quinta-feira, 15 de maio de 2014

Números complementares

Outro dia surgiu por aqui a questão dos fretados. Continuo chamando de imbecil o atual secretário de transportes Jilmar Tattoque se recusa a permitir o uso da faixa exclusiva de ônibus pelos fretados. Também chamarei de imbecil qualquer sucessor que vier e faça a mesma cagada. 
No entanto, alguém me cobrou, infelizmente sem registar nos comentários, sobre a quantidade de ônibus comuns e fretados que apontei no link acima. Disse o comentarista que a contagem era de um só dia e poderia conter viés ou desvio.
Justo, sem dúvida. 
Procedi então a mais duas contagens, dias 13 e 14 de maio. Confesso, isso virou até um divertido passatempo enquanto espero meu fretado passar, o que pode levar vários minutos se o leitor olhar os dados. 
Pois seguem as contagens feitas até agora:
  • 09/05/2014 (da matéria original)

6 minutos de espera
Sentido Imigrantes: 15 fretados x 1 comum
Sentido Ipiranga: 4 fretados x 1 comum
Transversal: 1 comum (não foi mencionado no texto original)
Total observado: 19 fretados x 3 comuns
  • 13/05/2014
17 minutos de espera
Sentido Imigrantes: 25 fretados x 5 comuns
Sentido Ipiranga: 11 fretados x 7 comuns
Transversal: 3 comuns
Total observado: 36 fretados x 15 comuns
  • 14/05/2014
17 minutos de espera (enorme coincidência)

Sentido Imigrantes: 23 fretados x 2 comuns
Sentido Ipiranga: 11 fretados x 1 comuns
Transversal: 3 comuns
Total observado: 34 fretados x 6 comuns

Em primeiro lugar, observo não apenas que há muito mais fretados do que ônibus de linha na região, mas que eles também são muito mais confiáveis em termos de horário. Em dois dias seguidos com o mesmo tempo de espera, a diferença na quantidade de ônibus comuns é bastante sensível, já os fretados praticamente empatam. O que é perfeitamente esperado, na medida em que o fretado é o resultado da livre concorrência enquanto o ônibus comum atende através de uma permissão de uso da linha, não necessariamente bem dimensionada.
Em segundo lugar, não quero, nem nunca quis, dizer que há mais fretados do que ônibus comuns. Seria ridículo da minha parte. Meu ponto central é que há fretados o suficiente para que esse modal de transporte seja levado a sério pela prefeitura. 
Como usuário de fretado, não quero ficar parado atrás dos carros: eu deixei meu carro em casa e quero um transporte veloz em troca. Como usuário de carro, não quero ficar parado atrás do fretado quando ele estiver embarcando ou desembarcando passageiros. 
É tão simples que até dói.

    7 comentários:

    1. A título de curiosidade, esses dias eu estava dirigindo na Vital Brasil. Estava com a moto no corredor dos ônibus, pois pretendia uma conversão a direita (manobra deveras complicada e tal horário) e a minha frente estava um ônibus fretado que não realizou conversão alguma... Apenas um rebelde?

      ResponderExcluir
      Respostas
      1. Provável. Se fosse pego, a multa era de R$ 2.500

        Excluir
    2. Você sabe que dizer que o fretado não pode usar a faixa de ônibus não é totalmente correto, né? Eles podem, mas só nas marginais. O que faz todo o sentido, até porque fora da zona de restrição elas são basicamente as únicas vias em que isso faz muita diferença.

      Enfim... Insisto que se qualquer um pudesse usar fretado, independente de se eu pago mensalidade ou sou funcionário de empresa X, eu concordaria com você. Mas eu não posso pegar um fretado num ponto onde ele comumente para e dizer "cara, quero ir até o seu ponto final. Toma aqui, 20 reais". Eu já tentei.

      E, na boa, eu usei fretado por um ano e, para mim, velocidade pouco importava. Eu perdia muito tempo no trajeto? Às vezes sim, mas até era bom porque eu conseguia cochilar ou colocar a leitura em dia. Interessante que as minhas prioridades (Comodidade e conforto) correspondem ao que a maioria dos usuários de fretados indicam como sendo a prioridade deles (35,1% e 14,1% de acordo com dados da FRESP) enquanto que a sua prioridade ou corresponde à 13,2% (se considerarmos que ela é Pontualidade) ou sequer aparece na pesquisa.

      ResponderExcluir
    3. Ah, em tempo: achei uns números interessantes. Um fretado transporta em média o que? 30 pessoas no máximo? Supondo que a frota de fretados em SP tenha tido crescimento contínuo igual a 6% (era a tendência de crescimento anual em 2005, que é o número mais recente que eu tenho) estamos falando de uns 7900 ônibus fretados em São Paulo. 237.000 pessoas se eles sempre andarem lotados, e eles não andam.

      Ponto importante: são em tese as mesmas 237.000 pessoas. Mas vá lá, considere 20 dias úteis por mês e ida e volta. Cerca de 9.5 milhões de pessoas por mês, já sabendo que a conta não é essa, mas eu estou melhorando ao máximo os números.

      Em um mês, de acordo com a prefeitura, o ônibus comum transporta uma média de 230 milhões de pessoas. Com uma frota que tem pouco mais de 14.700 ônibus.

      Percebeu que você advoga que eu tenho que beneficiar um número de pessoas que é em torno de 4% do total que o ônibus comum transporta? Pior, que só de tratar esse 4% igual aos outros eu VOU piorar o transporte de 230 milhões de pessoas porque você aumentou em 50% o número de veículos circulando na faixa exclusiva?

      Seu problema é que você está analisando pelo lado errado a questão: o problema não é que tem fretado de menos, é que tem demais. E eles transportam uma quantidade tão menor de pessoas que não há ganho nenhum em beneficiar eles.

      ResponderExcluir
      Respostas
      1. Seus números estão totalmente distorcidos.
        O primeiro erro é supor que os fretados façam rota única de ida e volta. Alguns até fazem, mas apenas uma parte. Um que eu pegava para a PRODESP era usado em duas rotas diárias: Ele ia até a Pfizer com o pessoal que entra às 6h, voltava com o pessoal que saía às 6h, fazia minha linha (só ida até a PRODESP), pegava o pessoal que entrava às 15h na mesma Pfizer, voltava com o pessoal que saía às 15h (a mesma turma que ele levou pela manhã) e ainda fazia a volta do meu pessoal. Esse caso, ele fazia 6 viagens diárias. Para não complicar muito, eu vou supor (tirando no nada) que a média seja de 2,5 viagens por veículo por dia, ao contrário da sua conta com 1 viagem. Vou deixar os 30 passageiros, embora tenha o feeling de que 32-35 seria mais correto. Agora são 727500 por dia, 14,55mi por mês, e a porcentagem passa de 4 para 6,3%.
        Seu segundo erro é supor que o suposto incômodo seria generalizado para os 230mi de passageiros. Se partimos da premissa que os fretados se concentram em horários tradicionais, apenas quem usa os horário tradicionais seriam "prejudicados". Aqui você navega entre os fretados full-time e os apenas em horários comercias e usa cada opção como melhor lhe convém.
        O terceiro erro é esquecer quanto passageiros tira-se do sistema de transporte público com o fretado. O cara de Sapopemba faria, fácil, 6 viagens diárias, talvez 8. Os 14,55mi de passageiros de freatado, se usassem ônibus, representariam bem mais de 30 milhões de viagens, já colocando essa conta acima dos 10%, no caminho dos 15%.
        E a última falácia é supor que o fretado está atrapalhando o corredor. Os ônibus seguem em fila, o fretado sai do corredor apenas quando a rota o obriga e pronto. Mais que isso, o passageiro sobre e desce do fretado em pontos regulares em vez de parar o trânsito em qualquer ponto aleatório. Muito mais racional, portanto.

        Excluir
      2. Só pra constar: todos os números que eu tirei vieram do FRESP e da SPTRANS:
        1) Os fretados não fazem rota única, mas eu assumo que a maioria faz porque, na falta de dados, eu me baseio no que conheço. E dos que conheço, todos os que atendiam o Santander por exemplo atendiam APENAS o Santander, e apenas em horário de pico. Isso no universo que eu conheço responde por mais de 60%, mas eu admito que conheço pouco, já que só conheço uns 30 dos estimados 7900.
        2) A minha conta era de duas viagens por dia. Mas vá, achei o número estimado de pessoas transportadas por dia em fretados em SP: 560 mil. Com uma ressalva: aqui está se contando ônibus, van e microônibus. Logo, como fretado só trabalha em dia útil, 20 dias no mês, 11 milhões e 200 mil pessoas. Ou seja, o total é 5% do total. Ainda é irrelevante ao meu ver.
        3) A maioria dos corredores de ônibus já fica com tráfego alto só com os ônibus normais. E mesmo se não ficassem, a conta de um sistema vai piorar se você jogar 50% a mais de veículos num sistema que já está saturado é fácil de fazer.
        4) Bom, como você mesmo disse que fretados circulam em diversos horários do dia, e como o número oficial do FRESP é 560k por dia, a conta ficou acertada. De qualquer modo, os horários "tradicionais" são chamados de hora do rush por um motivo, logo mesmo se o incômodo não afetasse todos, afetaria a grande maioria.
        5) Todos os fretados que eu peguei até hoje tinham 22 a 30 lugares. Todos.
        6) O ponto principal permanece: você quer colocar em risco a qualidade do serviço prestado a 230 milhões de passageiros por causa de um número que é cerca de 6% desse montante. Eu entendo que como você acusou o governo de estar prejudicando abritrariamente você sem que haja motivo, você tem que provar que não existe esse risco. E mesmo que você pudesse arrumar números que corroborem isso, duvido que você passasse de uma chance de 60% de não afetar nada. Onde eu trabalho, isso tem nome: risco desnecessário.

        Excluir
      3. 1) Eu tinha chutado 1,2. Mas o item 2 deixa essa especulação desnecessária.
        2) Expliquei anteriormente que a relação não é 1:1. Um passageiro que deixa de usar um fretado vira algo como 2-4 em outros modais (exceto carro). Não são, portanto, 5%.
        3) Ficam. Mas cansei de ver fotos de congestionamentos com os corredores vazios. Explica onde o fretado atrapalharia nisso.
        4) Ok
        5) Tem um aqui na PRODESP que dá problemas de lotação. O veículo tem 44 lugares e sai lotado diariamente. Gosto da média de 30, portanto.
        6) O erro está colocando em risco o uso das vias por muito mais gente que isso, nos carros. Você sabe perfeitamente que tem mais gente de carro do que de ônibus. Onde eu trabalho, isso tem nome: má gestão de recurso público.

        Excluir