segunda-feira, 27 de junho de 2022

Egito - Dia 13 - Museu Nacional do Egito

Apesar no nome do post, há um dia a mais em relação ao anterior. Ocorre que relatei os dois dias que passamos por Abu Simbel em um post só, e não tinha muito o que falar da viagem de avião para o Cairo, o o restante da tarde descansando um pouco...

De fato, abrimos este dia na porta do Museu Nacional do Cairo. É preciso dizer que, com a inauguração próxima do Novo Museu, o tradicional (que fica na Praça Tahir) está bem sofrido. Muita coisa já foi encaixotada e levada. Muita coisa também foi encaixotada... e ficou ali mesmo. Acaba, com isso, se tornando um passeio abaixo do potencial, embora ainda assim muito interessante:



fotos: Museu Nacional do Egito, Cairo, Egito, 2022.

O ponto alto da visita é a sala com os tesouros de Tutankhamon. O cara nem foi um faraó tão relevante assim. Mas o fato de sua tumba ter sido encontrada intacta e repleta de tesouro tornou a descoberta uma história á parte. A mística é certamente maior que o homem.

Não é permitido fotografar essa sala, e ela permanece lotada por todo o funcionamento do Museu. Mas observar a máscara de perto, a menos de meio metro de distância, é realmente emocionante. Os sarcófagos ainda estão ali, bem como uma boa quantidade de joias e ornamentos.

Aqui tivemos um percalço. O dia ficou curto demais para irmos para o Museu da Civilização Egípcia, previsto pro mesmo dia. Precisamos redirecionar para o Khan El Khalily (seja qual for a grafia que o leitor quiser adotar), um enorme "bazar" (bazar significa loja, e isso não ajuda...). 

Na realidade, é um enorme agregado de vielas, becos e passagens, ocupados por centenas (milhares ?) de lojas pequenas e médias vendendo roupas, souveniers e quinquilharias em geral. Se o amigo leitor se lembra do problema que é comprar coisas no Egito, pode entender agora o que é concentrar essa turba de línguas, cores, odores e culturas e um quarteirão grande e absolutamente compactado de gente.


segunda-feira, 13 de junho de 2022

Egito - Dia 12 - Abu Simbel

Você vai para Abu Simbel?
Você vai para Abu Simbel?
Você vai para Abu Simbel?
Você vai para Abu Simbel?

Não tinha como fugir dessa pergunta. Todas as pessoas que fizeram Egito a sério (para além do Museu Nacional do Cairo e meia dúzia de fotos das Pirâmides) faziam insistentemente essa mesma pergunta. Mesmo depois de avisar que sim, que estava no plano, que tinha hotel reservado, que tinha guia local e tudo o mais, as pessoas continuavam perguntando isso. Às vezes, minutos depois.

O acesso não é nada fácil. Só há voos diretos de Abu Simbel para Aswan ou Luxor;  não há voos para o Cairo. Seria como não haver voos diretos até Foz do Iguaçu além de Curitiba. Confesso que não sabia do que se tratava antes de iniciar os estudos, mas logo ficou claro que era uma parada obrigatória. Segue antes uma breve explicação.

Abu Simbel é, do meu ponto de vista, um ótimo resumo da história do Egito. Ele foi construído no reinado de Ramsés II (sempre ele), bem perto da fronteira com a Núbia como forma de demarcar território, intimidar, demonstrar força, fazer oferendas aos deus e reafirmar o ego do faraó. 

O local escolhido foi uma montanha próxima ao Nilo, que foi escavada sob ordens do faraó para que o templo ali ficasse. A entrada do templo é voltada para o leste, iluminando o corredor principal e as 4 estátuas dos deuses criadores no fundo do templo. Em cada lado da entrada, temos 2 estátuas de Ramsés II em posição sentada, cada uma com 20m de altura. 

Mas isso não é a história toda de Abu Simbel. Pois desde a virada do século XX, o Egito tinha planos de construir a (então) maior usina hidroelétrica do mundo no Nilo. De fato, os planos foram para frente, e isso inundaria diversos sítios arqueológicos, Abu Simbel incluso. A comunidade internacional se uniu e, antes do conceito de financiamento coletivo existir, o grande rateio foi feito. A solução foi mover a montanha por 300m, de modo que ela ficasse de fora do lago. A montanha foi cortada em blocos, transportada, e remontada. 

Não fica mais Egito do que isso...

Vamos tentar (foco na palavra "tentar") descrever o lugar. 

A face norte do corredor de acesso tem pictografados prisioneiros de guerras de variadas etnias da época (gregos, sírios, babilônios...). A face sul, porém, tem apenas nubianos. O interior relatava, mais uma vez, a grandeza do faraó, em particular a famosa Batalha de Kadesh. Porém, os detalhes das gravuras são de incomparável riqueza cultural. Apenas para citar uma observação minha, em nenhuma das imagens de oferendas aos deuses, o faraó encosta o joelho no chão. Embora seja voltado para o leste, a variação das estações do ano faz com que o Sol só batesse no fundo duas vezes por ano: 21 de outubro (data de nascimento do faraó) e 21 de fevereiro (data da coroação). Se isso ainda parece pouco, olhemos para as estátuas dos 4 deuses criadores no fundo do templo, para notar que um deles é o próprio Ramsés II. Isso sequer é novidade no templo, pois em outras partes nota-se ele fazendo oferendas... a si mesmo. 



fotos: Abu Simbel, Egito, 2022

Mas essa não é a única coisa por ali. Afinal de contas, mesmo sendo um homem bastante ocupado, Ramsés II achou tempo livre para ter uma esposa preferida (entre 24 rainhas com quem casou): Nefertari. E construiu para ela um templo a parte, que é outro assombro de tão rico em detalhes. Enfim, isso aqui:


foto: Abu Simbel, Egito, 2022

Depois de ver essas construções colossais, obviamente quisemos voltar para o Show de Som e Luzes à noite. Já tínhamos feito dois shows antes, e sabíamos que não ia ser grande coisa, mas o ponto era estar lá mais um pouco. Ocorre, porém, que esse show foi renovado recentemente. É absolutamente imperdível, com brilhante aproveitamento das estruturas, som, música, narração e.. .surpresinhas. 

E no ritmo de "começou, termina", compramos ali mesmo os ingressos antecipados para voltar lá logo cedo, pois nosso voo para o Cairo saía apenas às 10h30. Com isso, pudemos ver o interior de ambos os templos com a luz matinal, que é diferente da luz vespertina. 

Então resumindo. 
P. Você foi para Abu Simbel?
R. Sim, fui 3x em 24h, e passei mais tempo por lá do que dormindo nesse período. Tá bom pra vocês?

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Egito - Dia 11 - Aswan, Philae, Elefantina e mais

Amigo leitor, o título do post já indica uma correria danada neste dia de viagem. E não é uma indicação injusta. 

Antes das 7h da manhã, já estávamos a caminho da represa e Aswan. Para quem já visitou Itaipu e mesmo Hoover, não achei particularmente impressionante. Mas a barragem é motivo de orgulho para os egípcios, então mantivemos o respeito. E não se nega sua importância, tanto no que se refere à geração de energia hidro elétrica quanto para manter o Nilo calmo e comportado. No mesmo local, há um monumento que expressa a amizade entre egípcios e soviéticos, que financiaram a empreitada na época. 

Sem perdemos mais tempo, tocamos para Philae, um importante complexo de templos. O acesso é feito por barco, dado que ele se localiza em uma ilha. Philae teve sua fase faraônica, por volta da 25a ou 26a dinastias, sendo restaurado e ampliado na fase ptolomaica. Naturalmente, os romanos tiveram tempo de dar seus pitacos posteriormente. Este foi um dos muitos monumentos realocados por ocasião da construção da barragem de Aswan. 

Foto: Templo de Philae, Aswan Egito, 2022.

Na saída, com os devidos ajustes feitos por Dr. Safwat, o barco fez um desvio para visitarmos a localização original do templo, reforçando o entendimento de que ele estaria submerso hoje sem a realocação.

A parada seguinte é um local curioso. No meio da cidade de Aswan fica um sítio arqueológico onde foi uma pedreira importante no passado. Nele está o Obelisco Inacabado. É um passeio rápido, mostrando como era o trabalho inicial de encontrar uma pedra nas condições corretas para transformá-la em um obelisco. 


Foto: Templo de Philae, Aswan Egito, 2022.

Uma passada rápida pelo barco para o almoço e seguimos para o passeio de feluca, um tipo de embarcação a vela para passeios contemplativos. Não é exatamente meu estilo, mas isso não significa que foi ruim. 

O barco nos deixou na entrada do Jardim Botânico de Aswan. Não havia tempo para aproveitá-lo por inteiro (talvez tivesse sido melhor deixar o feluca para lá...), mas o que pudemos ver foi realmente agradável. Não entendi nada quando um gato residente resolveu fazer as vezes de guia, e ficou me mostrando o caminho que eu deveria seguir na opinião dele...


Foto: Jardim Botânico de Aswan, Aswan Egito, 2022.

A parada seguinte era Elefantina. Trata-se de uma ilha que, com o vai e vem da fronteira da civilização egípcia, ficou trocando de mãos ao longo de tempo. Logo, há características tanto egípcias quanto nubianas nas ruínas locais. 


Foto: Elefantina, Aswan Egito, 2022.

Seguimos rio acima, até a última parada do dia: Vila Nubiana. Trata-se de uma vila com modo de vida típico dos nubianos, embora focada em receber turistas o tempo todo. A confusão de cores, cheiros e sons era enorme. Grande mistura de idiomas e dialetos, e mesmo os hábitos locais eram estanhos. Pudemos visitar uma típica casa deles, onde simplesmente se vai entrando e vendo as coisa sem a menor cerimônia. O pet da casa era um crocodilo.


Foto: Vila Nubiana, Aswan Egito, 2022.

Na volta, checando nossas anotações de viagem, descobrimos que a programação estendida nos custou o show de Som e Luzes em Philae. Embora outras pessoas tenham dito posteriormente que o show é muito bom, não achei nada no youtube para corroborar tal afirmação.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Egito - Dia 10 - Edfu e Kom Ombo

Nossa viagem, neste ponto, assume o formato de Cruzeiro mesmo, conforme comentado em post anterior.

Chegamos muito cedo ao Templo de Edfu. Uma parte desnecessária do passeio é fazer o translado entre o barco e o templo de charrete. É uma fila interminável de charretes, todas equivalentes entre si, para fazer um caminho com força animal sem qualquer necessidade. Balança pacas, não é particularmente atrativo e temos que vem, não raramente, certo grau de abuso com os cavalos para um trajeto de pouco mais de 1km. Evitem se puder. 

A chegada foi igualmente complicada, pois alguma coisa entre 12 e 20 barcos estavam atracados no mesmo porto no mesmo dia para fazer o mesmo passeio. Filas enormes nas bilheterias (não tinha como comprar antes ?), na entrada e em cada ponto de interesse do templo. Juntar tudo na mesma programação semanal é burrice aguda. 

Não obstante, o lugar é lindo. Trata-se de um grande templo do período ptolomaico, e isso se nota em variações no estilo de arte e construção. Há grandes corredores externos, cercados por duas enorme muralhas como destaque.


Fotos: Templo de Edfu, Edfu, Egito, 2022.

Voltamos ao barco para almoço e algumas horas de navegação. Se não me enganos, foi quando aconteceu o incidente com o Portuga. Descansamos  um tanto (nada mal) e chegamos ao igualmente lotado Templo de Kom Ombo. 

Kom Ombo é um templo singular, por fazer oferendas a basicamente duas divindades: Sobek e Hórus. Mesmo Sobek, em alguns trechos, pode fazer referência a Horaris, que apesar do nome não tem relação com Horus, mas com uma divindade local em forma de crocodilo. A parte superior das colunas frontais foi cortada para construção de engenhos de cana de açúcar enquanto a parte inferior estava embaixo da areia e se salvou.


Fotos: Kom Ombo, Edfu, Egito, 2022.

Na saída, deixamos 10 minutos para o Museu dos Crocodilos, mas isso se mostrou exagero. Não era grandes coisas.

Voltamos para o barco, em um dia interessante e curto.


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Egito - O Cruzeiro

Nunca tinha feito um cruzeiro. Logo, muitas das coisas a ele relacionadas foram novidade pra mim. Para quem já fez, e não é algo incomum, posso estar sendo bobo ou pouco observador. Mas optei por fazer o post apenas sobre isso.

Um Cruzeiro é, em resumo, um hotel que se move. Temos, portanto a grande vantagem dele já estar próximo à atração deseja, exigindo mínimos deslocamentos ao atracar. Por outro, seu quarto, restaurante, piscina e banheiro também se movem e isso pode ser incômodo.

O Cruzeiro no rio Nilo é extremamente tranquilo em termos de movimento. Não apenas é um rio, mas é um rio que ficou bastante comportando depois da construção da Barragem de Aswan. Deste modo, mal se nota o movimento do barco. É possível iniciar uma refeição com janela enquanto o barco está parado e terminá-la com ele em movimento sem se notar. De fato, isso ocorreu uma vez. As navegações noturnas também não perturbaram o sono, em absoluto. Esse aspecto, então, foi um sucesso retumbante. 

Todas as cabines tinha vista para fora, o que não acontece nos grandes cruzeiros marítimos. Era uma vista bonita, mas sem terraço na cabines. Não sei dizer se a vista me faria falta, portanto. A cabine em si era bem adequada, não faltou espaço. O banheiro era reduzido, mas não apertado. Houve um problema hidráulico nele, mas que foi solucionado durante uma das saídas. Nosso camareiro parece um rapaz muito feliz com o que fazia, sempre prestativo e sorridente. 

A comida era ok. Nada espetacular, mas adequada. Como era buffet livre, caso o cardápio de modo geral não agradasse era possível focar no que fosse mais interessante. As bebidas, como esperado, estavam com preços acima das de um restaurante comum. Nos bastava passar reto por isso e nenhum problema acontecia.

Achei curioso o restaurante ter mesas fixas para as cabines. Cada hóspede tinha a sua mesa, sempre a mesma. Não é o que eu esperava em um local onde espaço é o bem mais escasso. E tínhamos uma boa mesa, com vista para rio (nem todos eram assim). 

O deck superior tinha um solário e uma piscina. Não me empolguei de entrar a princípio e isso se mostrou um acerto. No 3o dia a água estava turva. Tentem imaginar no final... As espreguiçadeiras, no entanto, eram muitas e tratamos de usá-las sempre que possível. 

Houve alguns tipos de shows musicais noturnos. Era o que dizia a programação, mas nosso cansaço físico aliado ao meu desinteresse por música e especialmente dança não me deixaram sequer ir ver do que se tratava aquilo.

A estrutura de passeios terrestres, porém, é péssima pela simples razão de todos os cruzeiros fazerem os mesmos itinerários nos mesmos dias e quase nos mesmos horários. Tudo fica lotado de turistas apressados, pois o intervalo é curto. Nesse ponto, é muito melhor não fazer o cruzeiro e achar outro modo de visitar esses pontos, sobre os quais ainda escreverei.

Claro que tivemos um entrevero.

Em dada oportunidade, chegamos para almoçar e nos deparamos com nossa mesa ocupada por outros hóspedes. Achamos não apenas incômodo, mas surpreendente, dado que as regras eram claras e estavam sendo cumpridas já há 2 dias sem surpresas. 

Fizemos uma queixa a um tripulante, que repassou o assunto ao gerente geral. Ele veio falar conosco. Explicamos novamente o problema e, em pouco minutos, nossa mesa estava liberada dos invasores. O almoço transcorreu sem percalços, mas a história não acabara. 

Na saída, fomos abordados pelo hóspede que ocupou nossa mesa. Ele se identificou como português a o diálogo seguiu em nossa língua comum. No entanto, ele estava indignado de não poder se sentar na mesa próxima a seus amigos. 

O pingo de empatia que eu estava criando desapareceu quando ele continuou a falar e disse que ia ocupar aquela mesa de um jeito ou de outro. Nesse momento, desapareceu qualquer vontade minha de ser simpático ou aberto a negociação. Explicamos que a mesa era fixa, era nossa e assim continuaria a ser. Ele disse que chamaria o guia dele para resolver o problema e nós dissemos que chamaríamos o nosso.

Foi a última vez o que vimos. Em nenhuma das refeições seguintes, ou qualquer outra parte do barco, notamos a presença do portuga. Não que ele tenha sido ejetado do barco, mas apenas sumiu.

Soubemos, por nosso guia, que o grupo dele saiu do barco 4h30 do dia seguinte para tentar chegar cedo a um passeio, mas ficaram retidos por 3h na estrada dentro da van. Não senti pena.

Minha conclusão é que cruzeiro são sim atividades interessantes e válidas. Pode-se tirar muita diversão nele, e aproveitar os locais onde ele para. Mas exigem um bom estudo de roteiro também. No caso particular do cruzeiro no Nilo, valeu mais como primeira vez do que pelo cruzeiro em si, e certamente não faria novamente.

terça-feira, 31 de maio de 2022

Egito - Segundo Post Intermediário

Fazendo outra pausa na narração e descrição da viagem, estou aqui separando um tempo para tentar condensar as coisas negativas que eu vi no Egito. Como no anterior, peço ao amigo leitor que visite o post depois de alguns dias de publicado, pois posso lembrar de alguma coisa e adicionar aqui.

Então vamos lá: coisas negativas que eu vi no Egito.

- Negociação para tudo. Raras exceções, é preciso negociar cada preço de cada item comprado. Isso não se aplica a água e comida, mas a todo o resto. Cada lembrancinha tinha o preço negociado, e a primeira oferta vinha sempre em valores estratosféricos. Sim, isso cansa e ofende, a ponto de termos perdido o interesse em comprar qualquer coisa que fosse. 

- Propina para quase tudo. Eles querem propina para tudo: tirar uma foto, entrar em uma área fechada ou até usar o banheiro. O tempo todo é isso. Vindo de um país que passou (e passa) por uma revisão de conceitos exatamente sobre isso, é bem desagradável esse tipo de comportamento.

- Lixo. Há lixo por toda parte, mesmo nos poucos locais com lixeiras. Ninguém se importa muito com isso e todo o cenário fica feio. Não estou falando apenas de ruas e calçadas, mas mesmo nos sítios visitados pode-se encontrar sacos, embalagem de comida, garrafas... tudo. 

- Trânsito no Cairo. A cidade do Cairo tem um trânsito péssimo, e isso é o comentário de um paulistano. Em diversos trechos, notava-se pelo Google Maps que era mais rápido ir a pé até o destino. Mesmo fora dos horários de pico, mesmo em finais de semana.

- Clima. O Egito é quente e seco. Isso não foi qualquer surpresa, mesmo eu dizendo muito quente e muito seco. Mesmo bebendo volumes inenarráveis de água, o corpo sente muito o impacto. Foram vários dias com temperatura acima de 40oC e a umidade jamais passou de 12%.

- Água Suspeita. Desde o primeiro dia, e ao longo da viagem, sempre fomos informados de que a água encanada é boa o suficiente para o banho, mas não para beber ou mesmo escovar os dentes. Isso nos obrigou a consumir volumes incríveis de água mineral e cortar as saladas cruas da alimentação.

- Motoristas Alucinados. Isso não foi apenas no Cairo, mas no país todo. A total falta de consideração pelas mais básicas normas de trânsito é onipresente e pavorosa. Sinal vermelho, mão de direção e faixa de rolamento "são coisas para outros", pensam todos eles. É frequente o uso de contra-mão, ultrapassagem em locais proibidos (e perigosos) e estacionar em fila dupla ou até tripla. Ninguém usa cinto de segurança e não vi um único capacete no país todo, por mais de um mês de procura. 
Ah sim ! Pedestre não vem prioridade não. Faça-se corajoso para poder atravessar ruas ou avenidas de 7 pistas. Boa sorte e tenha um bom seguro de viagem.

- Religião. Egito é um país muçulmano. As regras dessa religião, para quem tem um pingo de moderação, valem apenas para os seguidores. Sabemos que regimes controlados por fanáticos torturam e matam pessoas que não seguem essas regras arbitrárias, mas não é o caso do Egito... Até você estar lá. 
O turista não é obrigado a seguir as normas do islã... Mas no Ramadã as atividades fecham 1h mais cedo e azar o seu.
O turista não é obrigado a seguir as normas do islã.. Mas o McDonald´s não quis me servir um simples cheeseburguer, tinha que ser sem queijo.
O turista não é obrigado a seguir as normas do islã.. Mas não existe bacon em nenhum lugar do país, muito embora seja bem fácil tomar cerveja.
Isso sem falar em mulheres usando burca preta de corpo inteiro com a temperatura ambiente na casa dos 40oC.
Sim: isso incomoda pacas.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Egito - Dia 09 - Vale dos Reis

"- Tá, cara. Beleza. A gente entende que é muito f***. Mas não tem como seguir nesse nível."

Amigo, você pelo menos leu o título do texto de hoje? Então...

Seguimos até a entrada do vale dos Reis, onde Dr. Safwat já tinha um plano montando, ainda que sujeito às condições do dia. A entrada era um pouco caótica, com poucas bilheterias. O próprio local não era tão simples de ser visitado, pois há um conjunto de grande de tumbas básicas, sendo possível visitar 3 delas, e as tumbas especiais, com ingressos à parte. Essa lista não fica exposta de forma clara, e mesmo as tumbas básicas vão sofrendo alterações no que está disponível. Tudo isso exige que o turista pergunte ao bilheteiro no momento da compra. E não é nada que um flipchart não pudesse ter resolvido...

De posse dos ingressos, passamos pelo centro de visitantes, onde uma maquete em acrílico, para mostrar a profundidade e formato das tumbas, chamava a atenção. Pegamos então um carrinho que economizava uns 5 minutos de caminhada e estávamos na parte central do vale. Iniciamos, então, as visitas:

Meremptah (KV08). A tumba deste faraó da 19a dinastia não está tão bem preservada assim, embora o sarcófago e um tipo de "cabana" onde ele ficava originalmente sejam belíssimos de ver. As 8 colunas atualmente exercem apenas a função estrutural, mas pode-se imaginar o lugar em seu pleno esplendor no passado distante. 

Foto: tumba de Meremptah, Vale dos Reis, Luxor, Egito, 2022.

Ramsés V e Ramsés VI (KV09). Dado meu desconhecimento sobre esta tumba, preciso dizer que impacto foi enorme. Eu não sabia que a preservação era tão boa, nem do grau de detalhe das gravuras em toda esta tumba, inclusive o teto. Todos os corredores e salas vão juntando as homenagens e respeitos aos deus e aos variados livros religiosos (não apenas ao Livros dos Mortos).


Fotos: tumba de Ramsés V e Ramsés VI, Vale dos Reis, Luxor, Egito, 2022. 

Seti I (KV17). A tumba de Seti I é uma das que tem pagamento à parte. Neste caso, foram 1000 libras egípcias (250 reais aproximadamente), que já sabíamos ser necessários e já sabíamos que íamos gostar de visitar. Mas não tínhamos a menor ideia... 

A tumba não apenas é enorme, mas tem diversos corredores e câmaras. A decoração é finíssima, toda em alto relevo e pintada em grande precisão de detalhes. As cores e os acabamentos são os mais bem preservados de todo Vale dos Reis. Visita obrigatória.


Fotos: tumba de Seti I, Vale dos Reis, Luxor, Egito, 2022.

Tutanhkamun (KV62). Outra tumba paga a parte (100 libra egípcias = 25 reais), é um passeio absolutamente obrigatório e sem graça. Isso mesmo. Sem graça por ser pequena, apertada, lotada e com decoração muito simples para os padrões do Vale dos Reis, talvez reflexo do fato dele ter tido um reinado curto e ter sido assassinado muito jovem. Obrigatória pela fama da história da descoberta, pela quantidade de tesouros que lá havia e toda a mística que envolve um nome que, normalmente, seria mero rodapé de página na história egípcia. 



Fotos: tumba de Tausert e Setnakhte, Vale dos Reis, Luxor, Egito, 2022.

Tausert e Setnakhte (KV14). Depois do impacto de Seti I, era complicado continuar o passeio. Mas era o dia para isso. Uma breve caminhada nos levou a esta que é uma das mais longas tumbas do Vale dos Reis. Temos aqui a curiosidade de serem duas tumbas, por originalmente ter sido feita para Tausert (mulher) e depois expandida para Setnakhte (homem). 


Fotos: tumba de Tausert e Setnakhte, Vale dos Reis, Luxor, Egito, 2022.

Ramsés I (KV16). O uso de uma cor de fundo alternativa, esse cinza-meio-azulado visível na foto abaixo permite o uso do branco na pintura das roupas. Eu não notei isso antes deste momento, e foi o que me chamou a atenção nesta tumba.


Fotos: tumba de Ramsés I, Vale dos Reis, Luxor, Egito, 2022.

Neste momento do dia, havíamos terminado o Vale dos Reis, embora meu ingresso geral estivesse com apenas duas das três marcas feitas. Em tese, eu poderia entrar em mais alguma das tumbas regulares. Porém, Dr. Safwat havia prometido uma surpresa e eu não quis tumultuar o plano dele. Fiz bem.

Ay (WV23). Ay foi o sucessor de Tutanhkamum, governando por apenas 2 anos. Foi realmente um período turbulento. A tumba guarda muitas semelhanças com a de seu antecessor, sendo teoria de alguns que esta deveria ser a dele. 

Foto: tumba de Ay, Vale dos Reis, Luxor, Egito, 2022.

O dia ainda reservaria algumas aventuras, no entanto. Foi quando iniciamos, de fato, o Cruzeiro pelo Nilo, do qual falarei no próximo post. 

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Egito - Dia 08 - Vale das Rainhas

A fase de Luxor da viagem foi, sem dúvida, a mais impressionante. Encaixamos uma quantidade assombrosa, mesmo para nossos elevados padrões, de passeios inesquecíveis. Siga acompanhando, amigo leitor...

Este foi um dia para acordar cedo. Para que o amigo tenha ideia, a primeira foto foi tirada às 4h33, já a caminho para o famoso passeio de balão. Tudo foi acertado na véspera, com forte influência de nosso guia, Dr. Safwat. Pesquisando posteriormente, descobrimos que não pagamos um bom preço não, e não era questão de antecedência. Falhamos nisso. 

Voar de balão se mostrou muito seguro e tranquilo na minha visão. Levei agasalho para passear, pois a temperatura local é eternamente elevada. Decolagem e pouso se mostraram bem tranquilos, assim como nosso condutor, sempre brincalhão e bem humorado. 

O passeio consiste em voar sobre monumentos e sítios na margem oeste do Nilo. Muita coisa vista por baixo na véspera foi vista por cima nesse passeio: Habu, Ramesseum, Colossos de Memnon... 




Fotos: vistas áreas da margem oeste do Nilo, Egito, 2022.

O segundo passeio do dia era o Vale das Rainhas. Apesar do nome, não são apenas rainhas, no sentido de alguma esposa relevante de um faraó, que estão sepultadas ali, mas também príncipes e até alguns nobres. Não é um assunto, assim, direto e reto. Novamente, estava previstas 3 visitas, mas fizemos as seguintes 5:

Nefertari (QV-66). Esposa preferida (de um total de 24) de Ramsés II, não há dúvida de que ela recebeu uma tumba a altura de seu faraó. De certo modo, foi até errado começar a visita por ela, tamanho o impacto visual que nos causou. Tetos, paredes e colunas são ricamente ornamentados, com inscrições em alto relevo e pintura. A preservação está excelente, sendo possível apreciar toda a qualidade do trabalho feito há mais de 3.200 anos. 



Fotos: tumba de Nefertiti, Vale das Rainhas, Luxor, Egito, 2022.

Amen Khopshef (QV=55). Príncipe, filho de Ramsés II, morreu muito jovem, antes de completar 15 anos. O estilo é similar à de Nefertiti (acima), mas as cores são mais claras e há mais uso de branco como fundo, tornando a visualização mais fácil. A preservação ainda é muito boa, mas fica um patamar abaixo.



Fotos: tumba de Amen Khopshef, Vale das Rainhas, Luxor, Egito, 2022.

Titi (QV-52). Irmã e esposa de Ramsés III, possivelmente mãe de Ramsés IV. Não julguem. A tumba não guarda tão boa conservação quanto as anteriores, com as cores já apagadas pelo tempo. As referências aos 4 filhos de Hórus são bem claras, no entanto.


Foto: tumba de Titi, Vale das Rainhas, Luxor, Egito, 2022.

Kha Em Wast (QV-44). Mais um filho de Ramsés III, temos uma tumba com mais referências ao faraó do que ao próprio filho ali sepultado. Bastante uso de amarelo como cor de fundo marca a decoração.


Foto: tumba de Kha Em Wast, Vale das Rainhas, Luxor, Egito, 2022.

Pashedu (QV-03).


Foto: tumba de Pashedu, Vale das Rainhas, Luxor, Egito, 2022.

Calma, gente. Ainda são 11h15 da manhã neste ponto da narração. Ainda tinha coisa para ver e fazer.

Estávamos prontos para pular o almoço quando chegamos em um local onde artesãos fazem trabalhos em pedra e alabastro à moda antiga. Aqui ficam dois sentimentos conflitantes. Por um lado, fomos incrivelmente bem recebidos, com muitos sorrisos, água e comida. Por outro, eu não conseguia me entender bem com as ofertas artesanatos de supostamente qualidade superior. Não consegui separar coisas incríveis das nem tanto assim, e havia uma pressão social por compramos algo, dado que havíamos sido tão bem recebidos. Por mais que se falasse "sem compromisso", foi uma pressão desagradável pela qual eu gostaria de não ter passado. 

O passeio primetime do dia era o próximo, por incrível que pareça: Templo de Hat Shep Sut. Quem conhece o nome, já entendeu porque essa era a principal atração do dia. Antes de mais nada, explica-se que Hat Shep Sut era filha de Tutmés I, irmã e esposa de Tutmés II e mãe de Tutmés III. Mas o que pareceu uma linha sucessória masculina e simples teve um período de 22 anos com ela no poder, depois da morte do esposo e antes de passar o trono para o filho. E isso era uma situação altamente irregular para os padrões egípcios. E não é que ela governou como regente, fez questão de ser vista e reconhecida como faraó.

Tanto que, ao querer construir uma tumba para si no Vale dos Reis, os sacerdotes finalmente surtaram com ela e a obrigaram a construir no Vale das Rainhas. Não se dando por vencida, Hat Shep Sut construiu então um enorme templo no Vale das Rainha, no lado em que apontava para o Vale dos Reis, do outro lado da cadeia montanhosa. E fez uma túnel tão profundo para colocar seu próprio sarcófago que ele acabou ficando, tecnicamente, do outro lado da montanha, já no Vale dos Reis, por mais que o acesso não seja por ali.

O templo em si é um deslumbre por si só, com toda a sorte de imagens e oferendas aos deuses. A conservação não era das mais incríveis, mas é um lugar fenomenal de se visitar.



Fotos: Templo de Hat Shep Sut, Vale das Rainhas, Luxor, Egito, 2022.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Egito - Dia 07 - Vale dos Nobres e Ramesseum

O dia começa com um passeio que tem mais nome do que resultado: Colosso de Memnon. Apesar do nome pomposo, são duas estátuas razoavelmente danificadas, instaladas lado a lado. Já tinha visto maiores e melhores sem a alcunha de "colosso". Devo anotar aqui que, não mais do que 500m depois há um sítio arqueológico em estudos. Estima-se cerca de 24 estátuas similares em processo de remontagem. Dentro de 3 a 5 anos, esse local estará bem mais interessante. 

Seguimos então para o Vale dos Nobres, visitar o que fosse possível por lá. E havia bastante coisa interessante. Das 3 tumbas previstas, visitamos as seguintes 4:

Rekhmire (TT 100). Vizir e governador de Tebas, nos reinados de Thutmose III e Amenhotep II. Cenas da vida cotidiana de um nobre (não de cidadão comum) percorrem toda a tumba. As cores estão primorosamente preservadas. Observem a girafa na primeira imagem abaixo.


Fotos: Tumba de Rekhmire, Vale dos Nobres, Luxor, Egito, 2022.

Sennefer (TT-96). Governador de Tebas no reinado de Amenhotep II. A tumba tem um grau de conservação absurdo. O teto, com variados padrões de decoração, parecia ter sido pintado na semana anterior. No fundo, uma sala maior com 4 colunas mostram cenas religiosas diversas. Um encanto de lugar, realmente surpreendente.


Fotos: Tumba de Sennefer, Vale dos Nobres, Luxor, Egito, 2022.

Menna (TT-69). Outra bela mesclagem de imagens da vida cotidiana e da vida religiosa em um só lugar. Novamente, cores muito bem preservadas.

Foto: Tumba de Menna, Vale dos Nobres, Luxor, Egito, 2022.

Amenemopet (TT-41). O estilo desta tumba era diferente. As pinturas deram lugar a gravuras em baixo relevo, mostrando boa condição financeira de quem foi ali sepultado. No caso, era o filho de um nobre e juiz local. 

Foto: Tumba de Amenemopet, Vale dos Nobres, Luxor, Egito, 2022.

Estão curtindo? Calma, que mal passamos das 10h da manhã...

Rammesseum foi uma das muitas obras de Ramsés II. Convenhamos, o cara ficou no poder por 67 anos (alguns dizem que foram "apenas" 61), então houve tempo de sobra para esse tipo de construção. Segundo estudiosos, o projeto deveria ser um mausoléu, mas acabou não sendo utilizado para essa finalidade.

O templo tem uma estátua quebrada de Ramsés II e toda sorte de colunas e paredes decoradas. A inescapável batalha de Kadesh está ricamente representada. A parte superior do corredor apresenta uma estranha conformação que a torna incrivelmente mais fresca que o entorno, pela conformação de paredes que traz ali um vento refrescante. 


Fotos: Ramesseum, Luxor, Egito, 2022.

Calma, amigo leitor. Ainda tem mais um passeio.

O Templo de Habu é principalmente um templo de Ramsés III. Com mais de 150m de comprimento, todo seu interior é decorado com cenas históricas e religiosas. As inscrições em baixo relevo foram pensadas para serem vistas de longe. Quanto mais elevadas, maior suas profundidades, podendo chegar a 20cm para permitir melhor contraste com a luz. 

Templos menores de Horemheb e Ay ainda complementam o local. 



Fotos: Templo de Habu, Luxor, Egito, 2022.

Almoça, descansa um pouco, e ainda tem coisa para fazer. 

O Show de Som e Luzes em Karnak, assim como o anterior em Gizé, não é grande coisa em si. Chega a ser desorganizado em sua entrada, pois o público vai sendo conduzido por um caminho principal e parando em alguns pontos pré-determinados. Ninguém sabe exatamente para onde olhar e o som não é claro para entendermos a narração.

Ao chegarmos à arquibancada, próxima ao lago, melhora um pouco. Temos boas imagens e outro resumão da história antiga local.


Fotos: Show de Som e Luzes em Karnak, Luxor, Egito, 2022.

Perdoem o post longo, mas foi um dia bem cheio.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Egito - Primeiro Post Intermediário

Fazendo uma pausa na narração e descrição da viagem, estou aqui separando um tempo para tentar condensar as coisas bacanas que eu vi no Egito. Peço ao amigo leitor que visite o post depois de alguns dias de publicado, pois posso lembrar de alguma coisa e adicionar aqui.

Então vamos a elas: coisas bacanas no Egito.

- Preços. Falarei do processo de negociação em outro momento mais oportuno, mas o Egito é, essencialmente, barato. Comida, roupa, combustível... É tudo barato pacas. Não precisa ter medo de converter a moeda local (cerca de 1/4 valor do Real Brasileiro durante minha viagem).

- Câmbio. É muito fácil fazer câmbio no Egito. Mesmo o pior cenário, que é entrar em uma agência bancária, é um processo rápido, simples e altamente disponível. Mas a opção mais prática, embora um pouco mais cara, é simplesmente trocar cédulas de dólar ou euro em caixas eletrônicos. Tão simples quanto isso.

- Simpatia. De modo geral, achei os egípcios muito simpáticos e amigáveis. Tínhamos cara óbvia de turista, e isso chamava a atenção em alguns lugares, a ponto de virarmos sub celebridades em alguns lugares, com pessoas (principalmente crianças) pedindo para tirar fotos conosco.

- Comunidade. Os egípcios mantém um senso de comunidade quase anacrônico. Ajudam-se prontamente na necessidade. Cito exemplos. Há bicas, algumas delas com canecas presas, para qualquer pessoa tomar água no calor escaldante local. Isso vai conferir a ele nenhum prêmio de saúde pública, mas ajuda a lidar com a questão mais imediata: sede. Também observei o mecanismo de doação de água e alimentos ao final do horário de jejum (era Ramadã o mês todo). Achei bonito o fato deles jejuarem individualmente, mas quebrarem o jejum de modo coletivo e unido. Interessante notar que quanto mais pobre a região, mais intenso era o fenômeno da caridade alimentar.

- Idioma Inglês. Todo mundo arranha um inglês por lá. Alguns bem mais do que arranham. Fui atendido em inglês bem tranquilo em dezenas de situações, desde lojinhas até lanchonetes.

- Obras. O Egito está em obras de infraestrutura por todo lado. Estradas, pontes, linha de metrô, novos museus, canais de irrigação, conjuntos habitacionais e até uma nova capital estão em obras. E nada disso me pareceu meramente ornamental.