sexta-feira, 20 de março de 2015

E agora, Fernando ?

Já faz tempo que critico a implantação das ciclovias em São Paulo pelo prefeito Fernando "Suvinil" Haddad. Não estou sozinho nisso: vejo postagens quase diárias sobre o tema. Apenas os cicloativistas conseguem racionalizar a situação para fabricar explicações das mais toscas. 
Mas agora engrossou para ele: o Ministério Público mandou parar a festa. Segue link
Não posar de eterno apoiador do MP, nem fazer juras de amor. Já o vi fazendo enormes besteiras. As piores foram no tocante às torcidas uniformizadas, mas eu poderia achar outros.
O que me chama a atenção, no entanto, são alguns termos usados na matéria. "nenhum estudo de impacto viário foi apresentado aos promotores de justiça, mas as ciclofaixas e as ciclovias de caráter permanente continuam a ser implantadas". Isso embasou o pedido de paralisação das obras, que acabou acatado pelo Tribunal de Justiça.


Vamos aos detalhes, porque é onde fica o diabo. A matéria é clara, mas vamos salientar que os tais estudos não foram apresentados aos promotores de justiça. Não significa, portanto, que os estudos não existem. Também ficou de fora da decisão a obra em curso na Av. Paulista, a única que, claramente, tem alguma coisa parecida com um projeto envolvido.
Veja, amigo leitor, não estou dizendo que o programa de implantação de ciclovias em São Paulo foi feito às pressas e sem qualquer planejamento mas...
Não, péra. Que diabos, eu estou dizendo isso sim. As coisas que estamos tendo que tolerar são pra lá de inadimissíveis. Ciclovias que ligam o nada a coisa alguma, vazias e mal feitas. Buracos pintados, desníveis perigosos, calçadas totalmente destinadas às bicicletas, e o famoso caso da ciclofaixa em frente uma escola. 


Aqui, os carros param na única pista que sobrou para o desembarque de alunos (faixa azul), para depois atravessarem a ciclofaixa (vermelha e branca). Além da rua ficar parecendo a bandeira na Malásia (ok, pode ser EUA ou Libéria também), nota-se que não sobrou uma pista à esquerda para ultrapassagem dos carros e o evidente perigo de crianças pouco inteligentes acabarem atropeladas por ciclistas pouco inteligentes. Burrice aguda.
Vejam as fotos aqui ou em qualquer outro lugar. 


O que me espanta a esta altura não é a cegueira do prefeito. A gente já sabe o partido dele, já sabe que não adianta esperar muita coisa inteligente vindo dali. De certo modo, entendo o que os cicloativistas estão fazendo: é uma defesa cega e ferrenha das ciclofaixas, muito menos pelo "trabalho" do prefeito, mas mais para estabelecerem o contraponto ao transporte motorizado. Discordo deles, mas entendo enquanto não agem como ciclofacistas.
O que me espanta de fato são os bobos, que nem ciclistas são, e que ficam procurando, obviamente sem achar, razões que justifiquem o que está sendo feito. E como não acham, apelam para todo tipo de falácia disponível (falarei de falácias no próximo post), praticando toda sorte de crimes conta a lógica.
Em tempos de tanta agitação virtual, e até protestos de rua, só peço ao leitor que não seja teimoso e reconheça os erros da atual prefeitura. Do meu lado, mesmo sendo opositor, prometo reconhecer os acertos. 
Pode ser assim ?

terça-feira, 17 de março de 2015

Covardia

Muito covarde a atitude do UOL em matéria publicada hoje sobre Pena de Morte. 
Caso o leitor não queira ler, o resumo dela está no título: especialistas afirmam que pena de morte não reduz a criminalidade. 
É o que eu chamo de meta-estudo (estudo sobre estudos). 88,2% dos especialistas entrevistados disseram que a pena de morte não reduz a criminalidade. O primeiro problema aqui é nivelar todos os especialistas. Quem disse que os 88,2% são tão bons (ou ruins) quanto os 11,8% que discordam? A segunda falácia é que o meta-estudo fala dos EUA, mas a manchete dá a entender que o resultado é global. Mas isso ainda são picuinhas. Vamos ao ponto central.
O ponto central é que a pena de morte não tem por objetivo reduzir a criminalidade. Assutado com minha afirmação? Não fique, pois provarei.
A criminalidade é um conceito de larga escala. É um complexo conjunto de indivíduos (criminosos, vítimas, agentes da lei), eventos (crimes, oportunidades), condições (pobreza, oportunidade) considerados como um todo em uma determinada área. Inclui desde o mais bárbaro ato de terrorismo até uma criança que jogou um chiclete no chão, passando por todas as nuances dessa escala. O maior defensor da pena de morte não pode achar que ela deva ser aplicada até para quem dirigir sem cinto de segurança, é uma situação rara para casos extremos. Acaba sendo, portanto, aplicada poucas vezes. Uma tática aplicada dúzias de vezes não tem como afetar centenas de milhares de eventos. Isso é absolutamente óbvio. 
Há, agora, a questão da aplicabilidade. Se pena de morte for aplicada em casos de homicídio apenas (exemplo hipotético), o ladrão de carros sabe perfeitamente que não está sob risco algum de ir para a cadeira elétrica. Que efeito seria esperado sobre ele então?!
Então, se a pena de morte é pouco aplicada e em tipos específicos de crimes, por que ela deveria afetar o conjunto completo de crimes? Temos aí a primeira grande covardia: cobrar da pena de morte um resultado para o qual ela não se propõe. 
Desviando um pouco do assunto, apenas para esclarecer, a pena de morte visa dar uma solução definitiva para um problema sério, perigoso e que não tem qualquer esperança mais. Um criminoso com múltiplas reincidências já deixou claro que não quer fazer parte do jogo social. Então nós não temos obrigação alguma de conviver com ele. Fim. 
Um último aspecto sobre a criminalidade é que todos os tais "especialistas" afirmam que o que reduz a criminalidade é a educação. Ok, aceito isso. Mas acho que o mais pacifista leitor vai ter que concordar que os resultados obtidos nesse sentido tem sido pífios. E fica aqui a segunda covardia, desta vez não por parte do UOL, ao se duvidar da pena de morte. Os que são contrários à pena de morte dizem que o que reduz a criminalidade é a educação, mas quando precisam criticar a pena de morte subitamente cobra dela a redução da criminalidade. Eles sabem perfeitamente que estão distorcendo os fatos ao dizerem isso e continuam dizendo, justamente por não terem argumentos reais no debate.

Mas o que realmente me trouxe aqui foi o comportamento do UOL acerca da matéria e seu impacto sobre os leitores. Primeiramente vem a área de "links relacionados", todos eles mostrando uns pouco casos bem particulares de condenações errôneas a pena de morte, sempre em tom melodramático. Já temos aí a terceira covardia, ao selecionar apenas um lado da discussão. 
Mas também ocorreu que o raciocínio que eu tracei aqui de modo relativamente apressado não é novidade alguma, e longe de ser conhecimento exclusivo meu. Com maior ou menor sofisticação, os leitores notaram isso tudo e começaram a atacar os pontos fracos da matéria na seção de comentário. Foi quando o UOL covardemente fechou os comentário dessa matéria. A surra estava enorme e eles cansaram de apanhar. Mas em vez de se retratarem ou permitirem que a liberdade de expressão tomasse seu rumo optaram pela versão autoritária daqueles que, uma vez mais, sabem que estão errados mas não querem dar o braço a torcer.

Vergonha, UOL.
Vergonha. 

segunda-feira, 16 de março de 2015

Bombou

Apesar de não eu ter ido por entender que não faz o menor sentido ir, seria ridículo da minha parte negar que foi o assunto do final de semana, em especial no domingo. Até porque a corrida de F1, uma das minhas maiores paixões, mais pareceu uma procissão do que uma disputa.
Claramente a manifestação da sexta-feira 13 foi inchada artificialmente pelas centrais sindicais. Havia gente paga para estar ali, aliás muito mal paga. Isso levanta uma vez mais a questão da responsabilidade política do indivíduo, com a famosa declaração do Barão de Itararé: "quem se vende sempre recebe menos do que vale". E foram R$ 35 mais um sanduba de mortadela...
Nem por isso a tal manifestação foi ilegítima. Se as centrais sindicais optaram por inflar artificialmente o evento, e para variar fizeram de modo tão tosco que foram pegos no pulo novamente, isso só é possível se existe um evento. Então passar ele de 3 mil para 9 mil pessoas com público remunerado (chute meu sem qualquer base séria para fazer afirmações) não muda o fato de que 3 mil pessoas (ok, eu chuto, mas sou consistente nisso) estavam lá. E como nenhum de nós está fazendo uma investigação técnica do que aconteceu, dane tudo isso: qualquer um pode discordar das acusações e não sejamos tolos de achar que ninguém discorda. É direito deles.
No domingo a escala foi completamente diferente, bem como o espirito da coisa. Diferentemente de defender um partido, o domingo. O protesto foi algo entre 20 e 100 vezes maior, dependendo de quem e como conta*. Que sejam 20, lembrando que ainda temos que descontar o inchaço do primeiro. Confesso que esperava maior, mas não semelhante desproporção.
* Já passou da hora de termos uma maneira séria de fazer estatísticas de eventos de rua. Nenhuma técnica mostrada me convenceu até hoje.

Tão relevante quanto a quantidade foi a variedade. Vendo apenas a questão do mandato presidencial, havia pessoas pedindo renúncia, impeachment, intervenção militar e golpe militar. Vamos deixar claro que essas 4 coisas são diferentes, antagônicas se comparadas as duas primeiras com as duas últimas. Ainda assim, essas quatro vertentes estavam de braços dados ontem. Pessoalmente, acho impossível estimar quantos apoiavam cada opção, lembrando que nem todos estava ali para falar do mandato presidencial: muita gente protestava por reforma política e outros contra a corrupção, assuntos relacionados mas diferentes. Só acho que os golpistas são menos numerosos do que a esquerda quer fazer acreditar, para surpresa de ninguém. 
Portanto, amigo leitor, não se iluda ao comprar o 2015/03/15 com o Fora Collor ou o Diretas Já, protestos igualmente grandes, mas de pauta única e homogênea. Este movimento não tem sequer nome, e só isso já indica essa pluralidade.
Isso tudo já mostra, na minha opinião, uma tendência de esvaziamento do movimento. Não acho viável tanta gente com opiniões tão diferentes continuar caminhando unida por muito tempo. 
Nada contra, digo. Entendo que o dia de ontem foi um exercício de tolerância e convivência. O que um inimigo comum não faz..

quinta-feira, 12 de março de 2015

O Disco está Triste

Um sujeito muito alto e magro. Se visto de frente, duas brilhos velhos ocupam o lugar das órbitas vazias. A única maneira de se saber que ele é um grande esqueleto era quando suas mãos - os ossos delas - saiam brevemente para fora das mangas da longa túnica preta que cobria todo o corpo. Mais ou menos assim Terry Pratchett descria Morte. 
Hoje criatura encontrou criador.


Pratchett foi uma das mais brilhantes mentes que se deu ao trabalho de pisar neste planeta. Dono de um humor refinado e apurado, não via fronteiras para os assuntos que tratava em seus livros. Usou um mundo de fantasia - Discworld - para lidar com as coisas do nosso.
Ainda assim, nunca faltou ao respeito com ninguém, sempre mostrando as características intrínsecas das pessoas, grupos e situações de modo exagerado. Certa vez, alguém me definiu Pratchett como "alguém capaz de falar do ser humano como se não fosse um de nós.". Talvez não fosse mesmo, tamanha inteligência que tinha.
Seu estilo fazia o que eu chamo de "piadas em três níveis". No mais baixo, descreve tudo de modo heterodoxo e nem por isso incompreensível. Se um dia toda a produção literária humana estiver digitalizada, Pratchett venceria um concurso de maior quantidade de combinações não usais de palavras. No nível médio, fechava parágrafos com pelo menos uma grande sacada. Era impossível ler seus livros rápido, sob pena de se perder alguma tirada por ainda estar rindo da anterior. No nível mais elevado, buscava referências que ele mesmo plantara em páginas, capítulos ou mesmo livros anteriores. E fazia com maestria, dando ao leitor permanente vontade de reler suas obras. 
Pratchett é um daqueles poucos que não deveriam ter o direito de morrerMas teve.Ou não: viverá para sempre em nossos corações.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Lição de Vida

Era uma vez um garoto chamado João, que morava no interior do Ceará. Pequeno, era chamado de Joãozinho por todos da família e escola. 
Nenhum dos seus colegas de classe gostava dele porque ele era muito burro. Não acertava nenhuma pergunta que a professora lhe fazia e errava todos os exercícios da lição de casa. A professora gostava ainda menos dele, sempre dizendo "Joãozinho, assim você me deixa louca" a cada pergunta estúpida que ele fazia.
Um dia, a mãe de Joãozinho foi à escola para a reunião de pais e professores e perguntou sobre seu filho para a professora. Ela teve um ataque de sinceridade e disse Joãozinho era um completo desastre. Disse que em toda sua vida nunca vira um garoto tão burro e que ele nunca seria ninguém na vida.
Chocada, a mãe de Joãozinho o tirou da escola e se mudou, com toda a família, para São Paulo. Ela tinha certeza de que daria a Joãozinho uma oportunidade na vida.
Vinte e cinco anos depois, a professora, já idosa, adoeceu. Coração, disseram os médicos. Era uma doença rara e de alta mortalidade. Os médicos disseram que era preciso uma cirurgia complexa que nenhum deles era capaz de executar, e que havia apenas um médico no país, no INCOR em São Paulo, capaz de salvá-la.
A professora não desistiu de lutar por sua vida e foi em busca da cura na grande metrópole. Depois de meses de espera, conseguiu ser atendida e teve a cirurgia marcada. Felizmente a cirurgia correu muito bem e ela foi encaminhada para a recuperação.
Quando ela acordou, o médico estava ao seu lado esperando. Ela abriu os olhos e encarou o jovem médico que a salvara. Ao vê-lo, perdeu a respiração. Ela queria agradecer pelo que ele tinha feito, mas não conseguia falar. Com o rosto ficando azul, ela ainda ergueu a mão, mas não conseguiu se expressar, e faleceu naquele momento.
O médico, perplexo tentava entender o que acontecera. Ele então olhou para trás, para onde a professora apontava, e lá estava nosso amigo Joãozinho, faxineiro da clínica, que desligara o respirador para usar a enceradeira. 
Você não achou que Joãozinho tinha virado um competente cirurgião cardíaco, né? 
Tem certeza de que acompanha este blog?

---

Versão traduzida e adaptada de uma postagem no Facebook. Autor original desconhecido. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Porque eu não vou

Próximo dia 15 está marcado um grande protesto contra o atual governo federal. Não estou convocando ninguém a ir (ou não ir) a tal evento, mas fui convidado/desafiado a explicar porque não irei. Deixemos claro então: não irei
Não se trata de uma decisão irrevogável. Posso mudar de opinião, claro. Mas não é uma posição sentimental, é baseada em uma lógica que pretendo expor aqui e, por isso, pouco provável que seja mudada em tão curto período de tempo. Também digo que já pensei diferente, e estive nas ruas em 92, pedindo a saída de Collor por muito (mas muito mesmo) menos do que o que Dillma e Lulla fizeram e têm feito.
Preciso primeiro esclarecer brevemente um par de conceitos aqui. Quando dizemos que vivemos em uma democracia, precisamos lembrar que democracia é um conceito amplo e sujeito a variantes, como tantas ideias. A democracia pode ser direta, quando todos os indivíduos opinam diretamente sobre cada tópico discutido pela sociedade, ou representativa, quando os indivíduos elegem representantes que farão os debates em um fórum menor. Fácil de perceber, os representantes são os políticos. Eles são direcionados aos cargos que ocupam pelo nosso voto, e lá tomam as decisões. 
Em teoria, a democracia direta tem a vantagem de ser ampla e completa, dando potenciais ouvidos a todos os indivíduos igualmente. Esses ouvidos são na forma de consultas populares, plebiscitos e referendos, o que a torna cara e lenta se aplicada de modo absoluto. A democracia representativa, em teoria, torna os debates mais curtos, pois apenas um punhado de eleitos é consultado sobre cada assunto, no caso, em um parlamento. Porém, nem todos os setores da sociedade estão necessariamente representados em um parlamento, e distorções eleitorais podem fazer com que algum tipo de voz tenha força desproporcional. Ou seja, há vantagens e desvantagens em cada opção.
No Brasil, vivemos uma democracia representativa praticamente pura. Embora os mecanismos de consulta estejam previstos e detalhados, foram usados apenas duas vezes nos últimos 27 anos (contando apenas a atual Constituição): parlamentarismo e desarmamento, sendo que neste último caso o desejo popular foi simplesmente ignorado pelo governo (o Não venceu, mas continua impraticável um cidadão comum ter acesso a armas de fogo).
Isto posto, é preciso esclarecer que, uma vez eleito, um político tem seu mandato juridicamente assegurado pelo prazo determinado. Claro que pode ser removido de lá por complexos processos políticos, mas um mínimo de estabilidade é necessário e importante para que possa haver um debate duradouro sobre os temas pertinentes à sociedade. Mas é justamente isso que torna a remoção de políticos algo impraticável.
Digo isso porque apenas o Congresso Nacional pode cassar o mandato, por exemplo, de um Congressista ou do Presidente da República. Se aqueles 513 deputados e 81 senadores não quiserem, nada que não seja o risco eleitoral ou coação física. pode obrigá-los a a votar uma cassação ou impeachment. Na verdade, nada os obriga a coisa alguma. Isso tudo são fatos, amigos leitores, e não contém qualquer tipo de opinião, o que farei a seguir.

Na minha pouco humilde e nada modesta opinião, os representantes do povo podem simplesmente ignorar críticas e protestos pela totalidade de seus mandatos que, salvo algum ato de violência física, nada de mais lhes acontecerá. Nada. O pior que pode acontecer a um mau político é perder a eleição no pleito seguinte. Ainda assim, pode estar bem colocado politicamente a ponto de ocupar cargos junto a colegas que eventualmente venceram. Vide o aparelhamento da prefeitura de São Paulo pelos derrotados do PT em 2014.
Mas se teve uma coisa que a eleição de 2014 nos ensinou é que, sim, protestos e insatisfações populares não significam absolutamente nada sequer em termos eleitorais. E para não partidarizar ou fulanizar (eu avisei que ia usar esse neoverbo) o assunto, tanto Alckmin quanto Dilma venceram suas reeleições. Simples assim. 
Então, eu não acho que Dilma faz um bom governo, muito pelo contrário. Não estou nem um pouco satisfeito com os recorrentes casos de corrupção e apoio totalmente campanhas como "Dilma para Presidente Bernardes". Acho ela, sim, não apenas totalmente incompetente para o cargo que ocupa, mas responsável direta e possivelmente mentora do maior esquema de corrupção que já aconteceu neste país, com poucos casos dessa magnitude no mundo. 
Mas entendo que não faz o menor sentido perder minha preciosa tarde de domingo gritando palavras de ordem direcionadas a um seleto grupo de indivíduos residentes em outra cidade que podem simplesmente fazer vista grossa para isso. Tenho mais o que fazer da vida.

Para quem decidir ir: desejo boa sorte na empreitada e, de verdade, que vocês provem que eu estou errado. Eu queria muito estar errado nisso.

quinta-feira, 5 de março de 2015

USA 4 - Dia 16: Homophobic

Dormi tarde, acordei tarde, como manda o figurino para férias. 
Decidi então ir em algum show de comédia, e parti par ao carrinho de descontos. Optei pelo Laugh Factory, aqui do lado, no Tropicana. Antes disso, o dia consistiu em descansar, comprar MMs e suprimentos de viagem, e almoçar no até então inédito El Pollo Loco.
O show foi bom, sem dúvida, mas ainda tenho muito o que evoluir em meu inglês. Nunca duvidei disso, apenas tinha esperança de estar melhor. E tive meu momento.
A platéia, longe de ser fria, não estava participativa. Houve então, um impasse, no início do segundo show:

- Is there any homophobic guy in the audiance ?
Todos riram, mas ninguém se manifestou.
- Someone ? Anyone ?
Notei que o cara precisava de um, para continuar o espetáculo.
- Me ! - levantei a mão.
- Nice. Where are you from ?
- Brazil.
- Brazil, nice. Are you getting the jokes ?
- What ?
Ok, gerei risos, mas como ri junto ficou claro que eu não era bobo, estava participando. 
- Are you homophobic, sir ?
- Yes, I am.
- Why ?
- Because my boyfriend beated me...
Mais risadas. Acertei o tom.
- Are you trying to steal my job ?
- No. I am trying to seduce you.
Aí sim, dominei uma plateia por 3 segundos. Foi meu momento.
- Ok, NOW you are trying to steal my job. Sit down and shut up. And leave you phone number. 
Justo, ele retomou o controle, merecidamente. 
Na saída, um gerente me ofereceu um par de ingressos para voltar outro dia, como agradecimento e reconhecimento pela participação, mas estou de saída da cidade. Nem por isso, foi menos legal.
Jantei no ótimo Shake Shack, homenagenado a noiva, usei um voucher para pegar 3 Mullers e voltei pro quarto, antes de fazer alguma bobagem. Já no quarto, pensei se não deveria ter respondido "Argentina". 

USA 4 - Dias 14 e 15: Roletas Roubadas

Embora os momentos mais marcantes tenham sido positivos, e no dia 3, preciso nomear o post pelo negativo dia 2. Foi nesse dia que percebi que, realmente, as roletas estão manipuladas por aqui. E resumo, perdi dinheiro em 3 cassinos diferentes, sempre jogando em roleta binária, e sempre vendo sequências absolutamente irreais de resultados. A mais assustadora foi uma de 12 pares consecutivos, na maior cara de pau. Se o leitor duvida das minha conta, embora eu fique devendo fotos, as roletas costumam ter registro dos ultimos resultados. Eu até tirei a foto, mas ficou desfocada. vou pedir que acreditem na minha palavra.
Quanto ao dinheiro perdido, não se preocupem. Não perdi nada que não estivesse provisioando. Tirem o olho do meu Civic !
O caso serviu para duas coisas: entender que a roleta deixou de ser uma coisa séria (eles podem perfeitamente ganhar dinheiro apenas com o 0 e 00, mas estão abusando) e colocar uma questão pessoal no ar, sobre se eu tenho tendência a me viciar em jogos.
Já passei noites em claro jogando Stracraft e Civilization 1 e 2. Gastei horas incontáveis em Doom, SimCity, GTA 3 e Need for Speed. Chequei a perder alguns minutos de jogo do Brasil em Copa do Mundo por causa de Magic: the Gathereing. Com todo esse histórico, é surpreendente que eu tenha resistido a jogar World of Warcraft, mas de fato o medo de me viciar nele foi, e é, enorme. Hoje jogo 4 campanhas de RPG, 4 jogos online/celular e sempre estou em mesa de tabuleiro quando posso.
Sim, eu tenho forte tendência a me viciar em jogos, e vou pensar sobre isso nos próximos meses.

A terça mostrou uma pós decepção. Descobri um cassino que aceita apostas em Nascar. Fiquei puto, pois queria ter apostado em Jimmy Johnson para vencedor em Atlanta, o que de fato ocorreu. Mas pude deixar uns trocados apostados no campeão da Nascar e no vencedor do Superbowl. Neste último, deixei 5 obamas nos Seahawks, como seguro cultural. 
E a noite, foi repetir uma pedida ótima de 2014: Penn and Teller. É difícil contar tudo o que acontece, mas eles fazem um elefante pintado da África (na verdade, é uma vaca) sumir no palco, além de truques clássico como serrar uma pessoa, aparecer um coelho, levitar uma bola, teleportar coisas e pessoas, além do lado ativista incorrigível. 
Adoro esses caras.

quarta-feira, 4 de março de 2015

USA 4 - Dias 12 e 13: De mal a bom

Incrível como dois dias seguidos podem ser tão distintos...
O sábado não era um dia de loucas aventuras, por ter que acordar cedo no domingo. Chegaremos a isso.
Então comecei o dia apostando, e perdendo dinheiro. Comecei nesse dia a suspeitar da seriedade das roletas. O conceito central é o seguinte: uma roleta tem 38 números, sendo 1 a 36 considerados pretos ou vermelhos, pares ou ímpares e altos ou baixo, completando a turma com 0 e 00, que não entram nessas características. Assim, vamos supor um sujeito apostando 1 obama por 38 vezes seguidas no preto (ou vermelho, alto, baixo, par, ímpar). Em uma roleta média e honesta, ele deveria terminar perdendo o ciclo por 2 obamas, pois venceu 18 apostas e perdeu 20. O cassino ganha com os 0 e 00, e tudo bem quanto a isso. Claro que é uma média, e alguns desvios são aceitáveis. Alguns, mas não muitos.
Porém não é o que tenho visto aqui. As roletas estão, para dizer o mínimo, rebeldes. Suspeitamente rebeldes. Comecei a ver sequências peculiares do tipo 8 ímpares seguidos, ou 7 pretos seguidos. Cheguei a ver o 23 sair 3 vezes em 4 rodadas. Mas está acontecendo sim. Isso não deveria acontecer tantas vezes assim. Fica a dica.
Cansado de perder meu tempo, fui fazer algo meio maluco: conhecer um strip club. Afirmo, sem entrar em detalhes, que foi uma completa porcaria. Valeu, apenas e tão somente, para que eu possa ter minha própria opinião sobre isso.
Fiquei puto, fui embora bater perna da Fremont, o centro velho. Continua bonito e meio alienígena pra mim. A novidade foi a tiroleza que instalaram por cima da Fremont, dentro da cobertura. Se tinha em 2013, realmente não notei. Porém, 40 obamas é um tanto além do honesto para isso.

Às 6h toca meu relógio. Eu já estava acordado. Era dia de ir para a pista. Tomei um café da manhã rápido e gosto, e estava esperando a van com 10min de antecedência. E lá fomos para o Las Vegas Motor Speeday, brincar de piloto.
Sim, fui para a pista, de novo, pilotar um carro de Nascar. É terrívelmente divertido. Já tinha feito em 2013, fiz de novo, e farei novamente em outras pistas. Desta vez, não fui tão rápido, mas mais constante. Consegui 3 das 6 voltas quase o mesmo tempo. Se pudesse fazer uma nova rodada debatendo com o chefe de equipe, poderia fazer curvas mais rápidas freando menos e mais dentro, e acelerando mais cedo. Senti que podia fazer isso sim. Senti controle do carro, e ele queria ir mais rápido. Iremos juntos um dia.
Saí de lá já pensando em ver a corrida pela tv, afinal tinha prova em Atlanta: foi o motivo de eu mudar meu horário das 10h30 para 9h. O outro motivo eu já comento.
Chego no hotel esperando pegar a corrida em andamento, mas os motores tinham acabado de ligar: eis que choveu na costa leste, e a corrida atrasou exatamente a 1h que eu precisava. A única nota triste foi que eu quis apostar no vencedor da corrida, mas aqui no sul da strip nenhum cassino lida com Nascar. Fácil falar, mas tenho minha noiva como testemunha: eu previ a vitória do #48. 
E daí acontece o que eu sabia que viria: choveu no deserto. Isso mesmo, Las Vegas recebeu uma chuva considerável na tarde de domingo, que teria cancelado meu programa na pista, possivelmente sem data para remarcar pois a pista será usada no dia 8 para a Sprint Cup. Enfim, tudo se encaixou da única maneira que poderia dar certo. 
Porém, diga-se que Vegas não sabe o que fazer com a chuva. Como é um evento raro (média de 26 dias chuvosos por ano), algo esperado para um deserto, a estrutura não está preparada para isso. Não há bueiros nas ruas, por exemplo. Todas as avenidas e calçadas planas tem eventuais depressões que só aparecem na chuva, e formam poças. As escadas rolantes simplesmente param, e os pisos são absurdamente escorregadios. E com isso tudo, ganhei uma cachoeira no meu quarto. 
Isso mesmo: instalou-se uma enorme goteira em cima da mesa do quarto. E na mesa havia vários objetos meus, incluindo dois livros. A treta acabou bem apesar do susto. Queixei-me com o gerente com máxima calma, que me deu plena razão. Mostrei meu D&D DMG 5th com páginas levemente onduladas, e ele prontamente me reembolsou em um valor maior que o preço de capa. Não posso reclamar de nada portanto.
Com sobras, o melhor dia das férias, mesmo com esse perrengue final.

segunda-feira, 2 de março de 2015

USA 4 - Dias 10 e 11: Nada a declarar

Nada a declarar, amigo leitor. What happens in Vegas stays in Vegas. Como dito aqui, não é correto da minha parte narrar minhas aventuras por aqui: viola as regras locais. Não é ilegal contar, é apenas... errado.
Desculpa, gente.

Mas isso não me impede de especular sobre o que se pode fazer aqui, não?
Uma coisa que me estranha em Vegas é o comportamento de muitas pessoas. Há uma pressa novaiorquina de se divertir aqui. Sim, sabemos que muitas coisas que se faz aqui são raras e pouco acessíveis ao americano médio. Beber abertamente é a que mais me chama a atenção, e eles não querem perder tempo para começar. Mas daí, vi diversas vezes pessoas com aqueles copos enormes de bebida, com refil a preços baixos, na fila de chekin do hotel. Amigos, a fila do cheking é rápida. Eu fiquei menos de 3min nela esperando para ser atendido. Não dá para esperar 5min para tomar a primeira dose? Parece cachorro com fome... E não é pouca gente fazendo isso não, é bastante. 
Vegas é uma cidade cara em alguns aspectos, as a estadia em hotéis pode ser algo bem barato se você souber o que está fazendo. Não venha correndo, use seu tempo, descanse, aproveite o clima, fique dois dias a mais, oras. 
Uma coisa que eu poderia ter feito na 5a-feira, se pudesse contar a vocês, era dar uma passada nos carrinhos de ingressos baratos e comprar um para um show. David Copperfiled, hipoteticamente falando. Parece que custa 72 obamas com desconto.
Copperfield é um mágico bem tradicional, clássico. Os truques que ele apresenta são conhecidos. Segundo eu soube, tem até coisas que eu já vi no show dele nos anos 90, em São Paulo. O que eu não sabia é que ele é um cara muito engraçado, descolado mesmo. Tem domínio total do palco, está fazendo isso há décadas e sabe se virar com situações diferentes, com um chinês bobão que não entende nada do que lhe falam, mesmo em chinês: ao escolher número entre 1 e 50, escolheu 99. Teria escolhido, digo. O cara faz carros, motos e dinossauros aparecerem no palco, além de viajar no tempo não uma, mas duas vezes. Enfim, mestre.

Quanto à sexta-feira, um outro programa, desta vez de dia inteiro, seria conhecer o Death Valley. Se eu tivesse ido, teria descoberto que ele fica na Califórnia, quase todo ele. Não sao excursões para americanos, costuma ter gente de todo lugar como espanhóis, argentinos, canadenses e um casal neozelandezes de Wellington que adorava tirar fotos com a Lua. Ou teria adorado.
Segundo li, o Vale da Morte não é exatamente um vale, embora tenha essa forma. É uma dos lugar mais quentes do mundo, e tem a parte mais baixa da América do Norte, com -85m de elevação. Há um enorme fundo de sal nele, e uma região de 8km impossível de atravessar a pé, pois o sal formou rochas cortantes perigosas: em um só movimento, você cai, se corta, e já joga sal na ferida. Prático. 
Lindo, dizem.

Vou ficando por aqui. Amanhã eu relato o que não fiz no sábado e no domingo.