quarta-feira, 11 de maio de 2022

Egito - Dia 2 - Pirâmides

Claramente, amigos leitor, este é um dos posts mais difíceis de escrever. Mas chegaremos a isso logo mais.

Nosso dia começa acordando muito cedo. O voo saía de Dubai logo cedo, então era necessário estar no aeroporto antes do nascer do Sol. Com ajuda do hotel, conseguimos um taxi e seguimos sem sofrimento. O mesmo se aplica ao voo, bem tranquilo até o Cairo.

No aeroporto, entra uma fase nova da viagem. Daqui para frente, teríamos um representante local da agência de turismo para nos acompanhar em todo tipo de burocracia. Antes mesmo da Imigração, já havia um rapaz por lá, com uma placa nos aguardando. Com ele, não foi preciso fazer absolutamente nada junto ao oficial de imigração. Os procedimentos todos foram cuidados por ele. E levou, talvez, 2 minutos tudo isso...

O translado era longo, e há uma razão para isso. Cairo é uma cidade gigantesca. Sua região metropolitana se aproxima dos 25 milhões de habitantes, o que obriga um paulistano como eu a baixar a cabeça. E o trânsito é...

Bem.. esse foi nosso primeiro contato com o trânsito egípcio em geral e cairota em particular. Não há muitas maneiras de descrever aquilo, mas trata-se de um hospício a céu aberto. Eles não tem nenhum respeito por faixas de rolagem, faixas de pedestre, limite de velocidade ou mesmo faróis fechados. Você leu certo: os faróis são pouco e solenemente ignorados por todos. Eles se cortam uns aos outros, buzinam o tempo todo, xingam, tiram fininhas, entram na contramão e por aí vai. É um susto a cada 30m. Terrível.

De alguma forma, porém, chegamos inteiros ao hotel que tinha, apenas, estava vista:

foto: Pirâmides de Giza, Egito, 2022.

Não foi uma vista surpresa. Ao longo do trajeto, foi necessário contornar toda a área de visitação e foi uma dança de aproximar e afastar das pirâmides. A ansiedade estava em níveis preocupantes, mas fizemos o check in no hotel com segurança (novamente apoiados pelo representante) e, sem mais delongas, fomos à atração principal do país.

E como descrever essas monstruosidades? Não adianta ficar aqui citando números de peso, altura, quantidade ou peso das pedras. Não adianta falar que é grande. Não adianta nem mesmo tirar foto. As Pirâmides de Giza são, simplesmente, elas.

Mas eu tentei.





fotos: Pirâmides de Giza, Egito, 2022.
 
Entrar nas pirâmides é obrigatório e cansativo. São longas caminhadas com teto baixo e escadas para toda a família. E sim: escadas com teto baixo. E rampas. E mais escadas. Mas vale. Vale sim o preço (nem era isso tudo) e o esforço (as pernas reclamaram por dois dias), mesmo que o interior esteja vazio e não houvesse na época de suas construções o conceito de decorar as paredes com pinturas e inscrições. É um passeio único no mundo, e não deve ser perdido por nenhuma justificativa que não seja médica.

No mesmo complexo, fica a Grande Esfinge. Também não é necessário descrever ou explicar.

fotos: Pirâmides de Giza, Egito, 2022.

As fotos aqui não são tão boas, pois não havia um bom ângulo. Fiz meu melhor.
Depois de um breve descanso no hotel, voltamos à noite, para o Show de Som e Luzes. Aqui é importante dizer. O show, em si, é fraquíssimo. Tanto em termos de som quanto em luzes, achei muito sem graça. Conheço pessoalmente pessoas que fariam melhor. Sem exagero nisso.
Ainda assim, vale a pena estar lá simplesmente por estar lá.

fotos: Show de Som e Luzes em Giza, Egito, 2022.

Gente...
Esse foi o SEGUNDO dia da viagem, tá ? Ainda tem coisa pacas pra relatar...


terça-feira, 10 de maio de 2022

Egito - Dia 1 - Dubai, na verdade...

É curioso começar uma viagem pelo país errado. Emirados Árabes Unidos, no caso.

Nenhuma surpresa, amigo leitor. Se você não conhece o termo, isso é um stop-over. Não há voos diretos entre Brasil e Egito, então é preciso passar por algum outro lugar antes e fazer uma conexão. Opções não faltam: Roma, Frankfurt, Paris, Madrid, Marrakesh, Dubai... O conceito do stop-over é não pegar a conexão imediata, mas ficar por lá para o próximo (ou outro dia). É bem comum e, em termos de custo de passagem, é bem tranquilo de fazer.

Havia, claro, um potencial problema documental para esta viagem. Todos os países tem suas exigências. Qualquer um sabe do visto americano, por exemplo. Porém, temos aqui uma das muitas consequências ruins da COVID-19. Emirados Árabes Unidos e Egito possuem exigências diferentes. Então era preciso ter seguro viagem com cobertura específica contra COVID-19, certificado de vacinação contra COVID-19 e exame PCR feito com até 72h de antecedência do embarque. E fica a pergunta: e o medo de dar positivo?

Tem mais. Se o voo atrasa ou é cancelado por qualquer razão, o prazo do exame vence e ele perde a validade. Então, não apenas fiz um teste na quarta-feira dia 30 de março, mas fiz outro na manhã da viagem, dia 1° de abril. Também levei toda documentação em inglês do seguro viagem e comprovante de vacina contra febre amarela. Além disso, seria necessário fazer novo teste PCR durante o stop-over em Dubai. Bastante emoção.

O voo até Dubai demora inenarráveis 14h30. Dá para dormir, fazer 3 refeições, ver 2 filmes, ler um livro e ainda faltam 3h. O A-380 da Emirates usado nesse trajeto é assombrosamente grande, mas não é imune a turbulência. Foi pouca, mas teve.

Em Dubai, passamos sem dificuldade pela Imigração e seguimos para nosso hotel. Não foi tarefa simples. As informações no aeroporto eram muito desencontradas e no fim das contas um taxi machucou um pouco o bolso. Teria sido possível ir de metrô sim, mas enfim...

Dormimos, acordamos para um ótimo café da manhã e começamos a aguardar o motorista para o City Tour, primeiro passeio do dia. Bem... existe uma razão para eu não fazer city tour em viagens, e ela ficou clara neste caso: não tem graça nenhuma. Passa-se por alguns pontos importantes, pausas para fotos, mas nunca é a coisa em si. Não valeu a pena. Serviu para travar contato com o guia, com que nos indicou um contato para fazer o exame PCR para irmos embora na madrugada seguinte.

O passeio terminou no grande shopping, onde fica o Aquário de Dubai, segundo passeio do dia. O Shopping revelou uma mistura étnica que nunca tinha visto antes. Havia gente de tudo quando era aparência. Uma enorme profusão de idiomas. Admito que isso me divertiu. Mas em contraste com os trabalhadores locais, ficou evidente que a opulência de Dubai tem um custo humano que me incomodou consideravelmente.

O Aquário em si era ótimo. Boa combinação de peixes e ecossistemas, pequenos e belos aquários menores, passeio de raft por cima, possibilidade paga de alimentar os peixes para vê-los mais de perto, pinguins e lontras. Amo lontras.


foto: Lontras. Aquário de Dubai, 2022. 

Saímos de lá para fazer o exame PCR, mas combinei com meu parça André não comentar os detalhes aqui. Antecipo que houve desencontros, mas tudo terminou bem. E, no mesmo complexo, fica o Burj-Khalifa.

Isso aqui é o Burj-Khalifa:


foto: Lontras. Aquário de Dubai, 2022

São 160 andares, embora só pudéssemos ir até o 124°. E o que se vê de lá de cima é mais ou menos isso:



foto: Vistas de Dubai, 2022

Ficou uma pequena tristeza quanto à vista, pois há uma certa névoa permanentemente suspensa no ar que reduz significativamente o alcance da paisagem. Mas é impactante ver o mundo a mais de 500m de altura.

Jantamos, voltamos ao hotel e nos preparamos para a viagem do dia seguinte, para o Cairo.





segunda-feira, 9 de maio de 2022

Egito - Período Pré-Viagem

E vamos retomar as atividades aqui neste blog, pelo menos para relatar esta viagem incrível ao longo de abril de 2022. Tomara eu tenha pique de continuar com outros temas depois... Comecemos, então, pelo começo. Lá nos tempos do Rei Escorpião, para falar sobre a preparação necessária para ir ao Egito.

Eu ainda não cansei de falar e escrever isso, então repito: viagens são eventos culturais de diversão e aprendizado. E nenhuma dessas coisas pode ser feita com pressa. Viagem demanda tempo para aproveitar o que está no destino. Não adianta sair correndo e querer ver tudo em 4h: quem faz isso traz na memória um amontado desconexo de imagens de paredes e depois sai falando que "viajar é chato" e que é "tudo a mesma coisa".

Toda viagem requer uma pergunta inicial a ser respondida pelo viajante: "O que eu quero fazer ?" Se você é capaz de encontra uma ou mais pessoas que dão a mesma resposta a esta pergunta, parabéns: você tem um grupo (dupla, trio) de viagem coeso e que pode sim ir junto. 
Neste caso, a resposta era óbvia: "conhecer o Egito Antigo".
Esta resposta já traz alguma implicações muito importantes. Significa passar pelo país todo, significa deslocamentos internos potencialmente longos, significa conhecer história, religião, sociologia e geografia do lugar antes de ir para lá. Sim, amigo leitor: é preciso estudar para viajar. 

(aqueles que acham que estudar é chato estão dispensados desta leitura e podem retornar aos seus jogos de celular ou acessar este link)

Então, procurei conhecer pelo menos o básico da religião egípcia antiga, bem como sua história e geografia. Li 3 livros para atingir esse objetivo, e ainda fiquei me devendo consideravelmente. 
A seguir, é preciso localizar os pontos de interesse em um mapa atual e tentar ter uma mínima ideia de em que ordem fazer as coisas. Gizé, Cairo e Sakhara ficam no norte; Luxor, Aswan e Abu Simbel no sul. Então separa-se as visitas em partes menores e monta-se uma linha. Daí tenta-se estimar quanto tempo leva cada coisa. E assim vamos.

Com uma ideia na cabeça, eu e meu parceiro eterno de viagens contatamos uma boa agência de turismo. Segue o jabá: Lycia Reys Turismo. Na minha opinião, a qualidade do site atual (maio/2022), simples demais até, é inversamente proporcional à qualidade do serviço. Empresa séria, comprometida, com atendimento online durante a viagem para resolver perrengues (e tivemos alguns sim). Já desde agora, meu muito obrigado à Dona Lycia, que foi instrumental para o sucesso desde empreendimento.


Agora vem um ponto crítico no planejamento da viagem para o Egito: contrate um guia. Ou mais de um, mas leve isso a sério. E não seja mesquinho nessa parte: tem que ser um bom guia. Vá de classe econômica pelo Quirquistão se for necessário, mas tenha um bom guia com você em tudo que não for no Cairo. E mesmo no Cairo...
Em resumo, aproveitar uma viajem no Egito exige um conjunto de 4 tipos de conhecimentos. Naturalmente, o guia precisa saber História do Egito para poder mostrar as coisas e explicar o que está sendo visto e visitado. Ele também precisa saber Burocracia, pois existe um sem-número de permissões necessárias para se viajar para lá e para cá. Claro que é preciso falar Árabe para se comunicar com os locais, desde bilheteiros até oficiais do exército (é sério). E é preciso saber Barganhar, pois tudo naquele país passa por uma negociação em dinheiro. Sem esses 4 conhecimentos, ninguém aproveita a viagem. E se você tem eles todos, você devia ser um guia de viagens. Simples assim.
Então vou deixando isso claro: um guia de viagens é essencial. Qualquer relato posterior que possa, por uma fração de segundo, ser interpretado de outra forma dever imediatamente ser relido com isso em mente: tenha um guia.

O próximo ponto é a data. Não vá no inverno, pois estará lotado de europeus fugindo do frio. E não vá no verão, pois você vai morrer. O clima egípcio é absolutamente inóspito pelo calor e secura do ar. Não discuta comigo: vá em meia estação. Se possível, evite o Ramadã também. Ele tem data móvel e torna muitos dos passeios pior, por fechar mais cedo. E contrate um guia.

Fui informado que a água local é perigosa para beber um ou mesmo escovar os dentes. Decidi não testar a afirmação acima. Usei, portanto, toneladas de água mineral. Não economizei na quantidade. Consome-se, fácil, 3 a 4 litros por dia. Vá comprando garrafas de 1,5L e siga bebendo. O guia, lembra dele ?, pode te ajudar a comprar até você se acostumar.

O resto é meio óbvio: roupas leves (o mais beges possível), boné, protetor solar, óculos de sol. Em função do medo da água, acabei evitando comer saladas cruas durante toda a viagem. Um dos guias, inclusive, achou sábio fazer isso mesmo.

Por último: dinheiro. Leve USD ou EURO, mas vá troncando sempre (é relativamente fácil trocar) e tenha dinheiro trocado em mãos o tempo todo. 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Quem é você na fila do pão?

Título prometido na mensagem anterior.

Em um momento tão disruptivo do cenário econômico, com perdas generalizadas, é evidente que o dano financeiro não será igualitariamente distribuído no final desse processo, dentro de alguns meses. E, sim, tem gente faturando alto e de modo totalmente honesto neste momento. A matriz de demanda de serviços está severamente modificada e muito se ilude quem acha que ela retomará exatamente os patamares antigos.
Quem ganha?
Evidentemente, tudo relacionado a serviços de saúde ganha. Há vagas para todos os profissionais de saúde em diversas instituições. Fornecedores de materiais médicos descartáveis estão com vendas nas alturas. Produtos de limpeza e álcool gel vendendo como nunca. Sem se fala em máscaras descartáveis então. Se muitos serviços dependem de delivery, evidente que surgiram novas vagas para os motoboys.
Mas, mesmo aqui, há exceções. Uma loja de produtos de limpeza no centro de São Paulo deve estar fechada neste momento, pois dezenas de milhares de pessoas que ali trabalham estão em home office ou férias forçadas, como este que vos escreve. "Deve estar" pois não passo por lá há semanas... Os restaurantes de lá, já adaptados ao delivery, também devem estar sofrendo. 
O oposto se diz dos restaurantes nos bairros. O home-office levou as pessoas para casa, e muitas estão fazendo uso pesado de delivery. As pessoas não estão se alimentando menos, mas em outros lugares. Deve ter aumentado o faturamento de supermercados de bairro. Mas taxistas e motoristas de Uber sofrem severamente pela redução do movimento.
Varia muito...

E você, amigo leitor, trabalha com o que?
Essa é uma pergunta de objetivo de vida neste momento. Fica claro que trabalhar direta ou indiretamente com serviços essenciais é um senhor guarda-chuva econômico contra esse tipo de crise... Na verdade, contra qualquer tipo de crise: as pessoas continuarão a precisar de atendimento médico e segurança independente do PIB crescer ou encolher. O local onde o serviço é prestado também se mostrou, não para minha surpresa, elemento de forte influência na receita de empresas; ergo, na empregabilidade de muita gente.
Cito agora o home-office: quanto menos for possível fazer seu trabalho em home-office, mais crítico ele é para sua empresa, algumas raras exceções pontuais especialmente na área de TI. Sim, pode doer esta verdade, mas é por aí mesmo.

Junte tudo agora, amigo, especialmente você pode perdeu ou está por perder seu emprego. Não estou feliz com a tua situação, estou apenas sugerindo generalizadamente repensarmos o que estamos fazendo. Não há nada de imoral em ser um vendedor de roupas de luxo no shopping, mas será que você não teria mais estabilidade como vendedor de medicamentos? Não vou criticar o florista, mas não seria mais útil para o mundo estar vendendo produtos de limpeza? Nada contra o leiloeiro da galeria de arte, mas até mesmo o entregador da pizzaria está melhor que você agora...
Não mando em ninguém. Sou auditor interno em uma empresa estatal de TI. O core business é importantíssimo: o maior estado da nação para em poucas hora sem a PRODESP. Mas eu mesmo não faço parte do core e estou pensativo sobre isso. 

Foi apenas uma reflexão. E nem saiu como eu tinha imaginado inicialmente...

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Classificando a Atividade

Vamos começar pelo óbvio: leilão em galeria de arte contemporânea é serviço supérfluo, enquanto pronto socorro de hospital é serviço essencial. Podemos partir dessa escala, amigo leitor? Suponho que sim.
Vamos, agora, pegar um setor econômico de "fácil" isolamento e esmiuçar um pouco: automotivo. Já está definido que podemos usar carros durante o isolamento. Na verdade, uma pessoa sozinha dentro do carro está mais protegida de contaminação do que o pedestre. Logo, os postos de combustíveis são serviço essencial: o carro não anda sem gasolina ou etanol. Ato contínuo, o borracheiro se torna essencial. O mesmo com o mecânico e o autoelétrico, certo?
E o funileiro?  Se o proprietário fez um amassado leve no carro, isso pode perfeitamente esperar algumas semanas para ser consertado, mas uma colisão mais forte pode tirar o veículo de circulação. Então, começou o bom e velho depende. E não faz sentido algum autorizar a oficina a consertar apenas os problemas sérios, adiando os leves: a oficina já abriu e o trabalhadores já estão lá. Aí temos aquela oficina de estofamento de veículos: ela abre ou fecha? E o especialista em ar condicionado automotivo? E a oficina som automotivo?
Amigo, se fecharmos a oficina de som automotivo por ser um serviço supérfluo (e é !), temos uma concorrência desleal com aquela oficina que faz autoelétrico e som automotivo: esta última pode funcionar e acaba levando vantagem indevida. 
Complicou, né?

Sim, classificar atividades econômicas, por si só, já é um rolo danado. 

O consultório odontológico é serviço essencial. Logo, o dentista vai trabalhar. Portanto, o(a) recepcionista também vai, ou o consultório para antes do terceiro paciente ser atendido. Daí temos uma cadeia de suprimimentos, sem os quais o consultório também deixa de funcionar. Pode ser que tenha estoque, mas não é assim com todos. Então o fornecedor desses suprimentos precisa trabalhar, mas já em regime de atendimento especial. Interessante...
O amigo leitor deve ter notado que, à medida em que nos afastamos do core business, o grau de urgência do serviço começa a diluir. No hospital, todo mundo trabalha durante a crise. No mercado, todo mundo trabalha durante a crise. No restaurante trabalhando apenas em delivery, já não é necessária a limpeza do salão, que está fechado. O salão de beleza está fechado... até entendermos que uma unha encravada em uma pessoa diabética não é estética, é atendimento de saúde, e pode até ser emergencial! Notam quantos "depende" podem aparecer?

Sim, gente... as interações e necessidade econômicas são extremamente complexas. Rotular e colocar em caixinhas estanques em larga escala é perda de tempo. 
No próximo texto, quem é você na fila do pão? Vamos olhar um pouco mais no trabalhador em vez do negócio em si. 

terça-feira, 31 de março de 2020

Tipos de Atividade Econômica

Em tempos de se falar tanto em distanciamento social, quarentena e um bando de retardados que acha que sair na rua não pega nada nem para ele nem para os outros, preferi olha para a questão sócio-econômica, do ponto de vista dos modelos de negócio, frente ao necessário fechamento temporário. Vou então dar um pincelada sobre serviços que são essenciais e outros nem tanto...
Antes de começar, relembro que raríssimos são os estabelecimentos obrigados a funcionar. Um posto de gasolina pode sim fechar por variados motivos. Também levarei em conta o tal home-office em classificação mais à frente. Por último, não se tratam de classificações absolutas e estanques. O texto esclarecerá isso, mas fique tranquilo: não colocarei tudo em caixinhas perfeitas. 
Os serviços essenciais mais óbvios de se perceberem se relacionam a saúde e segurança. Quase tanto quanto é tudo que se refere à alimentação. Estes ficam um grau abaixo, mas ainda na mesma categoria por uma razão simples. Segurança e saúde são como o vento: não podem ser estocados; comida pode sim. Claro, há limites. Claro, a produção da comida exige atenção contínua. Mas alerto quem pensou sobre isso: a produção da comida fica no setores primário (pecuária e agricultura) e secundário (indústria). Estou falando aqui em serviços, setor terciário. Então, se aquele seu amigo daquela grande rede social acha um absurdo o fechamento de "serviços de manufatura de alimentos", saiba que ele já está falando bobagem. Lógico que nada disso funciona sem energia elétrica, água, combustíveis para veículosgás natural e até mesmo internet. Não vou listar tudo.
Os serviços adiáveis são aqueles que você consome sim, mas pode perfeitamente ficar um bom tempo sem eles. Claro que esse tempo varia muito da pessoa e do serviço. Eu mesmo tinha programado pra esta semana cortar o cabelo: não vai rolar e não vou gostar do resultado. Mas ninguém morre por ficar semanas sem cortar o cabelo. Aqui vão entrar serviços como vestuário, serviços advocatícios ou contábeis, educação e tantos outros. Essas coisas são importantes, mas são um pouco adiáveis. 
Os serviços supérfluos são aqueles que, falando a verdade, podemos viver sem. Se nunca mais pudermos viajar a passeio para outros países, é óbvio que muita da graça da vida se perde. Mas ninguém vai morrer por isso. Então temos turismo, bares, restaurantes, casas noturnas, cinema e por aí segue.
Agora, vou perguntar o quão essencial é a presença da pessoa no local de trabalho. É simples: se absolutamente precisa estar lá, como o enfermeiro, o cabelereiro e garçom, é serviço presencial. Se pode estar longe, como atendimento de primeiro nível em suporte de internet, contador e atendente da loja de turismo, é serviço remoto

Vou ficar aqui, e espero não ter dito nenhuma grande novidade. Quis apenas estabelecer os termos que usarei nos próximos posts.
Até amanhã.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Uma história hipotética e uma real

Vamos contar a história fictícia de João, uma pessoa comum como eu e você, amigo leitor, meramente interessado em pedir uma pizza. Ele liga para a pizzaria e segue-se o diálogo que, eventualmente, distancia-se da realidade e do bom senso.

- Pizzaria Itália, boa noite
- Boa noite. Duas pizzas para entrega, por favor: muzzarella e calabresa.
- Perfeitamente. É o sr. João ?
- Eu mesmo.
- O local de entrega permanece o mesmo do último pedido?
- Sim.
- Ótimo. São R$ 80. Forma de pagamento?
- Cartão de crédito. 
- Sem problemas. São 30 minutos de espera.
- Excelente...
- Sr. João, uma coisa mais... O senhor tem pratos redondos?
- Curioso você ter perguntado. Não tenho.
- Não ?
- Não. Sei que quase todo mundo tem, mas eu não.
- Sr. João, infelizmente só podemos vender pizzas para pessoas que possuem pratos redondos.
- Mas que diferença isso faz pra vocês? Não posso comer a pizza nos meus pratos retangulares?
- São normas da empresa. Não vamos poder estar atendendo.
- E seu eu pedir emprestado os pratos do meu vizinho?
- Nesse caso, a pizza ficaria para ele. Não recomendamos essa prática. Boa noite.
- Espera !
- Sim ?
- Eu arrumei os pratos, são redondos. Pode mandar as pizzas.
- Será necessário apresentar os pratos para o entregador, sr. João. 
- Mas que conversa de doido é essa ?! 
- É assim mesmo.
- Eu não sou obrigado a ter pratos redondos !
- Não, claro que não. A Pizzaria Itália não está dizendo isso. Mas só podemos atender quem tiver pratos redondos. Afinal todo mundo tem pratos redondos.
- Quase todo mundo !
- De fato... o senhor não tem. Mesmo assim, não vamos estar podendo fazer nada. Boa noite, Sr. João e obrigado por preferir a Pizzaria Itália.

--x--

Conversa de doido? Empresa maluca? Vamos ao caso real então, que passei esta semana. 
Com a proximidade da estréia da temporada final de Game of Thrones, fui procurar opções de assinatura da HBO, o que poderia apresentar alguma dificuldade na medida em que não tenho TV a cabo, apenas internet em casa.
Depois de alguma busca, soube que o serviço é vendido de modo independente do cabo, o que pareceu um alívio, mas com um limitante: eu não tenho como acessar o conteúdo em meu aparelho. Isso acontece porque aparentemente eu sou um homem das cavernas sem prato redondo: minha tv não é smart e uso um praticamente analógico Play Station 3.
É isso mesmo: se eu tivesse tv a cabo, o próprio decoder teria o aplicativo para acessar o conteúdo. Sem o decoder, mas com uma tv smart, seria possível instalar o aplicativo na própria tv. Sem o decoder e sem a tv smart, mas com um Play Station 4 aparentemente seria possível usar o aplicativo pelo console. 
E o triste disso tudo é que a porcaria do aplicativo existia para Play Station 3 até janeiro deste ano, mas ele simplesmente foi removido e não está mais disponível !
Sim, é um cenário de gente doida: eu quero assinar o pacote mas aparentemente não consigo. 
Não testei ainda a tese de acesso via notebook, o que já representa incômodo. Mas, sinceramente, se for para ter que plugar meu note na tv a cada episódio, então não preciso me dar ao trabalho de pagar o acesso e posso encontrar esse conteúdo, digamos assim, por aí...

Se liga, HBO ! Foi burrice aguda tirar o aplicativo do PS3, ok ?

terça-feira, 26 de março de 2019

Portugal 1 - Dias 22 e 23 - Cascais e Estoril

O amigo leitor se lembra, dias atrás, quando questionei se Belém era outra cidade ou não em relação a Lisboa? Se seguirmos no mesmo trem até o final da linha, ele chega a Cascais, que também não sei se é outra cidade, mas tem mais chance de ser do que Belém. Acho...
O mesmo trem que leva o turista até Belém, também leva até Estoril e, em sua estação final, a Cascais. São uns bons 40 minutos de viagem, muito tranquila e confortável. Ao chegarmos por lá, achamos uma cidade (bairro ?) pacata e glamourosa. Muitas ruas sem acesso aos carros, lojas de marca se alternavam com as de souveniers e restaurantes, sempre eles, para todos os bolsos. Era um passeio simples, apenas para contemplar a vista.


foto: Cascais, Portugal, 2019

De lá, pegar um trem de retorno para apenas 3 estações, até Estoril. A ideia era similar, com a tentativa de vistar o Casino. Infelizmente, estava fechado ainda, e pareceu um tanto desgastado pelo tempo. 


foto: Cassino de Estoril, Estoril, Portugal, 2019

Almoçamos e voltamos por lá mesmo, um arroz de bacalhau, e voltamos para o hotel ainda com dia claro. Era necessário pois nosso voo sairia 8h05 da manhã seguinte, o que nos obrigava a sair do hotel lá pelas 5h. Luciana foi direto, mas eu ainda passei na mesma loja onde comprara o cadeado na véspera para uma balança portátil nova: a antiga desmontou na véspera e eu perdera a confiança.

Acordamos dentro do previsto e chamamos um Uber. Nosso café da manhã nos aguardava em uma sacolinha na recepção. Chegamos com toda tranquilidade no aeroporto, despachamos as bagagens sem nenhum contratempo e tomamos nosso café. O único empecilho mesmo foi achar um banheiro, já que havia um deles em obras e outro em processo de limpeza. 
O voo diurno foi uma grata surpresa. Apesar dos 13 (contados) pontos de turbulência, pude aproveitar o entretenimento de bordo numa boa. Assisti Bohemian Rhapsody (bom filme, mas com importantes ressalvas biográficas) e Ocean´s Eight (fraquíssimo, sob qualquer análise). Ainda deu tempo de começar e odiar The Greatest Showman, um musical que tem tanta vergonha de ser musical que não há partes musicais nos trailers tampouco é classificado como musical nos catálogos. Aos 11 minutos de filme, 9 dos quais de cantoria imbecil, confirmei com Luciana minhas suspeitas e larguei o filme ali para nunca mais voltar a ele.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Portugal 1 - Dia 22 - Lisboa final

Final é um termo exagerado. Fica a impressão de que nunca mais voltaremos a Lisboa ou que não há mais nada a ser visitado por lá, ambas igualmente falsas. Mas fica válido no sentido de terminar o que ainda havia a ser visto por lá nesta viagem.
Não acordamos cedo, não saímos com pressa e não pegamos metrô. Havia dois problemas operacionais antes de tudo: comprar novos cadeados e trocar uma desgraçada nota de 200 euros. Ambas foram complicadas.
O cadeado, que deveria ser fácil de encontrar em lojas de malas, simplesmente não era. Por alguma razão, eles não vendem os cadeados de padrão TSA, aqueles que podem ser abertos pela segurança dos aeroportos com facilidade. Foram diversas lojas e só fomos encontrar em uma loja enorme de quinquilharias em geral. 
O nota também deu trabalho e foi ainda mais esquisito de resolver. Depois de alguma caminhada pela Av. Almirante Reis, achamos um banco e entramos nele. Havia apenas um caixa funcionando e ele não parecia particularmente apressado. Depois de uma boa espera, eles avisam que estão sem a máquina contar dinheiro. Eu expliquei que precisava trocar a nota de 200 e a resposta foi "lamentamos". Não insisti. Eles me indicaram uma agência de outro banco, em frente. A tal agência claramente não existia mais há meses. Seguimos pela avenida e, já próximos do Rossio, perdi a paciência entrando em outra fila de banco. Novamente apenas um caixa, e as mais variadas transações passavam todas por ele, incluindo um indiano depositando mais de 2.000 euros em notas de 20 ou menos. De certa forma, isso era bom: trocado ele tinha, e e contou tudo na máquina, que também estava funcionando... mais ou menos. No fim, deu tudo certo mas não sem uma surpresa adicional: em Portugal, trocar uma cédula grande é uma operação bancária. Isso significa que teve que ser registrado no sistema e eu tive que apresentar meu passaporte para finalizar. Minha conclusão foi: o sistema bancário português é bem ruim se comparado ao nosso.
Já mais tranquilos, seguimos para o Teatro Romano. Ele é bastante curioso como passeio: fica permanentemente aberto, com acesso pela rua, e gratuito. Do outro lado, ficava um museu sobre ele. Optamos pela versão gratuita apenas. A construção é bem limitada pois claramente foi perdida boa parte dele. Pelo que entendemos, era uma ruína conhecida até 1755 quando foi soterrada pelo terremoto e só reencontrada nos anos 1960. Não que eu não soubesse da gravidade, mas isso ajudou a ter uma dimensão melhor do tamanho da tragédia do século XVIII. 

foto: Teatro Romano, Lisboa, Portugal, 2019

Depois disso, fizemos uma passada complementar na Catedral da Sé de Lisboa, desta vez sem a correria da primeira visita, e finalmente achamos a entrada para o Arco da Rua Augusta. O arco em si é belíssimo e é a única coisa que não se vê quando se sobe nele. Mas temos estas imagens:
foto: rua Augusta vista do Arco da Augusta, Lisboa, Portugal, 2019 

foto: Praça do Comércio vista do Arco da Augusta, Lisboa, Portugal, 2019

De lá, na própria rua Augusta, almoçamos tardiamente uma paella negra que estava um caso sério, compramos uns doces para comer no hotel e fomos embora. Foi só no hotel que eu descobri que a tal "bola de Berlim de chocolate" não era de chocolate, era de nutella. Chorarei eternamente por ter comprado uma só.



quinta-feira, 21 de março de 2019

Portugal 1 - Dias 21 - Road Trip

Chegamos ao apartamento em contato constante com a proprietária. Dado que íamos sair cedo no dia seguinte, ela preferiu vir à noite para conferir o apartamento antes de entregarmos, o que rolou sem dificuldades. Mas abusei de paciência dela e pedi para entrar em contato com o motorista do Uber da véspera, já que eu até tinha o número dele, mas não conseguia ligar.
Meia hora depois, ele estava na nossa porta para devolver o power bank. Igualzinho aqui, manja?
Acordamos cedo, tacamos as malas no carro e seguimos de volta para Lisboa, em uma viagem de 300km cheia de paradas programadas. Vamos a elas.
Primeiro de tudo, paramos em Óbidos, que nem fica fora do caminho, para compras e almoço. Sim, pois as compras demoraram mais que o esperado. Uma loja que Luciana vira dias antes simplesmente sumiu, e levamos muito tempo até nos conformarmos com isso.
De lá, seguimos para Pena, onde estava pendente o Castelo dos Mouros. Uma vez mais, preciso pontuar, eram apenas as ruínas dele. Mas a vista do alto é realmente assombrosa, entendendo-se com facilidade o valor estratégico do local.

foto: pátio do Castelo dos Mouros, Pena, Portugal, 2019

foto: vista do Castelo dos Mouros, Pena, Portugal, 2019

De lá, tínhamos dois mirantes, por assim dizer. Fizemos um pitstop no Autódromo de Estoril (pun intended), que não era visitável, e depois na Boca do Inferno. Esta última é um local onde a erosão marítima está cavando uma paisagem belíssima. 

foto: Boca do Inferno, Cascais, Portugal, 2019

Não ficamos para o pôr do Sol, pois ainda tínhamos que deixar as malas no hotel e o carro no aeroporto, nessa ordem. O caminho até o hotel teve um congestionamento épico, onde uma simples alça de acesso tomou 40min. No hotel, não havia onde parar o carro, então ajustamos as coisas como possível (leia-se: parei o carro onde não podia e corri com as malas). 
De lá, eu esperava problemas para chegar ao aeroporto, mas estava redondamente enganado sobre isso. Era uma linha reta de menos de 5km até lá, que me tomou 14min contados no relógio do carro. A entrega ocorreu sem dificuldades e voltei de metrô para o hotel.
Ainda deu tempo de sair para jantar, e matei a vontade de sardinha.