sexta-feira, 29 de março de 2019

Uma história hipotética e uma real

Vamos contar a história fictícia de João, uma pessoa comum como eu e você, amigo leitor, meramente interessado em pedir uma pizza. Ele liga para a pizzaria e segue-se o diálogo que, eventualmente, distancia-se da realidade e do bom senso.

- Pizzaria Itália, boa noite
- Boa noite. Duas pizzas para entrega, por favor: muzzarella e calabresa.
- Perfeitamente. É o sr. João ?
- Eu mesmo.
- O local de entrega permanece o mesmo do último pedido?
- Sim.
- Ótimo. São R$ 80. Forma de pagamento?
- Cartão de crédito. 
- Sem problemas. São 30 minutos de espera.
- Excelente...
- Sr. João, uma coisa mais... O senhor tem pratos redondos?
- Curioso você ter perguntado. Não tenho.
- Não ?
- Não. Sei que quase todo mundo tem, mas eu não.
- Sr. João, infelizmente só podemos vender pizzas para pessoas que possuem pratos redondos.
- Mas que diferença isso faz pra vocês? Não posso comer a pizza nos meus pratos retangulares?
- São normas da empresa. Não vamos poder estar atendendo.
- E seu eu pedir emprestado os pratos do meu vizinho?
- Nesse caso, a pizza ficaria para ele. Não recomendamos essa prática. Boa noite.
- Espera !
- Sim ?
- Eu arrumei os pratos, são redondos. Pode mandar as pizzas.
- Será necessário apresentar os pratos para o entregador, sr. João. 
- Mas que conversa de doido é essa ?! 
- É assim mesmo.
- Eu não sou obrigado a ter pratos redondos !
- Não, claro que não. A Pizzaria Itália não está dizendo isso. Mas só podemos atender quem tiver pratos redondos. Afinal todo mundo tem pratos redondos.
- Quase todo mundo !
- De fato... o senhor não tem. Mesmo assim, não vamos estar podendo fazer nada. Boa noite, Sr. João e obrigado por preferir a Pizzaria Itália.

--x--

Conversa de doido? Empresa maluca? Vamos ao caso real então, que passei esta semana. 
Com a proximidade da estréia da temporada final de Game of Thrones, fui procurar opções de assinatura da HBO, o que poderia apresentar alguma dificuldade na medida em que não tenho TV a cabo, apenas internet em casa.
Depois de alguma busca, soube que o serviço é vendido de modo independente do cabo, o que pareceu um alívio, mas com um limitante: eu não tenho como acessar o conteúdo em meu aparelho. Isso acontece porque aparentemente eu sou um homem das cavernas sem prato redondo: minha tv não é smart e uso um praticamente analógico Play Station 3.
É isso mesmo: se eu tivesse tv a cabo, o próprio decoder teria o aplicativo para acessar o conteúdo. Sem o decoder, mas com uma tv smart, seria possível instalar o aplicativo na própria tv. Sem o decoder e sem a tv smart, mas com um Play Station 4 aparentemente seria possível usar o aplicativo pelo console. 
E o triste disso tudo é que a porcaria do aplicativo existia para Play Station 3 até janeiro deste ano, mas ele simplesmente foi removido e não está mais disponível !
Sim, é um cenário de gente doida: eu quero assinar o pacote mas aparentemente não consigo. 
Não testei ainda a tese de acesso via notebook, o que já representa incômodo. Mas, sinceramente, se for para ter que plugar meu note na tv a cada episódio, então não preciso me dar ao trabalho de pagar o acesso e posso encontrar esse conteúdo, digamos assim, por aí...

Se liga, HBO ! Foi burrice aguda tirar o aplicativo do PS3, ok ?

terça-feira, 26 de março de 2019

Portugal 1 - Dias 22 e 23 - Cascais e Estoril

O amigo leitor se lembra, dias atrás, quando questionei se Belém era outra cidade ou não em relação a Lisboa? Se seguirmos no mesmo trem até o final da linha, ele chega a Cascais, que também não sei se é outra cidade, mas tem mais chance de ser do que Belém. Acho...
O mesmo trem que leva o turista até Belém, também leva até Estoril e, em sua estação final, a Cascais. São uns bons 40 minutos de viagem, muito tranquila e confortável. Ao chegarmos por lá, achamos uma cidade (bairro ?) pacata e glamourosa. Muitas ruas sem acesso aos carros, lojas de marca se alternavam com as de souveniers e restaurantes, sempre eles, para todos os bolsos. Era um passeio simples, apenas para contemplar a vista.


foto: Cascais, Portugal, 2019

De lá, pegar um trem de retorno para apenas 3 estações, até Estoril. A ideia era similar, com a tentativa de vistar o Casino. Infelizmente, estava fechado ainda, e pareceu um tanto desgastado pelo tempo. 


foto: Cassino de Estoril, Estoril, Portugal, 2019

Almoçamos e voltamos por lá mesmo, um arroz de bacalhau, e voltamos para o hotel ainda com dia claro. Era necessário pois nosso voo sairia 8h05 da manhã seguinte, o que nos obrigava a sair do hotel lá pelas 5h. Luciana foi direto, mas eu ainda passei na mesma loja onde comprara o cadeado na véspera para uma balança portátil nova: a antiga desmontou na véspera e eu perdera a confiança.

Acordamos dentro do previsto e chamamos um Uber. Nosso café da manhã nos aguardava em uma sacolinha na recepção. Chegamos com toda tranquilidade no aeroporto, despachamos as bagagens sem nenhum contratempo e tomamos nosso café. O único empecilho mesmo foi achar um banheiro, já que havia um deles em obras e outro em processo de limpeza. 
O voo diurno foi uma grata surpresa. Apesar dos 13 (contados) pontos de turbulência, pude aproveitar o entretenimento de bordo numa boa. Assisti Bohemian Rhapsody (bom filme, mas com importantes ressalvas biográficas) e Ocean´s Eight (fraquíssimo, sob qualquer análise). Ainda deu tempo de começar e odiar The Greatest Showman, um musical que tem tanta vergonha de ser musical que não há partes musicais nos trailers tampouco é classificado como musical nos catálogos. Aos 11 minutos de filme, 9 dos quais de cantoria imbecil, confirmei com Luciana minhas suspeitas e larguei o filme ali para nunca mais voltar a ele.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Portugal 1 - Dia 22 - Lisboa final

Final é um termo exagerado. Fica a impressão de que nunca mais voltaremos a Lisboa ou que não há mais nada a ser visitado por lá, ambas igualmente falsas. Mas fica válido no sentido de terminar o que ainda havia a ser visto por lá nesta viagem.
Não acordamos cedo, não saímos com pressa e não pegamos metrô. Havia dois problemas operacionais antes de tudo: comprar novos cadeados e trocar uma desgraçada nota de 200 euros. Ambas foram complicadas.
O cadeado, que deveria ser fácil de encontrar em lojas de malas, simplesmente não era. Por alguma razão, eles não vendem os cadeados de padrão TSA, aqueles que podem ser abertos pela segurança dos aeroportos com facilidade. Foram diversas lojas e só fomos encontrar em uma loja enorme de quinquilharias em geral. 
O nota também deu trabalho e foi ainda mais esquisito de resolver. Depois de alguma caminhada pela Av. Almirante Reis, achamos um banco e entramos nele. Havia apenas um caixa funcionando e ele não parecia particularmente apressado. Depois de uma boa espera, eles avisam que estão sem a máquina contar dinheiro. Eu expliquei que precisava trocar a nota de 200 e a resposta foi "lamentamos". Não insisti. Eles me indicaram uma agência de outro banco, em frente. A tal agência claramente não existia mais há meses. Seguimos pela avenida e, já próximos do Rossio, perdi a paciência entrando em outra fila de banco. Novamente apenas um caixa, e as mais variadas transações passavam todas por ele, incluindo um indiano depositando mais de 2.000 euros em notas de 20 ou menos. De certa forma, isso era bom: trocado ele tinha, e e contou tudo na máquina, que também estava funcionando... mais ou menos. No fim, deu tudo certo mas não sem uma surpresa adicional: em Portugal, trocar uma cédula grande é uma operação bancária. Isso significa que teve que ser registrado no sistema e eu tive que apresentar meu passaporte para finalizar. Minha conclusão foi: o sistema bancário português é bem ruim se comparado ao nosso.
Já mais tranquilos, seguimos para o Teatro Romano. Ele é bastante curioso como passeio: fica permanentemente aberto, com acesso pela rua, e gratuito. Do outro lado, ficava um museu sobre ele. Optamos pela versão gratuita apenas. A construção é bem limitada pois claramente foi perdida boa parte dele. Pelo que entendemos, era uma ruína conhecida até 1755 quando foi soterrada pelo terremoto e só reencontrada nos anos 1960. Não que eu não soubesse da gravidade, mas isso ajudou a ter uma dimensão melhor do tamanho da tragédia do século XVIII. 

foto: Teatro Romano, Lisboa, Portugal, 2019

Depois disso, fizemos uma passada complementar na Catedral da Sé de Lisboa, desta vez sem a correria da primeira visita, e finalmente achamos a entrada para o Arco da Rua Augusta. O arco em si é belíssimo e é a única coisa que não se vê quando se sobe nele. Mas temos estas imagens:
foto: rua Augusta vista do Arco da Augusta, Lisboa, Portugal, 2019 

foto: Praça do Comércio vista do Arco da Augusta, Lisboa, Portugal, 2019

De lá, na própria rua Augusta, almoçamos tardiamente uma paella negra que estava um caso sério, compramos uns doces para comer no hotel e fomos embora. Foi só no hotel que eu descobri que a tal "bola de Berlim de chocolate" não era de chocolate, era de nutella. Chorarei eternamente por ter comprado uma só.



quinta-feira, 21 de março de 2019

Portugal 1 - Dias 21 - Road Trip

Chegamos ao apartamento em contato constante com a proprietária. Dado que íamos sair cedo no dia seguinte, ela preferiu vir à noite para conferir o apartamento antes de entregarmos, o que rolou sem dificuldades. Mas abusei de paciência dela e pedi para entrar em contato com o motorista do Uber da véspera, já que eu até tinha o número dele, mas não conseguia ligar.
Meia hora depois, ele estava na nossa porta para devolver o power bank. Igualzinho aqui, manja?
Acordamos cedo, tacamos as malas no carro e seguimos de volta para Lisboa, em uma viagem de 300km cheia de paradas programadas. Vamos a elas.
Primeiro de tudo, paramos em Óbidos, que nem fica fora do caminho, para compras e almoço. Sim, pois as compras demoraram mais que o esperado. Uma loja que Luciana vira dias antes simplesmente sumiu, e levamos muito tempo até nos conformarmos com isso.
De lá, seguimos para Pena, onde estava pendente o Castelo dos Mouros. Uma vez mais, preciso pontuar, eram apenas as ruínas dele. Mas a vista do alto é realmente assombrosa, entendendo-se com facilidade o valor estratégico do local.

foto: pátio do Castelo dos Mouros, Pena, Portugal, 2019

foto: vista do Castelo dos Mouros, Pena, Portugal, 2019

De lá, tínhamos dois mirantes, por assim dizer. Fizemos um pitstop no Autódromo de Estoril (pun intended), que não era visitável, e depois na Boca do Inferno. Esta última é um local onde a erosão marítima está cavando uma paisagem belíssima. 

foto: Boca do Inferno, Cascais, Portugal, 2019

Não ficamos para o pôr do Sol, pois ainda tínhamos que deixar as malas no hotel e o carro no aeroporto, nessa ordem. O caminho até o hotel teve um congestionamento épico, onde uma simples alça de acesso tomou 40min. No hotel, não havia onde parar o carro, então ajustamos as coisas como possível (leia-se: parei o carro onde não podia e corri com as malas). 
De lá, eu esperava problemas para chegar ao aeroporto, mas estava redondamente enganado sobre isso. Era uma linha reta de menos de 5km até lá, que me tomou 14min contados no relógio do carro. A entrega ocorreu sem dificuldades e voltei de metrô para o hotel.
Ainda deu tempo de sair para jantar, e matei a vontade de sardinha.


Portugal 1 - Dia 20 - Guimarães

Bem... não tinha mais power bank, então era preciso ser mais econômico na bateria dos aparelhos todos. Carregamos tudo durante a noite e o tablet passou a ser opção de fotos também. Além disso, era obrigatório manter os aparelhos ligados no carregador do carro enquanto estivéssemos a caminho de cada passeio. Tudo isso regado a insistentes  e infrutíferas tentativas de contactar o motorista.
A parte mais longa do dia era um passeio do duplo, logo pela manhã: Castelo de Guimarães e Paço dos Duques. Um ingresso adquirido dias antes dava acesso a ambos. 
Supostamente, o Castelo de Guimarães é onde nasceu Portugal. Ou pelo menos onde foram assinados os tratados de reconhecimento de fronteiras. Os mesmos tratados ignorados nos séculos XIV e XVI, neste caso de modo nada suposto. De todo modo, o castelo não era exatamente um castelo. Estava mais para uma torre fortificada. Pelo menos está em pé era possível visitar, em boa parte. A maior parte das fotos, no entanto, saiu bem ruim: o tablet me decepcionou seriamente. Incrível como um aparelho que faz videos tão bons falhar na hora de fotografar. Ainda assim, saiu alguma coisa:

foto: Castelo de Guimarães, Guimarães, Portugal, 2019

Depois, fomos ao palácio, logo ao lado. Este teve algumas curiosidades em sua construção. Erguido no século XVIII, seu dono era fãs de antiguidades, então optou por decorá-lo com objetos do século XVI. A mistura ficou realmente elegante e está deliciosamente preservada.

foto: Paço dos Duques, Guimarães, Portugal, 2019

Depois disso, batemos perna em Guimarães, não achamos a entrada da Igreja de São Guálter, almoçamos um tanto tarde e voltamos, não sem passar por uma Ikea. Aqui, um aparte: achei a Ikea diferente de minhas outras visitas, o que foi um pouco decepcionante. Estava com um mix de produtos muito similar à Etna. Nada contra a Etna, apenas não era o que eu esperava. 

quarta-feira, 20 de março de 2019

Portugal 1 - Dia 19 - Vila Nova de Gaia

O primeiro problema do dia acabaria por, acidentalmente, criar o maior problema dos próximos dias...
O Museu Nacional Soares dos Reis ficava consideravelmente fora de mão (de pé ?) para ir de metro. Depois de alguma consideração, a melhor opção era Uber mesmo. E foi o que fizemos, chegando ao museu minutos depois da abertura. Ao colocar a mochila no armário, porém, dei pela falta do meu power bank. Ele teria ficado no hotel ou teria caído no banco do carro. Claramente, o amigo leitor já adivinhou.
Falemos do passeio. O local em si tem sua própria história, tendo sido usado por comerciantes ricos, generais napoleônicos, generais ingleses e até Dom Pedro IV (nosso I) durante a Revolução Liberal. Atualmente, é um museu de objetos domésticos, estando belissimamente conservado. 

foto: Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, Portugal, 2019

De lá, caminhamos um pouco até comer algo e chegamos no metro. Corri até o hotel para procurar o power bank, mas não estava lá. De fato, ficou no Uber daquela manhã. Imediatamente abri um chamado no app, tentando entrar em contato com o motorista e voltei para reencontrar Luciana no metro.
Seguimos para Vila Nova de Gaia, que é essencialmente a continuação da cidade do Porto, do outro lado do rio Douro. A importância do local vem de uma prática bem conhecida dos brasileiros: guerra fiscal. Em algum momento no século XVIII, provou-se mais barato instalar as caves de vinho do porto ali, por incentivos fiscais. E nunca mais reverteu-se essa decisão.

foto: Ponte Dom Luís I, Porto, Portugal, 2019

Era uma tarde de domingo, e aproveitamos para curtir o calçadão com restaurantes e vendedores ambulantes. Muita gente passeando no sol que se apresentava sorridente. Entramos, então, no Cruzeiro das Seis Pontes, um passeio de barco pelas 6 pontes que cruzam o rio naquela região, com ingressos já comprados dias antes. Passeio rápido e divertido.
O mesmo ingresso nos dava direito a uma visita à Cave Burmester, bem embaixo da ponte Dom Luís I. O guia, não me recordo o nome, foi excepcional. Fala rápida e clara, com uma apresentação ao mesmo tempo técnica e divertida.
Depois disso, curtimos um pouco mais o calçadão, jantamos e fomos embora, novamente de Uber, mas não sem esta vista antes.

foto: vista de Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Gaia, Portugal, 2019

No hotel, segui tentando contactar sem sucesso o motorista do Uber. O power bank ia fazer muita falta, eu dependia demais dele para manter o celular vivo para a brutal quantidade de fotos que estava tirando. E com isso, triste, fui dormir.


terça-feira, 19 de março de 2019

Portugal 1 - Dia 18 - Braga

O nome Braga vem de Braccara Augusta. Não que isso só fosse importante agora, mas achei divertido começar assim o texto. Originalmente, deveríamos ir para Lamego. Mas optamos por rever o roteiro para curtir Braga e Guimarães melhor. A solução foi separar o segundo dia de passeios conjuntos em dois dias separados, deixando Lamego a lamentar nossa ausência.
Nas proximidades da cidade existe um sitio arqueológico chamado Citânia de Briteiros. É uma grande ocupação celta, não totalmente escavada, onde se pode caminhar pelas ruas e observar o que restou de casas e outras construções. O lugar é realmente enorme, com muitas passagens entre os "bairros" e um audioguide de qualidade. E, claro, estava vazio.

foto: Citânia de Briteiros, Braga, Portugal, 2019

Ainda nos arredores de Braga, havia a Igreja de Bom Jesus do Monte e sua enorme escadaria de peregrinação. Achei a escada mais interessante que a igreja. A primeira, estava em reforma e pouco se podia ver. A segunda, parcialmente em reforma também, pelo menos tinha bom acesso. Ela foi construída ao longo de séculos, então as esculturas ao longo dela variam muito de estilo. É quase uma aula de história da arte sacra. 

foto: escadaria da Igreja de Bom Jesus do Monte, Braga, Portugal, 2019

Se o amigo leitor acha que eu subi essa escada, está gravemente enganado. Nós descemos a dita cuja, para subir novamente de funicular e resgatar o carro. O passeio todo foi feito ao som e sabor de batatas fritas de pacote. 
Pouco minutos de carro nos levaram ao centro de Braga novamente, para mais 3 passeios. O primeiro deles foram as Termas Romanas, no Alto da Cividade. A confusão e interesse pelo prédio dá-se pelo fato de terem sido identificadas 4 fases distintas no uso do prédio. O vídeo de apresentação é crucial na compreensão disso. 

foto: Termas Romanas, Braga, Portugal, 2019

De lá, a pedido de Luciana, fomos para a Fonte do Ídolo. É uma estatuazinha que ninguém sabe exatamente de onde veio e o que está fazendo ali. Tipo, os romanos não sabiam, mas gostavam dela. De todo modo, ela foi perdida e reencontrada, estando devidamente preservada hoje. Mas não me impressionou.
O que me impressionou foi a Catedral da Sé de Braga, com seus quase 1.000 anos. Novo caso de mistura de estilos, mas um passeio muito bom. Ainda melhor se considerarmos que havia visita guiada gratuita, onde a simpatissíma Rita nos mostrou capelas internas visitáveis apenas com guia. 

foto: Catedral da Sé de Braga, Braga, Portugal, 2019

A foto abaixo é de uma das capelas construída no século XVI em estilo mouro. Estilo e data simplesmente não batem, e ninguém sabe explicar o fenômeno:
foto: Catedral da Sé de Braga, Braga, Portugal, 2019


Ainda no mesmo local, temos um museu de arte e objetos sacros, onde novamente não era permitido tirar fotos. Porém, o senhor que guarnecia a entrada rapidamente nos identificou como brasileiros e disse que se tirássemos uma ou duas fotos da cruz usada na primeira missa no Brasil ele não teria como saber. 

foto: museu da Catedral da Sé de Braga, Braga, Portugal, 2019

segunda-feira, 18 de março de 2019

Portugal 1 - Dia 17 - Porto 2

Seguindo a política de alternar entre viajar de carro e ficar na cidade, era novamente dia de ficar no Porto. Arrumamos uma vaga ridícula na porta do prédio, onde o carro ficou quieto e educado durante todo o dia. Pelo menos não recebemos queixas dos vizinhos...
Caminhamos cerca de 8 minutos até a estação Marquês do metro, de onde seguimos uma vez mais para a São Bento. De lá, seguimos para a Livraria Lello e Irmãos, a uns 400m de caminhada. Era preciso deixar a mochila em uma loja ao lado, mas nada complicado nisso. A atração na livraria é a escadaria que inspirou J. K. Rowling a escrever um livro de relativo sucesso. Impossível descrevê-la ou mesmo fotografá-la corretamente, mas fiz meu melhor:


foto: Livraria Lello & Irmãos, Porto, Portugal, 2019

Aqui vem um aparte. Dias antes, no Museu Arqueológico Martins Sarmento, vimos um livro que nos interessou mas não estava a venda no local. Eu fotografei a contra-capa com o código de barras, sabendo que havia tempo para procurar por ele. E dado que o ingresso de E$ 5 era rebatível em compras, o momento era aquele. Então saquei o celular, recuei nas fotos e... descubro que ela saiu uma porcaria. Toda cortada, sem a parte de baixo do código de barras, onde fica o ISBN!
Bem... aparentemente, não existe tempo ruim para a Maria Ermínia, vendedora da loja. Ela pegou o leitor de código de barras e tentou ler na tela do meu celular, e conseguiu! Com isso, ela confirmou o título do livro e viu que havia 3 em estoque. Foi buscar, mas estavam todos danificados. 
Sem se abater, ela nos passou por escrito o código de barras e indicou uma livraria  Bertrand a 3 quadradas dali, garantindo que o livro estaria lá. Bem... não fomos direto para lá, mas quando passamos o livro estava disponível sim. Impressionante.
Antes do livro, para aproveitar o guarda-volumes, subimos a Torre dos Clérigos. É esta torre:


foto: Torre dos Clérigos, Porto, Portugal, 2019

Com esta vista:


foto: Torre dos Clérigos, Porto, Portugal, 2019

E a igreja, em si, é outro passeio agradabilíssimo e com pouco (talvez nada de) barroco:


foto: Igreja dos Clérigos, Porto, Portugal, 2019

De lá, descemos na direção do rio Douro, onde acabamos por abortar um dos passeios: o Palácio da Bolsa. Era um tanto caro (E$ 9) e estávamos relativamente cansados. Seguimos direto para a Igreja de São Francisco, a duas quadras dali, onde tivemos mais uma mistura de gótico tardio com revestimentos em barroco. 


foto: Igreja de São Francisco, Porto, Portugal, 2019

Seguimos então para o Café Brasileiro, onde almojantamos uma francesinha cada, e fomos para o hotel, ainda com luz do dia.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Portugal 1 - Dia 16 - Barcelos, Ponte de Lima e Viana do Castelo

Mais um dia cheio, desta vez com 3 cidades e diversas pequenas atividades. Saímos no horário combinado e tocamos pé na estrada.
A Feira de Barcelos é considerada das mais tradicionais do país. E como acontece às quintas-feiras, não havia manobra possível na agenda. Segundo lendas locais, acontece na mesma praça há centenas de anos. Chegamos lá com tranquilidade, exceto termos que estacionar um tanto longe, cerca de 1km  da feira em si, já que a feira é lotada mesmo na baixa temporada.
A feira tem enorme diversidade de produtos. Alimentos, como os que encontramos aqui no Brasil, ocupam cerca de 1/4 do espaço. Há muita venda de roupas, calçados, utensílios de cozinha, malas, lembranças locais, lenços, móveis, toalhas de banho, doces, máquinas de produção de cerveja e vinho, perfumes, bolsas e galos. Não necessariamente, mas talvez, nessa ordem. Admito que eu não estava empolgado pelo passeio, mas me diverti um tanto. Ainda pudemos visitar uma igreja circular, novamente sem tirar fotos, mas belíssima, ao lado da feira. Na mesma cidade, havia também a Casa dos Condes, onde nasceu a história que tornou o galo um dos símbolos nacionais portugueses. 
De lá, seguimos para Ponte de Lima, basicamente para ver a ponte sobre o rio Lima. É uma ponte romana, com restauro parcial medieval, também alvo de lendas locais (diz-se que o exército romano não quis atravessar o rio por achar que era o rio Lete da Mitologia, onde as pessoas que atravessam perdem a memória. Sem paciência para esse tipo de coisa, o general Décimo Júnio Bruto Galaico atravessou o rio e chamou nominalmente cada um dos soldados para fazê-los atravessar. Embora exagerada, a história parece possível.

foto: ponte de Lima, Ponte de Lima, Portugal, 2019

De lá, seguimos para Viana do Castelo, para várias paradas. A primeira delas era o Santuário de Santa Luzia, um ponto de peregrinação no alto de uma considerável montanha. Nos anos 50, construíram uma bela igreja com todas as formas circulares, onde é possível subir até o alto para o que deveria ter sido uma bela observação da região. Não foi, devido a alguns pontos de queimada natural que traziam enorme quantidade de fumaça em nossa direção. Menos mal, eram eucaliptos queimando: o odor era incrível.


foto: Santuário de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal, 2019

Ao lado, encontramos a Citânia de Santa Luzia, um conjunto interessante de ruínas celtas parcialmente preservado. Parcialmente porque, mais de meio século atrás, alguém achou por bem construir um hotel para os peregrinos católicos, e empilhou como pode as "porcarias de pedras que estavam no caminho"... Ainda assim, a parte preservada mostra como eram as casas e o urbanismo celtas, incluindo o momento em que eles aprenderam as maravilhas do ângulo reto.


foto: Citânia de Santa Luzia, Viana do Castelo, Portugal, 2019

De lá, fomos ao  Museu do Traje, na cidade mesmo. Sem poder tirar fotos, Luciana se deliciou com as histórias e réplicas de todos as vestimentas tradicionais das agricultoras portuguesas. Como o amigo leitor deve ter antecipado, eu achei um porre interminável...  Mas eventualmente terminou e o ainda ingresso também dava direito ao Museu Municipal (se não errei o nome), com utensílios caseiros em geral. Sem fotos também e nada assim marcante...
Acabou? Claro que não. Luciana ainda achou o Castelo de São Tiago, aberto e sem qualquer tipo de placa, orientação, cobrança ou manutenção. Uma pena o estado em que ficou...


foto: Castelo de São Tiago, Viana do Castelo, Portugal, 2019

Depois do walking tour pela pequena e pacata cidade, voltamos para o carro e eu deixei a 5a série escolher o caminho: dirigi cerca de uma hora até cruzar a fronteira com a Espanha, para dizer que pus os pés em mais um país.


foto: placa de fronteira, Ponte da Amizade, Portugal/Espanha, 2019

Foi muito engraçado a voz do Waze mudar para espanhol tão logo passamos essa placa.
Não foi nada engraçado a voz continuar em espanhol até metade do caminho de volta para o hotel.

Mas sobrevivemos e rimos disso depois. Eu queria ter colocar essa foto no Facebook com a legenda "início da 2a etapa", mas acabei deixando passar a piada.




quinta-feira, 14 de março de 2019

Portugal 1 - Dia 15 - Porto 1

Já estávamos no Porto há alguns dias, mas sem ter visitado propriamente a cidade. Este seria o primeiro dia. E foi um dia eclesiástico.
Começamos pela lindíssima Estação São Bento do metrô (pronuncia-se "métro") e trem. Sim, é o mesmo nome da estação onde passo para ir trabalhar todos os dias. Ela é forrada de, esperem por essa, azulejos. Mas ficou uma obra excelente. De bizarro, um sujeito tentou me vender, de uma vez só, maconha, haxixe e um rolex. Não imaginei que eu tivesse cara de comprador dessas coisas...

foto: Estação São Bento, Porto, Portugal, 2019

De lá, um passeio escolhido pela Luciana, a tal Casa Escondida. É um espaço de 2m de largura, 8 de profundidade e 4 andares entre duas igrejas onde há uma casa. Sim, uma casa, com quarto, sala, cozinha e banheiro. Uma bizarrice arquitetônica onde chegaram a morar 13 pessoas. Fotos não permitidas.
Dado que essa casa ficava entre dias igrejas, visitamos cada uma delas: Igreja do Carmo e Igreja dos Carmelitas Descalços. Dado que eram barrocas, desculpem dizer, foi mais do mesmo.
foto: Igreja do Carmo, Porto, Portugal, 2019


foto: Igreja dos Carmelitas Descalços, Porto, Portugal, 2019

De lá caminhamos de volta pelo centro até a Catedral da Sé de Porto. Diferente, ela mistura uma série de períodos distintos. A foto a seguir tenta mostrar isso:

foto: Catedral da Sé do Porto, Porto, Portugal, 2019

Os arcos redondos rementem ao período românico, mas pode-se notar que as colunas são relativamente estreitas, o que só foi desenvolvido pela engenharia do final do período gótico. Notam-se também arcos fechados, indicando reformas e modificações. A parede do altar principal, visível em parte ao lado esquerdo da coluna, era neoclássica, mas os altares laterais são gritantemente barrocos. Chega a dar tontura.
Também visitamos o claustro e os tesouros. 

foto: Catedral da Sé do Porto, Porto, Portugal, 2019