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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Acabou, acabou!

O amigo leitor sabe o quanto sou fã de automobilismo. Sou fã não apenas do automobilismo de competição, mas do carro de passeio também. Estou sempre conversando sobre isso com outros aficcionados, entre eles meu sogro, Sr. Eduardo.
Tirei carteira de motorista (CNH) aos 18 anos. Na época, era a coisa mais parecida com a transição para a maioridade. E depois de dirigir o Gol e o Escort, segundos carros da família em suas respectivas era, comprei um carro zero em setembro de 1996. Foi um Corsa, mania da época. Meus amigos Marcelo e Sandra foram comigo buscar o carro na concessionária. A ele se seguiu um Daewoo Lanus, comprado da minha tia em 2002 por R$ 10 mil. Em 2005, fiz um dos melhores negócios da minha vida, ao revender o Lanus pelos mesmos R$ 10 mil e pegar um Peugeot 206. Esse ficou comigo até julho de 2011, quando cheguei ao Honda Civic. (procurei pintar os nomes carros nas cores correspondentes). E neste outubro de 2016, vendo meu Civic para abandonar a carreira de dono de carros
O amigo leitor leu certo. Estou deixando de ter carros, e portanto de dirigir. Foram 24 anos de CNH (que não deixarei de manter) e pouco mais de 20 anos como proprietário de veículo. Entre panes elétricas, bomba d´água quebrada, troca de correia dentada, bomba de gasolina, sensor ômega, discos e pastilhas de freio e alguns pneus furados, nada tão incrível assim. Também tive minha cota de colisões, sempre sem vítimas. A maior parte delas no começo, quando era menos experiente. O Civic, por exemplo, nunca foi batido: tem apenas reladas menores em um para-choque e um uma lateral baixa. O mais grave dos acidentes foi no Corsa, como vítima de colisão traseira. Outra história em que Marcelo estava junto. Tive também minhas multas, algumas dadas com toda correção pelas autoridades, mas creio que metade delas tenha sido, simplesmente, inventada. Se teve duas coisas que eu nunca passei como proprietário foram: dar perda total em um carro e ser roubado ou mesmo furtado. No geral, posso dizer que tive sorte.

Foi um conjunto de coisas que me levou a esta decisão. A primeira está o IPVA, altíssimo desde sempre. O problema nem é tanto a alíquota, mas o fato de carros terem uma carga absurda de impostos embutida. Logo, estamos dirigindo impostos sobre rodas e precisamos pagar impostos sobre estes impostos. A mesma lógica se aplica sobre o seguro, item #2 da lista: estamos segurando impostos, não veículos. Também acho a revisão caríssima, mas nunca deixei de fazer no Civic. Estes itens, somados à mensalidade do Sem Parar e do outras despesas fixas está na ordem de 6mil reais por ano. 
No lado do custo variável, entra o combustível mais caro do planeta, estacionamentos com preços crescentes e as multas. Só o combustível está na ordem de 2,5mil reais por ano, e isso porque dirijo pouco (vou para o trabalho de fretado). Os custos com multas, estacionamentos, lavagens e afins não estão estimados aqui.
Cansei também dos congestionamentos. É de uma estupidez insana o que acontece em São Paulo. Eu simplesmente não tenho mais condições mentais de enfrentar um congestionamento de 5 da tarde. Some-se a isso a estupidez assustadora do motorista brasileiro médio. 
A soma disso tudo simplesmente me venceu. Cansei, vendi meu Civic. 
Sentirei falta dele, e muita: foi meu melhor carro.
Sentirei falta da dirigir, especialmente em estrada, onde se pode sentir alguma velocidade.
Mas resolvi que sou mais milenial do que baby-boomer, pelo menos nisso. Vida que segue.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Alguém explica pra mim ?

Vamos imaginar um carro com características específicas. Trata-se de um carro para uso especificamente urbano. Ele não tem como passar de 60 km/h por nada neste mundo. Não importa a motorização, o combustível (elétrico ?) nem a quantidade de passageiros (1, 2, 20...): o fato é que ele não anda rápido nunca. O uso é exclusivamente urbano (chega a pegar até a pista central das marginais paulistanas...). Além disso, por algum dispositivo qualquer, esse carro não anda em estradas. Não importa como, ele não vai nelas. 
 Pode ser uma aberração como o Twizy, da Renault:

Twizy: até onde o mal gosto pode chegar ?

Pergunto: devido à baixa velocidade de deslocamento, poderia essa carro não ter cinto de segurança? O leitor mais atento notará que o Twizy tem, mas não estou falando dele, estou elocubrando. Novamente: pode ter o cinto dispensado?
Bem... não né ? Afinal, acidentes podem acontecer e mesmo a 60km/h o impacto pode ser sensível e perigoso.
Ok.
Então...



Por que ônibus não precisa de cinto de segurança, hein?
Aliás, o que são essas eternas e insuperáveis barras de ferro por todo interior do coletivo, onde qualquer passageiro, especialmente idoso ou criança, pode bater a cabeça em caso de colisão ou mesmo freada brusca?
Acho engraçado, para não dizer triste, essa confusão de critérios. Lembro das tais cadeirinhas para crianças que se tornaram obrigatórias nos carros, mas não nos... taxis. Ora, se são tão necessárias assim, deveriam estar também nos taxis, vans, ônibus e trens!
Daí a gente fala que essas coisa são apenas para vender acessórios, e o pessoal se ofende...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Um Muro com Pernas

Causou certo debate no Facebook esta semana um debate sobre mais um dos feitos fictícios de Ayrton Senna.
Tudo começou em matéria no UOL publicada dia 01/06/2015 e assinada por Julianne Cerasoli sobre o dia em que Senna abandonou uma corrida alegando que a batida que dera no muro ocorreu porque o muro se mexeu. Segue link. A matéria é o resultado de uma entrevista com Pat Symonds, então engenheiro da Toleman e hoje na Williams.
Vamos a algumas coisas que chamam a atenção na matéria. A primeira delas é a passagem "contou o inglês em entrevista exclusiva ao UOL Esporte". Porém, este blogueiro com espírito de auditor procurou algumas palavras chave no google e em menos de 5 minutos achou este link. É uma matéria em inglês, no site grandprix.com, assinada por Luís Vasconcelos e publicada dia 01/05/2015
Em primeiro lugar, faz bastante sentido uma matéria sobre Senna no aniversário de sua morte, e não um mês depois. Também é curioso o autor da matéria mais antiga ter um nome bastante brasileiro. Nota-se também que a matéria é mais extensa e mais detalhada, falando de outros aspectos da relação entre Symonds e Senna. E o mais pertinente a este caso é "the leading edge of the block was standing out by a few millimetres". Interessante como "alguns milímetros" virou "3 milimetros". "A few" pode ser 2, 3, 5 até. Segundo a matéria (ambas, no caso), algo teria movido o muro esses milímetros para dentro da pista e Senna teria batido por causa dessa diferença. 

(foto: quem era melhor e quem estava aprendendo)

Daí resolvi pesquisar sobre a corrida em si. Nada como uma passada rápida na wikipedia. E nela achamos o resultado oficial da prova. Senna abandonou na volta 47 por problemas de embreagem. Mas esses problemas teriam sido causados pela tal batida?
Não vejo como, pois exceto François Hesnault na primeira volta, em uma barreira de pneus, ninguém bateu durante a corrida. Se ninguém bateu, quem empurrou o muro para o meio da pista? E por que esperaram 47 volta para sacanear justamente com ele?

Gente, vamos parar com essa mania de aumentar os feitos de Senna?
Vamos parar de inventar coisas e endeusar Senna?
Vamos parar de chamar o cara de "herói" e chamar de "ícone" ou mesmo "ídolo"?

Que se diga algumas coisas antes de terminar este texto:
1) Senna era um pilotaço. Ninguém é campeão do mundo de nada por acaso, e ele foi três vezes.
2) Em toda essa historinha ridícula, não vi nenhuma declaração dada pessoalmente por Senna. É sempre a mesma coisa: alguém disse que ouviu dizer um cara comentando que Senna teria dito...
3) Na boa, mais chato que fã do Senna só Testemunha de Jeová, talvez. Talvez.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Bicampeão

Lewis Hamilton sagrou-se bicampeão de Fórmula 1 ontem, em Abu Dhabi. 


Em uma temporada chatíssima, o inglês prevaleceu com 11 vitórias contra 5 de Nico Rosberg. Por mais que a pontuação desse chances ao alemão, não havia como alguém entender que Nico foi melhor. Nos confrontos diretos, Lewis o superou na pista diversas vezes ao longo da temporada. E ainda enfrentou mais problemas mecânicos que o adversário (4 x 3).
Hamilton venceu e convenceu. Tido como piloto instável foi um sujeito constante durante todo o ano. Amadureceu a olhos vistos. Mesmo quando teve que lavar a roupa suja na Bélgica, depois do toque que levou de Nico, conseguiu não perde a cabeça.
Que se diga, foi a melhor corrida do ano ontem. Massa teve chances de vencer (o amigo leitor sabe que não sou ufanista e teria elogiado do mesmo jeito se o 2o colocado fosse Bottas, Alonso, Vettel ou a Peppa Pig). Ainda assim, só houve disputa porque Rosberg teve problemas de motor (perdeu o ERS) e, embora não tenha sido mostrado na transmissão, claramente a Mercedes optou por poupar o ERS de Hamilton por algumas voltas, o que empolgou o brasileiro.
Menção honrosa a Nico Rosberg pela combatividade ontem. Andando com um carro que perderia rachas para Unos e Ladas, recusou-se a abandonar, no espírito de "só acaba quando termina". Muitos teriam encostado o carro. 
A Fórmula 1 está em crise, mas termina festiva. Precisa rever seus conceitos financeiros, como Max Mosley previu alguns anos atrás e foi ignorado. Precisa rever seus conceitos esportivos, pois se tornou uma categoria de automobilismo sem desenvolvimento de tecnologias ao longo da temporada: quem projetar o melhor carro vai vencer e não há como reagir a isso. A audiência cai em todo o mundo. E seu grande líder e guru administrativo, Bernie Ecclestone, dá sinais de senilidade.
Mas sim, termina festiva e agora vai viver dos anúncios de novos pilotos, desenvolvimento de modelos 2015 e o tal glamour que nunca me convenceu. 
Parabéns, Lewis.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Palpite

Só para não deixar passar em branco, registro aqui meu palpite para o mundial de Fórmula 1: Hamilton campeão.
Eu sei que é meio barbada, mas quis registrar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vettel na Ferrari

Na semana que termina o Mundial de Fórmula 1 de 2014, a Ferrari anuncia o que o mundo inteiro sabia desde o final de setembro: Vettel será piloto da equipe em 2015. 
O que me dá nos nervos é que todo mundo já sabia e ambas as partes ficaram essas semanas todas negando o óbvio. E agora vêm a público anunciar sem pompa alguma via Twitter. 

(imagem: um assessor de imprensa na Fórmula 1)

Nada, eu digo de novo, nada justifica essa frescura toda. Pilotos trocam de equipes e equipes trocam de pilotos. O mundo da Fórmula 1 sabia disso desde que a Red Bull anunciou a saída do tetracampeão. Achei este link, de 3 de outubro, sobre isso.
É quase que inerente à categoria e ao conceito de automobilismo esportivo. No mínimo, o piloto fica velho ou morre, e precisa ser substituído. Não há vantagem alguma nesse tipo de segredo. Em uma categoria já abalada por uma auto-inflingida crise financeira, com sérios problemas de competitividade e com seu genial comandante dando sinais de senilidade administrativa, mentir sobre essas trocas não ajuda nada.
#VempraNascar, amigo leitor.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Harvick

Já em síndrome de abstinência, escrevo sobre a final da Nascar ontem. Deu Kevin Harvick (só ele merece bold hoje), como o até o leitor menos atento deve ter notado no título do texto.


Não foi uma vitória fácil, mas foi firme. A prova foi dominada por Jeff Gordon, que claramente tinha o melhor carro da pista. Logo nas primeiras 50 voltas, no entanto, Harvick, Hamlin e Logano vieram disputar o título nas posições mais a frente, enquanto Newman ia acertando o carro e ganhando posições discretamente. 
Todos esses 4 chegaram a liderar, mas o tetracampeão, sempre relargando mal, acabava por se impor mais cedo ou mais tarde. 
Por volta da metade da prova, Newman havia chegado para a festa, enquanto Logano começava a perder rendimento. Hamlin tinha mais momentum a esta altura. Havia, no entanto, muito respeito entre eles em todas as disputas de posição. Era importante estar a frente para o momento em que as bandeiras amarelas começassem a embaralhar as posições na pista. 
E vieram, claro. A 22 voltas do final, detritos na curva 2 trouxeram a oportunidade de tentar estratégias. Sem condições de enfrentar os adversários diretamente, Newman optou por dois pneus e melhorar a posição na pista. Gordon e Hamlin ficaram na pista, e Harvick e Logano optaram por 4 pneus. 
Foi quando Logano perdeu sua chance ao título. O macaco simplesmente quebrou no momento da troca do lado esquerdo. É daquelas coisas que ele e seus fãs jamais esquecerão: em uma média de 12 pits por corrida vezes 36 corridas vezes 2 lados, Logano preciso ter o macaco embaixo de seu carro entre 800 e 1000 vezes ao longo do ano. Quebrou nesse momento. Posições de relargada: Hamlin (na pista) 2o, Newman (2 pneus) 4o, Harvick (4 pneus) 12o e Logano (4 pneus) em 29o, socando o volante.
A estratégia era obviamente para 4 pneus, e Harvick estava rapidamente na 7a posição quando outra amarela veio a 12 voltas do final. Harvick ainda herdou uma posição com a parada tardia de Gordon. 
Harvick relargou muito bem, usando os pneus novos e retomou a ponta, seguido por Newman com estratégia mista. Mas a 6 voltas do final outra amarela precisava vir. 
Newman foi combativo na relargada, mas Harvick soube controlar a situação e venceu a corrida, e com ela o campeonato. 
Não é meu piloto preferido. Mas tenho simpatia pelo time, que em 2016 estará na F1. Dizem, com Harvick ao volante. Aí, sim. 
Congrats, Kevin. 



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Final Four

Neste domingo termina a temporada da Nascar. Quatro pilotos de quatro equipes, uma corrida, um título. Quem chegar na frente entre eles, leva a taça. Simples assim.
Segue, então, minha análise dos Final Four.


  • Favorito
É Joey Logano, sem dúvida. Imagino que todos concordem comigo. Jovem (24 anos) e experiente (7a temporada), o ítalo-americano começou muito cedo na categoria, talvez cedo demais. Depois de um início promissor na equipe de Joe Gibbs, acabou perdendo competitividade e espaço. Depois de ficar de fora do Chase em 2012, mudou-se para a Penske, para ser companheiro do campeão do mesmo ano, Brad Keselowski. Foi uma mudança bem sacada, pois evitaria comparações duras. Pois Logano classificou-se para o Chase em 2013 e Brad não. Voltou à elite este ano, e chega sozinho à final. Se for campeão, fica com a pose de primeiro piloto, embora isso não tenha tanto peso assim na categoria. 
O time Penske é seguramente o mais estável e competitivo do ano. Venceu 11 corridas com apenas 2 pilotos, e frequenta as primeiras filas da classificação com assiduidade. Logano soube sair de situações complicadas e ir se classificando em cada fase. 
  • Rival
Kevin Harvick, da Stewart-Haas, é o rival. Harvick teve uma ótima temporada e poderia ter muito mais do que as 4 vitórias já obtidas deste ano, pois embora tivesse o carro dominante por várias vezes, foi perseguido por problemas. Pneus furados, toques, motores e erros de pitstop e estratégia tiraram sua liderança várias vezes. Isso pode comprometer suas chances se tornar a acontecer. 
Harvick tem 38 anos e já teve 3 3os lugares no campeonato (2010, 2011 e 2013). Começou a carreira em uma cadeira elétrica: substituiu Dale Earnhadt após sua morte em 2001, e venceria sua primeira corrida logo em seguida. "Pintou um novo campeão" todos pensaram, mas isso nunca chegou realmente perto de acontecer. Pode ser agora.
  • Franco-Atirador
Denny Hamlin, da equipe Gibbs, terá a chance de se redimir do título perdido em 2010, quando liderava o campeonato com alguma a 2 corridas do final, e mesmo na última, mas viu o pentacampeonato de Johnson acontecer no seu turno. 
Denny fez uma temporada difícil pois, embora tenha conseguido sua vitória classificadora no início de maio, foi a única até agora. E venceu em Talladega, o que sempre pode deixar uma marca de "ganhou por sorte". Chegou a estar em 26o na pontuação geral, temendo uma distribuição de vitórias que o eliminasse. É um piloto combativo em uma equipe que não tem conseguido vencer corridas com frequência. 
Se for campeão,  conseguirá o curioso feito de ter vencido o campeonato com uma corrida a menos pois teve um afastamento médico durante da temporada.
  • Azarão
Ryan Newman, da equipe Childress, foi 6o colocado por 3 vezes (2002, 2003 e 2005). Grande, encorpado e encrenqueiro, Newman tem sido um novo homem (pun intended) este ano. Tem feito corridas sólidas e sempre evitado contatos. Sua posição é muito mais mérito seu do que da equipe. Bem diferente de 2003, quando teve 8 vitórias mas ficou distante do título, tendo sido um dos responsáveis pela criação da regra do Chase. Curiosamente, ainda não venceu este ano e pode perfeitamente ser o primeiro campeão sem vitórias. 
Newman tem sobrevivido no Chase muito mais pelos erros dos adversário do que pelos seus acertos. Contar com erros dos 3 na mesma prova é muito difícil, e Newman precisará fazer o que não fez em 35 corridas: vencê-los de uma só vez, e não aos poucos. Improvável.

Não tenho carinho ou falta dele por nenhum destes pilotos. Assistirei com interesse pelo show, pelo espetáculo. Entendo que Logano é favorito e merece o título. Entendo que o título de Logano seria um tapa na cara do inquieto Keselowski, que precisa entender que não é isso tudo. 
Se for para Newman vencer, que seja sem ganhar a corrida. Acho que o regulamento deveria prever isso, mas como não prevê, gostaria que esse furo aparecesse de modo dramático. 
Quem vai entrar para uma lista onde estão Dale Earnhardt, Lee e Richard Petty, Jimmy Johnson, Jeff Gordon, Tony Stweart, Bobby Alison, Cale Yargborough, Terry e Bobby Labonte e tantos outros ?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um Novo Campeão

Amigo leitor, ontem foi um domingo de corridas para mim. 
Quase acostumado com o conceito de baixar os videos das corridas e ver durante a semana que foi até estranho acompanhar duas provas ao vivo: Fórmula 1 em Interlagos e Nascar em Phoenix.

  • Fórmula 1
Dobradinha da Mercedes, Rosberg à frente, Massa fez duas cagadas, mas manteve-se em 3o, Button é um pilotaço. É tudo que dá para dizer sobre a chatisse que anda a Fórmula 1.
  • Nascar
Que corrida, gente. 
Nem tanto a corrida em si, mas o que ela significava em termos de campeonato. Com as pouco previsíveis vitórias de Earnhardt e Johnson nas duas últimas provas, o decisão das 4 vagas em Phoenix trouxe contornos inesperados. O regulamento prevê que os vencedores de cada etapa se classifiquem para etapa seguinte, mas a dupla da Hendrick já estava eliminada da competição. Isso trouxe uma corrida totalmente aberta, com os 8 pilotos podendo se classificar com a vitória ou com as três vagas por pontos. 
Hamlin, Logano e o surpreendente Newmann tinham pequena vantagem em pontos. Gordon era o seguinte. Em outra prova sólida, Gordon esteve sempre entre os primeiros, enquanto Harvick dominava a pista como poucas vezes se vê na categoria, mas não nessa pista. À medida em que a prova ia transcorrendo, os pilotos se alternavam freneticamente na posição de classificados. Todos os 8, em algum momento, estiveram "dentro da bolha" como eles costumam dizer. No final, Hamlin e Logano, que chegaram a estar uma volta a trás, se recuperaram e estava sólidos na classificação. Newmann tinha problemas de acerto e ficava para trás. 
Uma bandeira amarela a 16 voltas do fim chacoalhou as posições e Newmann arriscou não trocar pneus para conseguir posição em pista. Deu certo e ele voltou com 3 posições de folga, que rapidamente perdeu na relargada para Earnhardt, Ambrose e Larson. Ainda havia Truex atrás dele, em dia muito sólido. Nerwmann manteve Truex no canto dele, e literalmente na última curva aproveitou-se de um erro de Larson para ganhar a posição que faltava.
Fica a lição para Gordon, que poderia ter sacrificado a posição na pista em um dos diversos pitstops em bandeira amarela para liderar uma volta a pontuar. O tetracampeão foi eliminado junto de Keselowski, Edwards e Kenseth
No próximo domingo a Nascar conhecerá um novo campeão entre Logano, Harvick, Hamlin e Newmann, nesta ordem de favoritismo, mas sem qualquer vantagem no regulamento. Comento amanhã sobre cada um deles.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Tempo Quente na Nascar

O formato novo do Chase, adotado este ano, fez os ânimos se acirrarem bastante em Charlote, NC, no último sábado. 
Até 2013, as 10 provas finais decidiam o campeonato, o que fazia com que o drama fosse escalando mais lentamente. Um piloto que tivesse algum problema em uma prova teria tempo, ao menos potencialmente, para se recuperar. O próximo campeão podia demolir as chances dos adversários com parcimônia, aumentando sua vantagem em 5 ou 8 pontos em uma corrida, sem criar com isso um senso de urgência nos rivais.
Com o novo sistema de eliminação de 4 pilotos a cada 3 provas, um mínimo deslise pode ser fatal, e no curtíssimo prazo. Uma prova terminando-se 20 posições para trás deixa apenas duas para recuperar o prejuízo, ou mesmo uma se for na segunda do ciclo. Pois bem.
Depois de uma primeira fase relativamente pacífica, onde 3 underdogs (com todo o respeito aos pilotos e times, eles não tinham chance mesmo) e Kurt Busch foram eliminados, a segunda fase apertou bem a coisa toda. A primeira prova, no Kansas, viu Earnhardt Jr., Johnson e Keselowski terminarem muito para trás. Earnhardt, que liderava quando um pneu se entregou e ele bateu, voltou a ter problemas em Charlotte, desta vez no câmbio, e precisa de um milagre para se classificar. Johnson errou a estratégia no final da corrida e também está em posição delicada. Mas o destaque foi o entrevero de final de prova entre Keselowski e, basicamente, todo mundo. 
O campeão de 2012 jogou o carro em cima de Kenseth para defender sua posição em uma relargada. Ocorre que Kes é jovem e agressivo e desta vez errou a mão na manobra. Kenseth foi para o muro e amargou o prejuízo (19o) pela manobra. Neste momento, está em 9o na classificação e fora da fase seguinte do Chase. O próprio Keselowki não levou vantagem no incidente, terminando a corrida em 16o e está em 10o na classificação. 
Não entendi o que aconteceu entre Keselowki e Hamlin, mas o piloto da Gibs estava furioso depois da prova e quase brigaram. Tony Stewart também estava envolvido na confusão, para surpresa de ninguém. Mas foi Kenseth quem perdeu a paciência e partiu para a briga. Os dois se pegaram em um corredor entre os caminhões das equipes, e trocaram alguns socos. Tudo ao vivo pela FoxSports 2. Que bonito.
Logano, que venceu a primeira prova e se classificou, teve um momento apagado e nem tem porque arrumar inimigos. Harvick venceu e também se classificou, pondo fim ao jejum de vitórias. 
E nessa confusão toda, Jeff Gordon agradece a pouca atenção que lhe dão. 

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Ao final da postagem, vi no site da Nascar que há uma crescente expectativa por alguma punição. Embora costumem ser multas, é melhor manter os olhos abertos para isso também.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Terrível

Terrível o acidente de Jules Bianchi ontem, em Suzuka.


Amanhã eu volto a pensar e coisas felizes.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Segura o velho

Jeff Gordon continua impossível. Venceu ontem em Michigan, reassumindo a liderança da Sprint Cup em vitórias e pontos. E não foi obra do acaso não, era o melhor carro da pista desde a metade da prova. Superou dificuldades em relargadas e dominou as últimas voltas com autoridade de tetra(penta?)campeão.


O triunfo mostra o bom momento da equipe Hendrick. Nas últimas 4 corridas, uma das quais em circuito misto, foram duas poles, duas vezes com o maior número de voltas lideradas e três vitórias. Gordon e Earnhardt lideram com folga absurda para o 3o colocado: faltando 3 provas para o final da fase de classificação, se a dupla não as corresse é bem possível que terminasse ainda nas mesmas posições. 
Com 12 vencedores em 23 corridas, o sistema garante matematicamente que um piloto se classificará por pontos. A vaga está nas mãos de Matt Kenseth, único piloto de Joe Gibbs a não vencer este ano ainda, que deve mantê-la sem maiores problemas. Segue a lista dos pilotos sem vitórias:
Matt Kenseth 709 (+58)
Ryan Newmann 679 (+28)
Clint Bowyer 672 (+21)
Greg Biffle 660 (+9)
---
Kasey Khane 651 (-9)
Austin Dillon 638 (-24)
Kyle Larson 636 (-26)
Marcos Ambrose 616 (-46)
Matematicamente, há 144 pontos em disputa. Evidentemente que algum deles, ou até mais atrás na tabela pode vencer corridas. Mas supondo apenas a disputa em pontos, pode-se descontar até 43 pontos por corrida sem vencer (2o liderando maior número de voltas x 43o), o que totaliza 129 pontos em jogo. Assim, a nota de corte está em 660-129 = 531 pontos hoje. Menard, Vickers, McMurray, Mears e até Stewart estão nessa conta. Daí para trás, só a vitória serve. Na prática, á incrivelmente improvável que essa turma desconte muitos pontos dos que estão a frente. 
Ficou pequeno para Kyle Larson, depois do acidente de ontem. Vai ter que mostrar uma consistência surpreendente nas três provas que faltam para se classificar.

O assunto mais comentado é ainda é o acidente de Tony Sterwart na outra semana. O tri-campeão tornou a não correr, e já se fala que ele pode ficar fora o restante da temporada. Essa postura diverge totalmente das declarações iniciais de que o atropelamento de Kevin Ward Jr. em uma corrida na terra foi um mero incidente de corrida, "apenas" com resultados trágicos. Fosse, Tony estaria nas pistas ontem, simples assim. 
Podemos estar vendo o ocaso de uma carreira tão brilhante quanto quente. 


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Há vagas

Amigo leitor, sinto-me na dívida de escrever sobre a Nascar. Copa, viagens futuras, trabalho e tigres que comem braços de criança foram passando na frente...
Com 21 das 26 corridas da classificação feitas, ainda temos "apenas" 11 vencedores diferentes. Isso significa que, mesmo que tenhamos outros 5 novos vencedores, a turma com uma vitória está matematicamente classificada para o Chase. Havia risco para a turma de trás, e a situação ficou até divertida com a punição que Danny Hamlin recebeu (75 pontos, a maior da história desta pontuação), ele, Kurt Busch e Aric Almirola poderiam batalhar para não serem eliminados caso houvesse 17 vencedores. 
Portanto, estão garantidos: Dale Jr, Brad Keselowsky e Jimmy Johnson (3 vitórias cada); Jeff Gordon, Joey Logano, Carl Edwards e Kevin Harvick (2 vitórias cada); e Kyle Busch, Danny Hamlin, Kurt Busch e Aric Amirola (1 vitória cada).
Agora entra a briga por pontos. Por enquanto, 5 vagas que pertencem a Matt Kenseth (688), Ryan Newmann (642), Clint Bowyer (617), Kyle Larson (595) e Greg Biffle (590), nessa exata ordem. Correndo por fora (essa expressão não é boa para a Nascar, onde a pista de fora é a mais veloz em alguns traçados) temos Kasey Khane (589), Austin Dillon (588), Paul Menard (562), Marcos Ambrose (541), Brian Vickers (539), Tony Stewart (537) e Jimie McMurray (536). 
Os dois primeiros da turma de fora brigarão nos pontos contra os dois últimos da turma de dentro. Apenas 7 pontos os separam, o que não é nada em 5 corridas. O problema desses 4 é que tem uma turma de potenciais vencedores de corridas atrás deles. Ambrose terá sua grande chance na corrida #22, o misto de Watkings Glen; Stewart nunca é carta fora do baralho e McMurray venceu o all-star race deste ano, provando que está vivo. 

Pessoalmente, acho que Kenseth, Newmann e Bowyer devem entrar em maiores problemas, até mesmo com possíveis vitórias. Apostarei minhas fichas em Larson por pontos e Stewart com uma vitória. Cobrem-me depois.



E, claro, não podia deixar de celebrar a 3a vitória do meu piloto este ano. Dale Jr. não vencia mais de uma corrida no mesmo ano desde 2004. Pode ser o ano dele sim. 
Dale Jr. é o Corinthians da Nascar. Maior e mais fanática torcida (7 em cada 10 fãs torcem por ele), campeão de venda de toda sorte de cacarecos e souveniers, 11 vezes seguidas eleito o piloto mais popular e nunca venceu porra nenhuma. Mentira: ele é bi-campeão da Busch Series, atual Nationwide Series, que é quase uma série B. Dããã. 
Mas se for campeão, vai deixar sua marca de modo definitivo.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Crime Automobilístico

Tenho cada vez mais certeza de que, em algum momento na década de 90, Bernie Ecclestone caiu no banheiro e bateu a cabeça. 
Eternamente ligado ao esporte a motor, Fórmula 1 em especial, Bernie teve um time bicampeão do mundo nos anos 80: a Brabham. Depois, alçou voos maiores e quis controlar a categoria para fazê-la crescer. Conseguiu ambos. Criou contratos publicitários inimagináveis uma década antes. Aumentou o tamanho do bolo e soube reparti-lo. Trouxe as grandes montadoras para dentro do circo. Popularizou o esporte pelo mundo.
Hoje, não dá uma bola dentro. Escolhe pistas ruins em mercados duvidosos. Mudou o regulamento de forma radical demais em 2014. Não vê o problema que a falta de testes causa e intensifica medidas erradas. E agora volta ao México.
Nada contra o México, tudo a favor. Povo maravilhoso, conta com dois pilotos na categoria e tem multinacionais que querem desculpas para jogar dinheiro nela. Uma prova local é perfeita. 
O traçado do Autódromo Hermanos Rodriguez é fantástico, com uma reta longa precedida por uma difícil curva a direita inclinada clamada Peraltada, algo como "sapeca" em português. 
E eis que me apresentam isso:


Observe-se a Peraltada cortada ao meio, no lado esquerdo da imagem, coisas pintadas em amarelo. Tirando toda a graça, de fazer uma curva longa em aceleração plena, vira um treco besta, similar ao que vemos anualmente na Espanha. Segue link da fonte. 
Ontem, fiz piada sobre isso com um amigo antes de saber os fatos, dizendo que iam colocar uma chincane no meio da curva. Hoje sei dos planos e eram tão ruins quanto eu imaginei. 
Voltar ao México para fazer isso ao traçado é crime. Crime contra o patrimônio motor-cultural da humanidade. Alguém impeça essa insanidade, por favor.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Pastor

Não é apenas na Fórmula 1 que temos um pastor correndo. Quem acompanha a categoria sabe das peripécias do venezuelano Pastor Maldonado. Na Nascar temos outro: Morgan Shepherd também corre. Embora com desempenhos similarmente fracos, os dois estão em estágios distintos da carreira. 
Shepherd corre ocasionalmente, não faz as temporadas completas. Este ano, das 19 corridas já feitas, correu apenas duas. Uma delas no último domingo, em Loudon. 
Não fez uma prova brilhante, longe disso. Largou em 43o (último) e terminou em 39o, a 26 voltas do vencedor. Parte do atraso se deve ao desempenho inferior tanto dele quanto do equipamento, parte ao fato de batido e perdido algumas voltas no pit e parte pelo fato do conserto não ter sido lá essas coisas e ele ter voltado à prova ainda mais lento. Envolveu-se em uma confusão com Joey Logano que o tirou da prova. Embora todos tenham apontado o dedo para ele, não consegui achar um bom replay para ter minha própria opinião.
Morgan Shepherd é experiente: tem 517 provas (equivalente a mais de 14 temporadas completas, o que não é algo absurdo na Nascar) completadas, com 4 vitórias. Sua melhor classificação em um campeonato foi 5o lugar. Não se pode dizer que foi um fator na categoria, portanto. Mas é um sujeito que insiste em fazer o que gosta, e é isso que eu admiro nele.
Por que estou falando dele ?
Morgan Shephard nasceu dia 12 de outubro de 1941, e vai completar 73 anos daqui a 4 meses. Essa é para você que se acha velho, cansado e acabado para fazer coisas importantes.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

O Gigante Acordou

Desde meu último texto, aqui, tivemos 4 corridas. Até as 10 primeiras a equipe de Rick Hendrick havia conseguido apenas uma vitória, na prova de abertura em Daytona, nenhuma pole, e liderado maior número de voltas por 4 vezes. Em pontos, a situação não era ruim, pois Johnson e Gordon estavam bem situados na tabela, sem mencionar Earnhardt com sua vitória. Mas percebia-se que o time tinha dificuldades de transformar a regularidade em vitórias. 
Tudo mudou. O gigante Hendricks Motorsports acordou e venceu as últimas 4 corridas, fazendo uma pole e liderando o maior número de voltas duas vezes. No Kansas, Jeff Gordon deu o troco ao que lhe havia acontecido 2 provas antes em Richmond e roubou a vitória de Kevin Harvick. que dominara a corrida. Depois da festiva prova do all-star race, a corrida mais longa do ano em Charlotte teve pole, voltas lideradas e vitória do hexacampeão Jimmie Johnson. Johnson aproveitou o bom momento e já venceu a prova seguinte, em Dover, garantindo-se matematicamente no Chase
Entre as duas vitórias, Johnson deu uma entrevista a Michael Waltrip na Foxsports americana, quando explicou que o time perdeu o primeiro dos treinos coletivos do ano passado visando a temporada de 2013 e, em suma, começou o campeonato atrás. Mas seu crew chief Chad Knaus lhe prometera um carro vencedor até o final de maio. Johnson venceu pela primeira vez dia 25 de maio.
Esta semana foi Dale Earnhardt Jr. quem voltou a vencer e garantir sua vaga no Chase, ao lado dos outros bivencedores Johnson, Hamlin e Logano. A vitória veio em um combinado de estratégia arriscada que deu certo, competência para não estar envolvido nos incidentes de corrida e sorte ao ver o adversário direto na prova Brad Keselowski coletar um pedaço de lixo na parte da frente do carro e não conseguir remover como pretendia (no vácuo de Danica Patrick). A prova foi marcada pelo bom desempenho de Keselowski, que chegou em segundo tendo liderado mais voltas e por um momento especial da SHR (Stweart Haas Racing) que chegou a ter as 3 primeiras posições na pista. Lembremos a todos que Gene Haas teve sua solicitação de entrada na Fórmula 1 para 2015 aprovada pela FIA, embora a transmissão global nem cite isso.
Gordon retomou a liderança em pontos e apenas um combinado de 3 cataclismas o tiraria do Chase. Kenseth teve um final de semana ruim, mas ainda está tranquilo, embora sem vitórias. 
Para as 12 provas que faltam na fase de classificação, ainda podemos ter 7 ou mais novos vencedores, estourando a cota de 16. Atualizando minha lista, aposto em vitórias de Kenseth, Stewart (que vem melhorando de rendimento) e Kahne (mais pelo time do que por ele mesmo), o que totalizaria 13 vencedores. No segundo grupo, ficam McMurray, Larson (gosto desse menino !), Newmann, Bifle e Bower como pilotos cujas vitórias não seriam surpresa. Se tudo isso acontecer, chegado a 18 vencedores, as batatas de Kurt Busch e do próprio Kahne estariam assando.
Esta semana: Michigan. Se não me engano, pista que pertence a Roger Penske. Mas dou uma parada em função da Copa do Mundo. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Incoerência

Se tem uma das coisas que eu não gosto na atual Fórmula 1 é a proibição dos testes. Criada há alguns anos para conter os custos, esta medida apenas tirou os carros das pistas e faz as equipes trabalharem em computadores e simuladores, gastando eletricidade em vez de gasolina e borracha. Não me parece que as despesas tenham diminuído, mas certamente a efetividade das despesas é menor: nem sempre o que parece funcionar no simulador de fato é uma boa ideia na corrida.
Houve um caso curioso, há pouco mais de 1 ano, no qual Tom Cruise dirigiu uma Red Bull em um evento promocional. Concluiu-se que o ator americano treinou mais do que Fernando Alonso ano passado.


Não sou apenas eu quem reclama disso. Algumas equipes também criticam, especialmente que não está vencendo. Faz todo o sentido reclamarem: os testes possibilitam o desenvolvimento de modificações e alterações que fariam um carro ir mais rápido e reagir no campeonato. É como nos demais esportes: só não reclama quem está vencendo.
Tudo que eu escrevo aqui faz sentido até os pilotos chegarem a Mônaco para os treinos livres de ontem. Os treinos livres são... livres. Claro que existe um regulamento a ser seguido (tempos, horários, limitações), mas se tem um momento para se testar, é esse. Só esse
Uma equipe pode desenvolver um novo aerofólio e mandar um de seus pilotos para a pista com ele e o outro com o antigo, comparando dados de telemetria. Esses dados comparados dirão se a inovação foi ou não positiva. O leitor concorda comigo?
Pois daí chove entre a primeira e segunda sessões de treino e a pista fica vazia por 40 minutos da segunda sessão. Ninguém corre por medo de bater e perder o carro para os treinos oficiais de sábado ou corrida no domingo, e ficam esperando a pista secar.
Escuta aqui, rapaziada do pitlane !
Afinal de contas, vocês querem testar ou não? Afinal de contas, ainda tem campeonato por aqui, ou vocês já desistiram e entregaram o caneco pra Mercedes?
Automobilismo é esporte de risco. Bater faz parte. Estragar peças faz parte. Arrebentar uma parede faz parte. Se está com medinho, vai jogar curling
Bora ver Nascar.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Logano e Hamlin no Chase

Em inglês, eu esperaria "Logano and Hamlin in the Chase". Mas se tem uma coisa que aprendi lendo notícias é que o formato usado seria "Logano, Hamlin to the Chase" Apenas para registro.
Fato é, amigo leitor, que estes foram os dois últimos vencedores. Logano, com sua segunda vitória, está matematicamente assegurado no Chase. Venceu em Richmond com autoridade, em um final eletrizante disputado por 4 pilotos se tocando na pista, e quando qualquer um poderia ter vencido. Logano é um jovem experiente: tem apenas 23 anos, mas está na 6a temporada da Sprint. Amadureceu muito depois de sair da equipe de Joe Gibs e ensaia até engolir seu companheiro de equipe e campeão Brad Keselowski. Seu desempenho em 2014 o coloca como candidato a grande. A conferir. 
Hamlin teve a sua primeira do ano, no superoval de Talladega. Correu bem na parte final e obteve a segunda vitória para Joe Gibs este ano. Superou assim um início de temporada apagado e tornou-se o 8o vencedor diferente este ano. A prova do Alabama foi marcada por um dia patético, e verdade seja dita incomum, do campeão de 2012 Brad Keselowski. Causou 2 acidentes, um deles logo na primeira volta e outro totalmente desnecessário quando já estava 6 voltas atrás dos líderes. Brad pode estar sentindo uma combinação de peso do título há dois anos combinado com o bom desempenho do companheiro de equipe. Brad é um piloto rápido, competente e que joga limpo. Precisa se estabilizar para voltar a vencer. 

Durante a transmissão da Fox Sports 2, tive a honra de ser citado por uma pergunta enviada. E não era assunto bobo não. Vendo transmissões americanas, ouvi que o líder em pontos classifica-se para o Chase mesmo que não tenha vitórias. O comentarista Sérgio Lago confirmou a informação. Obrigado pela atenção.
Isso colocaria o eternamente combativo Jeff Gordon como classificado. O último título de Gordon foi em 2001, mas ninguém é maluco de desconsiderá-lo como candidato ao título. No entanto, o acidente no qual ele foi envolvido fez derreter sua boa vantagem em pontos. Faltando 16 provas para o Chase, volto a listar os caras que seriam naturais vencedores por vir: Gordon, Johnson, Khane, Kennseth, Stewart e Bifle. No segundo pelotão, não seriam de forma alguma surpresa vitórias de Larson, Newmann e Bowyer. Considerando que ainda são duas provas em mistos e uma em superoval, situações que podem produzir vencedores inesperados, a senso de urgência segue, aos poucos, subindo. Alguns sentirão a pressão. Outros talvez já tenham sentido.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Primeiro Classificado

Kevin Harvick venceu em Darlington. Por ser a segunda vitória, ele está matematicamente classificado para o Chase, sendo o primeiro a realizar o feito...
Numas.
Durante a transmissão, ouvi os comentaristas comentarem que o primeiro colocado em pontos se classifica também, independente de ter vitórias (interessante notar como ver a transmissão em inglês ajudou, e muito, minha compreensão do idioma de Shakespeare...). Daí fui pesquisar, o que não se mostrou uma tarefa trivial. No site oficial da Nascar, não achei o regulamento. Pode até ter, mas está escondido.
Corri para a Wikipedia, onde encontrei o link aqui (inglês).
Pois bem. Segundo o texto a primeira vaga seria do primeiro colocado em pontos, independente de ter vitórias. A seguir, são 15 vagas para os principais vencedores de corridas, desde que estejam entre os 30 primeiros na classificação geral e tenham tentado se qualificar para todas as provas. 
Que fique claro, Harvick não pode, portanto, tirar férias e voltar em setembro. Boa regra, sem dúvida. Mesmo Kurt Busch, com sua vitória, está em 26o na classificação e, embora tenha 46 pontos de vantagem sobre o 31o, é melhor não dormir muito mais. 
Pergunto, então, o que aconteceria se um piloto sofrer um acidente e perder duas ou quatro provas recuperando-se. Há exceções à regra de tentar qualificação nas 26 provas? E se um piloto for suspenso?
Aqui, classifico como mancada da Nascar não ter isso tudo disponível no site oficial. 
A Páscoa é uma semana triste: não há corridas. Lamentável.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

7 em 7

Com dolorido atraso de 3 dias, vi ontem a sétima prova da Nascar deste ano. Conforme comentei antes aqui, a temporada vai apresentando alternância de vencedores, justamente por ser o primeiro critério de classificação para o Chase. Venceu Joey Logano, com autoridade, apesar da gracinha feita por Jeff Gordon no último pitstop que quase lhe valeu a ida para o Victory Lane.
Logano é, portanto, o sétimo vencedor diferente do ano. Conforme prometido, procurei a informação de recorde de vencedores diferentes nas primeiras provas, e nem é uma marca tão antiga assim: 2003. Mas foram 9. É muito.
Mas não é imbatível. Logano estava no grupo do "não seria surpresa vencer", como não foi no Texas. Ainda restam, portanto, os 5 grandes favoritos a vitórias para dar seguimento à marca de vencedores diferentes. Pessoalmente, torço para que continue esticando, pois é divertido de ver.
Quanto ao Chase, é bom que os pilotos da Stweart-Haas comecem a reagir. Suas vitórias até podem vir a garantir suas presenças na fase final do campeonato, mas chance de atingirmos 17 vencedores nas 26 primeiras corridas, inicialmente tratadas como "quase impossíveis" e alteradas para "muito difíceis" já estão em algum ponto entre "improvável" e "possível". Como Kurt Busch e Kevin Harvick tem acumulado resultados ruins, estão em 25o e 26o em pontos. Caso tenhamos 16 vencedores, a situação deles ficaria dramática. A esta altura, inspira cuidados. Harvick, por exemplo, já tem 4 resultados atrás do 35o lugar. Muito ruim para apenas 7 provas. Precisa reagir, e logo.
Em situação oposta estão Jeff Gordon, Matt Kenseth e Jimmy Johnson. Muito bem estabelecidos em pontos (1o, 2o e 7o), precisam vencer logo para evitar o pânico nas provas finais da fase de classificação. 
No entanto, o senso de urgência une esses 5 pilotos. E nada diverte mais no automobilismo do que muita gente com senso de urgência.
Por último, que fazer uma pequena adição à lista de pilotos que não seria surpresa se vencerem uma corrida este ano: Kyle Larson. Bom menino, ele. Já tem o respeito dos adversários mais velhos e tem corrido com autoridade, sem jogar sujo. Os 20 pontos que tem a mais que seu companheiro de equipe não representam o que ele tem feito na pista. Olho nele.