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sábado, 19 de julho de 2014

Várzea sem fim

Acho que qualquer um que acompanha minimamente os fatos relacionados à FIFA sabem que aquilo é uma enorme bagunça, um furdúncio, um completo caos. Adiciono várzea agora. 
Recebi um email solicitando minha participação em uma pesquisa de opinião sobre o site dela, no que se refere à compra de ingressos. 
"Vou lavar a égua", pensei. Depois de todos os perrengues que passei, sendo obviamente preterido em todas as fases de sorteio por ter optado pelo pagamento em boleto em vez de cartão (que era um dos patrocinadores master do evento), de não conseguir logar para comprar os ingressos, de acordar às 4h30 diarimante (sábados, domingos e feriados inclusos) para usar software de inserção de dados e 2 sites de monitoramento de atividades para não conseguir os ingressos (acabei comprando de um amigo de um amigo), era minha vez de jogar tudo isso na cara deles


O que dizer disso ?

terça-feira, 15 de julho de 2014

Copa 64: Alemanha 1 x 0 Argentina - parte 2

Chegamos ao andar superior e começamos a procurar nossos lugares. Foi um pouco confuso, pois a marcação não bate com as placas internas. Há uma razão para isso: o estádio estava com a área de imprensa ampliada em função da grandiosidade do evento. No dia a dia, isso retornará ao normal. Com a ajuda de um steward, achamos nossa fileira. Todos os assentos estavam ocupados menos dois: exatamente os nossos. Sim, amigo leitor: o lugar marcado está entrando na cultura brasileira. Claro que ajustes locais são feitos: Troca comigo? Posso sentar aqui um pouco? É que eu estou separado do meu grupo... Sem incidentes relevantes nisso também. 

foto que bombou no Face, com mais de 100 likes apenas no domingo

A primeira cerveja já tinha ido, e tínhamos um hora para outras cervejas (e seus respectivos copos) e circular um pouco. Aí nota-se a qualidade visual das torcedoras argentinas. Sim, as argentinas merecem a fama que têm: nenhuma delas era, sequer, média: tudo filé.
Os assentos são muito bons. Pessoalmente, acho que poderia apertar um ou dois centímetros aumentando a capacidade do estádio, mas entendo o critério utilizado para esse bando de gordos que o ser humano está se tornando. 
Seguem algumas fotos, com legendas explicativas

visão ampla do estádio

concentração argentina

concentração alemã

A maior concentração atrás do outro gol, pela entrada C, era de Argentinos. A segunda maior, na entrada E, era de alemães. Havia ainda um terceiro grupo menor de argentinos, entre as entradas B e C, bem próximos ao campo. O restante era torcida mista. Ao contrário dos dados da FIFA, que falavam em equilíbrio, os argentinos estavam em muito maior número que os alemães: 3:1. Mas a maioria era de brasileiros, obviamente torcendo pelos europeus. Em resumo: 1 alemão: 3 argentinos: 6 brasileiros a cada 10 torcedores. Esse foi nosso feeling.
O jogo foi visto por bilhões de pessoas. Comentar lance a lance é pointless. Pude ver o tal apoio e cantoria dos argentinos, e digo que é algo memorável. Dizer que eles cantam e gritam o jogo todo é exagero, mas o apoio dele é incondicional. Às vezes se calam, cansam, são humanos além de hermanos. Mas quando outro setor do estádio começa a cantar, eles reagem imediatamente. Cantam juntos a mesma música, e são várias letras e melodias diferentes. Perto do "sou brasileiro...", a diferença é brutal. 
A letra mais marcante mexe conosco:

Brasil, decime qué se siente 
tener en casa a tu papá.
Te juro que aunque pasen los años, 
nunca nos vamos a olvidar... 

Que el Diego te gambeteó, 
que Cani te vacunó, 
que estás llorando desde Italia hasta hoy.

A Messi lo vas a ver, 
la Copa nos va a traer, 
Maradona es más grande que Pelé

A resposta a isso era um sonoro "Pentacampeão". E a convivência era, em geral, pacífica. Houve um momento de tensão durante o primeiro tempo, por ocasião do gol impedido da Argentina. Eles comemoraram, mas a situação inverteu-se segundos depois. Talvez algum hermano tenha se irritado, talvez algum brasileiro tenha provocado demais: impossível saber sem ter visto tudo. Mas houve trocas de empurrões, xingamentos, ofensas. Não vi nada mais grave, mas soube de alguns mais exaltados que foram retirados do estádio. 
Terminou o jogo, 0x0.
Prorrogação, mais 15 minutos, 0x0.


Segundo tempo, e temos o gol. Explosão de alegria, no maior Schadenfreude da minha vida. 


O desabafo da minha vizinha de cadeira foi, digamos, por conta dela. O final da partida, que eu esperava ser tenso, foi tranquilo. Não vi qualquer confusão ou sequer xingamento entre torcedores. Nada. Aos poucos, foram saindo e indo embora, calados.
Na premiação, um momento especial:


Tentaram abafar na transmissão da TV, pelo que soube. Mas a verdade nunca será calada.
Depois de confraternizar com os alemães, caminhamos por dentro do estádio e saímos pela rampa principal. Seguimos pela passarela até o metrô, onde a passagem era gratuita e em menos de 10 minutos estávamos no Shopping Nova América, para última refeição e seguir viagem. No caminho, musica de saideira:

Argentina, decime qué se siente 
tener perdido la final.
Tener solamente duas Copa, 
Brasil sigue sendo tu papá..

A Messi no lo vas a ver, 
la Copa no nos va a traer, 
Di Maria tiene nombre de mujer

Até teve um ofendidinho olhando feio, mas ficou nisso, pelo menos até onde vimos. Descemos apenas 3 estações depois, como na ida.
Comi um curioso par de croissants em um local chamado Croasonho. Garanto que a comida é melhor que o nome. Por acaso, descubro que são 4 lojas em São Paulo já. Recomendo.
Às 21h30, pé na estrada. Erramos uma das saídas, perdendo 7 minutos, e depois tudo correu bem, apesar da grande quantidade de imbecis na estrada: todos os trouxas que não estavam na ida, estavam na volta. E de todas as subespécies: cariocas, paulistas e argentinos. 
Felizmente, nada ocorreu, e chegamos em casa cansados e felizes. Como relatei às 3h23 no Face, eu não queria dormir, mesmo depois de 22 horas acordado, e tendo dirigido 900km. Queria que aquele 13 de julho não passasse nunca. Que ele permaneça vivo na minha memória para sempre.
Você, leitor, que curte futebol: vá a uma final de Copa. Vire-se. Torne-se um jornalista esportivo, tenha contatos na área do futebol ou pague o ingresso (sinceramente, o caminho mais simples). Mas vá. Vale a pena, e muito.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Copa 64: Alemanha 1 x 0 Argentina - parte 1

Contra todas as probabilidades, consegui o ingresso para ir ao jogo. Então, contra todas as tradições, não falarei de esquemas táticos, posse de bola, chutes a gol, chances perdidas, impedimentos: foco no evento em si.
Que tal?

Saí de casa por volta de 6h40 para buscar o Guilherme. Na véspera, eu já havia localizado o destino de carro no Waze: Shopping Nova América. O plano era viajar de carro e deixar o carro nesse shopping, que tem ligação fácil e prática com o metrô. Além disso, o trajeto é curto, apenas 3 estações.
Pé na estrada e o plano vai se mostrando eficaz. Estrada livre, embora coalhada de argentinos indo para jogo em plano similar ao nosso. Para minha surpresa, não tivemos qualquer problema com outros motoristas, nacionais ou importados, por todos os mais de 400km de Dutra. Foi necessária uma parada para reabastecimento e desabastecimento, se você leitor me entende... No posto, um grupo de argentinos fazia o mesmo que nós, extremamente discretos e tranquilos. O único erro foi não ter encaixado o cabo de carregamento do celular durante toda a viagem, então perdemos um tanto de bateria nisso. Mas o carregador conseguia carregar mesmo com o Waze ligado: removemos todos os outros serviços, reduzimos a luminosidade da tela e os 28% do meio do caminho chegaram ao Rio como 68%. 
O tal shopping é muito bacana. Paramos o carro sem o menor problema e seguimos passeando por dentro. Bonito, espaçoso, agradável (ok, a temperatura de inverno ajudou bastante). As duas praças de alimentação são interligadas por uma rua de botecos, como se fosse uma rua de verdade, com mesas na calçada e coberta por uma lona branca suave. O clima fica uma delícia, e por ali comemos no Bar do Manolo. 
Seguimos para o estádio de metrô, sem pagar pois era gratuito para quem tinha ingresso. Rápido e ágil, como se espera de um metrô.


No entorno do Maracanã, vimos o único erro de planejamento em todo o evento. Foi feito um enorme perímetro em volta do estádio, e só passava quem tinha ingresso. Eram múltiplas barreiras, algo entre 7 e 10, o que achei ótimo. Depois da rampa, estava a entrada A. Portadores de ingressos outros deveria seguir em sentido anti-horário em torno do estádio. Estávamos com F, e a volta foi enorme e desnecessária se nos deixassem passar em sentido horário. Isso custou um bom tempo, e perdemos o show de encerramento. Não que eu fizesse questão, mas queria ter entrado mais cedo no estádio. Também não pude passar na loja de souveniers. 
Passamos pela revista e começamos a coleção de copos Brahma. Lindos, épicos, memoráveis, únicos, exclusivos. Caminhamos até nossa entrada onde a última chance de problemas nos esperava: os ingressos não estavam em nossos nomes. Nem por isso fomos barrados: os ingressos eram verdadeiros e ninguém olhou os nomes impressos. Fui atendido em inglês, para falar a verdade. Your ticket, sir. This way. One moment, please. Divertido.
Subimos as enormes rampas até chegar lá em cima, pois nossos lugares, além de tudo, eram bem no alto, o que só melhora a visibilidade.
Já se ouviam as primeiras músicas:

Argentino: tomar no cu
Tem duas Copas, mesma coisa que o Cafu
Argentino: como é que é ?
Tem duas Copas, uma a menos que o Pelé
Argentino: "chupaté" o talo
Tem duas Copas, a metade do Zagalo

E, claro, uma um tanto mais personalista

1000 gols
1000 gols
1000 gols, 1000 gols, 1000 gols
Só Pelé, Só Pelé
Maradona cheirador

Amanhã conto sobre meus vizinhos de lugar e o jogo em si.



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Copa 62: Argentina 0 (4) x 0 (2) Holanda

Jogo chato, preguiçoso.
A Holanda não queria jogar, preferia ir para os pênaltis confiando em Krul. A Argentina apenas não conseguiu. Messi, Higuain, Robben, Sneijder... todos em tarde pouquíssimo inspirada. Não lembro de nenhum grande lance no jogo todo. Os argentinos até queriam jogo, mas não criavam nada, pelo menos no tempo normal.
A prorrogação foi um marasmo tenebroso.
De certa forma, o plano holandês deu certo. Pelo menos no sentido de levar a decisão para os pênaltis. No entanto, Van Persie estava mal fisicamente e fazia uma partida horrenda (Van Pérsimo ?), o que custou a terceira substituição de Van Gaal.
Nos pênaltis, vitória argentina, que converteu suas 4 cobranças enquanto Romero pegou duas dos adversário, Sneijder incluso.

Meu amigo Maurício Jabour fez uma sugestão que adaptarei aqui. A ideia inicial é terminar o jogo em campo, não nos pênaltis. Então, caso o jogo termine empatado, disputa-se os pênaltis pelo formato atual até apurarmos um vencedor. Mas a disputa só vale depois da prorrogação, a ser jogada em seguida. 
Com isso, temos três vantagens. A primeira, é terminar a decisão em jogo, não em um chute aleatório, digamos, no telão acima do gol. A segunda, é acabar com o mimimi do jogador estar cansadinho, desgastadinho, estressadinho: e decisão não é final, apenas aponta uma vantagem para um dos lados. A terceira, e mais importante, é fazer com que apenas um dos times jogue pelo empate, o que venceu os pênaltis. O outro, o perdedor, precisa vencer a partida na prorrogação. 
Fica a sugestão para as múmias da FIFA.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Copa 61: Alemanha 7 x 1 Brasil

Nunca tive tanta dificuldade para começar um texto neste blog. É tanta coisa ao mesmo tempo, um turbilhão de informações, análises, piadas, teses e opiniões que fica difícil filtrar. Para não repetir nada disso, vou partir para um relato pessoal.
Segunda-feira, dia 7, eu combinei com a namorada de cortar meu cabelo no sábado dia 12. Meu cabelereiro trabalha das 14h às 22h. Embora seja possível ir durante a semana, o sábado parecia mais promissor. Mas antes de marcar, ocorreu-me que poderia haver jogo da seleção no sábado caso perdêssemos da Alemanha, e daí o estúdio desmarcaria ou, pior, apenas daria o furo. Achei melhor marcar para dia 9, quarta-feira e feriado paulista, para evitar problemas. Era o primeiro indício.

(parei o texto para almoçar e, no meio do almoço chega a confirmação de que consegui ingresso para a final)

Na própria 3a, passei no mercado e comprei salgados para as visitas. "Vai Brasil", disse para cada atendente que encontrava, mas de algum modo saía sem convicção alguma. Era mais uma tentativa de auto-afirmação do que uma declaração de apoio. Se eu dissesse "Vai Brasil" bastantes vezes, eu seria capaz de torcer. Funcionou.
Em casa, consegui até dormir antes do jogo. Acordei 15h40, sem muito barulho na rua. Nos jogos anteriores, era um inferno de fogos, cornetas e vuvuzelas desde 3 horas antes da partida. Claramente, meus inúmeros vizinhos estavam mais tensos no que ansiosos. Era outro indício.

(PUTAQUEOPARIU, CARALHO, CONSEGUI !!!)

Amigos chegam, trazem comes e bebes. Arrumamos a mesa. Sai a escalação e todos torcem o nariz. Apenas dois volantes era vulnerável demais. A que ponto chegamos: estávamos reclamando de falta de volantes no time. Era o terceiro indício. Mas pelo menos ele mantivera o Maicon no time. 
O time entra em campo unido. Canta o hino segurando a camisa do Neymar. A grande esperança do time era jogar aguerrido: em vez de jogar para Neymar, jogaria por Neymar. O grande medo era o overcompensantion: excesso de vontade faz coisas terríveis. 

(meu, nem sei como diabos vou pra lá, mas vou)

Começa o jogo.
Nos primeiros 10 minutos, até que tivemos alguma posse de bola. Nenhuma chance criada, mas havia mais volume de jogo sim. E, num cruzamento da direita, David Luiz e Dante vão no mesmo atacante, deixando Müller sozinho para abrir o placar. Tivesse sido um zagueiro alemão, menos mal. Mas Müller é atacante, vem em boa fase, e fazia seu 10o gol em Copas do Mundo, 5o nesta edição: não era exatamente o elemento surpresa, né ?
O time sentiu o gol, como todo e qualquer time brasileiro desde o fraldinha até o showbol. Os alemães equilibraram as ações e puderam atacar em seguida. Aos 23, a desgraça se fez completa: Klose fazia o segundo gol, que dava margem de folga, e ainda quebrava o recorde de Ronaldo como maior artilheiro da história das Copas. 

(ah, foda-se o 7x1! Eu vou ver uma final de Copa !)

O time desmontou completamente. Todo mundo viu o tsunami que se seguiu com dois gols de Kroos e um de Khedira em mais 5 minutos. Os volantes deles começaram a fazer linha de passe dentro da nossa área. Ninguém era capaz de cortar os passes. Ninguém marcava. Ninguém sequer teve a ideia de se jogar no chão simulando contusão para parar o o jogo. Felipão estava sentado no banco, catatônico.
A situação foi de um amadorismo emocional como eu nunca tinha visto na vida. Nocaute moral. Falta de reação. Apagão. Posso passar anos escrevendo sobre aqueles 6 minutos e jamais terminarei o texto.
Foi quando começaram as piadas. Em avalanche similar ao ataque alemão, começaram as aparecer as piadas nas redes sociais. Inútil repeti-las aqui, mas foi marcante. 

(PUTAQUEOPARIU, CARALHO, CONSEGUI !!!)

Na volta do internvalo, duas substituições, coisa que o Felipão não faz nunca. Certamente, os caras desabaram no vestiário. Compreensível.
No segundo tempo, os alemães claramente tiraram o pé. Havia um medo de algum brasileiro perder a cabeça e zuñigar algum alemão. Não o foi o caso. Com exceção de um momento em que houve uma entrada mais dura, nada de mais ocorreu. Eles fizeram mais dois gols, com o desengonçado Schürlle (aquele mesmo incapaz de acertar o gol contra a França), Oscar, o mais lutador em campo, fez o dele no final. 
Passamos a noite por ali mesmo, eu, Luciana e amigos. Jogamos tabuleiro, pedimos pizza, falamos da vida. Ninguém morreu. Ninguém chorou. Jogamos tão mal, que ninguém ficou bravo com os alemães. 

Vergonha. 
Vexame.
História.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Ufanistas

Em textos anteriores, critiquei os que são incapazes de notar a existência de um grande evento e os abutres reclamões de plantão. Hoje é a vez dos ufanistas poliana. 
Sim, teve Copa. Sim, teve problemas também.
Saindo do âmbito esportivo, que compete à FIFA e comentarei apenas na próxima semana, falemos dos aspectos estruturais e organizacionais da Copa. 
Antes de tudo, é fato sabido, amplamente comentado e longe de qualquer dúvida que houve um grave desserviço ao se optar por 12 sedes para a Copa do Mundo. Em uma conta simples, isso dá 5,3 jogos por sede, índice baixíssimo. Uma Copa com 10 sedes daria 6,4 e com 8, minha opção, daria 8 jogos por sede. Mais que isso, a escolha de 8 sedes proporcionaria exatos um jogo de oitavas de final por sede, e os jogos subsequentes (4 quartas, 2 semis e 2 decisões) também somam 8 e podem ser distribuídos sem problemas. A opção por 12 sedes serviu apenas a interesses escusos, para que se construíssem mais arenas e mais obras de mobilidade e apoio. Fingir que 12 sedes foi uma boa decisão é patético, ou petético, como gosto de dizer.
Ainda no aspecto das sedes, depois da errônea decisão de usar 12 sedes, errou-se novamente ao escolher algumas delas. Se São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre eram decisões incrivelmente óbvias, e Curitiba, Salvador, Fortaleza e Recife eram as opções naturais seguintes, Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal foram erros. Com todo o repeito às citadas cidades, seus times locais não fazem por merecer arenas de centenas de milhões de reais, simples assim. Seria mais correto escolher Belém, Goiânia, Florianópolis e Campinas se o assunto é futebol. Ponto.
Não é preciso mais de uma linha para o problema seguinte: superfaturamento. 
Depois veio a montagem da tabela, que escapa à compreensão do mais genial especialista em logística. Se o Brasil perder da Alemanha hoje, terá feito 7 jogos da Copa sem passar pelo Rio, sua casa oficial. Os jogos no Nordeste às 13h foram outra aberração inenarrável e indefensável. O deslocamento das seleções e torcedores, mal inerente ao tamanho do país, não obedecem a qualquer critério que tente equilibrar as distâncias. Tudo errado, portanto.
As sedes foram, então, encarregadas de definir suas obras necessárias ao evento. E tudo transcorreu na mais típica brasilidade: superfaturamentos, erros, atrasos, acidentes, mortes, tragédias. Algumas não foram terminadas, outras sequer iniciadas. Se eram tão importantes, por que não foram concluídas? Se não eram importantes, por que foram inclusas na matriz de responsabilidades?
No setor privado também não faltam críticas. Os setores aéreo e hoteleiro preferiram apenas faturar com a alta demanda em vez de criar um ambiente melhor de negócios. O resultado foi taxas de ocupação baixa nos hotéis das cidades sede e aviões vazios fora das datas dos jogos. A demanda por férias foi adiada e atrações turísticas de todo o país estão às moscas. 
A receptividade do brasileiro aos estrangeiros é fato, mas não como querem os ufanistas. É mais uma catarse coletiva, de um povo que tem consciência, mas não fama, de ser "cada um na sua" e agora se esforça para mudar de fora para dentro. Menos mal, é um processo de melhoria sim, mas não achemos que já éramos os mais receptivos do mundo. Nunca fomos. Se você acha que estou mentindo ou exagerando, experimente passar mal na rua e veja quanto tempo leva até alguém de fato lhe oferecer ajuda.
Termino nas pessoas. Onde estão os trabalhadores falando inglês ou espanhol? Não se falou tanto que grandes eventos fariam bombar os cursos de idiomas? Pois não fez. Os tão criticados brasileiros que não sabem se comunicar em Orlando e Miami são da mesma estirpe e renda maior que os brasileiros atendentes de hotel, taxistas, garçons e tantas outras profissões que se viram na base do humor, gesticulação e boa vontade para entender os que os estrangeiros falam.
A Copa passa e não deixa legados pertinentes. Deixa estádios novos, alguns onde não eram necessários, obras inacabadas e um reforço na imagem de que somos simpáticos. Só.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Copa 60: Holanda 0 (4) x 0 (3) Costa Rica

Talvez o jogo mais emocionante da Copa terminou em 0x0. Terminou nos penaltis o conto-de-fadas costarriquenho, que sai da Copa de cabeça erguida, como quem teve até chaces reais de chegar a uma semifinal.
No entanto, teria sido injusto. Os holandeses foram melhor em campo por grande parte do tempo de jogo. Criaram mais, não apenas tiveram posse de bola, mas chances mesmo. Foram várias defesas decisivas desse incrível goleiro Navas, duas bolas na trave e uma salvada de zagueiro em cima da linha.



Sem estar torcendo por nenhum dos lados, em um dado ponto da prorrogação comecei a achar que a zebra venceria novamente. É quase uma tradição no futebol quando um time cria muito mais chances que outro, mas a decisão chega aos penaltis, esse time perde. 
Mas Louis Van Gaal, técnico holandês falastrão, polêmico e genial, tinha uma inédita carta na manga. Aos 15min40 do segundo tempo da prorrogação, ele substituiu o goleiro titular Cillessen pelo 3o reserva, Krul. Sua missão era clara e simples: pegar penaltis e vencer a disputa.


Bem.. não que o titular não tivesse a mesma missão. Mas aparentemente, o monstro de Hauge era especialista no assunto e lá foi para a disputa. No banco de reservas, uma crise se instalava imediatamente: o Cillenssen chutou todas as garrafas de água que achou pelo caminho. Estava irritadíssimo. Pudera: a disputa de penaltis é o momento de consagração do goleiro, a chance de virar herói nacional.
A estratégia deu certo. Krul pegou dois penaltis, sempre pulou na direção certa, venceu a parada e criou um novo patamar para esse tipo de cenário. Krul não adivinha o canto que o batedor escolheu: ele espera o chute e salta depois. Alto, forte e com braços longos, ele deixa o gol menor. Antes da última cobrança, intimidou o adversário ao ficar dentro do gol brincando com a parte de cima rede sem saltar para isso. 2m44 de altura, apenas com altura e envergadura. Acho perfeitamente válido e honesto o que ele fez. 


Já sugiram versões distintas sobre a reação de Cillissen. Já li que ele estava genuinamente irritado, bem como que foi tudo encenação. Mas o fato é que esse tipo de ação é algo antigo e conhecido em outro futebol, o americano. Lá cada jogador tem sua função bem definida. O kicker entra em campo para chutar, que significa apenas os punts e os field goals. Alguns times chegam a separar essas duas funções. E têm pelo menos 2 reservas para cada. Mesmo no futebol, utiliza-se a figura do cobrador oficial de penaltis, na medida em que a regra não obriga que ele seja cobrado pelo jogador que sofreu a falta. Não acho que o lance deveria ter causado tanta surpresa. 
Mas causou, e é mais uma das histórias desta Copa. Neste momento, estou torcendo por um jogo entre Holanda e Alemanha: quero ver um confronto entre Neuer e Krul. Prefiro que seja sábado, claro...



Copa 59: Argentina 1 x 0 Bélgica

Verdade seja dita, essa Bélgica é uma fraude. Fez cinco jogos fracos em toda a Copa, não criou nada de especial, não foi sombra do time alçado à condição de cabeça de chave em uma Copa do Mundo. 
Do outro lado do campo, os hermanos também não estão convencendo. Messi fez uma partida fraca, o que é incomum. Por isso, e pelo gol ter saído cedo, os argentinos fizeram uma partida fraca, com apenas Di Maria mantendo o ritmo da partida anterior. Higuain, que vinha jogando mal e sendo sacado do time, fez o gol do jogo, em uma bola que sobrou no pé dele na entrada da área.



E logo ele sofre agora uma contusão muscular. Pareceu sério a princípio, pois até se falou em "fora da Copa". Agora, as informações o colocam fora da semifinal, com chances de jogar no final de semana. Não é uma perda comparável a Neymar, mas preocupa o time azul e branco, sem dúvida.
Mas com tudo isso, eles chegam a semifinal depois de 24 anos. Algum mérito devem ter.

sábado, 5 de julho de 2014

Copa 58: Brasil 2 x 1 Colômbia

Amigo leitor, arrependo-me de ter atrasado este texto. Estavam vários amigos em casa, e depois da partida batemos papo e jogamos tabuleiro. Não me arrependo da decisão, mas certamente isso afetou o conteúdo texto a seguir.
Eu deveria exaltar a melhor partida da seleção até agora na Copa. Neymar apagado deu lugar a um time com variações de jogada, com meio campo, com criação. Os lançamentos diretos não deixaram de existir, mas não eram mais a única opção. Que bom ! Fred estava se movimentando muito e, embora não tenha tido nenhuma chance de gol, foi essencial na mudança de perfil de jogo. Hulk tornou a jogar bem. Outras boas notícias.
Infelizmente, ainda dependemos dos zagueiros para fazer os gols. Cada um fez o seu, sendo o segundo um golaço de falta. Isso é ruim. Mas vencemos. 
No entanto, a terrível entrada sofrida por Neymar é o assunto. Somente algumas horas depois veio a confirmação da contusão. É séria, é importante, é dolorida. Não coloca em risco seus movimentos, é relativamente fácil de curar e não deixará sequelas físicas. Apenas mentais: ele está fora da Copa, que deveria ser sua Copa. 
A entrada de Zuñiga foi de maldade ímpar, mesmo para os padrões às vezes violentos do futebol. Ele pode falar o que quiser, mas a imagem mostra claramente ele olhando para Neymar quando foi em sua direção. O joelho levantado também não deixa dúvidas. 
Na lei brasileira, isso é lesão corporal de natureza grave. Segue link na wikipedia.  O mesmo artigo menciona pena de detenção de 1 a 5 anos. Não peço mais do que isso. Na esfera futebolística, que seja banido do futebol. O esporte certamente estará melhor sem ele, e servirá de exemplo para outros.
Não prego ofensas ou agressões a ele. Não apoio as ofensas racista que, ouvi, lhe foram feitas. Merece virar um pária, se já não for um a esta altura. Mas também é um ser humano e deve ser tratado como tal, ainda que criminoso.
Para a semifinal, o clima da seleção será outro. Em vez de jogar para Neymar, jogará por Neymar. Um time com esse tipo de motivação pode superar obstáculos épicos. Não espero menos do que isso para 3a-feira.

Copa 57: Alemanha 1 x 0 França

Não foi um grande jogo.
Se não faltou criação de jogadas, boas chances de gol, grande defesas de Neuer, o novo Muro de Berlim, faltou uma boa partida de Benzema, organização tática, coordenação e um pingo, meio pingo que fosse, de pontaria ao tal Schürrle.
Como os alemães chegaram rapidamente ao gol com Hummels aos 12 minutos, o tom da partida mudou para uma pressão fortíssima dos franceses em busca de um empate que nunca veio. Nos contra ataques, os alemães também tentavam definir a partida sem sucesso. Klose, na tentativa de se tornar o maior artilheiro da história das Copa, jogou mal e não conseguir se livrar da marcação galesa. Terá nova chance na semifinal.
Os alemães chegam a sua 13a semifinal de Copa em 18 participações. Brinca com eles, brinca...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Teve Copa

Ao contrário do rashtag #nãovaiterCopa, está mais do que evidente que está tendo, e em alguns dias diremos "teve". Já pisei nos bagos dos antis, aqueles que torciam pelo caos, destruição, perda de imagem, tragédias e catástrofes, dentro e fora de campo. Hoje reservo o vernáculo para um grupo menos radical, mas bem maior em número.
Refiro-me, amigo leitor, aos que, embora não torcessem contra o evento, apenas achavam que ele seria trágico. O rashtag mais apropriado seria "#imaginanaCopa", que se intensificou quando os anos de antecedência se tornaram meses e depois semanas.
A turma do "imaginanaCopa" achava que tudo ia dar errado. Os estádios não ficariam prontos, as obras de apoio não ficariam prontas, faltariam hotéis, restaurantes, transportes, água, energia, comida e até os maledettos adaptadores de energia para os eletrônicos não-brasileiras. As estradas estariam superlotadas de turistas indo de sede a sede atrás dos seus times.
Bem, exemplos de obras incompletas ou mal feitas não faltavam, e vou me ater aos casos paulistanos, que conheço melhor. O terminal 3 de Cumbica, por exemplo, é um puxadinho mequetrefe. As estradas brasileiras não melhoraram nada nos últimos 7 anos. O monotrilho que ligaria o aeroporto de Congonhas ao metrô e ao estádio do Morumbi, plano inicial para sediar os jogos paulistanos, está longe de terminado. Mesmo os jogos tendo mudado de casa, o aeroporto continua lá, muita gente está voando por ele e deveria precisar do metrô ao chegar. Podemos seguir a lista por horas.
Mas teve Copa. Então, como diabos a Copa deu certo? 
Não sei dizer. Fato é que não houve caos aéreo. O metrô paulistano deu conta de levar os torcedores ao Itaquerão nos 5 jogos ali realizados, e nada leva a crer que não dê conta na partida semi-final do dia 9, um feriado estadual. Não houve superlotação dos hotéis, nem gente dormindo em praças como se chegou a cogitar. E, a esta altura, com 24 dos 31 visitantes já eliminados, não há porque crer em problemas dessa ordem daqui para frente. Também não tive notícias de estrangeiros largamente mal tratados ou incapazes de comunicar. O brasileiro mostrou seus usuais jeitinho e boa vontade, e de algum modo tudo funcionou.
Dizer que não aconteceram incidentes é exagero. Brigas, tumultos, excesso de gente na Vila Madalena (caso paulistano), trânsito antecedendo os jogos e ingressos falsos são alguns deles. Claro que é preciso questionar as autoridades sobre diversas coisas ainda: se a Copa era viável sem a linha-17 do metrô, como está sendo, por que ela foi considerada essencial anos atrás? O estádio precisava mesmo ter custado o que custou? Cadê a linha expressa entre o Metrô e Cumbica? Para que usar 12 cidades-sede, construindo estádios inúteis em Brasília, Manaus, Cuiabá e Natal? Por que tantos jogos no Nordeste, reduto eleitoral do atual governo e tão poucos no Sul?
Mas teve Copa.
Os antis estão desesperados ao se deparar com os fatos. Os pessimistas, apenas surpresos e perplexos. "Teve Copa", eles precisam admitir. Então deixo aqui minha crítica a todos os pessimistas que não previram a viabilidade do evento. Eu incluso.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Copa 56: Bélgica 2 x 1 EUA

Amigo leitor, que goleiro é esse, o tal Howard !
Se é uma Copa de muitos gols, também é uma Copa de grandes goleiros e grandes defesas. 

O jogo foi muito lutado desde o começo, mas não foi um primor tático. O problema central é que são duas equipes que preferem o contra ataque, e não sabem muito bem como construir jogadas lentas com a defesa adversária bem postada. Já não era um jogo muito igual quando os americanos perderam o veloz lateral Johnson, e boa parte da sua força ofensiva se perdeu. 
A Bélgica foi criando jogadas e chances, penetrando na não tão forte defesa americana, e o nome de Howard foi crescendo aos poucos. Depois, aos muitos.  O último lance do tempo normal foi uma bola perdida na área belga que acabou desperdiçada.
A prorrogação, quinta nesta Copa, viu gols. Os belgas abriram o placar em uma confusão entre os zagueiros americanos. O time do Tio Sam partiu para cima e levou o segundo gol em um contra ataque.
Quando o jogo parecia definido, os americanos reagiram logo no lance do segundo tempo da prorrogação. A partir disso, mais pressão e gols perdidos foram se sucedendo.

Os americanos estão eliminados e os belgas enfrentarão os argentinos. Na verdade, foi um resultado justo, para minha tristeza.

Copa 55: Argentina 1 x 0 Suíça

Como esperado, os hermanos saíram para o jogo logo de cara. Por terem mais time e mais pressão, sentiram-se na obrigação de mostrar serviço.
Com bom toque de bola, o time não conseguiu criar chances claras por todo o primeiro tempo. Passados os 25 minutos, os suíços começaram a equilibrar as coisas, e tiveram a melhor chance de gol do primeiro tempo. Para surpresa deste blogueiro, os suíços começaram a provocar os argentinos com lances de efeito e habilidade: confesso que não esperava isso da parte deles, nem tem termos de intenção nem em habilidade. Um tanto latino esse time suíço, viu? Aos 38 minutos, a grande chance do jogo até então foi um contra ataque suíço no qual o atacante ficou cara a cara com o geleiro, mas errou vergonhosamente o chute. E assim terminou o primeiro tempo, sem gols.
O começo do segundo tempo mostrou uma blitze suíça, e seu grande defeito: a dependência de Shaqiri: quando ele cruza, não tem como estar na área para receber a bola. Os demais jogadores não parecem talentosos o suficiente para merecer comparação. Depois dos 10 minutos, a torcida argentina acordou novamente, e recomeçou a bela cantoria de apoio ao time, mas sem que o time correspondesse dentro de campo. A pressão ficou apenas em trocas de passes, sem chances claras exceto um cabeceio de Iguaín. 0x0: prorrogação, a quarta desta Copa.
Em ritmo lento, claramente faltou pernas aos dois times. Os argentinos dominaram a bola por 10 minutos, mas quando os suíços foram apoiados pelos gritos de "Olé" da torcida brasileira, empolgaram-se até o final da primeira etapa da prorrogação.
O segundo tempo foi apenas a movimentação de dois times de zumbis, mortos de cansado. Apenas Di Maria, buscava o gol, com bons chutes e péssimos passes. E num passe de Messi, Di Maria estava livre e fez o gol da partida.

Argentina não jogou mal, mas também não foi bem. Como em 86. Segue aos trancos e barrancos, e está entre os oito. E tem camisa para continuar. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Copa 54: Alemanha 2 x 1 Argélia

Outro jogo entre um gigante do futebol mundial e uma seleção sem tradição.
O jogo começou com a Alemanha tentando tomar o controle do jogo e tomando dois perigosos contra-ataques. Os alemães se assustaram, recuaram o time e nem isso trouxe a estabilidade desejada. A Argélia começou até a criar jogadas velozes, teve um gol corretamente anulado por impedimento e ainda um lance ótimo no qual o atacante argelino chutou para fora. Depois dos 25 minutos, o ímpeto argelino esfriou, mas nem por isso a Alemanha tomou as rédeas da situação. No final do primeiro tempo, os alemães chegaram mais, e chutaram duas ou três bolas, umas das quais uma beleza defesa do barbudo goleiro argelino.
No segundo tempo, o jogo era outro. Um reacerto tático trouxe a Alemanha que vimos na primeira fase em campo. Schürrle entrou bem no jogo, no lugar de Mario Götze. O time ganhou consistência pelo lado direito, o que não apenas fez o time ter mais presença de ataque, mas fez o ataque argelino, basicamente pela esquerda, ficar inefetivo. Isso é o que se chama "substituição inteligente". Ainda assim, as chaces alemãs não era agudas. Mustafi se contundiu, sendo substituído por Khedira. O polivalente Lahm foi deslocado para a lateral direita com isso. O jogo seguiu nisso até o término do tempo normal. E assim chegamos à 3a prorrogação da Copa.
Logo no começo da prorrogação, sai o primeiro gol em prorrogações em 2014: Schürlle, em cruzamento da esquerda, trouxe a realidade de volta ao jogo. Depois disso, os alemães controlaram o ritmo esportivo e emocional da partida, garantindo a classificação com o segundo de Ozil, a 1 minuto do final.

Complemento de postagem:
E nada que não pudesse ser mais dramático do que um gol a 30s do final, depois de eu publicar o resultado como 2x0 (por sinal, minha aposta no bolão), e o navegador dando pau e não querendo abrir mais...
Adoro.

Copa 53: França 2 x 0 Nigéria

França e Nigéria fizeram um jogo interessante no Estádio Nacional, em Brasília.
Sem respeitar a campanha e a camisa francesa, os africanos começaram o jogo melhor, dominando a bola e tomando a iniciativa do jogo, restando apenas as bolas roubadas para os azuis. A vantagem em campo chega a assustar a defesa francesa, que ainda não havia sido pressionada nesta Copa. Houve até um gol anulado (corretamente) por impedimento da Nigéria. O lance parece ter feito bem aos franceses que acordaram e começaram a sair para o jogo. O esquema era diferente dos outros jogos, com Giroud como titular e Benzema como ponta esquerda desde o início da partida. As melhores jogadas eram pela direita com o pequeno (1m67) e veloz Valbuena. A nota negativa do primeira tempo foi um penalti claro, estúpido e não marcado contra a França, em uma cobrança de escanteio na qual o zagueiro abraçou o atacante nigeriano sem a menor necessidade. 

No intervalo, cobertura ao vivo da Globo sobre o crescimento da grama no campo de treino #2, que não está em uso, na Granja Comary. A cobertura conta com dois repórteres, um engenheiro agrônomo  comentarista e 37 câmeras de alta definição cobrindo com exclusividade o evento. Na mesa virtual, 2 biólogos mostram todos os detalhes para você.






Desde a apresentação da seleção, a grama já cresceu... 7 milímetros.
A má notícia envolve Vitor. Segundo informações não confirmadas pela CBF, a toalha do jovem goleiro reserva não secou por inteiro e ele pode ter problemas para enxugar o pé direito. Vamos todos torcer por uma rápida recuperação do nosso camisa 22.
À tarde, teremos uma entrevista coletiva com o 3o roupeiro, responsável por massagear as chuteiras do Neymar. Todos os detalhes no Jornal Nacional

A volta do segundo tempo seguiu o mesmo tom do primeiro. A Nigéria foi intensificando as ações, mas sem criar chaces reais até os 15 minutos. Os africanos perderam um jogador por contusão, em uma entrada fortíssima de Matuidi, que merecia ser expulso e levou apenas cartão amarelo.
Depois dos 25 minutos, o jogo mudou. A primeira chance foi de Benzema, que recebeu um passe dentro da área, tocou na saída do goleiro, mas o gol foi evitado próximo à linha por um defensor de verde. Depois uma boa defesa do goleiro em finalização de Valbuena. Depois uma bola na trave em um rebote. E então uma saída ruim resultou no gol francês, de Pogba. Um cabeceio inteligente, longe de qualquer zagueiro que estivesse no caminho. Griezmann teve chance de ampliar no contra-ataque, e o goleiro nigeriano defendeu bem. No finalzinho, uma cobrança rápida de escanteio deu o segundo gol francês, com o mesmo Griezmann.

A França chega, e agora vai esperar, provavelmente, a Alemanha, no que deve ser o maior jogo da Copa até então.

Copa 52: Costa Rica 1 (5) x 1 (3) Grécia

Joguinho ruim, hein ?
Empenho e vontade nem sempre se traduzem em qualidade.


Credenciados como neofavoritos, os costarriquenhos não aparentaram sentir o peso da responsabilidade. Jogaram o mesmo futebol simples e direto, centralizando as jogadas em Campbell. A Grécia também jogou o mesmo quase-nada apresentado na primeira fase, onde Samaris, talvez, pudesse fazer alguma diferença. O resultado dessa combinação foi um jogo chato, com poucas oportunidades reais de gols. 
Costa Rica saiu a frente com Bryan Ruiz, em uma bela finalização. Os gregos passaram a atacar mais e, embora com grande volume de jogo, continuaram sem chances boas. O empate saiu no final do tempo normal, em uma falha de marcação, quando o time centro-americano já jogava com apenas 10 homens e apenas se defendia.
O empate no tempo normal foi seguido por outro na prorrogação. Apenas os gregos tinham pernas para tentar algo, mas não foram capazes de aproveitar a vantagem numérica.
Nos penaltis, ao contrário do jogo do Brasil, vimos 7 cobranças muito bem feitas, e ainda uma má feita que entrou. Apenas uma defesa, que definiu o placar da tragédia grega.

Não, a Costa Rica não vai ter a menor chance contra os holandeses.

domingo, 29 de junho de 2014

Copa 51: Holanda 2 x 1 México

Jogou como nunca, perdeu como sempre.
O time mexicano perdeu de modo dolorido sua vaga inédita nas quartas de final da Copa do Mundo. Com medo do calor, o time laranja conteve suas ações durante todo o primeiro tempo. O México foi bem melhor não apenas por ficar com a bola, mas por mostrar mais interesse pelo jogo e por vencê-lo. 
O volume de jogo surtiu efeito logo no começo do segundo tempo, abrindo o placar aos 3 minutos. Naturalmente, o gol tirou a Holanda da zona de conforto, mas as ações permaneceram equilibradas até os 25 minutos. Só então a Holanda passou a dominar o jogo e ser melhor, ainda assim sem criar tanto assim.
O empate veio aos 37 minutos (34 de fato, pois foram 3 de parada técnica), em uma patada de Sneijer, contando com um belo cabeceio para trás (não consegui identificar o autor do feito). Finalmente era vencido o excelente goleiro Uchoa, em mais uma atuação brilhante.
Aos 48 minutos, em um lance muito contestado pelos mexicanos foi marcado penalti para a Holanda, convertido por Hunterlaar. Na opinião deste blogueiro, penalti sim.

Outro 2x1, outra virada. Já é a terceira virada holandesa em 4 jogos. Um time que não se entrega assim tem cara de campeão. A se registrar os erros dos dois técnicos, O holandês, ainda atrás no placar, colocou Hunterlaar no lugar de Van Persie. Acertou na entrada e errou na saída: juntos produziriam mais. O mexicano ao mandar time recuar pra garantir o resultado muito cedo. Um pago caro pelo erro, o outro será visto como herói.

Copa 50: Colômbia 2 x 0 Uruguai

Venceu e convenceu. O tal James Rodriguez é goleador mesmo.
Verdade seja dita, amigo leitor, os colombianos não deram a menor chance aos uruguaios. Controlaram o jogo o tempo todo e souberam se aproveitar da ausência de Suarez no ataque celeste. Forlán, que não é mais aquele de 2010, não conseguiu criar as chances que Cavanni precisava. Quando o astro saiu, Cavanni tentou sair da área e criar ele mesmo as jogadas, mas não tinha para quem cruzar. O goleiro colombiano ainda chegou a fazer duas defesas importantes, mas o resultado foi nulo.
O primeiro gol foi em um chute forte e muito bonito, depois de uma ajeitada, de fora da área. No segundo tempo, um cabeceio para trás de Cuadrado, após um cruzamento, acho Rodriguez totalmente livre na área. O garoto de 22 anos é o artilheiro da Copa com 5 gols. E não parece sentir o peso dos fatos. Estivesse inteiro, não sei se Falcão Garcia caberia nesse time não, viu ?

Podemos, sim, ter problemas nas 4as de final. Os colombianos deverão aproveitar os acertos chilenos e tentar corrigir os erros. A nosso favor, a camisa, a torcida, o campo e trave.

Copa 49: Brasil 1 (3) x 1 (2) Chile

Ah, trave linda, minha amiga, minha querida.
O técnico Sampaoli certamente estudou o time brasileiro. Não precisou mais de 5 minutos para ver que só temos uma jogada, e anulou-a com a mesma facilidade de uma criança de 5 anos tentando quebrar um ovo. Marcou nossa saída de bola não no meio campo, como todos tentaram antes, mas na nossa defesa: tiraram os lançamentos de David Luiz e Thiago Silva. Fim !
Com isso, Neymar sumiu, Oscar não joga desde a primeira partida, Daniel Alves vem piorando a cada jogo e a coisa ficou feia. Bastante feia. 
Fizemos nosso gol e um escanteio pela esquerda e foi só. Não tivemos outra chance de gol, simples assim.
O que faltou ao Chile, fora um pingo de sorte naquele chute na trave no final da prorrogação, faltou eles terem sua própria jogada. Verdade seja dita, fora a tal bola na trave, o que o Chile criou, de fato, no jogo? Nada.
Daí pode dizer, sim, que foi um jogo fraco, embora emocionante. Hulk jogou bem, muito bem. Dedicou como sempre, mas desta vez muito mais produtivo. Teve sua chance, mas ajeitou sim a bola com o braço no gol anulado. Perdeu um dos penaltis que poderia ter nos eliminado. 
Julio Cesar não fez duas grandes defesas, apenas pegou dois penaltis mal batidos. Fica o mérito dele ter optado por não sair do meio e resolvido a parada. Cometeu uma falha em uma saída de bola que não resultou em gol: está merecendo com folga a confiança de Felipão.

Ganhamos sem merecer. Ganhamos sem roubar. Estamos nas quartas de final.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

De quem eu não tenho pena: Copa do Mundo

Fazia tempo que eu não usava essa série, iniciada aqui. Ficam mantido o texto sobre grandes eventos, mas podemos ser mais específicos. Então, vamos às letras, amigo leitor.
Começo dando um exemplo positivo. Terminado o jogo de segunda-feira contra Camarões, convidei pessoas a verem o jogo de sábado, contra o Chile, em casa. Um deles, Henrique, avisou que não poderia ir, pois sábado (amanhã) é aniversário de um sobrinho, ou filho do primo, algo assim. Henrique não estava preocupado em ver o jogo. "Certamente vai ter telão", disse ele.  Concordei.
Ontem, Henrique me enviou uma mensagem dizendo que verá o jogo em minha casa. Claro que é bem vindo mas logo perguntei se aconteceu algum problema. "O buffet fica na Vila Madalena", respondeu ele.
Viu como é possível ser minimamente esperto? O cara está vendo as notícias e o furdúncio que acontece por lá a cada jogo. 50 mil pessoas tem ido para lá, com bloqueios de ruas e tudo que pode dar errado nesse tipo de aglomeração. Quanto ao garoto aniversariante, tenho certeza de que Henrique lamenta e vai compensá-lo depois, mas não vale o stress de ir até lá.

O que nos traz aos próximos personagens: os pais do garoto que marcaram a festa em data estúpida. Sim, eu sei que o aniversário dele é no dia, ou próximo ao dia. Mas a tabela da Copa é algo conhecido desde antes do sorteio das chaves em dezembro de 2013. Era facílimo projetar que, classificado em primeiro, o Brasil jogaria no sábado, às 13h. Verdade que essa ocupação da Vila Madalena é novidade, mas por que diabos marcar a festa nesse dia ?! Compra uma agenda, trouxa.

Meu amigo Marcelo Nozaki cometeu erro similar para a partida contra o México. Marcou o atendimento a um cliente para esse dia, sem se atentar ao calendário. Tentou negociar a data e falhou: não viu o jogo. Porra, mano...

Depois temos alguns milhares de turistas que vieram ao Brasil sem ingresso. Alguns vieram no espírito de apenas participar das festas e zanzar pelo país. Isso é válido. Mas tem um monte de doidos que veio para tentar comprar ingressos aqui. Aí, não. 


E claramente não é um fenômeno específico deste ou daquele país: ouvi e li história de diversas nacionalidades. A cereja do bolo foi um grupo de chilenos (nada contra) que comprou ingressos falsos no Rio para a partida contra a Espanha. Vi depois uma matéria sobre o caso aqui. Segue a imagem dos ingressos:


Desnecessário comentar...
Parece que estou pegando no pé dos chilenos, mas realmente não é meu ponto aqui: tem caras fazendo isso de todos os países, e peço perdão pelo foco neles quanto às imagens utilizadas. 

Claro, preciso finalizar com Luiz Suarez. Personagem marcante em duas Copas já. Em 2010 protagonizou os momentos mais emocionantes do torneio, ao fazer o penalti salvador nas quartas de final contra Gana. Depois, teve recuperação heroica para poder jogar a Copa depois de uma cirurgia. Agora virou o mordedor de adversários. Segue link para um ótimo video sobre o caso.
Virou meme. Não, não tenho pena alguma dele.