considerar que Hilo é a maior cidade da ilha e tem apenas 43mil habitantes. Não esperem um espetáculo inigualável. Além disso, o local está em renovações para novas atrações.
Isto posto, é um parque simpático e gratuito. Fizemos amizade com duas araras azuis e adoramos uma variante de calopsita/arara/papagaio/sei lá branco. Limpo, sinalizado, simples, pequeno e aconchegante. Na saída, Luciana reconheceu o valor da ideia.
Almoçamos no Jack in the Box e pé na estrada para o principal passeio desta viagem.
  • Manta Night Dive
Às 15h30 o barco partia do porto de Kona. Borboletas no estômago indicavam o grau de ansiedade. O bagulho tinha que ser doido...
Para quem não é do ramo de mergulho, este é considerado o 3o melhor mergulho do mundo, e 1o entre os noturnos. Diversos barcos seguem para um local amavelmente apelidado de "Manta Heaven". Lá, ascendem luzes fortes tanto de cima para baixo quanto de baixo para cima. Cada mergulhador tem sua própria lanterna. A soma dessa iluminação toda produz um boom de produção de plancton. Não por acaso, plancton é o alimento das raias. É o equivalente a sair a pé na savana africana jogando montes de carne moída na esperança de avistar um leão. A diferença é que as raias não tem nenhuma capacidade de fazer mal aos mergulhadores exceto, talvez, dando uma trombada.
Antes disso, fazemos o primeiro tanque (Log #19) de reconhecimento no local. E eu estava impossível: achei uma manta apressada (ainda era fina de tarde) e um raríssimo scorpionfish. Este é complicadíssimo de achar, pois ele se disfarça de pedra quando está parado, e era o caso. Ganhei elogios do nosso lider (Flossie). Mantive ótimo controle no consumo de ar, da flutuabilidade e da navegação. Na parada de segurança, avistei ao fundo outra raridade: uma moréia-cobra.

O segundo mergulho (Log #20) foi realmente épico. Noturos exigem alguns cuidados a mais, mas mal chega a ser este o caso: é tanta gente e tanta luz que não chegar a ser um noturno assim noturno. Logo que descemos, pudemos ver ao longe os focos de luz atraindo uma quantidade indescritível de peixes. Eles ocupavam todos os 20m de profundidade em cardumes cilíndricos ou cônicos, nadando em cículos e se esbaldando do plancton ali produzido. Se não houve nenhuma manta teria valido tudo.
Mas tinha. E como tinha. Ao final, soubemos da contagem oficial de 32. Não se fica um único segundo sem ver ao menos 3 delas. Cheguei a contar 8 no mesmo enquandramento visual.
Tive dificuldades para me acomodar no fundo. Talvez mais peso tivesse ajudado. Ainda assim, deitei no fundo e ali fiquei, feliz. E ainda por cima consumi poquíssimo ar, tanto que subi no penúltimo grupo, podendo brincar um pouco mais no fundo enquanto os outros iam se recolhendo.
Inesquecível.

A volta, devo relatar, foi incrivelmente tensa. Depois de comer uns petistos no Quinn's (ótima cozinha, péssimo atendimento), pegamos a longa estrada norte para Hilo. A alternância de chuva e neblina noturna chegou a reduzir a visibilidade para menos de 10m por alguns momentos. Mas escapamos ilesos e cansado. 
E felizes.

domingo, 11 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 9: Mergulho e White Sands Beach

A dureza de ser pobre é ter que economizar em tudo. Então estou fazendo uma viagem que não é da minha liga aqui. Isso se reflete em coisas aparentemente simples, mas que aparecem na fatura eventualmente... Voltar de Kona para o hotel em Hilo é o caso.
Kona fica na margem oeste da ilha e Hilo fica no nordeste. A estrada mais curta (190 / 2000) dá 77 milhas e leva 1h35. Mas esta rota só é permitida na ida, pois ela passa pela base do Mauna Kea, a 2000m de altitude. A volta, para evitar doença descompressiva, deve ser feita pela rota norte (estrada 19), com 109 milhas e 2h30, em parte devido a obras no local. E não podemos parar na parte de altitude, pois ficamos um trecho acima de 2500 pés de altitude. Sacou, amigo leitor?
Ao chegarmos, Luciana resolveu testar seus protetores de ouvido para dormir. Estava com medo de entrar insetos. Válido, mas não quis fazer o mesmo. O drama é que isso zoou a conversa. Eventualmente, fiz um teste com algumas palavras e o resultado foi bastante peculiar. Em vermelho, as palavras que ela ouviu e em azul as que ela não ouviu:
sapato
jogo
liquidação
corrida
compras
sarong
arrumar
louça
maquiagem
notebook
Bastante elucidativo.
Acordamos novamente às 4h30 e pegamos a estrada. Chegamos no barco, com o capitão no recebendo como na véspera:
- Bom dia, eu sou capitão Jeff. Mas se algo der errado, meu nome é Capitão Steve.
Um barato, ele.
  • Turtle Heaven (Log #17)
O primeiro mergulho, em Turtle Haeven, não teve tartarugas. Mas teve golfinhos! A turma nos acompanhou desde a saída do barco e por todo o trajeto. E já mergulhamos sabendo que eles estavam por lá.
Que belo animal a natureza criou mesmo. Linhas suaves, cores constantes, mas indivíduos diferentes. Os mais jovens saltam o tempo todo para respeirar, fazendo acrobacias. Em nosso antropocentrismo, parecem brincar. Pode ser verdade, e isso me traz lembranças de visitas ao Seaworld, onde os vi fazendo exatamente a mesma coisa.
Não era só. Minha capacidade de observação melhorou. Achei uma moreia de boca branca, minha primeira. Tornei-me especialista em pepinos do mar, vendo vários, e nem gosto de pepino tanto assim... Os saddle wassle continavam a aparecer, agora um pouco menores que antes. Também toda sorte de butterflyfishes, especialmente os de lista azul, todo amarelo e listas brancas. Ainda achei 2 trombetas, sendo um laranja e um prateado.
  • Freezing Face (Log #18)
É um nome teórico de local, pois o rosto só congela para quem entra na parte de cavernas e encontra a água doce e fria vindo da ilha. O boxfish foi o primeiro destaque: ele tem a cabeça grande e quadrada, com linhas bem angulares e definidas. Aqui havia mais trompetas e cornetas (que ainda não sei diferenciar nem como peixe nem como instrumento musical). 
Tudo se encaminhava para um mergulho "apenas" muito bom quando encontramos um tubarão cinza, de cerca de 1m a 1m20. Apressado, parecia faminto ou, pelo menos, agitado. Não veio perto de nós e nós respeitamos uma distância sábia. Numas: ele nadava rápido pacas e alcançaria qualquer um que quisesse. Mantive minhas mãos no lastro para uma subida de emergência, mas não foi preciso.

À tarde, fomos para a White Sands Beach, praia ao sul de Kona famosa pelas areias brancas mágicas e ótimo logal para nadar. A principal característica mágica da areia é grudar no seu corpo. Fora isso, a tal praia mágica tem menos de 100m de comprimento, areia de coloração absoltamente comum para nossos padrões e nada de mais a ser observado (mulheres de bundas pequenas e biquinis grandes, desafiando a lógica).
Ok, tem boa estrutura: estacionamento, banheiro, salva vidas residente e duchas. Mas nada de mais mesmo. Eu consigo listar 10 praias melhores a 100km da minha casa. Nenhuma dessas 10 seriam as 10 melhores de São Paulo. Talvez uma das 10 melhores de São Paulo seja uma das 10 melhores do Brasil. Muito fraco.

Almojantamos no Da Poke Shack, uma maluquice que mistura sushi, ceviche e tempero mexicano. Excepcionalmente bom. E mais 2h30 de estrada para o hotel.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 8: Mergulho e Kiholo Bay

Não era fácil, gente.
Este criadouro de insetos onde estamos hospedados tem a única qualidade prática de ser realmente barato. Mas fica muito longe de Kona, onde os mergulhos acontecem. Isso significa dirigir 1h40 do hotel até o porto. E se você quer chegar às 7h45, faça as contas...

Eu espero...

Isso mesmo: acordar 4h30, tomar café dirigindo e torcer para nenhuma zica te parar na estrada.
Não teve zica. Fomos pela estrada 190, que passa na base do Mauna Kea. A temperatura no nível do mar era 22oC quando saímos do hotel. Na base da montanha, 7oC. Na Marina de Kona, já às 7h30, 23oC. Mergulhamos com água a 26oC. Sim, fomos pasteurizados.
A equipe da Kona Diving Company é excepcional. Muito tranquilos, brincalhões, técnicos e seguros. Atenciosos também. Conversam com o mergulhador para sentir o estilo e as capacidades. Ajudam o tempo todo com equipamento. Aqui, uma diferença importante com os mergulhos que fiz no Brasil: eles cuidam de todos os detalhes do equipamento. Isso quer dizer que você entra no barco e o seu colete está instalado no seu cilindro com uma etiqueta marcando seu nome. Computador de mergulho é parte integrante do equipamento, sendo pelo menos um por dupla. Se você nunca usou um, eles explicam. 
Outra coisa é o briefing, dividido em duas partes. Durante o trajeto, o instrutor comenta apenas o básico de segurança, mas não fala nada sobre o local. Isso ocorre porque eles mudam o local na hora. Há tantos pontos possíveis aqui que eles podem se dar ao luxo de descartar 3 sem correr o menor risco de ficar sem opções. Com isso, podem escolher pontos que não tenham vento ou correntes fortes, nem problemas de visibilidade.
Sacaram onde isso tudo te leva ?
  • Disneyland (Log #15)
O primeiro ponto tem o carinhoso nome de Disneyland. Deve ser pela quantidade de bichinhos... A primeira coisa que impresiona é a visibilidade. Do barco, pode-se ver o fundo do mar, a 22m. Do fundo do mar, pode-se ver todos os outros barcos na redondeza. Não posso afirmar, mas 50m não é exagero. Com isso, técnicas de navegação são inúteis aqui: você olha para cima e sabe onde está. 
Outra diferença é o fundo. Estamos acostumados ao fundo arenoso dos mergulhos brasileiros. Isso não existe aqui: o fundo é forrado de corais. Você não pode afundar sem estragar algo belo e vivo. Mais cuidado, portanto. A água é quente, e o conforto é absurdo. Eu passaria, fácil, o dia inteiro embaixo da água sem me incomodar (até morrer por intoxicação por Nitrogênio). 
Isto tudo relatado, o mergulho teve muitas espécies incríveis de ver. O primeiro destaque foi um octopus que, assustado, fugiu soltando aquela tinta preta. É igual vemos em filmes (e em desenhos animados), mas ver ao vivo impressiona. Nosso instrutor, Shaggy, se divertiu aos montes com isso.
Há grande variedade de peixes butterfly aqui. As variações como listras azuis, listras cinzas, amarelo e oranamentado. Outros que chamaram atenção foram os peixes sapo, cornetas, sargentos (sim, tem por aqui), variantes de meréias (destaque para as de boca branca, mas fácil de achar). 
Na parte técnica, foram 45min, com máximo de 21m. Controle mediano de flutuabilidade, mas gastei mais ar e fui o primeiro a subir.
  • Ponto 2 (Log #16)
Não entendi o nome do ponto. O Shaggy escreveu pra mim no log, e continuei não entendendo. 
Outro octopus, novamente no começo do mergulho. Este estava mais exibido e não fugiu, preferindo ficar conosco. Os butterlys estavam lá. Outro curisoo era um com cores bem definidas: azul na cabeça, "pescoço" laranja e corpo verde ou cinza. O nome dele está no log, lá no carro. Os corais são menos variados do que em Maui, com predominância branca (descobri hoje que isso foi por causa da água muito quente dos últimos meses). 
Moréias mais variadas aqui, com predominância da de boca branca, peixe caixa, baiacus, cornetas, sargentos e wassle (não sei a tradução disso).
Tudo se encaminhava para o final quando apareceu um tubarão. Tinha 1m, pouco mais talvez. Estava se achando escondido em um canto, mas o vimos. Ninguém chegou muito perto, mas ele estava aparentemente calmo. 
Do ponto de vista técnico, arredondar 14 libras de lastro foi uma excelente decisão. Consumi menos ar (51min de fundo) e controlei a flutuabilidade melhor. 

Gostaram do dia ?
Então... são 13h...

Pegamos o carro e fomos a Kiholo Bay, ao norte do porto, e já na estrada de retorno. É uma praia bem isolada, onde se pode caminhar para outras praias tão isoladas quanto. Pedras pretas fazem o fundo, de tamanhos bem variados. O calor era forte, mas o vento amenizava bem a sensação. Para o norte, vimos uma tartaruga marinha que parecia cansada na areia. Eu apontei ela de volta para o mar e ela "correu" para a água. Algumas pessoas aqui disseram que fizemos besteira, mas não obrigamos a tartaruga a voltar para a água. Achemos que fizemos o certo sim. Para o sul, lindas formas de pedra preta em erosão pela água do mar. 

Voltamos pela estrada 19, pois a 190 vai a uma altitude potencialmente mortal para mergulhadores. Isso aumenta o percurso e o cansaço, mas pelo menos é uma vista diferente da ida. 
Sei que estou devendo fotos, mas meu celular e meu computador não estão se entendendo. Assim que der, posto umas aqui.

Hawaii - Hawaii - Dia 7: Museus

Um dos pontos que me surpreendeu no Lonely Planet:  Hawaii foi a indicação de que há bons museus em Hilo, e em quantidade. Eu havia separado duas tardes para visitá-los, mas com o adiamento do mergulho noturno em Kona, a 3a-feira (6) ficou livre por volta de 8h da manhã. 
Replanejamos, então, todos os museus para esse dia. Eram 4. Foram 4.
Começamos pelo Lyman Museum, um acanhado e simpático museu dividido em duas partes: geologia e cultura. Abrimos o dito cujo às 10h e entramos. Cobrimos numa boa em 1h35. A parte de geologia tinha interessantes, embora simples, explicações sobre a formação do arqupélago de Hawaii e outros similares. USD 8.
Ao meio dia, já estávamos o Imalao Museum and Planetarium, a menos de 5 minutos de carro do Lyman. O destaque era o planetário em 3D. Mas era uma apresentação muito básica, e as perguntas da platéia ("Qual a diferença entre estrela e planeta ?") não ajudaram nada. A exposição me chateou muito. Misturava o tempo todo os conceitos de astronomia com as tradições havaianas antigas. Na boa, se eu quisesse ver tradições havaianas não iria a um museu de astronomia. Ficou, pra mim, uma sensação de precisar preservar uma cultura que está morrendo por desinteresse geral. Fraco. USD 17,50
De lá, fomos para o Pacific Tsunami Museum. Focado nos Tsunamis que atingiram a cidade de Hilo (os principais foram em 1946 e 1960, mas muitos outros passaram aqui), mostrava fotos e estudos sobre esse tipo de fenômeno. Eu curtir, mas a Luciana se sentiu incomodada. USD 8.
Por último, o Mokupāpapa Discovery Center, ao lado do anterior, mostraria aspectos menos conhecidos de outras ilhas do arquipélago. Por algum motivo, boa parte dele estava fechado. Ficamos com o belo aquário e um filme de oceanografia chamado Oceans narrado por Pierce Brosman.
Sinceramente, foi um dia fraco. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 6: Mauna Kea

Então...
Hoje, 8h da manhã, recebo uma ligação da Kona Diving Company adiando por 3 dias nosso mais importante mergulho da viagem. Alerta amarelo, mas fica o elogio ao atendimento deles. Posso, portanto, relatar o dia de ontem.
(neste momento, no lobby do hotel, vejo uma típica família dos anos 10: casal com casal de filhos adolescente. O pai está verificando vouchers de viagem, a mãe está no notebook, o filho no tablet e a fllha no outro tablet. Não há um som entre eles. Parecem americanos, mas vai saber. O peixe do aquário ao lado os observa com curiosidade).
Pé na estrada, pois havia medidas administrativas do outro lado da ilha, em Kona. Antes, optei por passar pelo vale de Wai'pio. Não fizemos o longo e cansativo passeio, apenas paramos no lookout e tiramos fotos do vale. Trata-se de um local sagrado de acesso complicadíssimo, embora possível mediante uma centena de obamas. Dizem haver muitas paradas bonitas e cachoeiras na região. Optamos por acreditar nos relatos.
Almoçamos já em Kona. Luciana escolheu a rede Tacos del Mar. Acho que o papo da comida típica colou...
Visitamos a escola de mergulho e acertamos detalhes burocráticos do pacote. Tudo em paz quanto a isso, pelo menos até agora. De lá, visitamos um pequeno shopping na região e voltamos pela estrada que viemos para um ponto de encontro às 16h.
Ou achávamos que era a mesma estrada. Os pontos de parada estavam diferentes. Então, notei que a estrada estava muito mais próxima ao litoral. E isso acabou tanto com a nossa margem de folga quanto com minha calma. Refizemos a rota (na verdade, eu usei minha orientação para sacar onde deveríamos virar a direita) e pisei fundo. Parecíamos estar 8min atrasados. Muita gente lerda na estrada dificultava as coisas. Luciana estava mandando bem na navegação, informando a chegada das retas e potenciais pontos de ultrapassagem. Quando entramos na Highway 200, o atraso era de apenas 4 minutos, e foi quando notei que o cálculo de tempo era pessimista: levava em conta 9km a mais de estrada. Ufa. 
Chegamos ao local correto às 15h50, a tempo de colocar calça, bota de caminhada e pegar o agasalho grosso.
Sério ?
Sim, sério. Precisa disso tudo quando você vai a 4200m de altitude. É a quanto fica o topo do Mauna Kea. 
A escursão começa com uma refeição para aclimatação, pois já estávamos a 2000m naquele momento (o carro sofreu para subir o morro, viu ?). Fizemos amizade com um casal de californianos muito divertido e iniciamos a subida. 
Nosso guia, Maka, foi explicando tudo sobre o local, e os telescópios lá instalados. Mauna Kea é a maior montanha do mundo tanto em elevação da base quanto em volume total. É onde fica o maior telescópio ótico do mundo, o segundo maior telescópio ótico do mundo, o maior telescópio de infravermelho do mundo, um dos pilares do maior radiotelescópio do mundo, o maior telescópio ótico e infravermelho do mundo... Acho que o amigo leitor pegou o espírito da coisa... Fato é que as núvens ali são em forma de donut, pois nada atinge o topo, sempre aberto. E por estar próximo ao equador, é o melhor local para instalação de telescópios do mundo, segundo Gerard Kuiper (melhor citar a fonte neste caso).
Vimos um lindo anoitecer, com o sol abaixo de nós. Sem palavras nesta língua, amigos.
Descemos um pouco para achar um local/momento de céu limpo. Quando Maka conseguiu, parou a van e sacou um telescópio portátil de 11 polegadas, montou em menos de 30s e logo estava explicando como observar o céu. Vimos Vega e Saturno. Só isso.
Paramos no Visitor Center para compras e voltamos para o hotel.
Melhor dia da viagem até agora !

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 5: Mudança

Mahalo, Maui.
Aloha, Hawaii.

Este era o título original do post, representando a troca da primeira para a segunda ilha de nossa jornada. Mas leva uns 5 parágrafos para explicar tudo... Em resumo, Hawaii é, além no nome o arquipélago, o nome da maior das ilhas. Em inglês, Big Island. 
Acordamos bem cedo, empacotamos tudo e partimos para a viagem. De fato, eu estava muito certo ao querer evitar uma mudança de ilha. Nosso plano inicial tinha 3, e teremos apenas 2. O fato é que são vários procedimentos em série: empacotar tudo, checkout no hotel, translado até o aeroporto (neste caso, 50 minutos), achar o retorno de carro alugado, retornar o carro, pegar o transporte até o aeroporto, ajuste de cadastro em companhia aérea (sempre tem algo errado), checkin de voo, despacho de bagagem e passar por segurança. Cada item é incrivelmente simples. Mas deve ser feito em série e em prazo apertado, tipo assim, 3h. 
Deu tudo certo e voamos em um avião minúsculo. Eram 50 lugares (contados !) e menos da metade estava ocupado. Passei um calor infernal na pista, pois eles estavam sem o aparelho de ar condicionado portátil. Não aceitei o pedido de desculpas. Até dormi no mísero voo de 32 minutos.
Em Hilo, o calor era ainda mais forte. Mas nunca, em toda minha vida, vi um aeroporto tão sossegado. Tudo é calmo, tranquilo, fácil, simples, ágil... Não sei nem descrever isso. Fora a emoção de, na esteira de bagagem, ter a primeira, segunda e quarta malas da fila. Eram poucas, admito (umas 12 no total). Mas diverte. E a locadora ficava do outro lado da rua, onde também fica a devolução. Exemplar este lugar.
Já não é o que posso dizer do hotel. Errei. O bagulho é simples, rústico até. Tem algumas coisas boas, como excelente sinal de internet (embora apenas no lobby), estacionamento grátis, boa localização e equipe sempre sorridente e o café da manhã (pelo qual não paguei) foi incluso no pacote. Porém, a proximidade com a mata nativa preocupa. Não tem ar condicionado, ouve-se sapos a noite toda (o que é divertido) e recebemos a visita de 2 deles no quarto (o que não é). Imaginem a cara da Luciana ao perceber que eu só consegui expulsar um deles pois perdi o outro...). Fora os insetinhos por todo lado. Ela realmente se chateou com isso, e não posso culpá-la. Em minha defesa, nada no perfil do hotel indicava isso. Nada. Nenhuma menção nos comentários. Arrependido estou, mas não há o que fazer.
A tarde foi consumida em compras básicas para o quarto e descansar um pouco. Dormi até bem para quem teve que lidar com uma luz acessa a noite toda.
O amigo leitor deve ter notado que estou fazendo o relato com 1 dia de atraso (este é do dia 4/10). Vou atrasar um dia a mais, pois não escreverei amanhã. O amigo entenderá quando chegar o momento.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Hawaii - Maui - Dia 4: Mergulho

Nada como acordar ao meio dia, tomar café no quarto sem pressa alguma, e ir de carro até a escola de mergulho para iniciar as atividades às 2 da tarde. Viram só, amigos ? É tudo uma questão de perspectiva. E de usar o fuso horário de Brasília (7 horas a frente) no celular...
Dormi mal pacas, ansioso por finalmente mergulhar aqui. A programação era Molokini Crater, uma cratera vulcânica semi desabada e linda de ver, pelo fato da metade ainda inteira proteger o local de fortes correntes. E a conjunção de calor com águas calmas é a fórmula da vida marinha.
Os procedimentos burocráticos correram bem e o barco partiu para 1h10 de viagem. À medida que avançávamos, o mar ia ficando batido. Eu estava sob efeito de Meclin, para proteger da náusea e que em tese não daria sono. Bem... deu zica.
Ao chegarmos lá, a equipe optou por abortar o mergulho por excesso de vento. Significa que, salvo algum evento extraordinário na minha vida, nunca verei Molokini. Não, não fiquei nada feliz.
Voltamos. Eu estava realmente arrasado a esta altura. O mar foi acalmando, apenas para deixar claro que era um problema local. Nada de enjôo pelo menos. A equipe decidiu mergulhar em um naufrágio para salvar o dia. Robert, nosso guia, nos perguntou se tínhamos problemas com mergulho a 29m. Nunca fizemos, mas o conceito em si não nos assustou. Fomos, portanto (Log #13).
A água estava uma delícia, 24oC. Visibilidade da ordem de 50m. Isso mesmo: de cima você via o fundo do mar. A única coisa ruim que mergulho perto de 30m trouxe foi o encurtamento da atividade. O ar desaparece do tanque pela pressão. Com isso, em 20min estávamos subindo para a parada de segurança. Entrei no barco, olhei o fundo e frente, vi os lindos corais em formação (destaque para um tipo branco que parece um cérebro...). Lindo demais. E não apenas não tive problemas de estômago, como subi com fome pela primeira vez em minha ainda curta carreira.
O segundo mergulho (Log #14)foi em uma baía já quase na volta. Ponto novo, foi criado em 92 por um tornado que passou na região. Fico imaginando esses mergulhadores esperando passar os tornados e furacões para procurar novos pontos de mergulho. Este era bem menos profundo: 14m. Aqui, muito mais vida, com direito a 3 tartarugas (a Luciana alega que foram 5, mas ela não sabe contar) e um tubarão de 1m. Peixes aos montes, ouriços de pelo menos variações e corais. 
De positivo, ficam o récorde de profundidade e o fato de ter saído sem nenhum problema de estômago. 
Depois de um banho rápido no hotel, voltamos a Lahaina para um city walk em Lahaina, indicado pelo Lonely Planet. Menos interessante do que parecia, com destaque para uma praça com uma única e enorme árvore e um pedaço de muralha feita de tijolos de coral.
Almojantamos ali, um hamburger divino com abacaxi, e um ótimo sorvete de sobremesa.
Foi um dia ok, onde salvamos a desgraça.

domingo, 4 de outubro de 2015

Hawaii - Maui - Dia 3: Praia

Antes de relatar o dia, uma explicação que me foi cobrada em particular.
- Norson, por que não "USA 5" ?
Tecnicamente, está correta a sugestão. O Havaí faz parte dos EUA desde 1959, sendo território desde 1898. Os eleitores votam para presidente, há cadeiras na Câmara e no Senado e fala-se inglês americano em todos os lugares. 
Culturalmente, e falarei disso com calma, é um lugar muito diferente. Daí minha opção por nomear diferente.

Na noite anterior notamos uma falha grave de planejamento. Uma das praias programadas para o dia era logo depois de Hana. Não apenas deveríamos ter visitado na véspera como era longe como um cão: 3 horas de carro. Olhando apenas os pontos no mapa, parecia viável acessar as duas planejadas, mas não era prático. Abortamos a praia vermelha, e ainda está doendo.
Pela manhã, ficamos na praia de Kaanapali, onde estamos hospedados, por umas 2 horas. Depois, piscina do hotel, não sem pagar o mico de tentar entrar na piscina do hotel errado. Sim, eu falei que isso ia dar confusão, e deu mesmo.
A tarde seria na região de Kahui, uma cidade costeira ao sul de onde estamos.
Juntamos as coisas e partimos no final da manhã para Maluaka, também conhecida como Turtle Beach, onde se pode ver tartarugas. Que bom que levamos fotos delas... Fiz minha primeira sessão de snorkel. Na verdade, é simples para um mergulhador certificado e que já tem o equipamento: coloque a máscara, instale o snorkel e boie. Claro: que nunca fez não saberá fazer, mas para mergulhadores é quase sem graça. 
Quase. Um dos lados tinha umas pedras bem perigosas, mas se quem conseguia evitá-las, podia ver montes de formações de corais ali. Escolha uma cor: tinha. Peixes também se apresentaram naquele lado. 
Almoçamos umas batatas e pão de banana com abacaxi comprado na véspera, perto de Hana. 
Partimos então para Wailea, praia conhecida pelo belo por do sol. Lá ficamos até anoitecer, para ver coisas assim:



Apesar da tristeza inicial pelo erro de planejamento, foi um ótimo dia. E tínhamos que dormir cedo, para acordar às 5h daqui. Dia de mergulho é sempre assim.