segunda-feira, 21 de outubro de 2013

USA 2: Dia 1 - Charlotte

Antes de começar, perguntaram "Por que USA 2 ?". 
Estive aqui em 2011, antes deste blog nascer. Pena, mas quem sabe eu não busco tudo da memória um dia, não ?

Depois de liberar o carro na Hertz, programei lá mesmo o GPS para o Hall of Fame. E assim que saio do lugar, com menos de 1 milha rodada, quase bato o carro de frente em um cara na contra mão. Ele fez sinais me acusando e seguimos. Fiquei na sincera dúvida de que fez a cagada...
Cheguei bem cedo, 9h20, sendo que o local abria às 10h. Chovia leve, e mesmo sabendo que Talladega fica a 500km dali, deu um medinho de chover na corrida. 
Resolvi matar o tempo passeando a pé e dei de cara uma surpresa. Havia uma enorme passeata de alerta contra o câncer de mama. Aqui nos USA está rolando uma campanha fortíssima chamada pink october (outubro rosa) para alertar as mulheres sobre o tema. Ruas interditadas e alguns milhares de pessoas no evento. Ou seja, viajei milhares que quilômetros para ver uma passeata, como se não houvesse suficientes no Brasil...
O local abriu mais cedo e logo comprei minha entrada, mas não sem mais um susto: minha CNH simplesmente não estava na carteira. O rolo potencial disso era enorme: poderia ser preso se parado sem ela ou, no mínimo, não alugaria o carro em Vegas daqui uns dias. Mas não havia razão alguma para parar o passeio: se ela sumiu, sumiu. E se deixei em algum lugar, era na Hertz. Bora passear.
O Hall of Fame é maior do que eu esperava. São 5 andares de atividades em geral. Réplicas de carro todos os tempos, videos, material preservado, totens interativos com informações sobre pilotos, equipes, corridas, pistas, inovações e histórias. Fiquei apenas 3 horas ali, e poderia perder um dia inteiro. Tive que encurtar. Destaque para o simulador de corrida, onde honrosamente venci minha bateria contra outros 8 caras. Montes de fotos e uma notícia boa e ruim: todos os modelos em exposição serão trocados em janeiro. Voltarei, portanto.
Fiz compras na loja, onde ainda estava preocupado com a senha do cartão. Mas passou. Agora estou com meu cartão de débito liberado, mas creio que não posso errar a senha por já ter errado duas vezes no Rio. Comprei 2 camisetas, adesivo para o meu carro, itens de casa e dois suverniers para pessoas importantes.
Com fome, mas tenso por causa da CNH deixei o local às 13h e voltei ao carro, onde vasculhei todo ele em busca da CNH. Nada. Programei o GPS para voltar à Hertz e perdi uns 20 minutos nisso. Entrei e, tão logo estacionei o carro para entrar no escritório a porra da CNH brilha no chão do carro, lado do passageiro. Foi só para me irritar mesmo, totalmente gratuito. 
Missão cumprida, saí de lá rumo ao Alabama. Curiosamente, passeio novamente no local do quase-acidente de mais cedo, e nesse momento tive a convicção de que eu estava certo da outra vez.

Comecei a viagem por 4 estados às 14h. Relaxado com a recuperação da CNH, lembrei que estava com fome. Não fazia uma refeição séria desde o almoço do dia anterior (desde então, eu comi um pão de queijo, um jantar de frango e um café da manhã (estes dois no avião), e a coisa estava feia). Mas eu ainda tinha cérebro para ter boas ideias e programei o GPS para algo de grande significado para mim: Jack-in-the-Box.
Há fatores nisso. O primeiro, é uma referência familiar muito antiga (1980-1986), pois era uma rede que a família toda, pai e mãe inclusos, gostava, e onde fiz meu aniversário de 12 anos (aquele no qual Roberta Schneider me deu o disco We are the World). O segundo é que eu já tinha esse objetivo na viagem USA 1, mas a rede não em lojas na Flórida. E essa foi a única falha daquela viagem, o que significa terminar aquele ciclo. O terceiro é que estava muito bom o bacon cheeseburger com batatas curly
Pé na estrada, e descubro que o Sul dos USA não é a Flórida. Só neste dia eu dirigi 400 milhas, quase tanto quanto em toda anterior (520). Ao contrário do que eu pensava, o americano dirige de modo muito mais parecido com o brasileiro do que com o inglês. Pouca gente respeita o limite de velocidade (80%+), mas alguns fazem questão de respeitar na faixa da esquerda para encher o saco. Os acidentes não acontecem por alguns motivos que se somam: estradas mais largas, curvas mais amplas, visibilidade melhor, asfalto melhor conservado (motivo principal), carros melhores e menor diferença de velocidade (segundo motivo). Explicando este último, os caminhões daqui, como na Inglaterra, são velozes, não raro ultrapassando eles também o limite de velocidade. Isso é bom: ficar atrás de um caminhão não atrasa sua viagem como no Brasil, então ninguém precisa forçar a passagem por eles. 
Por volta de 15h30, sem que nada chamasse a atenção para isso, Troquei a Carolina do Norte pela do Sul. Precisamente às 17h07, entrei na Geórgia. Passei ao largo de Atlanta, região que tinha uma interessante rádio de rock clássico, justamente na frequência 97,1 FM. Só os fortes entenderão a referência. A estrada também passa por um parque Six Flags: a conferir em outra oportunidade. 
O Alabama apareceu às 19h50 e vivi uma experiência curiosa: era a primeira vez na minha vida que eu trocava de fuso horário por via terrestre. É completamente bisonho você, de repente, descobrir que arbitrariamente é uma hora mais cedo. Falarei disso outro dia, sobre a percepção psicológica do tempo e da hora.
A esta altura, percebi que pode-se quadricular o mapa dos USA em quadrados de 10 milhas. As intersecções são os McDonalds. Reduza para 2 milhas em trechos urbanos. Impressionante.
Segui Alabama adentro, faltando ainda 96 milhas para Birgmingham. A 51 milhas do destino, passeio por Talladega. Dava para ver as arquibancadas semi-iluminadas e vazias à noite. Emocionei-me muito, e contive as lágrimas por pouco. Amanhã eu estaria lá para valer. 
A chegada a Birgminham (Vestavia para ser exato) correu sem sustos, pois o GPS aqui é coisa séria. O único porém é que as estradas aqui estão todas em obras, e a velocidade vai sendo reduzia de boas 70 milhas por hora para pentelhas 55. O acesso ao hotel Baymont Inn é muito fácil e logo estava nele para o checkin.
Bem... O dia não termina assim, mas optei por quebrar a narração de modo a deixar o leitor interessado no próximo capítulo ao interromper neste parágrafo. O checkin correu sem nenhum tipo de stress e fui para o quarto com minhas malas. Acho curioso esse esquema daqui de que todo quarto tem duas camas de casal. Espaçoso e aconchegante, fui ver a pia e o banheiro, apenas para descobrir que o quarto já tinha um hóspede: uma barata.

2 comentários:

  1. Uma barata daquelas de casca mole?

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  2. Aaaaai, barata não!
    Eu sabia que vc ia se emocionar ao ver Taladega!
    Quero saber tudo da corrida, mas isso eu já falei, rss ;)
    Ama!

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