quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Anima Mundi 2013 - Dia 1

Ah, de volta à Paulista. Adoro!
Ano passado, o festival Anima Mundi ficou confinado às sofríveis instalações do Memorial da América Latina. Detalhes foram postados aqui.
Em 2013 voltamos ao Itaú Unibanco, com 3 salas construídas e mantidas por gente séria. Ouvi comentários de que a mudança é definitiva. Tomara.
Vamos às sessões, então:
  • Curtas 2 (Sala 1, 18h)
Ceux den Haunt é uma animação em língua francesa (há integrantes franceses, suíços e belgas na produção), sobre um rapaz chamado Ulrich que fica confinado em uma casa no alto de uma montanha no inverno. Junto ao cão e ao dono do local, eles passarão 5 meses sob a neve. Mas talvez eles não estejam sozinhos... O clima de terror vai sendo construído com calma e paciência, com técnica de desenho simples, mas enquadramentos e sonorização de nível de cinema. Nota 4.
Lost & Found é americano. Embora seja mais conceitual do que narrativo, a técnica é dominada com maestria. Não sei dizer se era stopmotion ou alguma CG para fazer parecer stopmotion, mas valeu. Nota 3+.
  • Curtas 9 (Sala 2, 19h)
Anna Bee é nacional, nota 4. Sua limitação é ser um tanto escrito, mas isso está completamente dentro do contexto. A animação não se preocupa muito em colocar o expectador dentro da história, mas isso acontece naturalmente. São feitas diversas referências culturais a outras animações famosas e filmes, que acabam se tornando belas e honestas. A história é sobre uma garota chamada Ana, que conhece um rapaz pela internet e se apaixona ele. A história mostra como as coisas se desenvolvem nessas situações que, muitas vezes, são desconhecidas do público mais velho.
Feral foi a animação portuguesa vencedora do festival no Rio. É boa, mas não isso tudo: nota 4. Conta a história de um garoto que vivia entre os lobos na floresta e foi trazido à cidade para ser ressocializado. Peca pela falta de originalidade, mas é singelo ainda assim.
Virtuos Virtuell me tirou do sério. Totalmente conceitual, essa animação mostra rabiscos em nanquim dançando em harmonia com a trilha sonora, um trecho da ópera O Alquimista. Comentei até, 5 anos atrás eu acharia chato. Nota 4. E mais um toque mental de que estou ficando velho.
Vecinos foi o primeiro nota 5 do festival. Conta a história de dois vizinhos em duas fases distintas da vida: quando meninos e quando jovens. Ritmo divertido sem correria e técnica que muito me agrada: "3D falso", como eu batizei. Ganhou o 5 pelas incontáveis referências nerds que aparecem na história, a começar pelo rapaz jogando Tumbling Tower sozinho. 
  • Curtas 10 (Sala 2, 21h)
Que sessão foi essa, gente !
The Fantastic Flying Books of  Mr. Morris Lessmore emociona a cada momento. Com técnica de 3D falso impecável, o protagonista vai para um mundo onde os livros agem como pássaros e precisam de cuidados como tal. É o que ele faz, em momentos tocantes e belos que se sucedem. Lindíssimo, forte candidato ao título do ano.
Jim´s Tie narra um diálogo entre um vendedor de gravatas e um cliente, provavelmente vendedor também, em crise existencial e a beira do suicídio. Os rápidos diálogos em francês não comprometem a compreensão. Tava com nota 4 até aparecer o final. Nota 5  bem clara.
Natalis é uma história simples, com com CG que poderia estar em qualquer videogame por aí. Mostra uma personagem que toca um casulo e tem uma visão de uma realidade alternativa. Lindo final também. Nota 4.
Der Notfall é a clássica animação de correria ao estilo Presto. Com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, a comédia de erros vai construindo uma situação absurda a partir de elementos pequenos e corriqueiros. Técnica excelente também, assim como a sonorização.

Amanhã tem mais, não percam !


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Complemento de postagem:

Como bem foi observado, faltou explicar a escala de notas. Uso a mesma que o festival usa, pois a cada sessão recebemos cédulas de votação. Para quem vai desde 2007, isso é óbvio, mas nem todo mundo sabe disso.
As notas vão de 1 a 5. Eu dou a nota do seguinte modo:
Roteiro: 1 ou 2
Técnica: 1 ou 2
Sacada genial: +1
Burrada básica: -1
Na prática, uma animação nota 5 é daquelas que verei muitas vezes pelo youtube depois. Nota 4 é das que vale a pena citar para os amigos. Nota 1 é raro: são aquelas que você preferia simplesmente que não existissem ou que a sessão acabasse aqueles minutos mais cedo.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Notas de Esclarecimento

Apenas para deixar claro algumas coisas, achei melhor uma postagem apenas com definições (que deveriam ser) óbvias.
  • Ricota não é queijo. Dúvidas pode ser dirimidas até na wikipedia.
  • Por conseguinte, tofu, que nem derivado de leite é, também não é queijo.
  • Sapatênis não existe: ou é sapato, ou é tênis. Não se misturam uma coisa boa e uma ruim para se chegar a algo médio e aceitável. Se eu mijar na sua cerveja, ela não vira uma mijeja, morna.
  • Só existem 16 cores, embora eu mesmo só consiga catalogar 14: branco, preto, cinza, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil (?), violeta, rosa, bege, marrom e bronze.
  • Ainda sobre cores, salmão é um peixe, pêssego é uma fruta e pink é a tradução de rosa para o inglês. 
  • FIAT não é carro, é veículo. Veículo é uma máquina que transporta objetos ou pessoas entre dois lugares. Carro é um veículo que, entre diversas outras características (algumas das quais os FIATs até tem), inclui beleza, conforto, confiabilidade, conferir status ao dono e prazer de dirigir ao ser usado. Mas é preciso ter todas elas simultaneamente.
  • Pessoas têm direitos; ideias não têm direitos. É por isso que eu respeito pessoas, não ideias. Daí eu nunca digo que pessoas religiosas são estúpidas (podem até ser, mas não tem nada a ver com serem ou não religiosas), mas que elas acreditam em uma coisa estúpida.
  • Maioria não confere razão. O fato de muitas (ou todas as) pessoas pensarem uma coisa não faz com que esse pensamento esteja certo. Esse é o furo claro e contundente da democracia: achar que apenas porque todos estão participando é a maior mentira que teve origem no Iluminismo.
  • Piquet foi melhor do que Senna. Piquet venceu 2 campeonatos com carros inferiores aos dos adversários (81 e 83), enquanto Senna, excelente piloto, não conseguiu esse feito. Piquet ainda foi campeão com 3 motores diferentes (Ford, BMW e Honda), quanto Senna sempre se apoiou nos japoneses.
  • Parabéns ao Corinthians pelo seu indiscutível título mundial em 2012. Mas é o único, até o momento. Em 2000, a FIFA sequer sabia quem convidar para o torneio, não esclareceu as regras de participação até hoje, misturou campeões de anos diferentes e fez uma esbórnia. Tanto que levou mais 5 anos para conseguir organizar outro torneio. Uma pena, mas são os fatos.
  • O Flamengo é penta-campeão brasileiro. Venceu nos anos de 1980, 1981, 1983, 1992 e 2009. O campeão brasileiro de 1987 foi o Sport-PE.
  • Basquete feminino é um saco. Mulheres são mais baixas que homens e tem menor impulsão. Se quiserem que o basquete feminino seja algo interessante, abaixem a cesta uns uns 70cm. Vide volei feminino, com a rede mais baixa e o mesmo grau de competitividade do masculino.
  • O ônus da prova cabe a quem afirma. Não sou eu que tenho que provar que deus não existe, é quem afirma que ele existe que tem que provar sua existência. Em todos estes milhares de anos, não há uma única prova confiável de que ele exista. Argumentos do tipo "isso é algo pessoal", ou "não que provar nada" apenas reforçam a percepção de que deus é apenas o papai noel dos adultos.
Voltamos agora à programação normal.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Lista Negra: Porto Seguro, Sulamerica e Mapfre

Já que o assunto seguradoras chamo a atenção, vamos a elas. Não são histórias longas, acho que posso juntar em um post só.
O desentendimento mais antigo foi com a Porto Seguro. Basicamente, eu fui vítima de uma colisão e o culpado fugiu. Algo corriqueiro em um país com base moral duvidosa. Acionei a Porto para consertar meu carro, o que correu dentro da normalidade. Porém, fui informado de que, como eu me declarei vítima do acidente, eles naturalmente iriam acionar judicialmente o culpado. Observe-se que eles só identificam o culpado porque eu mesmo forneci a eles os dados. Eis que eu procuro a segurado buscando auxílio para fazer o mesmo. Eu tive que arcar com a franquia e assim como era justo eles processarem o imbecil pelo que tiveram que me ressarcir, também era justo que eu o processasse para receber a franquia, certo ? Não. Não me deram a menor atenção. A empresa tem um departamento jurídico monstruoso que não foi revertido para ajudar o segurado em uma coisa que eles já iam fazer. Some-se a isso a prática atual da Porto de colocar montanhas de cláusulas desnecessárias e encarecedoras como encanador, lanchinho e o escambau, e fica claro que não dá para trabalhar com eles.
A seguir, fui de Sulamérica. Eu já havia trocado meu Corsa pelo Daewoo Lanos e seguia com tranquilidade até tentar, em 2005, renovar o seguro. Não: eles não fazem seguro para carros importados com mais de 5 anos. Fui obrigado a mudar de seguradora, para nunca mais voltar a eles: não é justo que eles fiquem comigo apenas enquanto interessa ou apenas enquanto é fácil me atender. Fui despejado e isso é ofensivo.
Saltei para a Mapfre por apenas um ano. Foi o suficiente para também nunca mais votar. Tive uma colisão, desta vez minha culpa. E a encheção de saco que foi para eles atenderem o terceiro mostra que não se trata de uma empresa séria: 3 semanas de idas e vindas, ligações, faxes, emails... Um bando de imbecis.
Daí fui para a Azul, onde estou até hoje sem incidentes. Sim, eu sei que a Azul é da Porto, mas pelo menos não tem as frescuras contratuais da empresa-mãe.
Em resumo, quem usa Porto Seguro, Sulamérica ou Mapfre está sujeito aos problemas que acabo de citar, e nem se tratam de segredos de estado ou exceções raras ao bom atendimento das mesmas. Fique com elas, e receba o carimbo de burrice aguda.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Lista Negra: Shopping Eldorado

Bom dia, amigo leitor. Cumprindo minha promessa, começo pelo Shopping Eldorado minha lista negra.
No dia 4 de agosto, comprei ingressos para Wolverine e lá fui eu com namorada ver o filme. Tínhamos a intenção de aproveitar um quiosque de iogurte que vende uma versão com sabor de doce de leite depois do filme.
Ao chegarmos ao shopping, exatamente às 20h12 (filme marcado para 20h20), a primeira decepção: o quiosque já estava fechado naquele momento, antes mesmo do filme. Decepção total.
Seguimos pela praça para comer algo rápido antes do filme, mas nada fechava a conta. Acontece. Aproveitei para ir ao banheiro antes do filme e... banheiro fechado para reformas. Irritante. Tive que o usar o do Cinemark, sempre mais cheio.
O filme transcorreu sem nenhum incidente.
Na saída, decidimos comer, pois já eram 22h30 passadas. Mas quem disse que você consegue de fato comer algo por lá ? A maior parte das lanchonetes e restaurantes já estava fechada. Porém, ainda havia opções de fast food abertas. Só que esse "abertas" mostrou-se um tanto relativo: as opções eram extremamente limitadas. A batata do McDonalds estava um poço de óleo e nenhuma sobremesa disponível. O mesmo acontecia no Burger King. 
Irritados, comemos o que havia e fomos embora, mas não sem novos incidentes. Luciana sofreu dois tombos enquanto simplesmente nos dirigíamos para o estacionamento sem nenhum tipo de passeio ou delonga. O piso está uma lástima, extremamente liso e perigoso. Não se trata de piso molhado, é seco mesmo.
A isso tudo, no entanto, somam-se episódios anteriores. Em passeio anterior, fizemos compras no Carrefour, mas a fila dos caixas estava terrível. Atrasaria nosso cinema (Homem de Aço naquela vez). Procurei um funcionário e pedi para que minhas compras fossem reservadas para dali a 3 horas. Não havia nenhum item refrigerado e isso não estragaria nada. Sorridente, o funcionário disse que eu poderia deixar a cesta ali com ele sem problemas. Só que não: na volta, nossa cesta foi levada embora. Tivemos que refazê-la. 
Na saída, uma fila insuportável para validação do ticket de estacionamento, pois apenas um caixa específico estava destinado a atender os clientes do Carrefour. Claro que a cabine comporta duas pessoas, mas só havia uma. No caminho para o carro, Luciana teve seu primeiro tombo devido ao piso liso, totalizando 2 com os que teria no dia 4/ago.
Fico triste pelo Cinemark, que tem desempenhado bem. Mas palhaçada tem limite. Não frequento lugares assim. E quem vai sofre de burrice aguda.

  • Nota posterior

Complementando a postagem, faltou explicar algo que na minha cabeça é óbvio, mas para o leitor pode não ser. A responsabilidade do shopping é bastante óbvia no que se refere aos pisos escorregadios e aos caixas para validação de tickets, mas o leitor pode questionar quando à praça de alimentação. No meu entender, cabe ao shopping determinar os horários de funcionamento dos estabelecimentos e fiscalizar o funcionamento. Não basta a loja estar de portas abertas com um único atendente dizendo "sinto muito, senhor, estamos sem sistema" apenas para fingir que cumpre a regra. O mesmo vale quanto ao quiosque do iogurte. Sobre o Carrefour, este sim total e único culpado pela bobagem feita com a cesta de compras, acaba sim o shopping pagando pela incompetência do estabelecimento. Mas não se pode dizer que foi esse o motivo decisivo pelo banimento, certo ?

domingo, 11 de agosto de 2013

Espírito de Aventura

Como não se trata de assunto quente, guardei esta postagem para alegrar a manhã de domingo do amigo leitor. Comento a notícia deste link.
Para começo de conversa, achei 6 bilhões de dólares uma pechincha. Isso é 20% do valor gasto para as Olimpíadas do Rio de Janeiro (veja aqui), e embora eu seja um amante do esporte, não se pode comparar o impacto entre as duas coisas.
A humanidade colonizou lugares distantes deste que decidiu descer das árvores. Alguns entendem que na verdade, a colonização começou quando decidimos sair do mar, mas isso é outro debate. De todo modo, mesmo depois de aprendermos a plantar e fixamos nossas raízes, sempre foi importante, para não dizer imperativo, buscar novas terras. Embora não tenha sido um movimento constante, ele sempre existiu, com destaque para a colonização das Américas e da Oceania. 
No entanto, desde o final do século XIX esse fenômeno aquiesceu, literalmente por falta de espaço. Nunca deixamos, enquanto espécie, de sermos exploradores, mas a marca do colonizador ficou para trás. 
Depois de muito se falar em Lua, agora é Marte que está no alvo. E com a vantagem (para ambos os casos, verdade seja dita), de que não precisamos matar indígenas nem infectar ninguém com varíola para que a coisa toda funcione.
Claro está que a Terra um dia será pequena. Talvez já seja hoje mesmo. Precisaremos de mais espaço, e na falta de evidência de que não estamos sozinhos, é hora de retomar o conceito. 
Apoio total e integralmente o projeto, e sugiro um plano kickstarter em escala global. Eu mesmo doaria uns bons cem obamas para o projeto. 

sábado, 10 de agosto de 2013

Foto do Dia

A foto a seguir foi tirada no Carrefour Taboão, dias atrás. 


"Ligth".
Doeu no pâncreas.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Contexto

Ontem, depois de almoçar, eu passeava pelo Shopping Taboão com dois colegas. Ouço então uma frase estranha:
- Dá aqui mais uma chupadinha pra vovó.
Assustado, olhei para trás, a tempo de ver uma senhora roubando um pouco mais do sorvete do neto. Casquinha do McDonald´s, creio.
Contexto: o grande inimigo da piada.

O Dia em que o Mundo Perdeu a Cabeça

Há 68 anos o mundo perdeu a cabeça. Não digo que foi a primeira vez e certamente não foi a última. Para dar cabo de uma guerra que se arrastava além do que deveria, e aproveitar para tirar o próximo inimigo da zona de conforto, os Estados Unidos jogaram uma bomba atômica na cidade de Hiroshima e outra em Nagazaki (esta aniversaria exatamente hoje)
Não acho necessário contar o que aconteceu. Se você chegou de Marte agora, pode olhar este link
O infinito debate sobre a validade do ato está longe de terminar. Os apoiadores entendem que Little Boy e Fat Man ajudaram a acelerar o final da guerra. Os detratores dizem que não fez a menor diferença. A verdade deve estar no meio do caminho, mas jamais saberemos.
O espantoso é olharmos que a mais terrível das guerras terminou com a mais terrível das armas. A devastação é absoluta, e os sortudos morrem instantaneamente, tamanha a crueldade que é a doença da radiação.
Certo e claro também é que o alvo político do ataque era a URSS. Embora aliados, americanos e soviéticos viviam às turras, e depois da queda dos alemães estava claro que esses dois não namorariam por muito mais tempo. Os americanos buscaram, além de atingir o inimigo nipônico, mostrar seu poderio ao aliado antipático.
Começava um dos períodos mais permeados de medo de nossa história (perdendo, talvez, para a combinação de Peste Negra com "Santa" Inquisição). A Guerra Fria começou quente.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Surpresa

Eu tinha uma missão temerosa: mudar meu pacote de TV a cabo para menor. Medo!
Eu precisava (queria ?) pagar menos por algo que já uso tão pouco. Pagar R$ 138,90 para zapear entre meia dúzia de canais 3 vezes por semana, por não mais de meia hora não faz o menor sentido. Até o momento de ligar para o telemarketing da NET e tentar negociar.
Na verdade, eu tomei essa decisão mais ou menos em dezembro e estava postergando o sofrimento. Quando vi o recente reajuste em maio, tomei a corajosa decisão: "de dezembro, isso não passa !". 
Bem... na última terça-feira, trouxe o boleto de julho comigo decido resolver essa parada. Ficou para quarta. Mas ontem, ainda com o mesmo boleto na mochila, sobrou uns minutos aqui no trabalho e minha maleta de desculpas esfarrapadas estava vazia.
Tirei o boleto da mala, abri em cima do teclado e fiquei pensando sobre ele alguns minutos. Então, falei alto para os colegas:
- Amigos, preciso de ajuda.
- O que foi ?
- Vamos lá, pensamento positivo, foco, garra: vai ser hoje !
- O que, porra ?
- Vou ligar para a NET para reduzir meu pacote de tv a cabo.
Um começou a rir. Outro se benzeu. O terceiro começou a estalar os dedos, chamando ou expulsando (sei lá !) entidades incorpóreas. Todos tinham aquele olhar de tristeza e pena, como seu eu tivesse acabado de mandar sacrificar meu cachorrinho querido no veterinário.
No entanto, para minha enorme surpresa, a ligação correu em nenhum transtorno. O simples fato dela não ter caído já é motivo de alegria. Mais do que isso, havia uma árvore de opções bem estruturada no atendimento eletrônico que me conduziu exatamente, e sem voltas, para onde eu queria. Eventualmente, era um ser humano atendendo, e o grau de tensão subiu um pouco.
Ainda assim, a moça me atendeu não apenas com cordialidade e boa vontade, mas com inteligência. Analisou meu caso e apontou que o plano que eu estava pedindo não estava disponível na assinatura coletiva, mas imediatamente pesquisou a opção mais em conta possível, antes mesmo de eu pedir por isso. O resultado foi a alteração para R$ 89,90 mensais, ainda acima dos R$ 59,90 que eu achava que conseguiria, pois não quis arriscar uma mudança de plano, apenas no plano.
Ficam aqui, então os meus sinceros e surpresos agradecimentos à NET. Não se deveria agradecer por coisas óbvias, mas como não costumamos ter acesso ao óbvio, o paradigma é outro.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Terríveis Dublagens

Amigo leitor, tenho certeza que algum tipo de conteúdo em vídeo você consome. Portanto, creio, acaba sendo atingido pela legendagens e dublagens que permeiam nossas vidas. E, você há de convir, a qualidade realmente deixa a desejar. 
Causa-me espanto toda vez que ouço notícias sobre eventos de anime nos quais milhares de fãs ovacionam os dubladores dos desenhos japoneses. Como meu conhecimento do idioma nipônico mal passa do arigatô, tempurá e osotogari, não posso julgar o trabalho deles. Mas quando o original vem em inglês, posso compreender e me apavorar livremente.
As legendas vem perdendo gradativamente importância na minha vida desde 2011, minha primeira viagem à terra do Tio Sam. Desde então, venho melhorando meu ouvido. Ainda assim, sou obrigado a conviver com as legendas e ler traduções de "a couple of..." como "dois...". Nem sempre "a couple of" vale dois e assim com "um par", significa "alguns", sendo "dois" um número plausível mas não mandatório.
Mas quando chegamos nos filmes dublados, realmente dá medo. Minha crítica não é especificamente aos dubladores, mas à toda equipe de dublagem com eles inclusos. Muitas vezes, nem é preciso ouvir o original para saber que bobagem foi feita. Vejamos alguns exemplos, sem sequer precisarmos citar o contexto:
- "Seu filho da mãe !"
- "Que porcaria !"
- "Droga !"
- "Vai se ferrar."
- "Dane-se"
- "Olhem, são os tiras."
Gente, quem é que fala isso no dia a dia ? E os "tiras" ? Da onde veio isso ?! Conheço "gambé", "homi" e, em desuso, "meganha". Mas "tira"?
Esse medo imbecil de traduzir os palavrões com... palavrões não tem nenhuma justificativa aceitável. Nenhuma. A Censura que atuou neste país foi desmantelada há 20 anos e não existe mais esse tipo de preocupação. 
Respeitemos a obra, por favor. Mesmo com as palavras, ditas, feias.