sexta-feira, 13 de novembro de 2015

As Faixas Contínuas

Interrompo o relato de viagem porque hoje é o dia para contar esta história e fazer uma pergunta (im)pertinente no final.
O caso que aqui lhes conto ocorreu há alguns anos. Não lembro a data exata, mas era uma sexta-feira de GP Brasil de F1, como hoje. É o que eu chamo de "aniversário moral" do ocorrido, independente do que esse calendário repetitivamente bobo de 365 dias diga.
Compramos ingressos para ver a corrida, e dividimos a responsabilidade pelo carro. No primeiro dia, 6a-feira, seria o Danillo Cocenzo (que já era um grande amigo, mas não shifu na época). Na semana da corrida, ocorreu algo que ele estava prevendo: não conseguiu se livrar do trabalho e não poderia ver os treinos livres de sexta-feira. Responsável como sempre foi, disparou com sucesso um plano B: no lugar dele (tanto como expectador quanto como motorista) iria Sr. Gilberto, pai dele.
Danillo nos tranquilizou, dizendo que o pai dele levaria uns 5 a 10 minutos para se acostumar conosco e depois conversaria numa boa. Mentira: no segundo farol o papo já corria solto, como se nos conhecêssemos há anos. Figura, sr. Gilberto !
Foi o sr. Gilberto que nos contou sobre a faixa branca contínua nos cruzamentos de avenidas. Algo como visto aqui, na via horizonta, do lado direito:


O amigo nota toda a sinalização de solo: a Avenida Horizontal tem fluxo da direita para a esquerda, em mão única. A pistas da direita e esquerda permitem conversões para os respectivos lados, enquanto a faixa central deve seguir em frente. Nas proximidades do cruzamento, surgem as faixas contínuas.
É fácil dizer a função das faixas contínuas: é proibido mudar de faixa. No cruzamento representado acima, é fácil entender o porquê: o motorista em uma das faixas laterais está atento à conversão à frente. 
E então, sr. Gilberto nos surpreende.
- Sim, essa é uma das funções da faixa contínua. Mas há outra. 
- Qual ?
- Você já notou que essas faixas existem em todos os cruzamentos, e não apenas onde há conversão ?
- Sim.
- E há mesmo nos cruzamentos onde algumas faixas não são afetas pela conversão, há em todas ?
- Verdade !

(observem o farol sem conversão à esquerda)

- É por causa da farol e da velocidade limite da via.
- QUE ?!
- Se você prestar mais atenção, vai notar que o comprimento da faixa contínua também varia de via para via. Nas vias mais rápidas, a faixa é mais longa.
- Olha... nunca prestei atenção. Mas por que isso?
- Ah, jovem! A faixa contínua também indica que, se você já estiver na área por ela delimitada quando o farol ficar amarelo, pode passar tranquilo pelo farol que só ficará vermelho depois que você passar.
- QUE ?!?!?!?!?!
- Isso mesmo. A faixa é mais longa em vias mais rápidas porque há mais espaço para passar no amarelo. Claro que isso não vale se estiver devagar, mas se estiver próximo do limite da via, dá certo.
Ver e ouvir o sr. Gilberto falando da faixa contínua era parte do espetáculo. Ele conta aquilo com alegria e emoção. Para ele, o carro (e talvez a roda) foi inventado apenas e tão somente para se fazer uso de tão genial criação humana: a faixa contínua.

Passei meses prestando atenção a isso. Procede, simples assim. Nunca tinham me falado disso antes. Nunca mais ouvi mais ninguém falando sobre isso depois. Será que a CET (que sinaliza a cidade) sabe disso ?
Não creio: com tantas mudanças de velocidade, não vi uma única faixa contínua ser encurtada proporcionalmente. 
Sr. Gilberto deve estar bravo...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 21: Iolani Palace, Museum of Art, Sea Life Park e Lighthouse Trail

Quando a sorte protege os desavisados...
Planejamos um dia bem longo, com um monte de coisas para ver. Aqui, devo admitir ao amigo leitor que errei o planejamento. Em minha defesa, acuso o guia Lonely Planet de estar errado ou, pelo menos, desatualizado. Fato é que escolhemos começar por Honolulu e depois pegar a estrada. E o passeio que abria mais cedo era o Iolani Palace. Tudo certo, exceto pelo fato de o passeio exigir reserva. 
Foi então que a sorte nos salvou pela segunda vez. A primeira, com ajuda de conhecimento urbano, foi para achar uma vaga para estacionar no centro da cidade. Honolulu não é um lugar amigável para carros (ou motoristas). O entorno do palácio não tem locais permitidos e os poucos estavam tomados. Então paramos em um estacionamento de um hospital, por míseros 2 obamas por 2 horas. E avenida de acesso estava congestionada pelo movimento perto das 9 da manhã. 
Mas deu tudo certo. Às 9h06 tínhamos ingresso para entrar às 9h15. A visita é excepcional, focada no palácio e nos acontecimentos que nele se desenrolaram. Nada de deuses, criaturas mágicas e eventos celestes para desviar a atenção. Fotos eram permitidas e o guia excepcional. Vimos cada cômodo, cada sala e as mobílias ainda presentes no palácio. Exceto uma mesa, mais de 10 mil itens que havia ali foram removidos por ocasião da proclamação da "república"). Hoje mais de 4 mil deles foram recuperados. Tipo isso:


Ótimo passeio, 4 sabres de luz. Infelizmente, porém, era o melhor do dia no início.
Corri até o estacionamento para renovar as 2h de período (o máximo permitido era 2h, mas os americanos não conseguem ter essa ideia de ir até lá renovar). A avenida que estava congestionada 1h40 antes estava completamente vazia. Coisa de doido esse rush hour havaiano...

Seguimos para o Hawaiian Museuem of Art. Aqui, outra falha do Lonely Planet, que dava a entender um valor de entrada para um museu gratuito. Enfim...
É um museu mediano. Relativamente pequeno, com duas alas separadas. A parte interessante, cerca de um terço, é de arte inspirada em paisagens e cultura havaianas, com barcos, ilhas, praias, festas. Os estilos variam de impressionista para depois, até por uma questão cronológica. Os outros dois terços, bem... arte contemporânea e seus  rabiscos incompreensíveis que minha sobrinha por imitar antes do banho (ou mesmo durante).
Passeio ok, 2 sabres de luz, em função do preço.
Almoço, carro, estrada. era a primeira vez que íamos para o leste, o que nos apontou partes novas da ilha. E belas.

O Sealife Park era para ser um aquário. Até tem um, mas... não convence como parque. O tanque logo na entrada é tudo que tem de realmente interessante, com diversos tubarões de variadas espécies. Fora isso, um aviário e um lago com tartarugas. Pequeno, acanhado, bobo. As coisas legais eram cobradas a parte, como alimentar peixes ou nadar com golfinhos. Um genérico bem mal lavado do SeaWorld. 
Passeio fraco, 2 cocares, em função do preço (não pagamos por assim dizer, pois estava incluso o Go O´ahu Card, mas eram uns bons 40 obamas na porta).

Levamos um tempo até achar a Lighthouse Trail. Até tem estacionamento, mapa... mas faltava uma placa dizendo "Lighthouse Trail", manja? Uma vez achada, tudo fico numa boa. A trilha é asfaltada e, mesmo morro acima, é apenas uma questão de pernas e calor. Sim, estava quente pacas, mas esperávamos algo assim:


Passeio ok, 3 sabres de luz, em função do preço (gratuito).

Jantamos, para surpresa de ninguém, poke.





quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 20: Kailua Ranch e Bishops Museum

Um acerto e um erro, posso dizer sobre esse dia.
  • Kailua Ranch
O Kailua Ranch é uma fazenda com diversas atrações: dia do fazendeiro, passeio de quadriciclo, passeio a cavalo e o que fizemos: tour guiado pela fazenda e locais famosos de filmagens.
Conhecemos toda a história do local, que pelas conexões com seus proprietários se confunde até mesmo com a história do Havaí em alguns pontos. A primeira parte consiste da produção da fazenda: bananas, coco, gado variado, peixes. Nada que impressione, digo.
A segunda parte é um pouco melhor: os locais de filmagens usadas em Jurassic Park, Godzilla, Lost, Pearl Harbor, Como se Fosse a Primeira Vez e muitos outros filmes e séries é quase legal. Ainda assim, acabei achando bobo, superficial até mesmo para um tema superficial. 
Vale mesmo é a vista:


  • Bishop´s Museum
É um museu de curiosidades havaianas. Maior por dentro do que por fora, acabou sendo bastante interessante. Vimos pranchas de surf antigas, totens, uma foto da complicada família real havaiana (abaixo), armas, tapeçaria, roupas... Um dos anexos, de foto científico, tinha um gasilhão de conchas. 
Feito em uma tarde, deu para o gasto e divertiu. 



Um dia ok, devo dizer, mais pela expectativa não atingida no rancho. A curiosidade do dia foi o fato de nosso tour no rancho ter 3 ônibus, um dos quais com guia chinês.




terça-feira, 3 de novembro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 19: Mergulho e North Shore

Na reta final da viagem, já começava aquele sentimento horrível: que bosta, vou ter que voltar para casa...

Acordamos cedo, madrugada de domingo, para a única coisa que me tira da cama cedo em um final de semana: mergulho. Claro que, por acordar cedo demais, fiz besteira: esqueci o computador de mergulho no hotel. Burro agudo.
  • Sea Tiger (Log #23)
O Tigre do Mar foi um barco que, velho/danificado além de qualquer possibilidade de recuperação economicamente viável, foi afundado de modo controlado. Por isso ele está tão horizontal, tão fácil de ver e tão cheio de vida em sua volta. Com o aumento que a água proporciona às imagens, posso ver, mesmo sem lentes, os detalhes da embarcação. Escotilhas, janelas, decks, cabines. E por todo lado corais vão se instalando. Os peixes são essencialmente os mesmos: wassles, butterflies, sargentos, cornetas, moreias. Eu e Lu, independentes um do outro, achamos não um mas dois scorpionfishes crentes que estavam disfarçados de pedra. O fato de estarem no deck do barco meio que os denunciou.
Era mergulho profundo, de 30m, o que mata rapidamente o tanque.
  • Turtle Heaven (Log #24)
Como na véspera, achei o intervalo curto entre os tanques. Preciso estudar mais isso...
O Paraíso das Tartarugas tem... tartarugas. Montes, talvez uma dúzia. Livres, soltas, felizes de nadarem conosco. Impressionante como uma "braçada" delas impulsiona tanto. Os cardumes eram maiores neste local, e só então reparei que os carais-cérebro, em O´ahu são mais roxos ou alaranjados. Deve ter uma explicação biológica complicada para isso. O fundo tem um pouco de areia, mas não chegava a comprometer a visibilidade. 
  • North Shore
Corri até o hotel, peguei o carro e jogamos as coisas dentro dele. Fomos convidados a almoçar com as meninas da escola: Lisa e Rachel. Trocamos emails e estamos nos falando até hoje. E à tarde, pé na estrada: North Shore.
É a costa norte da ilha, que concentra praia lindas e mundialmente conhecidas: Waimea, Pipeline e Sunset. Chegamos ao litoral norte por volta de 15h30, e isso nos permitiu visitar todas.
Como praias, honestamente, não impressionam nenhum brasileiro. Areia, água deliciosa... mas acaba sendo mais do mesmo. Lindas, sem dúvida, mas mais do mesmo. Vale mais para colocar a bandeirinha de "estive aqui". 


Mal aí se você está trabalhando.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 18: Mergulho e Vale dos Templos

Partiu mergulho.
Veja bem, amigo leitor. O caminho de Germaine´s Luau até o hotel levou uma boa hora. E acordamos cedo no sábado (18) para mergulhar, como de costume. Então estávamos na força de vontade, mais do que no pique.
A operação da Waikiki Divers é mais simples que a da Kona Diving Company. Nem por isso menos profissional, divertida, segura e agradável. Fizemos amizade com duas mergulhadoras assistentes, Lisa e Rachel, com quem ainda estamos trocando emails. Aqui, nós voltamos ao esquema de trocar o próprio equipamento, ajudar a carregar cilindros, cuidar um do outro. Em Kona era mais chique, em Waikiki é mais família. 
E custa metade.
Ficamos concentrados na costa sul, por ser mais perto.
  • YO 257 (Log #21)
É um mergulho de naufrágio, algo bem distinto do que estávamos fazendo em Kona. Mais fundo, muito mais rápido, mais perigoso, mais técnico. Injusto dizer menos divertido, embora Kona seja sim melhor.
Pudemos ver detalhes do navio ali afundado, chegar perto das janelas, ir por cima do deck, olhar os porões. Como não temos certificação para entrar, ficamos de foram, mas sem perder tanta coisa assim.
A vida é similar ao que víamos em Kona e Maui: butterflies, sargentos, cornetas, trompetes e wassles. Uma grande tartaruga estava no fundo do casco. Infelizmente o ar acaba muito rápido a 30m, então o tempo de fundo foi de apenas 20 minutos. Fizemos duas paradas de segurança, a 20m e 5m, sempre próximos à corda de apoio. 
Meu novo computador de mergulho estreou aqui, com desempenho impressionante.
Delícia.
  • Turtle Canyons (Log #22)
Muito mais raso, até pelo nitrogênio acumulado na primeira descida, fomos para recifes locais. Notei que esse é o padrão de mergulho e O´ahu: um naufrágio profundo seguido de recifes rasos. Achei o intervalo de superfície curto, mas não questionei o instrutor David.
Não que seja uma surpresa, mas o lugar é recheado de tartarugas. Alguém contou 12. Fato foi que não tinha como ver todas ao mesmo tempo. A profundidade reduzida ainda permitia ficar bastante na água, tanto que passei de 50 minutos pela primeira vez.

Feitos os mergulhos, pé na estrada. O plano era North Shore, mas tivemos uma surpresa. Não me ocorreu ao preparar a rota que estaríamos passando pelo Vale dos Templos. E optamos por ficar ali para nos cansarmos menos.
O Vale dos Templos é uma estrada curta rodeada por belos cemitérios e um templo de cada denominação religiosa estatisticamente relevante (ufa: acho que consegui não ofender ninguém). São algumas variantes cristãs, a católica logo na entrada, depois metodista, batista, mórmom... 
O ponto alto, porém, é o Byodo-In, o último. Budista. Trata-se de uma réplica de um oficial japonês do século XI (ou algo assim). Paga-se 3 obamas para entrar e ver a bagaça. 
De fato, é muito bonito. Pequeno e harmônico. Ele dá entrada ao Vale da Meditação, o que se tornaria uma piada ainda durante o passeio. Há um belo lago rodeando-o, com carpas enorme e incontáveis. O lugar é tão tranquilo que uma tartaruga que estava no lago tinha musgo no casco. Havia também cisnes e pavões selvagens.
Visitamos por dentro (é pequeno, não mais do que 50 metros quadrados) e demos a volta pelo fundo. Foi quando ouvi um estrondo inconfundível: jato supersônico.
Ao olhar para o céu, notei que acontecia um show aéreo em uma baía próxima. É realmente hilária a situação de 4 F-22 Raptors fazendo uma curva em formação fechada em cima do Vale da Meditação. O barulho é infernalmente lindo. Na saída, ainda flagramos uma formação com 6 deles. 

Não tinha como continuar um dia desses: voltamos para Pearl City, jantamos no saudoso Arby´s e tentamos dormir cedo.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 17: Pearl Harbor

Acordamos cedo. Bem cedo. Tipo 5h30.
Pearl Harbor não é longe de Waikiki, coisa de 40 minutos de carro, se tanto. Mas era um dia cheio, como o amigo leitor notará ao longo da narrativa. E o lugar, por ser militar, abre cedo, o que é ótimo.
Chegamos lá sem maiores perrengues, por volta de 7h45. Paramos o carro e passamos pela segurança. Aqui, digo que achei o local burocrático. Meu Go O´ahu Card esta sendo usado pela primeira vez, por incluir absolutamente tudo que o local oferece. Mas são 2 bilheterias e uma parte do passeio é gratuita, então me perdi todo. Vamos em ordem cronológica do que fizemos.
  • Memorial Pearl Harbor
É uma área aberta e muito bonita, embora quente como uma chapa de lanchonete. Há esculturas e painéis relatando os fatos de 7 de Dezembro de 1941, fotos, e um memorial circular listando todos os mortos no ataque, separados por embarcação, sem deixar de mencionar as baixas civis, surpreendentemente poucas.
Cotação Asimovia: 3 sabres de luz.
  • Memorial Arizona
Depois de ver um belo filme de 15 minutos sobre a Battleship Arizona, fomos de ferry até o memorial em si. O memorial é uma estrutura bela e simples, que flutua sobre o Arizona sem tocá-lo. Há um monitor que faz uma explanação sobre o local onde 1177 militares americanos estão sepultados até hoje, e de onde não sairão.
É um lugar triste, onde sentimentos de dor, morte, dever, indignação e patriotismo se misturam. O negativo é a presença de gente sem essa visão, e que acha que aquilo é apenas uma atração turística, tirando selfies sorridentes de fronte ao memorial.
Visita obrigatória.


Cotação Asimovia: 4 sabres de luz.

Pegamos então um ônibus até Ford Island, mais afastada, para a fase seguinte.
  • Battleship Missouri
Comissionada em 1944, a Missouri lutou na WW2 e Coréia. Foi descomissionada, encostada, recomissionada em 1986, modernizada, lutou em Iraque 1 e finalmente tornou-se um museu aberto.
Sua importância é histórica: nela foi assinada a rendição do Japão, e com isso o término da WW2, na Baía de Tóquio em 2 de Setembro de 1945. 
O passeio mostra as capacidades bélicas, canhões, lançadores de mísseis, metralhadoras, estruturas internas, motores, quartos, cozinhas, refeitórios, salas de oficiais e até ponte de comando.
Vale.
Cotação Asimovia: 4 sabres de luz.
  • Pacific Aviation Museum
Na verdade, é um museu em formação ainda. Os caras ganharam um espaço extra enorme e ainda não sabem muito bem o que fazer ali. Na dúvida, estão enchendo o pátio de aviões. Vai ficar bonito um dia, mas por enquanto é apenas um amontoado do aviões e helicópteros.
Pelo menos tinha um F-15.


Cotação Asimovia: 3 sabres de luz.

Como a visita ao PAM foi muito mais rápida que o esperado, ainda havia tempo para mais. Voltamos da Ford Island e Luciana estabeleceu-se na loja de lembranças enquanto eu corri para:
  • USS Bowfin
Um ano atrás eu nunca tinha entrado em um submarino. O Bowfin já é meu terceiro. Na verdade, não há muita novidade depois do primeiro: o lugar é uma claustrofobia viva e monumento à engenharia naval em sua mais nobre forma na minha humilde opinião. 
Cotação Asimovia: 2 sabres de luz.

Saímos de Pearl Harbor às 5h da tarde, mas o dia ainda tinha mais uma atividade. Seguimos de carro para ainda mais oeste, para realizar um pedido de Luciana:
  • Germanine´s Luau
Um lual é uma mistura de música, dança, comida típica e bebida. Estando no volante, a única coisa que me importava era comer algo.
Programado para ir das 6 às 9, o Luau propriamente dito começava apenas às 19h40. Antes disso, uma enrolação infinita de convidar pessoas ao palco, fazer pessoas passarem ridículo tentando dançar a hula e uma comida farta e bem mediana. 
A dança mesmo durou 1h20 e não vi quase nada excepcional, exceto um dançarino com hastes de fogo, que fazia giros muito rápidos e próximos ao corpo com ambas as mãos. Ainda assim, muito mais acrobacia do que dança mesmo.
Sinceramente, uma tremenda enganação. 
Cotação Asimovia: 4 cocares.

O amigo leitor deve ter notado a volta das fotos. Sim, a partir de agora os relatos voltam a ser ilustrados.

sábado, 24 de outubro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 16: Makiki Trail e Kailua

(No sagão de LAX, tentando acelerar blog e me sentindo a criatura mais inteligente do mundo porque consegui configurar meu celular como hotspot para o notebook, enquanto ambos estão carregando as respectivas baterias...)

Fiquei devendo um relato sobre Honolulu, que vai aqui. Como passamos o dia andando pela cidade, vale alguns comentários.
  • trânsito 1 - Achei Honolulu uma cidade surpreendentemente hostil no trânsito. Levei 2 buzinadas nos primeiros 300m, ambas sem razão alguma. As pessoas não dão passagem, mesmo se você der seta. Se forçar uma mudança de pista por necessidade, os caras te xingam mesmo. Achei os motoristas de lá piores que os brasileiros em geral.
  • trânsito 2 - Honolulu é considerada uma das 3 piores cidades para se dirigir nos EUA, ao lado de New York e Los Angeles. Em apenas um dia posso comentar isso: pussies. O horroroso horário de pico deles signifca andar a 40 km/h na Freeway. Quando você pode fazer isso na orla do Rio ou nas Marginais de São Paulo, hein ? São novatos em termos de trânsito.
  • pedestres - Porém, basta você estacionar o carro e virar pedestre que tudo volta ao normal: preferência para atravessar, pessoas gentis, respeito ao espaço do outro.
  • estacionamento - Nível centrão de São Paulo. Difícil, raro, caro e exige malandragem. Mas rola.
  • Organização - Mapa caótico, como cidades não planejadas costumam ser. Ruas curvas, mão única que surge no nada e as comuns (e assustadoras) conversões a esquerda e permissões para virar a esqueda com farol vermelho.
Acordamos no dia 22 numa boa, nos instalamos no quarto e sem pressa alguma, fomos passear. A primeira parada do dia eram as Trilhas de Makiki.
O Waze nos levou ao endereço errado, mas era próximo e a correção não foi terrível. Paramos o carro e entramos no parque para tentar entender a bagaça. O Lonely Planet está muito mal redigido nisso, pois menciona 4 trilhas quando na verdade são 18. E só entendemos mesmo a coisa ao final de uma delas, quando só então havia um mapa completo da região. Fizemos a chamada volta curta, 2,5 milhas em 3 partes. Trilha séria mesmo, precisava de bota, tinha lama, plantas, insetos e Luciana quase morreu (palavras dela !). "Todo mundo (quem?!) viu". Ela se impressionou com as condições do passeio, os barrancos e deslizes. Sem me achar o máximo, usei as mãos como apoio apenas 2 vezes. Era cansativa sim, mas factível. E muito bonita, por subir para o alto do vale de Makiki e trazer lindas paisagens. 
De lá, fomos relaxar na praia de Kailua. Uma praia bonita, sem dúvida, onde estávamos bem cansados e apenas relaxamos por lá um pouco. Estava nublado e não tinha cara de "vamos entrar na água" mesmo.
Voltamos para o hotel e dormimos como loucos, pois a sexta-feira era longa e sabíamos disso.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Hawaii - O'ahu - Dia 15: Centro de Honolulu

Acordamos cedo. Até demais, pois estávamos realmente de saco cheio dos insetos do hotel. Enchemos o tanque do carro para devolução e rapidamente estávamos no aeroporto de Hilo.
Fizemos bem de chegar cedo, pois havia algum perrengue acontecendo na segurança pouco antes de passarmos por ela. Ficamos um bom tempo esperando na fila por motivo nenhum. Começo a entender o bad blood que os TSAs têm por aqui...
O voo foi tranquilo, bem como a retirada de bagagens na esteira. Estávamos com pressa, era um dia apertado... Na locadora, também correu tudo bem, fora o fato do carro alugado (Mazda 2) ser beeeeem fraco.
A primeira parada era no hotel. Tentamos um checkin adiantado, mas não rolou. O importante era deixar as malas no hotel e isso foi numa boa. 
De lá, seguimos para a Waikiki Diving, negociar um pacote de mergulhos por aqui. Ficava a menos de 1km do hotel, mas fomos de carro para salvar tempo. Foi bacana a conversa com o instrutor chefe, que precisava saber com quem estava lidando (nós):
- Vocês são certificados ?
- Sim (os logs estavam na mão).
- Quantos mergulhos ?
- 20. Quer ver ?
- Não preciso. Quando foi o último ?
- Semana passada, em Kona.
- Kona ?
- Sim. Mergulho noturno com as raias.
- Ok. Vocês são dos nossos ou mentem pacas.
Fechamos 2 dias (sábado e domingo) por USD 199 cada. Bem melhor que em Big Island. Mas isso nos forçou a replanejar tudo. Estava separado um dia de mergulho apenas, a quinta (15). 
De volta para o carro, seguimos para o centro de Honolulu. No caminho, o replanejamento estava feito. Paramos em Chinatown para um walktour.
Lugar maluco. Muito mais interessante que a Chinatown de New York. Cada loja tem um cheiro diferente, e forte. Eles se misturam na rua, e o odor resultante é algo como uma mistura de yakissoba, frango frito, borracha, incenso, banana e peixe (os pratos citados eram de ontem ou antes). As loja vendem cacarecos em geral, mas o foco é mais étnico: porcelana, jade, incenso, tecidos e comidas típicas. Vimos belas fachadas, um mercado pavorosamente sujo e um pequeno labirinto de lojas. O término foi triste: chegamos ao templo budista para descobrir que ele fecha às 14h (sério ?) e no Jardim Botânico que fecha às 15 (sério ?!). Eram 15h10.
Repensamos a vida e seguimos para a parte cívica da cidade. Era uma caminhada de 40 minutos, que nos levou ao Parlamento, Palácio Iolani, Washington House, Museu de Arte, Arquivo Central e Aloha Tower (eram 17h05 e ela fechava 17h). Todos muito bonitos e gerando belas fotos (que meu notebook ainda não quer copiar do celular).
Claro que ainda deu tempo de ir ao mercado comprar o café da manhã, quando fizemos cadastro no amável supermercado Foodland, para termos descontos eternos em um monte de coisas.
Um ótimo e proveitoso dia.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 14: Mauna Day

(tá puxado aqui, mas vou terminar !)

Às vésperas de terminar a Big Island, faltava ainda um lugar para, ao menos, pisar. Então planejamos isso cuidadosamente.
A primeira coisa do dia, no entanto, era retornar a Kalapana, a praia preta. Luciana queria explorar mais o cenário quase inóspito, e não seria eu a me opor. Fomos. 
Quente pacas. Lindo pacas.
De lá, Mauna Lea. É uma montanha bastante alta e considerada ainda como vulcão ativo. Não sabíamos muito bem no que ia dar, apenas tínhamos alguma noção de onde olhar. Uma estrada nos levou a um parque nacional onde, depois de 13 milhas de subidas, demos com o início de uma trilha. Só lá (sim, pesquisamos bastante antes no guia de viagem e na internet) soubemos que era uma trilha de 3 a 4 dias. Desistimos, mas apenas porque tínhamos que voar no dia seguinte pela manhã. Ah, se o voo fosse a tarde...
Voltamos ao hotel, almoçamos, lavanderia e pé na estrada: Mauna Kea. O plano era aproveitar o Visitor Center, onde se pode observar eventos celestes em telescópios de alta qualidade, sem gastar um obama. Chegamos cedo (17h20) fizemos contato com a equipe de astrônomos e por lá ficamos até 21h. 
Para resumir, segue a lista de objetos observados:
- Saturno
- Titã (lua de Saturno)
- Andrômeda (galáxia)
- Alberia (estrela dupla)
- Aglomerado de Hércules
- Aglomerado de Pato Selvagem
- Aglomerado M31
- um aglomerado duplo
- Nebulosa do Anel
- Plêiades
- Urano

Isso tudo foi possível de ver em 3 horas de visita. Sem gastar um centavo. Urano, por exemplo, foi pedido meu a um dos astrônomos, que ficou feliz só de saber que eu tinha me informado sobre Urano estar no céu.
Um dia, eu sonhei ser astrônomo, embalado pela série (e leitura de) Cosmos, de Carl Sagan. Virar auditor é um bem distante plano B. Mas sem dúvida, a criança curiosa que fui ainda existe.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Hawaii - Hawaii - Dia 13: Papakolea e Two Step

Eu já tinha visto montes delas em bege. Algumas mais escuras, é verdade. Cheguei a ver brancas, poucas. Aqui no Havaí, pretas não são raras, e já vimos 3. Mas praia verde é para parar tudo e repensar algumas coisas.
Sim, verde. Tanto que pintei a palavra. 
Verde. Papakolea.


Sacou ?
Acordamos no horário de sempre, matamos os insetos de sempre, tomamos o café da manhã de sempre e seguimos para a estrada. Os trechos longos de viagem são até Kona. Qualquer coisa fora isso leva menos de 90 minutos e não assusta nenhum paulistano. O problema é que, uma vez lá, precisamos parar o carro e optar por uma trilha de 3 milhas ou pagar por uma carona em um veículo 4x4. 
Dizem que a estrada é um inferno: a dica que tínhamos do Eric (o guia o passeio do dia anterior) era pagar 20 obamas por pessoa por trecho. Chegamos a considerar ir a pé e voltar de carro. Mas uma vez lá, eram apenas 15, ida e volta. Topamos, indo em um tipo de porta-malas de um carro enorme (eram 10 passageiros). De fato, a estrada é um inferno mesmo. Esburacada, curva, subidas e descidas. Parece a Eliseo de Almeida...
Mas chegando lá, um paraíso na terra. A água arrebenta bastante, mas se você passar a arrebentação, consegue fazer um snorkeling relaxante. Sim, tínhamos levado os equipamentos. Curtimos a praia por cerca de 1h (estimativa, eu não me dei mesmo ao trabalho de olhar o relógio). Voltamos para o carro e seguimos de volta. Curiosamente, na volta, vimos duas colegas eslovenas do passeio da véspera, ainda indo a pé para a praia. Vantagens de ter carro e alguma grana para gastar...
Conversei com o tio sobre onde arrumar pedras verdes e ele me ofertou um pacote. Disse, pelo que entendi, que eu poderia pagar o que achasse justo. Paguei 50 obamas pelo traslado e pedra. Ele pareceu feliz. E eu tinha acordado achando que ia gastar 80 só no translado.
De volta à estrada, fomos a Two Step. É uma praia ruim de achar, já no lado oeste da ilha, ao sul de Kona. Tem esse nome porque o acesso à água tem um par de degraus bem práticos. 
Paramos o carro, fizemos um acampamento nas pedras e fomos para o snorkeling novamente. Finalmente entendi do que se trata o snorkeling. Muitos corais, peixes butterfly, enguias e wassles. Tudo fica a até 3m de profundidade, e com a água que parece uma piscina infantil de tão calma, o limitante é a capacidade de manter a máscara sem embaçar. Pode-se ficar 15 ou 20 minutos ali sem problemas. Fiz 3 ciclos. 
Almojantamos outras porções de poke. Gosto cada vez mais disso...
Cansados, passamos ainda em uma loja de mergulho, para compras. Belo pacote, devo dizer...Dormimos felizes, preocupados com os bugs...