quarta-feira, 17 de julho de 2013

Adiamentos

Leio na Folha online, neste link, sobre o adiamento de duas obras viárias aqui em São Paulo. A primeira, adiada na semana passada, era o túnel de ligação entre a Avenida das Águas Espraiadas (recuso-me a usar o nome atual dela) e a rodovia dos Imigrantes. A segunda, anunciada ontem, é a passagem de nível da Avenida Sena Madureira por baixo da Avenida Domingos de Morais
Os tais "especialistas" em urbanismo logo se apressam a aplaudir esse tipo de medida, dizendo que só beneficia o transporte individual. O argumento é completamente furado e vou tentar resumir porque.
Em primeiro lugar, não vi em lugar nenhum a informação de que ônibus não poderiam usar as tais obras quando concluídas. Em segundo lugar, mesmo que não houvesse benefício direto (digamos que nenhuma linha de ônibus fosse de fato passar ali) há o benefício indireto de ser melhorar a fluidez de todos os veículos da região, independente de estarem dentro ou fora da obra. Em terceiro lugar, o transporte individual é um fato incontestável e fingir que ele não existe ou não é importante é burrice aguda: do ponto de vista lógico, como não querer fazer um hospital pois só atende o cidadão que está doente, uma minoria. 
O único argumento que seria aceitável, e não foi usado, é que as quantia envolvidas gerariam mais benefício em outras obras. Isso sim é passível de debate. 
Haddad me lembrou agora a primeira gestão do PT em São Paulo, de Luíza Erundina. Como todos sabem, foi um completo desastre nesse aspecto, especialmente por se recusar a dar seguimento a projetos de gestões anteriores. O resultado disso foi o eleitorado entregar a cidade para Paulo Maluf 4 anos depois. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Saída Temporária

Amigo leitor, venho aqui descer o sarrafo nessa coisa ridícula que se tornou a saída temporária de detentos para datas comemorativas. O que chamou minha atenção foram dois detalhes, ambos bem descritos na reportagem da Folha neste link.
O conceito, per si, faz sentido no papel. Trata-se te reintegrar lentamente os detentos à sociedade, manter o contato com a família e até premiar os que comportarem bem. Na prática, porém, os números macros e uma análise individual mostram o erro.
Começando pelo macro, destaca-se o número. Foram mais de 50 mil detentos que não retornaram das respectivas saídas nos últimos dez anos completos. 50 mil. Será que depois dos primeiros mil não dava para notar que tem algo errado nessa ideia não ? Ou 5mil? Ou 10mil? Está mais do que evidente que o critério adotado não está filtrando adequadamente os detentos que merecem tal benefício, pois o mínimo que se espera é que eles não abusem do mesmo. 
Mesmo na análise individualizada percebem-se falhas graves. A matéria destaca um caso, que copio e colo a seguir:

"É o caso de Diego Campos, 20, suspeito de matar o menino boliviano Brayan Capcha, 5, mês passado. Condenado por roubo, ele fora beneficiado pela Justiça com a saída do Dia das Mães."

Vamos esmiuçar as informações. O texto informa que ele tem 20 anos. Como pode estar próximo a seu aniversário, consideremos 21 para facilitar os cálculos. Para ter sido condenado pela Justiça, precisa ter cometido o tal roubo depois dos 18. Então foram menos de 3 anos entre ele cometer o crime, ser preso, julgado, condenado, cumprir parte da pena e já considerado apto para indulto ! Não estou sequer entrando no mérito de ele ter ou não matado o garoto boliviano: com um ano de pena cumprida não há nem como se ter um histórico minimamente confiável de quem ele é. Pode ter virado santo: é cedo para dizer que merece a chance. Deixar ele sair era burrice aguda previsível.
Essa palhaçada só vai terminar quando os agentes públicos e demais involvidos que permitiram a saída responderem parcial e solidariamente pela não reapresentação do detento bem como por quaisquer ilegalidades que vier a cometer. Isso incluiu juiz, promotor, advogado, agente social, psicólogo e/ou quem mais for.
Enquanto não houver responsabilização por esse tipo de cagada, nada vai melhorar por aqui.

sábado, 13 de julho de 2013

Sarriá, 31

De tantas seleções que não chegaram a vencer suas Copas, sempre lembramos de três: Hungria-54, Holanda-74 e Brasil-82. Hoje completam-se 31 anos do chamado Desastre do Sarriá, quando o impossível aconteceu. 
O Brasil tinha um time rápido, ágil e ofensivo. Encantava os olhos ver as variações de jogadas, as inversões de um lado para o outro, meias que surgiam do nada para finalizar e marcar seus gols... Foi a melhor seleção que vi jogar. Melhor que a de 2002 e muito melhor que a de 1994.
Pior do que perder, foi perder para uma Itália burocrática, sem imaginação, mas com um matador em campo chamado Paolo Rossi. E que até aquele jogo não tinha feito nada. A consequência disso vemos até hoje em todo o mundo: times que jogam pelo resultado, que retrancam e apenas sabem marcar e destruir jogadas nada mais são do que o legado daquela Copa.
Então, tentamos ficar apenas com a memória do que foi positivo:















Postado com atraso, achei melhor caçar alguns videos de fazer um texto mais apoiado do que apenas aproveitar a data de 5 de julho.


sexta-feira, 12 de julho de 2013

$indicalistas

O truque de substituir o "s" pelo "$" pra indicar envolvimento financeiro de alguém é antigo. Até onde minha pesquisa chegou, o primeiro uso da técnica teria sido em 1872, quando o governador californiano Leland Stanford teria sido chamado de £eland $tanford por Ambrose Bierce. A referência era a ganância, a falta de escrúpulos, a total visão de que o dinheiro estaria acima de tudo.
Passados mais de 140 anos da invenção do conceito literário, ainda precisamos usá-lo. Ontem vimos uma manifestação sindicalista com mão de obra contratada. Segue matéria da Folha sobre o caso.
Em resumo, as centrais sindicais que organizaram a baderna greve geral de ontem contratam pessoas para aumentar artificialmente a massa visível de manifestantes. Cada contratado recebeu entre R$ 50 e R$ 70 para estar no tal evento. Não é novidade e enquanto vivermos em uma repúblico sindicalista isso vai continuar acontecendo.
O que mais me entristece é existir gente que se presta a esse tipo de coisa. Se ninguém aceitasse, isso não aconteceria. Simples assim.
Antes que alguém diga que eu estou criticando o PT, a tal central UGT é ligada ao PSD. Tudo bem que é amiguinho do PT, mas é outro partido.
E ainda acham que o gigante acordou.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Eterna Escola Base

Amigo leitor, o caso é emblemático, repetitivo e triste. Refiro-me à jovem que foi estuprada e morta em Colombo-PR, mas começo com a referência-título.
O Caso Escola Base aconteceu em 1994. Na ocasião, algumas crianças acusaram professores, funcionários e donos da Escola Base foram acusados de abuso sexual de crianças. Este link traz um relato completo e interessante sobre o caso. Em resumo, as acusações eram falsas, pelos menos em relação aos acusados. Perderam seus empregos, a escola fechou, dois deles passaram dias de terror na prisão. E absolutamente nada foi provado. O resultado foi a character assassination (ainda não achei uma tradução aceitável para esse termo) de seis pessoas, até onde se sabe, de bem.
Mas pelo menos deveríamos ter aprendido algo sobre condenarmos apressadamente pessoas acusadas de algum crime. 
Pois é, não. Aconteceu um monte de vezes desde então, e acaba de acontecer no Paraná.
A jovem Tayná Adriane da Silva foi estuprada e morta em Colombo, região metropolitana de Curitiba. Pelo menos não há dúvidas sobre a existência do crime. Mas foram acusados 4 funcionários de um parque de diversões. Presos, três deles confessaram o crime. A população, revoltada, destruiu e incendiou parte do parque onde eles trabalhavam. Já cabe a pergunta: o que diabos o dono do parque tinha a ver com isso? Segue link de 28/jun.
Pois bem. Ontem, dia 10, saiu o laudo que comprova que o sêmen encontrado no corpo da vítima não é de nenhum dos acusados. O mesmo laudo questiona até mesmo se houve estupro. Segue novo link, também do UOL. Na notícia de hoje (link), já surgem acusações de que eles teriam confessado sob tortura. Há indícios de que isso pode ser verdade.
Século XXI, e ainda não aprendemos nada. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

De volta

Amigo leitor, desculpo-me pela minha ausência.
Este espaço é divertido pacas de manter e não se trata de um trabalho, principal ou paralelo. Então, em feriados de inverno (frioriados ?) reservo-me o direito de ficar no edredom e atualizando a coleção de filmes. Espero que você tenha feito algo tão divertido quanto.
Só queria fechar um assunto que, morto, ainda cutuca minha mente neste 10 de julho: no fim das contas, era por vinte centavos sim !
Bastou um dia de chuva, alguns de frio, um jogo empolgante da seleção e não se falam mais em manifestações, em passe livre, em coisa alguma. Aqui no trabalho falam "um monte" da tal greve geral de amanhã (11 de julho).
Duvido que mude algo. 
Duvido que haja adesão em massa.
Duvido que possamos até mesmo chamar de greve geral.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Fogos de Artifício

Domingo, 4 de julho de 2004.
Na véspera, Jeff Gordon vencia em a Coke Zero Daytonna 400, com um carro patrocinado pela Pepsi. Soltaram fogos na Victory Lane. Épico, mas não era disso que eu queria falar.
Os norte-americanos comemoravam o aniversário de número 228 de sua independência. Soltaram fogos por todo o país, como de costume. Mas não era disso que eu queria falar.
A amiga Maria Paula fazia aniversário, assim como faz hoje. Não sei se soltaram fogos, mas ficam os parabéns por hoje, e atrasados daquele dia, 9 anos atrás.
Naquele dia, ao contrário de toda a semana que o precedeu, dormi incrivelmente bem. O relógio tocaria às 9h da manhã, e acordei sozinho, descansado e sem sono às 8h40. Olhei para o teto e disse (ou pensei alto ?): "é hoje".
Tomei banho, o clássico copão de toddy e sentei-me para ver o GP da França. Vitória de Schumacher, que já liderava com folga o campeonato que viria a ser seu sétimo e último. Acho que soltaram fogos aqui também, mas não tenho certeza. 
O restante da manhã correu surpreendentemente redonda, sem absolutamente nada que desse errado. Fiz meu macarrão com molho de tomate, conforme planejado, e almocei por volta de 12h15.
12h40, hora de sair de casa. Optei por ir pela Av. Paulista. Não era o caminho ideal, mas eu queria ter sempre uma alternativa caso algo acontecesse com o carro no caminho. E seguir por cima da linha do metrô era uma boa. Segui sem nenhum incidente, dirigindo igual uma velhinha para evitar o que quer que fosse. 
Eu pretendia chegar à academia às 13h30, mas cheguei antes: 13h15. Já estavam todo por lá: Eros, Eris, Fausto, Paulo Cristiano, e os irmãos Pedro e Gabriel. Mestre Gabriel, Sifu Luis Fabiano e ainda Éder e Márcio completavam o time que nos avaliaria. 
Era dia do meu exame de faixa preta.
No vestiário, a tensão era tal que poderíamos cortar o ar com o facão. Mas estávamos, todos preparados. O mestre passou por nós, fez alguma piada e nos deixou ali mais alguns momentos. Antes de entrar na sala de treino, fizemos uma roda e, unidos, decidimos que iríamos passar todos. 
Por regulamento do exame, não me é permitido contar o que aconteceu ali naquele dia. Mas o fato é que todos nós fizemos um exame primoroso aquele dia. 
Passamos, todos. E não soltaram fogos para nenhum de nós. 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Inferno...

Acabei de ver um video de uma abordagem policial nos EUA que terminou com um policial atirando e matando o cachorro do suspeito detido. Até entendo que o policial tenha se sentido ameaçado pelo animal, mas não é meu ponto.
Não vou postar o video aqui. Apenas comentei para dizer que são 7h03 e meu dia já está estragado.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Leste ou Oeste ?

Amigo leitor, não se trata do All-Star Game da NBA. É a dúvida sobre a próxima viagem, para os EUA. Depois de ver as 500 milhas de Talladega, no Alabama, tenho duas opções interessantes:
- Costa Leste: New York, Philadelphia e Washington
- Costa Oeste: Las Vegas, Los Angeles e San Francisco
Leste é mais cultural, museus e construções.
Oeste é mais diversão, com os parques de Los Angeles e cassinos em Vegas.
Há diversão no leste. Há cultura no oeste. Para onde ir, então ?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Tetra !

Não, não foi nem parecido com a emoção de 17-jul-94. Primeiro porque não é o mesmo torneio. Segundo porque não tem o mesmo grau de dificuldade. Terceiro porque não havia 24 anos de fila entalada na garganta. E quarto porque não foi o massacre visto ontem.
Duas coisas me chamaram a atenção no jogo. A primeira, fácil de perceber, foi o time brasileiro jogando não apenas com dedicação, mas jogando bem. Boas trocas de passes, boas descidas por ambos os lados do campo e mesmo no setor defensivo, que não é nossa tradição, a marcação era boa. A segunda, mais sutil, foi o quanto a Espanha jogou mal. Talvez por estar a tanto tempo sem perder, não soube o que fazer quando viu o placar contrário em menos de 2 minutos de jogo. os passes não iam de pé em pé. As chances não foram se sucedendo. Mas também foi curioso que o time não parecia se importar. Não que eles estivesses felizes em perder, mas também não estavam tristes. Fiquei com a sensação de que a Espanha não deu tudo o que tem, no clássico "esconder o jogo". 
Ano que vem poderemos conferir.